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    terça-feira, 30 de maio de 2017

    O DR. CALIGARI E O GABINETE EXPRESSIONISTA


    Alguns filmes são tidos como mais importantes do cinema, e a razão é simples: por conterem certo ineditismo aliado a qualidade. Dificilmente, alguém vai comparar "Os Crimes do Museu (1933)" com " Casa de Cera (2005)", justamente por este fato.  A importância vai para quem inovou primeiro, aliado sempre à boa direção. Tecnicamente falando, um filme mais novo tem chance de ser melhor, mas o clássico sempre será o clássico. Visto casos como filmes de zumbis. Desde sempre, o cinema flertou com zumbis, mas George A. Romero criou características e as inseriu no filme, que é , de fato, o melhor da história: Noite dos mortos vivos (1968). Muita coisa boa foi feita depois. Mas sempre vamos reconhecer o clássico de 68 como o melhor. 

    Dito isto, O Gabinete do Dr. Caligari é um dos filmes mais influenciadores de toda a história cinematográfica. O filme conta a história de Francis (Friedrich Feher) e o amigo Alan (Hans Heinrich von Twardowski) que visitam o gabinete do Doutor Caligari (Werner Krauss), onde conhecem Cesare (Conrad Veidt), um homem sonâmbulo que diz a Alan que ele morrerá. Assim acontece e Alan acorda morto no dia seguinte, o que faz com que Francis suspeite de Cesare. Francis então começa a espionar o que o sonâmbulo faz com a ajuda da polícia. Para descobrir todos os mistérios, Francis acredita só haver uma solução: adentrar no misterioso gabinete do Doutor Caligari.


    É um dos primeiros filmes, senão o primeiro, em que a história, à exceção de duas cenas, é totalmente contada por flashback e, atreve-se a ir ainda mais longe com o flashback dentro do flashback. Ainda por cima, contem o primeiro plot twist da história (bem antes de nascer M.Night Shyamalan), o que foi, obviamente, controverso na época.

    O suspense é perfeitamente bem construído, deixando a audiência num estado confuso e de desconforto com o que virá a seguir, da primeira a última cena. O estilo adotado, com sombras, continua muito imitado, sendo reinventado (com novas características inclusive) nos filmes Noir. O filme é estudo sombrio, tétrico e exagerado do subconsciente e da loucura. O seu esteticismo é único: as ruas estreitas, os tetos apertados, os objetos assimétricos e sem ângulos definidos e as casas góticas deformadas, semelhantes às de um quadro surrealista, conferem uma atmosfera negra, claustrofóbica e fantástica à obra. Atmosfera essa que não passa despercebida à audiência. Tim Burton, por exemplo, usou muito do expressionismo em seus filmes.

    Há ainda outro fato interessante. Por ser mudo, as  expressões faciais dos atores sobressaem.


    Os personagens estão despenteados e sujos, grosseiramente maquiados, mostrando a face mais perversa do ser humano. De destacar a cena em que Caligari é levado à loucura, em que, num simples plano, surge a mesma frase em paredes, árvores e até no próprio céu, um efeito especial revolucionário da época, cuja valorização recai mais no seu simbolismo do que, propriamente, em inovação técnica. 

    O filme se mantém como um um marco cinematográfico, arrepiante e uma experiência incomparável. Uma obra de arte única, representante de uma era e, literalmente, um pesadelo vivo, que continua sem perder o seu poder original. Um filme para ser visto , revisto, analisado e estudado.

    Detalhe é que o produtor Erich Pommer queria que Fritz Lang fosse o diretor. Lang até ficou interessado, mas decidiu trabalhar em outro filme. Teria sido o resultado diferente? Nunca saberemos...

    O filme é parte integrante box lançado pela Obras Primas do Cinema neste mês de maio. Imperdível, como sempre.


    LEIA TAMBÉM SOBRE OS 20 FILMES ESSENCIAIS DO EXPRESSIONISMO ALEMÃO AQUI.


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