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    sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

    SERGIO ALPENDRE - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS


    Crítico de cinema, professor, pesquisador e jornalista. Fundou e editou a revista Paisà (2005-2008). Foi redator da Contracampo de 2000 a 2010 e já colaborou com a revista Bravo, e os cadernos Ilustrada e Mais da Folha de São Paulo. Foi curador das mostras Retrospectiva do Cinema Paulista Tarkovski e seus Herdeiros.

    Atualmente edita a revista virtual Interlúdio e colabora com o Guia da Folha. E a foto acima é a cara de Bud Spencer, não acham? 

    Vamos às perguntas e respostas:

    1) - Quando surgiu o seu interesse  pelo cinema?

    S.A.: Surgiu quando meus pais me levaram para ver o desenho animado dos estúdios Disney. Era Robin Wood, mais ou menos em 1974 ou 75. Eu tinha seis anos e fiquei hipnotizado pelo que se passava na tela. Desde então sempre pedi para meus pais me levarem ao cinema. Vi muitos filmes dos Trapalhões, passando depois para os filmes de ação (Star Wars, Caçadores da Arca Perdida). Mais tarde veio o interesse em estudar de fato o cinema. Isso já em 1989, quando eu tinha de 20 para 21 anos.
    M.V.: Interessante como as histórias de cinéfilos são parecidas. Também comecei por um filme da Disney, 101 dálmatas e diversos filmes dos trapalhões, como O trapalhão na Arca de Noé (1983) e Atrapalhando a Suate (1983), que curiosamente foi o ano que eles tiveram uma briga e fizeram estes dois separados.


    2) - Coleciona filmes, cds ou algo relacionado à 7ª arte ?

    S.A.: Coleciono filmes e, principalmente, livros. Não só sobre cinema, mas sobre artes e crítica, e vários outros assuntos (romances, curiosamente, tenho poucos). É desesperador, porque meu apartamento fica cada vez menor.


    3) - Quando se tornou crítico de cinema? E quando surgiu a ideia  da revista Paisà (2005-2008)?

    S.A.: Acho que essa pergunta tem duas respostas. Me tornei crítico, contra a própria vontade, quando entrei para a revista Contracampo, em 2000. Nessa época eu era comerciante (tinha uma loja de discos), e usava a crítica como hobby, para exercitar minha paixão por cinema, Só em 2005, quando resolvi deixar a loja aos cuidados de meu irmão (meu sócio desde a fundação) e montei a Paisà com um amigo, é que me tornei de fato um crítico. Quer dizer, só então passei a exercer uma crítica, digamos, mais responsável. Voltei a ler coisas da época da faculdade, fui atrás de textos importantes que eu não conhecia, enfim, pude finalmente botar meu repertório de cinefilia à prova. A contracampo foi muito importante nesse processo. Fiquei no site até 2010 e aprendi muito com os críticos que por lá passaram. Mas na Paisà eu passei a escrever sem preocupação alguma. Era mais livre e solto, ainda que na Contracampo eu sempre me considerei um pouco outsider (era dos poucos, ou até o único, durante algum tempo, que gostava de Fellini, por exemplo).



    4) - Qual sua experiência dentro deste universo artístico que mais te marcou? 

    S.A.: Das mais diversas. Escrever para o blog é uma coisa, para a Interlúdio, outra, e para a Folha, é ainda uma outra experiência. No mais, o Sérgio professor está cada vez mais presente. Dar aulas é algo que eu gosto muito de fazer, pelo contato com os alunos, pelo modo como sinto que algumas de minhas ideias encontram ecos nas ideias de alguns alunos, pelo desejo de passar o que sei, e de aprender com os alunos também. Enfim, me sinto exercendo a crítica ainda mais nas salas de aula do que nos textos. Me sinto mais útil. Talvez tenha a ver com a falência da leitura em nossa sociedade. Em tempos de facebook, em que tudo é textão, não parece haver muito espaço para o conhecimento. Só para informação. E informação não é tudo. E no Brasil parece proibido criticar. 


    5) - Existe uma lista (pelo menos uns 10 filmes) que marcaram sua vida?

    S.A.: São tantos que me marcaram e por motivos tão diversos, que a lista muda sempre. Hoje, talvez fosse composta de filmes como Sem Essa Aranha, Satyricon, A Noviça Rebelde, O Anjo Exterminador (Buñuel nunca sai de meu panteão pessoal), O Intendente Sansho, Quando o Amor é Cruel, Peregrinação (de John Ford), Pierrot le Fou, O Leopardo, Num Ano Com Treze Luas, O Homem dos Olhos Frios, Os Pássaros, Alice's Restaurant, Verão Violento (Zurlini)... Estou esquecendo uns tantos...




    6) - Fale um pouco dos seus  próximos projetos. Tanto os que estão acontecendo quanto os previstos para começar.

    S.A.: Difícil falar de projetos. Sempre tenho muitos, e alguns deles são frustrados. Mas tenho três livros em andamento, dos quais pretendo terminar ao menos um ainda este ano. O que é difícil com o tempo tão escasso. Tenho convite para dirigir filmes, mas não é muito a minha. Talvez aceite por causa da amizade profunda com quem me convidou, mas tenho muito mais tesão em escrever um livro, por exemplo, ou bolar um novo curso. Ainda que considere uma experiência interessante filmar um curta, ou um episódio de um longa, ou mesmo um longa inteiro, e talvez por isso acabe aceitando. Mais pra ver qual é. Além disso, estou para iniciar mais dois cursos inéditos, o que é sempre estimulante. Pretendo também me dedicar mais ao doutorado, que tem me dado experiências bem interessantes. Quase chega a ser uma trégua com os meandros acadêmicos. 


    7) - E se pudesse deixar uma lição desta vida dedicada ao cinema, qual seria?

    S.A.: Sem paixão, nada vale a pena. A crítica é ainda incompreendida, ainda mais num país como este, cheio de estrelinhas mimadas. Só um apaixonado pode exercer essa atividade, pois o desgaste é inevitável para quem fizer um trabalho minimamente decente. Desgaste, quando não boicote mesmo. O mundo é sujo, e o do cinema não seria diferente. Mas o importante é dormir com a consciência tranquila. Com sinceridade e franqueza acima de tudo.



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