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    terça-feira, 6 de junho de 2017

    20 FILMES COM MAGNÍFICAS INTERPRETAÇÕES DE CRIANÇAS - PARTE 1


    Apesar de ser cinéfilo, já ter visto quase 20 mil filmes, não conheço todos os filmes e nem vou um dia. E este talvez seja o grande barato. Vou descobrindo filmes aqui e ali, que me surpreendem muito. Hoje foi o dia de conhecer Victoire Thivisol ou Ponette. A atriz, então com 4 anos, fez pouca coisa. E nem precisava fazer mais. Com um retrato duro e sensível, ela tem uma interpretação digna de Oscar, que me motivou a fazer a lista abaixo. Fiquei tão impressionado, que dividi a lista de 60 filmes em 3 partes, e nas três , a capa é a Ponette.

    O filme, lançado pela Obras primas do cinema, é simplesmente imperdível. A produção é dirigida por Jacques Doillon, que em 2017 lançou Rodin,  que conta a história do escultor, que trabalha ao lado da esposa Rose Beuret (Séverine Caneele), e apaixona-se pela aluna Camille Claudel (Izïa Higelin), sua aprendiz mais talentosa, que se torna sua amante. Fiz inclusive um post, ainda não publicado sobre filmes em instituições psiquiátricas, à partir do filme mais recente de Camile Claudel. Universos conectados, porém, filmes diferentes.

    Mas voltando...

    A edição lançada pela Obras primas, é recheada de extras que torna a obras mais interessante. Inclusive, uma entrevista com a atriz 8 anos depois. É impossível não pensar que o filme não tenha causado nenhum trauma à atriz mirim, tamanha a veracidade das cenas. 

    Ponette é uma menininha que não aceita a morte da mãe. E tenta de diversas formas, entender o acontecido e mesmo reverter a situação ou pelo menos comunicar-se com a mãe. E enquanto estes fatos ocorrem, é perceptível o contínuo sofrimento da personagem, que poucas vezes se diverte no longa, e quando isto ocorre, faz com outras crianças. É um filme sincero, doloroso, que o telespectador tem vontade de "entrar" na tv (uma rosa púrpura do cairo invertida) e ajudá-la de alguma forma. Mérito da atriz, que se entregou a um papel visceral.


    Doillon traz-nos um universo completamente diferente daquilo a que estamos habituados, o universo das crianças na idade pré-escolar. Ou seja, a linguagem do filme e seus diálogos são praticamente todos de compreensão muito fácil, infantil. Doillon lida neste filme com a percepção que uma criança tem/ganha quando confrontada com uma situação tão difícil como a morte de uma mãe. Não é fácil aceitar a morte de alguém que nos é querido mesmo quando somos adultos, mas Doillon vai mais longe e mostra-nos o sofrimento de uma criança de 4 anos que de um momento para o outro se vê privada da figura mais protetora para uma criança, a mãe. Aceitar este fato requer várias explicações que lhe são dadas pelos adultos, pelas outras crianças da sua idade, inclusive os seus primos que convivem com ela dia a dia. 

    Mas Ponette recusa-se a aceitar o fato  e é aqui que a interpretação desta criança se transcende e traz todo o valor ao filme. É quando Ponette inventa que fala com a mãe de noite, quando a tia lhe diz que a mãe está no céu com Deus, quando a educadora a ensina a rezar, que toda a essência do filme faz sentido. É nestes momentos de uma procura de respostas às perguntas que uma criança tão nova, perdida numa condição que não compreende, não quer compreender e que procura incessantemente remediar e revogar toda essa condição a que está sujeita, que esta obra se valoriza.

    Confiram a primeira parte da lista que tentei pescar interpretações do mesmo nível, ou próximo. E quem tiver dicas, deixe nos comentários que poderá ir ao ar na terceira parte.



    Em 1936, após a morte da mãe, a órfã Addie Loggins (Tatum O'Neal) fica sob os cuidados de Moses Pray (Ryan O'Neal), um vendedor de bíblias que na verdade é um vigarista, que pode ou não ser o pai de Addie. Tentando entregar Addie aos parentes dela, Moses descobre que aquela menina de 9 anos é bem precoce, pois tem um enorme "jogo de cintura" e até mesmo fuma e pragueja. Eles se unem como caloteiros e trabalham tão bem que Addie se recusa em desfazer a dupla e sabota o romance entre Moses e Trixie Delight (Madeline Kahn), uma aproveitadora. Após isto tentam fazer algo realmente arriscado: roubar a bebida de um contrabandista e lhe vender a própria mercadoria. Tudo iria correr bem, se ele não fosse irmão do xerife.


