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    quinta-feira, 1 de junho de 2017

    MULHER MARAVILHA (2017) - CRÍTICA


    Quando criança, eu brincava com bonecos dos super heróis ao mesmo tempo que curtia desenhos animados e colecionava HQs. E olhando para trás, hoje...30 e poucos anos depois, eu continuo sem entender como não fizeram inúmeros filmes como este, nos anos 90...2000...Não me digam que não tinham tecnologia suficiente (Jurassic Park é de 94, por exemplo). Muito menos, digam que não tinham bons atores ou diretores. Mesmo na história recente. Quantos Homem aranhas tiveram num curto espaço? Ou Batmans? Incrível como deixaram de lado a Mulher Maravilha. E ao contrário do Lanterna Verde de Ryan Reynolds, parece que Gal Gadot veio para ficar.

    A origem:

    William Moulton Marston é o nome responsável pela criação do personagem, que foi inspirado na sua esposa e na namorada dele, que viviam os três um relacionamento. Sim..a mulher maravilha veio de uma poligamia. Ela inclusive, era sua aluna.


    O Feminismo discute que as mulheres são iguais aos homens e devem ser tratadas como elas são. Na mente de Marston, mulheres possuem o potencial não somente de serem tão boas quanto homens como podiam ser superiores a eles. 

    Personagem certo num caminho torto, eu diria.

    Mulher Maravilha na Tv

    O caminho para o cinema não foi fácil. Teve altos e baixos, sendo os baixos muito baixos. E os altos, não tão altos. A primeira adaptação veio em 1974, num filme feito para a Tv, onde  Cathy Lee Crosby vivia a amazona.

    Normalmente, associa-se a primeira mulher maravilha a Lynda Carter, mas foi Cathy que começou a história toda, num piloto de série que não vingou. Exatamente um ano antes de vermos Lynda Carter como a heroína. O que vemos, neste telefilme, é uma abordagem completamente diferente da personagem, colocando-a mais como espiã do que super-heroína de fato. 
    Lógico, uma das razões do fracasso é justamente o foco errado. Ela é apenas uma espiã habilidosa, que sequer tem poderes, contando até com alguns gadgets à sua disposição, como um bracelete que explode e outro que se transforma em um gancho que se acopla à corda escondida em seu cinto. Meio Vingadores (a série), meio James Bond, ambos dos anos 60.

    Em 1975 os produtores chamaram a Miss Mundo Lynda Carter para interpretar a Mulher Maravilha. Porém a Warner não queria alguém sem experiência dramática. Mas depois de testes com Joanna Cassidy, Raquel Welch, Farah Fawcett, Lindsay Wagner e Suzanne Sommers, além da ameaça de Douglas Cramer em abandonar o projeto, Lynda foi contratada.


    A série foi um enorme sucesso. Foram 60 episódios divididos em  3 temporadas.

    Já em 2011, houve o desastroso piloto para uma nova série, estrelado por  Adrianne Palicki. Um dos momentos mais sofríveis da tv mundial. Tentei duas vezes terminar de ver o episódio. Não consegui.

    Mulher Maravilha na DC

    Já o sucesso do projeto Marvel do cinema, causou um certo sentimento de urgência na DC. Enquanto a Marvel planejou cada filme, fazendo com que, caso fizessem sucesso, seriam parte de algo maior, a DC mutilou o planejamento e detrimento do sucesso imediato baseado no poder dos seus heróis. Estratégia bem errada. Enquanto a Marvel fazia sucesso com os filmes Homem de ferro, Capitão América e Thor, era lançado o filme Lanterna Verde, que não fazia parte de um universo maior como deveria ser previamente pensado. E Batman, que em 2012 foi feito o terceiro filme do Nolan, também era um universo particular, não cabendo, teoricamente, numa linha do tempo nova. 


    Ou seja, reboots precisavam ser atropelados. Mas neste atropelo, a "urgência" fez com que um novo Batman fosse enfiado no segundo filme do Superman, que já não tinha sido bom. Resultado? Mais um filme duvidoso, começando pela falsa rivalidade do título: Batman Vs Superman. Zack Snyder foi absurdamente questionado pelos fãs, que chegaram a fazer uma petição para tirá-lo. Mas e não é que, em meio a tanto fiapo de história mal desenvolvido aliado ao atual momento de empoderamento feminino, justamente, o melhor de tudo feito até agora seja...A mulher maravilha. Gal Gadot brilha em cena, abrindo as portas para várias situações inéditas: um filme solo (de sucesso) de uma heroína no cinema, e ainda dirigido por uma mulher. Nada mais atual e pertinente. 


    Só que feito às pressas. A toque de caixa para sair antes do filme Liga da Justiça. A possibilidade de dar errado era grande. Ainda mais com o desespero DC eminente: Esquadrão suicida saindo sob inúmeras críticas. Jared Leto sendo espantosamente, o pior Coringa visto nas telas (e olha que o cara é mega talentoso !!!). Batman perdendo diretor, sendo que o próprio Ben Affleck dirigiria, o que em teoria, seria uma garantia de acerto, já que Ben é muito competente na direção.. Flash foi adiado. Esquadrão suicida 2 jogado para escanteio. Esquadrão suicida feminino entrando em pauta...Tudo para dar errado né?

    O Filme

    Sem delongas. Finalmente, um ótimo filme. Sem arestas para mimimis ou críticas destrutivas. Patty Jenkins faz o filme que precisava ser feito. Há um momento, bem perto do final, meio Zack Znyder (ele inclusive produz, roteiriza e provavelmente tem o seu dedo na cena), mas isto não compromete em nada.

    O filme é mais leve, divertido, bem feito. Os atores parecem estar ali para fazer figuração pois perto da Mulher Maravilha, de Gal Gadot, eles não significam muito. A diferença está apenas no tempo que ela leva para descobrir o quanto é poderosa.

    Há sim, momentos em que o filme discursa sobre o atual momento feminino na sociedade. Mas eles fazem parte do todo. Por diversas vezes tentam dizer o que ela pode ou não fazer. Mas a mulher maravilha está ali para romper. E no final, causa a sensação de que foi fácil para ela. De certa forma, é um recado para sociedade (machista), que sempre buscou limitar a mulher, como se fosse apenas uma atitude covarde, frente ao fato de que elas poderiam não somente ser iguais, como melhores.
    Em outros momentos, o personagem de Chris Pine tenta explicar para Diana o que é uma secretária. E ela responde: "- onde eu moro isto se chama escravidão".

    Tudo isto sempre pontuado com ótimas cenas de ação. A diretora usa bem o 3D. A todo tempo, sentimos a profundidade de campo. Vale a pena ser conferido no formato. E analisando o discurso do filme hoje, é fácil de entender porque ele nunca era levado ao cinema. Diana inclusive revela, em dado momento, que foi concebida do barro, por Zeus...
    Paralelo mais oportuno, impossível.

    E ao final, fica a lição de que as mulheres estão conquistando por méritos seu espaço. E se os homens estão ficando para trás, que lidem com isto.

    E no UCI, tem almofada do filme para adquirir com um dos combos. Corram e comprem antes que acabe.

    Aliás...

    A satisfação como o filme não impede que enxerguemos que arestas precisam ser aparadas. E pelo menos um problema, olhando os 4 filmes apresentados (Homem de aço, BvS, Esquadrão suicida e este) a DC tem: vilões fracos, sem profundidade ou inexpressivos.  Mas uma vez que tudo fique nos trilhos, estes problemas vão se resolvendo...

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