• ÚLTIMAS...

    segunda-feira, 15 de maio de 2017

    EXPRESSIONISMO ESSENCIAL - 20 FILMES PARA CONHECER O MOVIMENTO

    O expressionismo foi um movimento de vanguarda alemão que surgiu no início século XX, no período pré, durante e pós-Primeira Guerra Mundial. É importante frisar que este movimento nasce em uma Alemanha apática, esmaecida, abatida e que precisa expressar seu medo, sua dor e outros sentimentos – e qual o melhor meio para trazer esses sentimentos à tona do que pela Arte? O expressionismo, de modo sucinto, busca dar forma ao ciúme, amor, dor, paixão, medo, malícia, solidão e a miséria humana. A corrente expressionista capturou a música, a pintura, o cinema, a literatura, arquitetura, teatro, dança e a fotografia e vem em resposta aos movimentos do Realismo e Impressionismo, que buscavam retratar a realidade de modo objetivo – excluindo toda e qualquer forma de manifestação das emoções. Em contrapartida a essa visão herdeira do empirismo, a palavra-chave do expressionismo é simplesmente: expresse-se.

    A pintura expressionista alemã desenvolveu-se a partir de duas escolas; Die Brücke (“A Ponte”) e Der Blaue Reiter (“O Cavaleiro Azul”) que, de modo geral, baseavam-se nas contraposições de cores, no sentimento, no dinamismo e tudo isso objetivando expor o mundo interior do artista, transmitindo seus sentimentos mais mórbidos e profundos. Dentre as principais características da pintura expressionista destacam-se: a exploração profunda do domínio psicológico; o uso de cores vibrantes, resplandecentes, fundidas ou separadas; a pasta grossa, áspera; o dinamismo improvisado, abrupto; a preferência pelo poético, trágico e sombrio; e uma técnica de pintura violenta, onde o pincel ou espátula faz movimentos de “vai e vem”, empastando ou provocando explosões¹. Os artistas mais populares são Eugène Henri Paul Gauguin, Vincent Willem Van Gogh, Paul Klee, Paul Cézanne, Otto Mueller, Franz Marc, Emil Nolde e Edvard Munch.


    Na literatura, destacam-se temas como a loucura, a doença, a sexualidade, a morte, o delírio, a perda da identidade e outros temas existenciais também abordados pela pintura expressionista. A narrativa se configura por uma forte tendência descritiva, bem como o foco em apresentar a visão do mundo particular do autor. Destaco aqui, por uma intenção absolutamente pessoal, o austro-húngaro Franz Kafka, autor dos livros “A Metamorfose” (1915), “O Processo” (1935) e “Meditações” (1913), dentre outros. Na leitura de Kafka percebe-se claramente sua obsessão por detalhar, seu afã descritivo, uma necessidade de estar sempre a narrar o mundo, seja o exterior ou o seu próprio. Kakfa analisa, aponta as reações das personagens, descreve minuciosamente as situações, não deixando passar por alto nenhum detalhe. Além disso, enfatiza a solidão, a angústia, os conflitos existenciais e a alienação do ser humano em uma crítica direta a sociedade industrializada e seu caminho desenfreado para um egoísmo doentio. Em certos momentos, demonstrando seu estilo descontinuo e quase caótico, Kafka deixa inúmeras lacunas textuais – talvez para que o leitor complete-as em sua gestalt particular.


    O cinema expressionista é a forma mais popular do movimento e é quem apresenta, sem dúvidas, algumas das maiores obras da sétima arte. O chamado expressionismo alemão, de meados de 1920, tinha como marcas características a utilização de uma coreografia (mise-en-scène) exagerada – os olhos arregalados, a interpretação caricata e bastante teatral; os cenários distorcidos, de modo a criar sensações de inquietude; o recorrente uso de temas folclóricos, literários, sombrios e fantasiosos, que garantiram o desenvolvimento do terror; e maquiagem, muita maquiagem. Havia um forte apelo para temas sobre a ambiguidade humana – o fascínio pelo mal e uma busca pelo bom; e é interessante notar que é do expressionismo alemão que nascem marcos do gênero terror como O Gabinete do Dr. Caligari (1912) e Nosferatu (1922). A verdadeira pérola desse estilo cinematográfico é lograr suscitar as reações psíquicas no espectador, sejam elas de medo, terror ou até mesmo a empatia. Lembrando que o movimento expressionista, em geral, se faz por esse estreito contato com o campo psicológico através da expressão das emoções, um princípio puramente catártico. O espectador entra em profunda relação com a obra.