    Em Georgetown, Washington, uma atriz vai gradativamente tomando consciência que a sua filha de doze anos está tendo um comportamento completamente assustador. Deste modo, ela pede ajuda a um padre, que também um psiquiatra, e este chega a conclusão de que a garota está possuída pelo demônio. Ele solicita então a ajuda de um segundo sacerdote, especialista em exorcismo, para tentar livrar a menina desta terrível possessão.
    A atriz Ellen Burstyn aceitou atuar em O Exorcista estabelecendo uma única condição: que sua personagem não dissesse a frase "I believe in the devil!" ("Eu acredito no demônio!"), contida no roteiro original. Os produtores atenderam o pedido e esta frase foi retirada da história.


    Em Nova York, um homem de 26 anos (Robert De Niro), veterano da Guerra do Vietnã, é um solitário no meio da grande metrópole que ele vagueia noite adentro. Assim começa a trabalhar como motorista de taxi no turno da noite e nele vai crescendo um sentimento de revolta pela miséria, o vício, a violência e a prostituição que estão sempre à sua volta. Perde bastante noção das coisas quando leva uma bela mulher (Cybill Sheperd), que trabalha na campanha de um senador, para ver um filme pornô logo no primeiro encontro, mas tem momentos de altruísmo ao tentar persuadir uma prostituta de 12 anos (Jodie Foster) para ela largar seu cafetão, voltar para a casa de seus pais e ir para a escola. Porém, em contra-partida, compra quatro armas, sendo uma delas um Magnum 44, e articula um atentado contra o senador (que planeja ser presidente) e para quem sua amiga trabalha.


    Um pequeno alienígena, que estava estudando a botânica do planeta Terra, se distrai com as luzes da cidade de Los Angeles, a qual ele observava despreocupadamente, de um penhasco próximo de onde sua nave espacial havia pousado, junto com a equipe de exploradores extraterrestres. Ocorre que ele é descoberto e tenta voltar correndo para sua nave, mas ela parte deixando-o para trás, e ele fica perdido há três milhões de anos-luz de sua casa. Elliot, um garoto solitário de dez anos, cujos pais se separaram a pouco tempo, acaba por coincidência encontrando com ele, quando ele tenta se alimentar e esconder no milharal de sua casa. Agora, quando eles criam uma amizade, Elliot deseja ajudá-lo a voltar para casa. 


    Bielorrússia, 1943. O jovem camponês Florya (Aleksei Kravchenko) é cooptado por um despreparado grupo de guerrilheiros antinazistas. Em confronto com os alemães, o garoto é deixado para trás e decide retornar ao seu vilarejo. Chegando lá depara-se com o desolador cenário de um massacre. Perturbado, ele passa a vagar sem rumo, presenciando cenas cada vez mais fortes. 
    Na época com quinze anos, o ator Aleksei Kravchenko foi além de uma simples interpretação cinematográfica. Ele encarnou seu personagem Florya de modo chocante e isso é visível toda hora em que a câmera se a próxima de seu rosto.


    Jim Graham (Christian Bale) é um garoto de 11 anos de uma família inglesa que vive no Oriente. Jim tem um padrão de vida alto, mas de repente é separado de seus pais em virtude da China ser invadida pelo Japão. Isto o força a se defender e o obriga a crescer, tornando-se então um sobrevivente em um campo de concentração com rígidas regras.
    Christian Bale foi escolhido para o papel de Jim entre mais de 4 mil crianças que fizeram o teste. Steven Spielberg tinha visto Bale na minissérie "Anastasia: The Mystery of Anna", e Bale foi pessoalmente recomendado para Spielberg por Amy Irving, sua esposa na época, que trabalhou com Bale nela. Spielberg não se lembrava muito de Bale em "Anastasia", mas lançou-o no papel de Jim depois que ele fez o teste.


    Nos anos que antecederam a chegada da televisão em uma pequena cidade da Sicília, o garoto Toto (Salvatore Cascio) ficou hipnotizado pelo cinema local e iniciou uma amizade com Alfredo (Philippe Noiret), projecionista que se irritava com certa facilidade, mas tinha um enorme coração. Todos estes acontecimentos chegam em forma de lembrança quando Toto (Jacques Perrin), agora um um cineasta de sucesso, recebe a notícia de que Alfredo faleceu.
    Giuseppe Tornatore tinha a intenção de que esse filme fosse uma espécie de "obituário" dos cinemas tradicionais e da industria cinematográfica em geral. Porém, após o sucesso do filme, ele nunca mais mencionou isso.


