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    domingo, 30 de abril de 2017

    THELMA E LOUISE - UM LONGA JORNADA DIA ADENTRO


    Ridley Scott é um diretor diferenciado. Fez obras primas em fases distintas da vida.  Só para citar algumas, no início fez Duelistas, Alien e Blade Runner. No meio , Thelma e Louise, Gladiador, Falcão negro em perigo. E no final (teoricamente, já que ele esta com 80 anos), fez Gângster e Perdido em marte. Foi indicado ao Oscar por 4 deles, e continua firme, sem nenhum sinal de decadência. 

    O objeto de nossa revisão de hoje é Thelma e Louise, filme de 1991 que arrebata corações até hoje. O filme, basicamente mostra, como a repressão, machismo e falta de oportunidades geram fatos que desencadeiam consequências negativas.

    A missão das moças é simples: sair, dar um tempo na rotina, maus tratos e abusos afim de curtir um dia ou dois "on the road". Porém, o que começa errado, é mais complexo de consertar. As duas vão se divertir num bar beira de estrada e são vitimas, novamente de machismo, abuso, etc.  Resultado: um tiro no preconceito e no cara que tenta estuprar Thelma. 


    Elas saem dali, e começam assim uma fuga, em direção ao México. No caminho encontram várias vezes um caroneiro, interpretado pelo então iniciante Brad Pitt. Louise pede socorro ao ex. Quando ele chega com dinheiro, os dois tem um reencontro amoroso, onde mais uma cena  pontual acontece: Louise lembra ao ex a primeira conversa que eles tiveram, sobre a cor dos seus olhos. O desenrolar da cena mostra a hipocrisia do homem ao tratar a mulher como mero objetivo. Enquanto isto, o caroneiro aparece na porta de Thelma e se coloca "disponível", e ela investe. Mas na investida ele faz uma revelação: é um ladrão. E mais uma vez, Ridley constrói uma grande cena. Apesar de casada, Thelma é virgem de experiências. Mas sua recente incursão no mundo do crime (mesmo que como vítima) a qualifica a não se espantar com o fato de que Pitt é um criminoso (como ela sempre foi diminuída moralmente, naquele instante ela se coloca no patamar do bandido) e ainda dorme com ele. Porém o ladrão faz o dever de casa pela manhã (levando o dinheiro que o ex de Louise trouxe), deixando as duas mais desesperadas.


    E uma situação desesperadora requer atitude desesperada. Thelma rouba uma loja de conveniência (não se preocupando inclusive com uma câmera dentro do estabelecimento). Uma cena emblemática ocorre entre o marido de Thelma , o policial e ela ao telefone. O policial instrui o marido a tratar bem a esposa quando ela ligar afim de que não desconfie que a polícia está acampada em sua casa. Tarefa simples, se ele não tratasse sua esposa mal o tempo todo, e tratar bem é justamente o diferente. A vida como ela é.

    Depois disto, elas são abordadas por um policial (e ali, já empoderadas, dominam a situação tornando tudo pior)  enquanto o caroneiro é capturado pela polícia. O policial, vivido por Harvey Keitel, liga os pontos, e deduz que elas são mesmo vítimas da situação. Mas isto é apenas um alento do roteiro, tentando aliviar o fim que está por vir.


    Na sequência, dão cabo num outro caminhoneiro, que fazia bullying nelas na estrada, numa sequência memorável, atirando contra seu caminhão, explodindo-o. Na breve conversa, o homem mostra o tamanho do ego e machismo. Mesmo diante de duas mulheres armadas ele não "desce do salto". 


    As mulheres então fogem dali, realizando uma fuga com destino certo: um desfiladeiro no Canyon. O final antológico mostra como o filme não é sobre atitudes erradas e sim sobre duas mulheres que decidem dar um basta na desigualdade social, mas como não há respaldo da sociedade, só pioram as coisas, tal como uma criança que tem pais que sufocam. Não aprendem a viver, e quando arrancam uma oportunidade de fazer algo, erram em tudo.

    A atitude de pular o Canyon exalta a vontade de liberdade. À partir daquele momento, elas não aceitam mais voltar para a prisão que viveram toda suas vidas. 


    "Thelma e Louise viveram numa época em que o perspectiva de igualdade feminina era apenas uma foto de polaroide. E morreram vitimas de um destino que as impediu de viver a era digital."
    M.V.Pacheco

    Obra Prima.


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