    Abaixo listamos 20 dos filmes essenciais para conhecer o expressionismo alemão. E não por acaso, a Obras primas do cinema lançou este mês uma caixa especial com 5 filmes que constam na lista abaixo. Não deixem de conferir:


    Francis (Friedrich Feher) e o amigo Alan (Hans Heinrich von Twardowski) visitam o gabinete do Doutor Caligari (Werner Krauss), onde conhecem Cesare (Conrad Veidt), um homem sonâmbulo que diz a Alan que ele morrerá. Assim acontece e Alan acorda morto no dia seguinte, o que faz com que Francis suspeite de Cesare. Francis então começa a espionar o que o sonâmbulo faz com a ajuda da polícia. Para descobrir todos os mistérios, Francis acredita só haver uma solução: adentrar no misterioso gabinete do Doutor Caligari.

    É por muitos considerado o primeiro filme de horror da história. 
    Semanas antes do lançamento do filme, posters com a inscrição "Você tem que se tornar Caligari!" foram colocados em Berlim sem a menor pista de que se tratava da publicidade de um filme.


    Ambientado em Praga, século XVI, onde uma pequena vila de judeus é posta em cheque pelo kaiser. Para defender a cidade, o velho cientista Rabbi Lowe se volta aos antigos recursos alquimistas para criar o Golem, um ser de cera de enorme porte e força. À princípio, a criatura apenas obedece seu mestre, mas, à medida em que o tempo passa, ele passa a ter consciência da própria existência, e decide tomar os rumos de suas ações.

    O Golem, mito de uma lenda judaica, é um ser de barro que ganha vida quando um mago usa a mágica de um antigo livro da Cabala. Paul Wegener já tinha levado duas vezes o mito do Golem para o cinema. Esta terceira versão é sem dúvida a mais bela, brilhantemente iluminada e fotografada pelo célebre fotógrafo do expressionismo alemão Karl Freund. Este filme influenciou vários filmes de Hollywood, especialmente Frankenstein.


    Percy, o pintor, lê a sua história preferida, adormecendo. Da tela sai Genuine, que escapa. Sacerdotiza de estranhos ritos, Genuine foi capturada quando a sua tribo foi vencida, e posta à venda num mercado de escravos. O milionário Lord Melo compra-a e leva-a para sua casa, mas aprisiona-a, apesar dos protestos de Genuine. O único visitante da casa de Lord Melo é o barbeiro, que um dia, chamado a depor na polícia, envia o seu sobrinho Florian no seu lugar. Nesse dia Genuine consegue finalmente fugir da sua prisão, e ao encontrar Florian a barbear Lord Melo convence-o a matar o seu captor.

    No mesmo ano em que se exibia “O Gabinete do Dr. Caligari”, Robert Wiene realizava também “Genuine”. Se o primeiro filme foi um estrondoso sucesso, valendo ao realizador o reconhecimento na Europa e Estados Unidos, já “Genuine” constituiu um fracasso, devido à sua história de contornos elusivos, e tema difícil de compreender.


    Num vilarejo europeu do século XIX, a Morte leva um jovem quando ele estava prestes a se casar. Sua noiva, aos prantos, suplica que devolva a vida do seu amor. A Morte decide dar uma chance à jovem desesperada, prometendo devolver a vida do noivo se ela conseguir evitar a morte de uma das três vidas prestes a perecer. Lang mostra, então, a história das três luzes; na exótica Pérsia, na Veneza Renascentista, e na China Imperial. Três tentativas de esperança. Três conflitos entre o amor e a morte.

