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    NORMA SHEARER EM DOSE DUPLA - FILM REVIEW


    Empoderamento feminino nos anos 30?

    Imagino que a atriz Norma Shearer tenha sido o pesadelo da censura nos anos 30. Já nas primeiras cenas de Uma Alma Livre (A Free Soul - que já é um título beemmm sugestivo), Norma está com um vestido de seda colado sem sutiã. Isto nos anos 30 !!!

    A obras primas do cinema lançou uma sessão em dose dupla, para apreciarmos melhor o trabalho desta grande atriz: O primeiro, "A divorciada" de 1930, conta a história de um marido que tem um caso com outra mulher. Sua esposa decide "revidar", e se envolve com o melhor amigo dele, mas termina por se apaixonar por ele. O segundo é "Uma alma livre, realizado em 1931, que conta a história  de Stephen Ashe, criminalista famoso (cujo único defeito é ser alcoólatra) que livra o gângster Ace Wilfong da prisão e o convida para uma festinha em casa. Com seu charme e boas maneiras, Ace acaba por conquistar o coração de Jan, a filha de Stephen. Os dois fogem juntos, para desespero do advogado e de Dwight Winthrop, jogador de polo que ia casar-se com a moça. A história toma rumos inesperados.


    Dos dois filmes, A divorciada é o mais reconhecido em termos de premiações. Norma Shearer ganhou na categoria de melhor atriz por sua interpretação neste filme que também foi indicado nas categorias de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro. 

    Inicialmente, Norma Shearer, nem fora cogitada para interpretar Jerry Martin, pois não a achavam nada sexy para a personagem. Para convencer os produtores (entre eles seu então marido Irving Thalberg !!!), Shearer fez uma sessão de fotos especiais, onde posa com uma lingerie provocante. E só então os produtores lhe cederam o papel. E essa decisão valeu a pena por conta dos prêmios que recebeu. A escolha inicial para interpretar Jerry Martin foi Joan Crawford.

    Já "Uma Alma Livre" foi um dos primeiros papéis de destaque para Clark Gable. E muitos consideram entre os 10 melhores filmes da atriz Norma, que inclusive, foi refilmado com Elizabeth Taylor em 1953: "A Jovem que Tinha Tudo", que Richard Thorpe dirigiu.


    E falando de Censura

    Em 1924 todas as produções já passavam por seu crivo e, em 1930, as regras de censura foram oficializadas no chamado Código Hays. A aplicação dessa espécie de cartilha conservadora atingiu o auge a partir de 1934, quando o departamento responsável pelo controle moral dos filmes caiu nas mãos do ativista religioso Joseph Breen.

    O Código Hays foi escrito por um dos líderes do Partido Republicano (EUA) chamado William H. Hays, daí o seu apelido. Entrou em vigor em 1933 e sobreviveu até 1956, embora as mudanças fossem graduais até os meados dos anos de 1960, em razão dos vários movimentos que estavam aparecendo, como a liberação feminina e os hippies. Os cineastas passaram a ignorar as regras do código, fazendo filmes sem a aprovação da censura. Em 1968, o Código Hays cedeu lugar a uma tabela de classificação de filmes, levando em conta a idade do espectador.


    E as duas produções são recheadas com temas e vestimentas proibidas pelo maldito código. Da já mencionada roupa ultra sensual para os anos 30 ao tema de Divorciada. Afinal, mulher traindo e dando o troco no marido? Era uma época que o machismo imperava.

    A rainha da MGM

    A atriz Norma Shearer, que nasceu no Canadá no início do século passado, tem uma importância pessoal para mim. Meu avô, que eu adorava, era fã da atriz (hoje entendo porque!!). E quando nasceu minha mãe, ele não pensou duas vezes, e tentou colocar o nome dela de Norma Shearer. Só que o escrivão não aceitou o nome, por ser americano. Então meu avô, que estava decidido, registrou ela com o nome similar: Norma Shearer virou Norma Seare, eliminando o H e o R.  Então, esta linda edição lançada pela Obras primas tem uma importância bastante pessoal.

    E tal como minha mãe, Shearer era um exemplo de beleza em sua juventude. Como modelo, ganhou um concurso de beleza, mudou-se para Nova York e começou a fazer testes para atuar.  Depois de alguns papéis em filmes de baixo orçamento, foi contratada pela MGM. Conseguiu bons papéis e um bom marido (ou um por causa do outro !!).  Sua irmã se casou com  Howard Hawks. Então, as oportunidades surgiam no quintal de sua casa. Com isto, ela foi nomeada ao Oscar 6 vezes (!!!) como melhor atriz, tendo vencido por A divorciada, que é um dos filmes lançados. Ela se naturalizou americana um ano depois.


    Pode-se dizer que sua carreira declinou à partir da morte de seu marido, Irving Thalberg, em 1936. E ela se encerrou em 1942, após o segundo casamento.

    Mas seu afastamento não excluiu sua participação nos bastidores da fama. Enquanto esquiava, ela viu a foto da filha de uma recepcionista e se encantou. Seu nome? Janet Leigh. Até mesmo um jovem homem de negócios se tornou o aclamado produtor Robert Evans ao passar pela suas mãos. Norma recusou papéis famosos como  Scarlett O'Hara em "E o vento levou" e o papel principal em Rosa de Esperança (1942), além do antológico Crepúsculo dos Deuses (1950).

    Sim, ela posou nua nos anos 30 !!!

    Norma faleceu em 1983 e não viu seu casal de filhos com Irvin morrerem de câncer. Ele em 1988 e ela em 2006.

    Não deixem de conferir os filmes e perceber, principalmente, que a atriz Norma Shearer era bem à frente de seu tempo. Um retrato de que o o dito empoderamento feminino tinha raízes muito mais profundas, só que, por inúmeras razões, ele não acontecia por definitivo.

    Assistam ao trailer da edição:

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