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    terça-feira, 18 de abril de 2017

    A MONTANHA SAGRADA DE JODOROWSKY


    Montanha sem fim...

    Com apenas 8 filmes (e dois curtas) podemos dizer seguramente que o cinema de Jodorowsky é indigesto. E Montanha sagrada, lançado pela obras primas do cinema este mês, talvez seja o mais complicado.

    O diretor é um faz tudo: artista plástico, escritor (de teatro, livros, quadrinhos), ator, mímico, especialista em tarô, psicoterapeuta diretor e roteirista de cinema. E esta salada pessoal é transportada para seus filmes. Jodorowsky bebe na fonte surrealista de Buñuel, mas formaria uma dupla única com David Lynch. Cineastas tão ímpares, que criam obras únicas. Em "Montanha sagrada" ele mistura misticismo e religiosidade, evocando o lado sobrenatural do mundo. E já no início do filme, ele joga na cara do telespectador que a religião é invenção do homem, criado por pessoas que procuravam direcionar valores, teoricamente certos e que tornariam a vida mais fluente.


    Em uma entrevista, Alejandro afirma que: "(...) Símbolos podem ser muito perigosos. Quando utilizamos a linguagem normal, o espectador pode se defender pois nossa sociedade é uma sociedade linguística, uma sociedade semântica. Mas quando você começa a falar, não com palavras, e sim apenas com imagens, as pessoas não podem se proteger. E é por isso que um filme como esse ou você ama, ou você odeia. Você não pode ficar indiferente."

    Baseado nesta ideia (perfeita por sinal !!) vivemos um clima de "ame ou odeie" o filme em questão, que parece tão surtado, diferente, enigmático e ao mesmo tempo, faz um enorme sentido. A história, aparentemente pode ser simples como o protagonista, que surge como um homem ordinário no meio de um mundo extraordinário, complexo e cheio de poços transbordando esta complexidade. Quando ele chega a uma torre onde habita um mago !!! ele passa por provações, dificuldades e rituais que tem como objetivo torná-lo apto para sua jornada: alcançar a Montanha sagrada do título.


    Não há como não lembrar da frase: "- Nasci burro, não aprendi nada e ainda esqueci a metade". 

    Certamente, será o sentimento de alguns, ao término desta obra (prima) incomum. Desde o início do filme, fica evidente todo o conhecimento do diretor sobre o oculto, mostrado com imagens que dificilmente sairão da sua memória.  Símbolos e rituais alquímicos, maçônicos, astrológicos, egípcios se misturam, integrando a narrativa. Imagina-se que sem conhecimento prévio destes elementos, o filme seria incompreensível.  Mas a proposta aqui é outra. Não é uma aula de elementos, mas uma aula sobre o a "viagem" que eles unidos proporcionam. É uma obra tão genial que ela transcende a relação com o espectador, atingindo o inconsciente, quase como uma droga, que rouba seu momento no mundo para te levar para outro lugar, e lá te deixar durante um breve momento.


    Para os não familiarizados com o cinema de Jodorowsky e os imaginários místicos apresentados no filme, A Montanha Sagrada pode ser um filme completamente ininteligível. Mas a verdade é que tal conhecimento prévio é completamente desnecessário se o espectador simplesmente deixar-se levar pela viagem proposta pelo diretor. Este é um filme capaz de estabelecer uma linha de comunicação direta com o inconsciente. Qualquer tentativa de racionalizar seu conteúdo em busca de “entendimento” pode resultar frustrante, principalmente se considerarmos o final, de uma simplicidade revoltante para nós, criaturas excessivamente racionalizadas e acostumadas a receber respostas para todas as nossas questões.

    Conforme conversei com um diretor de cinema nesta semana, ele dizia cansado de cinema com perguntas e respostas prontas. "- Não somos crianças", afirmou ele. Jodorowsky quer mostrar que as perguntas são interessantes e para serem avaliadas com maior profundidade. E as respostas? não precisam ser expostas de uma forma tão direta. Cada um tem suas verdades, suas religiões, misticismos e estes fatores influenciam nas respostas de cada um.

    Adquiram que é obrigatório.



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