    Maravilhosa fantasia gótica inspirada nos sonhos de infância do genial Fritz Lang, em colaboração com sua esposa Thea Von Harbou. Influenciou outras obras-primas do cinema mudo como "O Sétimo Selo" de Ingmar Bergman e "O Gabinete das Figuras de Cera" de Paul Muni. Esse era o filme favorito de Alfred Hitchcock.


    No castelo Vogeloed, alguns aristocratas esperam a baronesa Safferstätt, e descansam durante a estação de chuvas. Acontece que o Conde Oetsch resolve convidar a si mesmo e a situação se torna complicada. Todos acreditam que foi ele que assassinou a três anos atrás seu próprio cunhado, o primeiro marido da baronesa.

    Assim, ele é indesejável e persona non grata. A viúva vai chegar a qualquer instante com seu atual marido. Mas Oetsch é resoluto e permanece, argumentando que não foi o assassino e que irá descobrir muito em breve quem foi o verdadeiro.
    O Castelo de Vogeloed" foi filmado em 16 dias


    Hutter (Gustav von Wangenheim), agente imobiliário, viaja até os Montes Cárpatos para vender um castelo no Mar Báltico cujo proprietário é o excêntrico conde Graf Orlock (Max Schreck), que na verdade é um milenar vampiro que, buscando poder, se muda para Bremen, Alemanha, espalhando o terror na região. Curiosamente quem pode reverter esta situação é Ellen (Greta Schröder), a esposa de Hutter, pois Orlock está atraído por ela.

    Originalmente, o título de Nosferatu seria "Drácula", assim como o livro de Bram Stoker em que foi inspirado. Porém, como o próprio Stoker não autorizou o uso do nome, o diretor Friedrich-Wilhelm Murnau resolveu alterá-lo para o título atual.


    Embora considerado como uma obra "menor" de Murnau, "Fantasma" é um delírio sobre o tema do sósia, tão em voga na literatura e no cinema alemão da época. Lorenz Lubota, um escritor de origem humilde, se apaixona obsessivamente pela mulher que estava na carruagem que o atropelou: Verônica, uma mulher inacessível por pertencer a uma das famílias mais ricas da cidade. É quando Lorenz encontra sua sósia, Melitta, que trabalha num cabaré decadente.


    O psicanalista Dr. Mabuse, "o homem com 1000 faces", pratica todo tipo de delito e usa vários disfarces para aumentar seu patrimônio e ampliar seu poder. Lidera um bando de criminosos, faz manobras na bolsa de valores, imprime dinheiro falso, hipnotiza pessoas em salões de jogos para tomar-lhes o dinheiro, levando-as à ruína. Mas as ações de Mabuse não passam despercebidas. Um promotor público obstinado começa a perseguir pistas que o levem ao misterioso criminoso.

    Considerado um retrato de sua época, o filme é baseado no romance de Norbert Jacques e reúne várias facetas da Alemanha do início dos anos 20. Dez anos mais tarde, Fritz Lang realizou o antinazista O Testamento do Dr. Mabuse, cuja estreia foi proibida na Alemanha, onde o filme só pôde ser exibido depois do final da guerra.
    Filme dividido em duas partes e é a primeira parte da trilogia Mabuse no cinema de Lang.


    Durante um jantar, dado por um rico barão e sua esposa, com a participação de quatro de seus pretendentes em uma mansão do século 19 alemão, uma sombra salva o casamento, dando a todos os convidados uma visão que poderia acontecer naquela noite se o Barão continuasse com ciúmes e os pretendentes não reduzissem seus avanços em relação à sua linda esposa.

    Drama expressionista com roteiro bastante próximo dos escritos por Carl Mayer, tanto por sua obsessão por ambientes sinistros e fantásticos quanto pela quase completa ausência de intertítulos (somente um presente, no momento em que apresenta o espetáculo do hipnotizador), recurso que Murnau já havia efetivado em seu Der Gang in die Nacht (1921), ainda que aqui sem a mesma fluência narrativa – algo ainda mais prejudicado pela condição da cópia. Antecipa igualmente, e de modo semelhante, a utilização de uma obra artística para trazer uma dimensão conscientizadora presente em outro filme de Murnau, Tartufo. O roteiro foi de Albin Grau, também autor dos figurinos e direção de arte, e colaborador de Nosferatu(1922), de Murnau. Assim como ele, outros membros da equipe técnica e do elenco do célebre filme de Murnau também se encontram aqui presentes como os atores Granach e Wangenheim, e o fotógrafo Wagner. Robison realizaria, pouco antes de morrer, uma refilmagem de O Estudante de Praga (1935). 


