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    sexta-feira, 28 de outubro de 2016

    CAYMAN MOREIRA - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS

    Entrevista com Cayman (Fábio Moreira de Melo) Moreira

    Artista plástico, Desenhista, roteirista e argumentista, músico profissional, professor de artes como serigrafia, pintura e desenho, Histórias em Quadrinhos[Arte Sequencial], roteiro e argumento, tendo trabalhado em vários núcleos como o SENAC, Farias Brito, Espaço Aberto, FIC - Faculdade Integrada do Ceará. Escritor e roteirista, cinéfilo possuidor de um grande arquivo e conhecimento pessoal em teatro e cinema com vários artistas e alguns diretores de cinema dentro e fora do Brasil, já fez palestras sobre os diversos gêneros da Sétima Arte tendo sido uma delas, no Cine Benfica, sobre o Western Italiano e sua influência no cinema novo da segunda metade do século XX. Sempre com uma grande vivência cultural, pronto para dividir experiências através de novos conhecimentos e horizontes.

    Nascido em 16/08/1961, Fábio Moreira de Melo recebeu o nome artístico de Cayman Moreira e mais tarde, Fabio Moretti, durante um período de mudanças em sua vida. A paixão pela literatura e a poesia começou ainda na infância, com as revistas em quadrinhos que o pai lhe trazia aos Domingos. Os primeiros autores que lhe deram gosto pelos livros foram Monteiro Lobato, Erico Veríssimo, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Edgar Allan Poe e Lovecraft. Foram os contadores de histórias como Monteiro Lobato e H.P. Lovecraft que lhe inspiraram a escrever, assim como Louis L'Amour e Stephen King, escritores norte americanos que lançaram obras de cunho mais comercial, porém, ágeis na narrativa, algo que ele sempre considerou indispensável na leitura. Paralelo a isso veio a vontade de ser quadrinhista, algo muito difícil àquela época, quando a leitura de HQs era considerada leitura inútil, mas, que em seu âmbito familiar, era tida como alicerce para o bom hábito de ler qualquer coisa e escrever corretamente. E hoje, a nona arte é um dos seus maiores ofícios.

    O apelo musical veio ainda em seus verdes anos nos anos 60, década que parece ter enraizado para sempre temas e estilos que são seguidos até hoje, como a bossa nova, a grande diversidade da MPB, o blues e o jazz [elementos ancestrais da música moderna], o country, etc. E seus conhecimentos de cinema, teatro e interpretação reforçaram sua experiência de palco.

    Numa certa época, deixou-se fascinar pelo que viu e ouviu no Mato Grosso do Sul, o que mexeu com sua musicalidade, já enraizada na influência de grandes nomes como Zé Ramalho, Alceu Valença, Sá e Guarabira, Renato Teixeira, Johnny Cash, Frankie Laine e Bob Dylan, dentre outros. O dom da viola de 10 cordas foi despertado por Almir Sater, mestre e Ídolo cujo trabalho o impeliu a largar o violão e abraçar a viola caipira, com a qual convive há mais de 20 anos, com curtos períodos de afastamento da música por razões profissionais - a tentativa de trabalhar em qualquer área do cinema foi uma delas - mas que nunca o afastaram por completo do seu estilo e musicalidade.

    Compositor como mais de uma centena de criações e fazendo seus próprios arranjos, participou de vários festivais [inclusive dois do SESC], como o saudoso 'Chama Cariry', que ele considera ter sido o mais importante do Ceará e do Nordeste, quando, em suas edições, atraía artistas de várias partes do Brasil, o que enriqueceu seu conhecimento e entrosamento com músicos de várias regiões do país.

    A musicalidade de Cayman mescla o rural do Nordeste e Sul do país, assim como o country norte americano, por considerar que a música regional fala a mesma linguagem em qualquer parte do mundo, independente de fronteiras, uma vez que, música se divide em dois tipos: a boa e a ruim, sem necessidade de rótulos. E uma viola, assim como o violão ou a guitarra tanto servem para a proposta do xote, baião, guarânia, balada, jazz e blues na mesma medida.

    Vamos às perguntas e respostas..

    1- Quando surgiu o seu interesse  pelo cinema?

    C.M.: Eu nasci praticamente dentro de um cinema, quando meu pai e minha mãe se conheceram nos dourados anos 50 e o cinema era sempre a melhor diversão. Ambos eram uma mistura de Marlon Brando em O SELVAGEM e Kim Novak em PICNIC. Um tanto quanto  transviados para a época.


    2 - Coleciona filmes, cds ou algo relacionado à 7ª arte ?

    C.M.:Sou colecionador, cinéfilo e videomaker. Eu mesmo edito e faço autoração de muitos  filmes de minha coleção.


    3 - Como se tornou apreciador do universo do Tex?  Têm muitos itens  relacionados a ele?

