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    A MÃE (1926) - REBOBINANDO CLÁSSICOS


    O filme é dirigido por Vsevolod Pudovkin (1893-1953), que foi um engenheiro químico que abandonou a carreira ainda cedo para se tornar ator, roteirista e diretor de filmes na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. Condecorado com a Ordem de Lenin redigiu com Eisenstein e Alexandrov o célebre Manifesto do Assincronismo, que traçou a linha mestra do cinema sonoro além de publicar os livros O Ator no Cinema, O Diretor de Filmes e A Técnica do Filme.

    Vsevolod Pudovkin contribuiu demais para o cinema russo, com filmes como Tempestade sobre a Ásia (1928), O Fim de São Petersburgo (1927) e A Mãe (1926). Mas também na produção teórica sobre o cinema, escreveu juntamente com Sergei Eisenstein textos reflexivos sobre a teoria da montagem e sobre a cor no cinema. Sendo um exigente partidário comunista, para Pudovkin, a história do cinema russo se dá a partir da história do desenvolvimento de idéias comunistas dentro de um regime soviético.


    O diretor produziu uma obra que marcou toda uma geração de pesquisadores do cinema, Esboço Histórico do Cinema Soviético, em 1948, ano da morte de Sergei Eisenstein, em parceria com E. Smírnova, que Salvyano Cavalcanti de Paiva, um dos mais conceituados críticos de cinema do Brasil nas décadas de 1940, 1950 e 1960. traduziu, aumentou e atualizou.

    A MÃE E O ENCOURAÇADO

    A Mãe é um filme sobre luta do povo. Mas, diferentemente de O Encouraçado Potemkin, por exemplo, o filme de Pudóvkin mostra o povo através do ótica de uma só pessoa. O filme é uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de Máximo Gorki e as tradições realistas do autor facilitaram a Pudóvkin criar uma personagem realista de grande força, a mãe russa, e mostrar o retrato do povo em revolta e a formação da consciência revolucionária do proletariado.

    O filme é o retorno à personificação de heróis aos quais os jovens cineastas haviam renunciado após a revolução bolchevique, no período da sua própria luta contra o cinema precedente. Mas o herói novo nada tinha em comum com o herói dos filmes pré-revolucionários: ele formava um elo invisível com o povo. Até na apresentação cuidadosa do seu caráter, os seus vínculos com milhares de semelhantes apareciam em primeiro plano e nisto consistia a força e a verdade do herói novo, como também provinha o poder do filme. "A Mãe" completava, de certo modo, "O Encouraçado Potemkin" através de sua acurada representação do homem comum fazendo parte do povo. Pudovkin pode ser considerado realmente uma grande referência para a compreensão e entendimento da identidade do cinema soviético .


    O filme apresenta-nos as más condições de vida dos operários e das suas famílias; aborda a tentativa de realização de uma greve numa determinada fábrica, greve essa resultante da tomada de consciência de classe de um conjunto de operários; põe em confronto este grupo de operários (denominados "os grevistas") com um outro (os "não grevistas") que, independentemente da sua situação de classe, da mesma não tem consciência e por isso se posiciona contra os colegas, quer impedindo a sua atuação, quer aliciando outros com fragilidades várias, quer fazendo denúncias à administração da fábrica, quer ajudando o exército e a polícia nas respetivas perseguições e posteriores atuações. A produção mostra ainda o conformismo e o medo vivido particularmente por esses indivíduos e suas famílias, na medida em que a miséria e a obediência às autoridades é vista e encarada como inevitável devendo por isso ser respeitada.

    MULHER DE FASES

    Toda a sociedade estava organizada para defesa do Czar e pela manutenção de determinada ordem social. As diferenças sociais deviam ser mantidas, as elites respeitadas e a distribuição da riqueza a favor de alguns apenas. .Portanto, é um filme  que denuncia um sistema político, econômico e social baseado nos títulos, no poder do dinheiro, nas desigualdades e na cumplicidade entre as elites. Excluídos de dignidade e de direitos, aqueles que através da sua força de trabalho criam riqueza mas não são parte da distribuição da mesma.


    A "Mãe", representa o processo de tomada de consciência de classe. Ao longo do filme vemos essa evolução plenamente integrada no desenvolvimento da ação e dos acontecimentos. Assim, numa primeira fase, vemos uma mulher resignada com a pobreza em que vive e que, depois da morte do marido, tem receio do destino do filho; temos também uma mulher que mostra uma grande ingenuidade face ao que é proferido, neste caso, por membros do exército sendo que dessa ingenuidade resultará a detenção do filho. Numa segunda fase, temos uma mulher que se torna cúmplice da luta em curso (fazendo chegar ao filho preso mensagens dos amigos deste). Numa terceira fase vemos uma mulher que participa de uma grande marcha operária, mudando assim, o rumo do seu destino inicial.

    Indispensável para qualquer colecionador.


    A Umes Filmes lançou a mais recente versão, de 190 min aprox. Bem mais completa. Confiram.


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