    O idoso porteiro do Atlantis, um elegante hotel de Berlim, sente orgulho do seu trabalho, que faz com dedicação, e se comporta como um general em seu resplandecente uniforme, sendo tratado com respeito pelos seus amigos e vizinhos. Entretanto, o novo gerente do hotel se mostra insensível quando o velho porteiro para um pouco para se recompor, após carregar uma pesada bagagem, e assim o gerente decide que o atual porteiro é velho demais para o cargo e o rebaixa para criado do banheiro masculino. Isto provoca um efeito desastroso no prestígio do homem e na sua auto-estima.

    O roteirista Carl Mayer desejava um final diferente para A Última Gargalhada, tendo sido obrigado pelos produtores do filme a escrevê-lo da maneira como foi rodado pelo diretor F.W. Murnau.


    Um jovem poeta é contratado por um museu de cera para escrever as biografias de três grandes criminosos que ganharam sua própria estátua no local. A partir de então, o filme narra três episódios sobre os personagens (o califa de Bagdá Harun al Raschid; Ivan, O Terrível e Jack, O Estripador), apresentando visões independentes da maldade humana.
    Após o sucesso do filme, o diretor Paul Leni foi convidado a trabalhar nos Estados Unidos, onde foi um dos primeiros a dirigir um filme com o popular personagem Charlie Chan (The Chinese Parrot, 1927).

    Ainda nos Estados Unidos, dirigiu outra obra-prima, O Homem que Ri (1928), também com Conrad Veidt no elenco. Sua morte prematura, em 1929, interrompeu bruscamente uma carreira que se anunciava brilhante.


    Orlac é um pianista virtuoso que sofre um acidente de trem e tem suas mãos decepadas. Em um procedimento experimental, lhe são implantadas as mãos de um assassino que acabara de ser executado. Quando descobre a quem pertenciam suas novas mãos, acredita que agora também tem predisposição para matar.

    O enredo do filme é baseado na história Les Mains d'Orlac de Maurice Renard. Wiene nessa época já era considerado um grande diretor do estilo expressionista pelo trabalho que havia feito em O Gabinete do Dr. Caligari. As Mãos de Orlac foi um dos primeiros filmes a apresentar o tema, muitas vezes recorrentes em filmes posteriores, de mãos que possuem vontade própria, seguindo os medos populares da época em torno do assunto de transplantes cirúrgicos.


    Esta tragicomédia de Murnau conta a história de uma governanta hipócrita e manipuladora que maltrata um velho, cuja herança espreita. O sobrinho do velho percebendo a falsidade e o plano diabólico da governanta, arma uma cilada para desmascará-la. A bela fotografia expressionista unida aos cenários rococó, coloca Tartufo como um dos mais deslumbrantes da era silenciosa.

    O grande ator Emil Jannings criou um tipo inesquecível para interpretar o pseudo fanático religioso de libidinosa sexualidade. Após o sucesso de A Última Gargalhada, a intenção inicial de Murnau era dirigir o filme Variedades, que contava com o ator Emil Jannings como protagonista. No entanto, o produtor Erich Pommer entregou a direção a Ewald André Dupont, pois considerou que a homossexualidade de Murnau o impediria de captar a essência e a amplitude de uma paixão heterossexual ardente. Murnau tentou ainda iniciar as rodagens de "Fausto". No entanto, como Emil Jannings, um nome de grande apelo comercial, já estava contratado para protagonizar Tartufo, o produtor Erich Pommer escalou Murnau para dirigi-lo, que o fez com a mesma competência de sempre, porém com uma boa dose de má vontade, e somente depois de submeter o roteiro original escrito por Carl Mayer a grandes modificações.