    C.M.:TEX é um personagem favorito dos quadrinhos de Western para mim, assim como Jonah Hex, desde várias décadas. E eu tenho vários itens do Águia da Noite, sim. Não chega a ser uma grande coleção, porque tenho apenas edições muito especiais para mim, que ultrapassam pouco mais de uma centena.




    4 - Qual sua experiência dentro deste universo artístico que mais te marcou?

    C.M.:Bem, o fato de viver da arte - sou designer, artista plástico, desenhista, argumentista e roteirista de HQs e instrutor de artes e ofícios, além de músico e cantor -, já é a minha razão de viver. Ainda mais quando a sétima arte faz parte, e hoje, alguns ídolos do passado são meus amigos, alguns até íntimos, e se não fosse a internet, eles seriam apenas parte do meu acervo visual do passado e do presente, por assim dizer.


    5 - Existe uma lista (pelo menos uns 10 filmes) que marcaram sua vida?

    C.M.:É difícil, porque uma lista de 100 já seria pouco, mas, vamos lá:

    A UM PASSO DA ETERNIDADE - Um filme que sempre me leva às lágrimas em vários momentos, partes de um passado que eu vivi.
    RASTROS DE ÓDIO e NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS - A lembrança de meu pai é clara e evidente aqui. E o Western é meu mundo principal, no cinema.
    TRÊS HOMENS EM CONFLITO - O Western italiano me conquistou de vez, na minha adolescência. E Sergio Leone não era o precursor do cinema novo, como disseram. Ele ERA o próprio cinema novo. Eu poderia citar toda a obra de Leone, mas tive que selecionar apenas este à mais, devido ao resto da lista, que engloba mais gêneros e realizadores.
    MEU ÓDIO SERÁ TUA HERANÇA - Este filme marcou toda uma geração. E se Sam Peckinpah não tivesse feito nada mais, além disso, ainda assim, seria um imortal.
    À BEIRA DO ABISMO - O Noir é um gênero que se tornou quase um vício para mim, ainda na minha pré-adolescência.  E Humphrey Bogart é um eterno ícone, na longa noite que surgiu no cinema através de filmes como este.
    BEN HUR - Esta obra é algo particular para mim, até mesmo dentro de minha família.




    A MARCA DA MALDADE - Um filme que me marcou desde a abertura, com a trilha sonora inesquecível de Henry Mancini. Cidadão Kane pode ser o melhor filme de todos os tempos e a melhor coisa que Orson Welles já fez, para a maioria. Mas A MARCA DA MALDADE é superior em tudo, para mim.
    HORROR DE DRÁCULA - Este filme marcou uma época de minha vida, há décadas. O cinema de horror, a literatura de horror, as HQs de horror, tudo isso constitui grande parte da matéria prima do meu trabalho visual e acervo pessoal. E uma das minhas maiores alegrias é ter um de meus trabalhos elogiado por Sir Christopher Lee - uma pintura acrílica sobre cartão, para ele, que não queria mais seu nome associado à Drácula, mas me deu um desconto, aqui - em seu site pessoal antes de partir deste mundo, testemunhado por seu genro Juan Aneiros.
    UM CORPO QUE CAI - Hitchcock fez aqui, o melhor suspense de todos os tempos, conforme disse a crítica mundial durante as comemorações de 100 anos de cinema e eu assino embaixo. Ainda mais, com a presença do pau-prá-toda-obra James Stewart e a minha musa eterna, Kim Novak.



    6 - Fale um pouco dos seus projetos para este ano. Tanto os que estão acontecendo quanto os previstos para começar.

    C.M.:Bem, entre os projetos para este, estão um livro, vários roteiros e Histórias em Quadrinhos para finalizar - TEX, é claro, é um dos projetos secretos, [risos] - além da compilação de meu disco de trilhas sonoras clássicas de Western em inglês e italiano, cantadas por mim.




    7 - E se pudesse deixar uma lição desta vida dedicada ao cinema  e à coleção , qual seria?

    C.M.:Já fui chamado de sonhador, várias vezes e qual artista não é um sonhador em essência? Muitas destas vezes eu me senti discriminado e triste, por essa crítica. Hoje, percebo que a maioria que me criticou, é totalmente desprovida de sonhos, esperança, capacidade e coragem para realizar seus projetos de vida e jamais perdoa quem NUNCA planta "os pés no chão", - "pé no chão" em termos radicais, jamais me levaria à parte alguma - e prefere dar asas à imaginação e à fé na luz, porque só assim, somos capazes de REALIZAR o que quer que seja, ainda que só uma parte, algo melhor que NADA. Meu conselho é siga e persiga seus sonhos. Quem segue este caminho será sempre feliz, contra qualquer imposição do destino.
    M.V.: Obrigado amigo. Sucesso sempre. 

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    1 comentários:

    1. Parabéns bela entrevista tenho muito orgulho e satisfação de ter Cayman como amigo, seu trabalho seja musical ou na arte do lápis é magistral, é um cearense , mostrando para mundo nossa cultura.

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