    Na época vitoriana, quando a Nova Zelândia estava há pouco tempo sendo colonizada, para lá se muda Ada McGrath (Holly Hunter), um mulher que quando tinha seis anos de idade resolveu parar de falar. Ela vai na companhia de sua filha, Flora (Anna Paquin). O motivo de ter ido para lá é que Ada se casou com Stewart (Sam Neill) em um casamento arranjado, já que ela nem conhecia seu noivo. Ada imediatamente antipatiza com Stewart quando ele se recusa a transportar seu amado piano. Stewart negocia o instrumento e o passa para George Baines (Harvey Keitel), um administrador da região. Atraído por Ada, Baines concorda em devolver o piano em troca de algumas lições no instrumento, que Ada daria para ele. 


    Em Nova York o assassino profissional Leon (Jean Reno) não vê sentido na vida. Quando a família vizinha é morta por policiais envolvidos com drogas ele decide proteger Mathilda (Natalie Portman), uma menina de 12 anos que é a única sobrevivente da família. Ela deseja se tornar uma assassina, para poder vingar a morte do seu irmão de 4 anos. Enquanto ela cuida da casa e ensina o pistoleiro a ler e a escrever, ele lhe ensina o básico de como manejar uma arma.
    Natalie Portman inicialmente não queria que sua personagem fumasse em cena, devido ao efeito que isto teria no público adolescente. Foi o diretor Luc Besson que a convenceu a fazer esta cena, dizendo que posteriormente a personagem demonstrava que fumar era um mau hábito.


    A mãe de Ponette (Victoire Thivisol), uma menina de quatro anos, morre de repente num acidente de automóvel. Seu pai lhe dá a notícia, mas ela ainda não tem condições de aceitá-la segundo os padrões do pensamento adulto. Nem o pai, nem os tios, nem ninguém consegue convencê-la de que a mãe nunca mais voltará. A ausência dela é insuportável para Ponette. A menina fala com ela, procura-a, espera-a, com uma determinação que parece crescer a cada dia. Ponette não abre mão de sua posição, puramente instintiva, emocional. Não engole o que os demais tentam impor-lhe como inevitável. Ela resiste, lutando contra a renúncia que lhe pedem, contra a obrigação de aceitar o que parece inaceitável. 


    O psicólogo infantil Malcolm Crowe (Bruce Willis) abraça com dedicação o caso de Cole Sear (Haley Joel Osment). O garoto, de 8 anos, tem dificuldades de entrosamento no colégio e vive paralisado de medo. Malcolm, por sua vez, busca se recuperar de um trauma sofrido anos antes, quando um de seus pacientes se suicidou na sua frente.
    O ator Haley Joel Osment foi impedido por sua mãe de assistir ao filme por um motivo simples, a censura era 14 anos. Poderia ser que as cenas impressionassem o garoto, que na época tinha 11 anos de idade, por isso Haley não teve a oportunidade de se ver nas telas.


    Buscapé (Alexandre Rodrigues) é um jovem pobre, negro e muito sensível, que cresce em um universo de muita violência. Buscapé vive na Cidade de Deus, favela carioca conhecida por ser um dos locais mais violentos da cidade. Amedrontado com a possibilidade de se tornar um bandido, Buscapé acaba sendo salvo de seu destino por causa de seu talento como fotógrafo, o qual permite que siga carreira na profissão. É através de seu olhar atrás da câmera que Buscapé analisa o dia-a-dia da favela onde vive, onde a violência aparenta ser infinita.
    Grande parte do elenco de Cidade de Deus foi escolhido entre garotos que vivem em diversas comunidades e favelas do Rio de Janeiro e que não tinham tido até aquele momento nenhum contato com a arte de atuar. Para fazer esta seleção foram realizadas mais de 2000 entrevistas.


    J.M. Barrie (Johnny Depp) é um bem-sucedido autor de peças teatrais, que apesar da fama que possui está enfrentando problemas com seu trabalho mais recente, que não foi bem recebido pelo público. Em busca de inspiração para uma nova peça, Barrie a encontra ao fazer sua caminhada diária pelos jardins Kensington, em Londres. É lá que ele conhece a família Davies, formada por Sylvia (Kate Winslet), que enviuvou recentemente, e seus quatro filhos. Barrie logo se torna amigo da família, ensinando às crianças alguns truques e criando histórias fantásticas para eles, envolvendo castelos, reis, piratas, vaqueiros e naufrágios. Inspirado por esta convivência, Barrie cria seu trabalho de maior sucesso: Peter Pan.