    Disputando o poder sobre a terra, Deus e Satã apostam a alma de Fausto, um alquimista erudito. Durante uma praga, este homem se desespera, queimando todos os seus livros. Neste momento Satã envia Mefistófoles para tentar Fausto com o retorno da juventude e o alquimista aceita o pacto. Certo dia, entediado, ele resolve voltar para casa, onde conhece e se apaixona pela bela Gretchen, um encontro que será a desonra da moça. Adaptação da obra de Goethe.

    Friedrich-Wilhelm Murnau queria que a atriz Lillian Gish interpretasse Gretchen, mas como ela só aceitaria o papel se o filme fosse rodado por outro cinegrafista, o diretor resolveu trocar de protagonista.


    Um estudante vende o reflexo de sua imagem para uma figura mefistofélica, e sua vida é arruinada por seu duplo espectral. Balduin, jovem estudante, exímio esgrimista, enfrenta problemas financeiros que o impedem de cortejar a condessa pela qual se apaixonou. Mas um homem sinistro surge, oferecendo uma solução para seus problemas e exigindo, em troca, sua sombra.
    Filme pioneiro no cinema independente. Paul Wegener faz aqui a sua estreia como ator e diretor, interpretando o protagonista da obra, o estande Balduin.


    No ano 2000, a classe rica vive em luxuosos arranha-céus, enquanto a classe operária trabalha arduamente no subsolo. Freder (Gustav Fröhlich) é o filho mimado de Fredersen (Alfred Abel), uma das pessoas mais importantes da sociedade. Ao conhecer Maria (Brigitte Helm), uma amável operária, Freder começa a viajar incógnito pelo mundo subterrâneo e acaba conhecendo as condições desumanas em que aquelas pessoas vivem. Decide, então, começar uma campanha em prol das reformas humanitárias e encontra uma grande resistência da comunidade industrial.

    VERSÕES

    A primeira versão de Metrópolis tinha mais de três horas de duração, mas se perdeu; A primeira versão americana tinha 159 minutos e a alemã 153 minutos. Há uma versão restaurada pelo Filmmuseum Munich, que editou cenas perdidas e tem 150 minutos; Uma versão inglesa, chamada erroneamente de "versão do diretor", tem 139 minutos; Há uma versão dos anos 80, restaurada na Alemanha, com 115 minutos, mas a versão em vídeo tem apenas 93 minutos.Em 1996, foi feita uma versão americana com música, que tem 115 minutos. Existe uma outra versão, só com 94 minutos, que tem uma trilha sem música e apenas efeitos eletrônicos gerando som. Em 2001, uma versão restaurada foi apresentada no Festival de Berlim, mostrando cenas que eram consideradas perdidas, e dura 147 minutos;  Existem ainda as versões com 119 minutos (DVD) e 87 minutos (1984), que foi colorizada e musicada por Giorgio Moroder; Em 2008, em Buenos Aires, Argentina, foi encontrada a versão original do filme, que  foi restaurada e exibida na edição de 2010 do Festival de Berlim, data em que o festival comemorou 60 anos. UFA !!!


    O editor-chefe de um importante jornal, Peter Schön (Fritz Kortner), tem uma coquete, Lulu (Louise Brooks), como amante - um caso que está sendo cada vez mais comentado. Ele planeja se casar com a filha do ministro do interior, no entanto Lulu força uma situação que faz com que Peter se case com ela. O casamento dura apenas um dia, pois ele ficou com ciúme de seu filho, Alwa (Francis Lederer), que é bem próximo de Lulu, que o considera seu único amigo. Este ciúme acaba provocando uma briga entre Lulu e Peter. Ao brigarem pela posse da arma dele o revólver dispara e Peter morre. Ela é condenada a 5 anos de prisão, mas seus amigos dão um falso alarme de incêndio, provocando um tumulto, e assim ajudam Lulu a fugir do tribunal. Tentando deixar o país, ela é chantageada pelos "amigos", que ameaçam dizer para a polícia onde ela está. Lulu pode ser "comprada" por um "negociante" do Cairo e, para evitar isto, ela conta apenas com seu pai dela e Alwa.

