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    ALEXANDER NEVSKY (1938) - FILM REVIEW


    Iniciar um papo sobre Alexander Nevsky e não falar de Eisenstein antes, é como falar da batata do Mcdonalds e não falar do Big Mac.

    O Big Sergei Eisenstein é um dos diretores mais inovadores e pioneiros da história do cinema. Ele praticamente inventou a técnica de montagem e influenciou grandes cineastas como Orson Welles, Jean Luc Godard, Brian de Palma e Oliver Stone. 

    Filho de um engenheiro, estudou ciências para seguir os passos do pai. Em 1915, foi para o Instituto de Engenharia Civil de Petrogrado, onde assistiu às produções teatrais vanguardistas de Meyerhold e Yevreinov. Depois da Revolução de 1917, fez cartoons políticos e entrou no corpo de engenharia do Exército Vermelho (formado por Trotsky para defender a Revolução) como voluntário. Seu pai juntou-se ao Exército Branco (formado pelos grupos interessados em restabelecer o antigo regime monárquico). Mesmo soldado, encenou diversas peças, para as quais desenhou os cenários e o guarda-roupa. Em 1920,ingressou na Academia Geral de Moscou.


    Debutou no sucesso de "O mexicano", texto adaptado de Jack London. A contribuição deste novo teatro para a causa revolucionária consistia numa destruição da arte velha e na criação de uma nova e mais democrática. Os jovens artistas soviéticos usavam formas menos eruditas, como o circo, o musical, o esporte, e espetáculos de rua. Seu primeiro longa-metragem foi "A greve", com tomadas expressionistas, reflexos em espelhos e metáforas visuais. A partir de seu passado teatral, escolhia atores não profissionais, homens e mulheres do proletariado. Seu filme seguinte, foi "O Encouraçado Potemkin", rodado em apenas dois meses, é marco da história do cinema e foi feito para celebrar o novo regime bolchevique. 

    Logo depois, Eisenstein fez "Outubro", que até hoje é modelo para filmes experimentais e trabalhos de vídeo-arte. O cineasta teve bastante liberdade criativa nos primeiros filmes. Mas depois vieram problemas políticos que fizeram ele aceitar  um convite da Metro-Goldwin-Mayer (MGM). Mas, nos Estados Unidos, apesar de amigos poderosos como Charles Chaplin, os projetos não decolaram. Serguei saiu de Hollywood para fazer "Que Viva México!", cujas filmagens foram interrompidas por falta de dinheiro.


    Nevsky

    Voltou para a União Soviética.  Em 1938, recebeu a ordem de filmar "Alexandre Nevski", cujo objetivo era se tornar uma obra de propaganda anti-nazista.  O enredo baseia-se na história do príncipe Alexandre Nevsky que, no sédulo XIII, defendeu o território russo da invasão germânica.O filme é uma clara referência à ameaça de invasão alemã à Rússia, antes da Segunda Guerra Mundial.
    O filme se passa (obviamente) na Rússia, durante a primeira metade do século XIII. Em um momento difícil da sua história o país é invadido em uma frente pelos cavaleiros teutônicos e por outra frente pelos tártaros. Como resultado, a pátria é saqueada e a moral da população fica bem baixa. Finalmente, o deprimido e instável príncipe Alexander Yaroslavich Nevsky (Nikolai Cherkasov) é chamado para liderar seu povo na luta contra os opressores.

    A trilha sonora é do famoso compositor erudito Sergei Prokofiev. Ele conseguia trazer a noção de movimento à música quando os exércitos se moviam , reduzia o som quando era uma cena triste, tocava som de flautas e clarinetas quando eram festas, tocava som de órgãos e cornetas quando eram músicas sacras e de guerra (o tema sobre os teutônicos ficou impecável, tanto que acabou sendo copiado na trilha sonora de Conan, o Bárbaro) e ainda conseguia reunir um coro polifônico russo que cantava entre os momentos de silêncio da filmagem.


    A produção, como de costume, foi política (feito sob encomenda de Stalin) . Ele mostra que desde o início os alemães eram uma ameaça, influenciado certamente por sua época de produção e lançamento (o filme é de 1938, quando os nazistas estavam ascendendo na Europa),  e explica alguns comportamentos do próprio governo soviético da época.

    Mas mesmo assim,  Alexander Nevsky nos ensina sobre o contexto das Cruzadas do Norte, deflagradas pela Ordem Teutônica no século XIII contra os principados Russos; sobre  a relação de submissão ao poder dos mongóis; e como era o gênial militar Aleksandr Nevsky (fazer os alemães se agruparem num lago congelado, que estava prestes a despedaçar , por exemplo). 

    Muitos se preocupam com veracidade num filme, que em teoria, é histórico. Se é um destes, sugiro mudar de pensamento. Cinema sempre será cinema. Nunca será 100% da representação de fatos verídicos. E Nevsky é uma aula de muitas coisas, mas acima de tudo, é uma aula de cinema.




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    1 comentários:

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