    Entre para o mundo de fantasia de Jeliza-Rose, onde esquilos falam, vaga-lumes têm nome e cabeças de boneca – há muito tempo separadas de seus corpos – são suas melhores amigas. Após a morte de sua mãe por overdose, Jeliza e seu pai drogado embarcam em uma estranha jornada até a fazenda abandonada da família onde não há comida, não há água, não há nada. Com tamanha solidão, resta a Jeliza se afundar cada vez mais em sua imaginação e evitar o sofrimento da realidade.
    O ator Brendan Fletcher já havia sido escalado para o papel de Dickens antes mesmo de Terry Gilliam conhecê-lo. O diretor disse numa entrevista que o escalou após ter ficado impressionado com sua performance na fita enviada por Fletcher.


    Nenhuma família é verdadeiramente normal, mas a família Hoover extrapola. O pai desenvolveu um método de auto-ajuda que é um fracasso, o filho mais velho fez voto de silêncio, o cunhado é um professor suicida e o avô foi expulso de uma casa de repouso por usar heroína. Nada funciona para o clã, até que a filha caçula, a desajeitada Olive (Abigail Breslin), é convidada para participar de um concurso de beleza para meninas pré-adolescentes. Durante três dias eles deixam todas as suas diferenças de lado e se unem para atravessar o país numa kombi amarela enferrujada.


    Kate (Vera Farmiga) e John Coleman (Peter Sarsgaard) ficam arrasados devido a um trágico aborto. Apesar de já ter dois filhos, Daniel (Jimmy Bennett) e a surda muda Maxime (Aryana Engineer), o casal decide adotar uma criança. Durante uma visita a um orfanato, os dois se encantam pela pequena Esther (Isabelle Fuhrman) de nove anos e optam rapidamente por sua adoção. O que eles não sabiam é que estranhos acontecimentos fazem parte do histórico da menina que passa a se tornar, dia após dia, mais misteriosa. Intrigada, Kate desconfia que Esther não é quem aparenta ser, mas devido ao seu passado de alcoolismo tem dificuldades de provar sua teoria.


    O pai de Mattie Ross (Hailee Steinfeld), de apenas 14 anos, foi assassinado a sangue frio por Tom Shaney (Josh Brolin). Em busca de vingança, ela resolve contratar um xerife beberrão, Reuben J. Cogburn (Jeff Bridges), para ir atrás dele. Inicialmente ele recusa a oferta, mas como precisa de dinheiro acaba aceitando. Mattie exige ir junto com Reuben, o que não lhe agrada. Para capturar Shaney eles precisam entrar em território indígena e encontrá-lo antes de La Boeuf (Matt Damon), um policial do Texas que está à sua procura devido ao assassinato de outro homem.


    Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) é uma menina de apenas 6 anos de idade que vive em uma comunidade miserável isolada às margens de um rio. Ela está correndo o risco de ficar órfã, pois seu pai (Dwight Henry) está muito doente. Ele, por sua vez, se recusa a procurar ajuda médica. Um dia, pai e filha precisam lidar com as consequências trazidas por uma forte tempestade, que inunda toda a comunidade. Vivendo em um barco, eles encontram alguns amigos que os ajudam. Entretanto, o pai vê como única saída explodir a barragem de uma represa próxima, o que faria com que a água baixasse rapidamente e a situação voltasse a ser como era antes.


    O casal Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor) está aproveitando as férias de inverno na Tailândia junto com os três filhos pequenos. Mas na manhã de 26 de dezembro de 2004, enquanto curtiam aquele paraíso após uma linda noite de Natal, um tsunami de proporções devastadoras atinge o local, arrastando tudo o que encontra pela frente. Separados em dois grupos, a mãe e o filho mais velho vão enfrentar situações desesperadoras para se manterem vivos, enquanto em algum outro lugar, o pai e as duas crianças menores não têm a menor ideia se os outros dois estão vivos. É quando eles começam a viver uma trágica lição de vida, movida pela esperança do reencontro e misturando os mais diversos sentimentos.


    Em uma cidade africana, Agu (Abraham Attah) é uma criança, que atingida pela guerra, é transformada em soldado. Após a morte de seu pai por militantes, ele é obrigado a abandonar sua família para lutar na guerra civil da África do Sul, instruído por um grande comandante (Idris Elba) que o ensinará os caminhos de um conflito. Neste momento vamos testemunhar a sua transformação, numa atuação esplendorosa do jovem Attah, que através dos seus olhos nos mostra, ao longo do filme, a perda da sua inocência, sonhos e esperança.




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