    Um dos mestres do cinema silencioso alemão, G.W. Pabst foi também um grande descobridor de atrizes talentosas (inclusive Greta Garbo). Talvez nenhuma de suas estrelas tenha brilhado tanto ao ponto de se imortalizar num personagem, como a belíssima e enigmática Louise Brooks.


    Franz Becker (Peter Lorre) é um assassino em série de crianças, que se aproxima das suas vítimas enquanto assobia sempre uma mesma música. Depois de diversos crimes, a cidade é tomada pelo frenesi da investigação policial, e se torna um caos, enquanto o assassino vive uma vida simples e normal. A cobertura da imprensa, a ação de vigilantes e a pressão política acabam por atrapalhar o trabalho dos policiais. Na caçada ao homem que mata crianças, além de toda a sociedade e a polícia, os bandidos marginalizados também se juntarão.

    Fritz Lang declarou que o elenco da cena do tribunal no final do filme é formado por verdadeiros criminosos. De acordo com o biógrafo de Paul Jensen, 24 figurantes foram presos durante as filmagens. A crueldade de Lang com os atores era lendária na época. Peter Lorre foi jogado escada abaixo dentro de um porão pelo menos uma dúzia de vezes. Quando Lang quis contratar Lorre para fazer outro filme (Desejo Humano, 1954) mais de duas décadas depois, o ator recusou.


    Um famoso criminoso (Rudolf Klein-Rogge, fenomenal como o enigmático vilão Dr. Mabuse), encerrado numa clínica psiquiátrica, é suspeito de uma série de falsificações. Na cela, ele escreve uma "Bíblia do Crime" (alusão ao livro nazista de Hitler) e domina mentalmente o doutor que cuida do seu caso, terminando por influenciar para o mal uma série de pessoas. Tendo como base sua ampla influência sobre um grupo de criminosos sob seu domínio, o Dr. Mabuse passa a agir para construção de seu "Império do Crime".

    O Testamento do Dr. Mabuse" estreou no dia 21 de abril de 1933 em Budapeste. Com duração de 124 min., o filme foi proibido na Alemanha, por conter alusões bastante claras ao nazismo, só vindo a ser exibido em terras germânicas em agosto de 1951, numa versão censurada de 111 min. O original do filme foi guardado no Instituto do Cinema Alemão, mas sofreu sérios danos. Contudo, um duplicado positivo de 1951 da coleção do Instituto do Cinema Alemão serviu de base para a restauração. Consta que após a proibição da estréia do filme na Alemanha, Fritz Lang foi convocado ao gabinete de Joseph Goebbels, chefe da propaganda do nazismo e grande fã de sua filmografia, que o convidou para supervisionar os filmes alemães. Após negar o convite (o diretor alegou possuir antepassados judeus), Lang teve que fugir na mesma noite para Paris e, logo após, para os Estados Unidos.


    "Os Mil Olhos do Dr. Mabuse" é a terceira parte da aclamada trilogia do Dr. Mabuse, de Fritz Lang. No filme, o Dr. Mabuse regressa para destruir o mundo de vez. Através de uma rede de televisão, Mabuse vigia os clientes de um hotel luxuoso com o objetivo maléfico de roubá-los e matá-los. O milionário Trevors e a Interpol se unem então para capturá-lo, promovendo então uma caçada implacável em busca do gênio do crime e seus seguidores.

    "Mil olhos" foi o último filme de Fritz Lang e também da série do Dr. Mabuse. Depois do êxito obtido na Alemanha com os filmes "O Tigre de Bengala" e "O Sepulcro Indiano", o produtor Artur Brauner, responsável pelo retorno de Lang à Alemanha, convidou-o a filmar um "remake" de "O Testamento do Dr. Mabuse". Em contra-proposta, Lang sugeriu uma nova variação sobre ele, retratando-o na Alemanha do final da década de 1950, como foram os outros da série, cada um no seu período.



    COMENTE USANDO SEU FACEBOOK:

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Scroll to Top