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    quinta-feira, 29 de setembro de 2016

    SETE HOMENS E UM DESTINO (2016) - CRÍTICA POR M.V.PACHECO

    Muitos homens, vários destinos...


    Sete homens e um destino finalmente estreou.  Finalmente, esclareço, não por ter altas expectativas, mas por ser um Western de ponta nos cinemas. Nem lembro mais qual foi o último. Acho que Bravura indômita em 2010... 


    Primeiro ponto: Não sou contra remakes. Até porque 7 homens e um destino (1960) é um remake de Sete Samurais (1954), e ambos figuram nas listas dos melhores do cinema. E mesmo o remake fraco tem sua utilidade, que é a de enaltecer o clássico e provocar revisões.

    Pessoalmente, eu não levava fé nenhuma na produção por conta de um único motivo: Antoine Fuqua. Seu currículo de Assassinos Substitutos , Lágrimas do Sol, Invasão a Casa Branca , O Protetor entre outros é muito voltado para ação sem profundidade. Não era uma boa escolha para um Western. Mas vai que o cara acerta?


    Pois bem, infelizmente errou. E bastante. Começando pela omissão da música tema. Elmer Bernstein fez trabalhos esplendorosos, mas 7 homens virou referência cultural (Quem lembra da propaganda com o cowboy?). Fuqua não tinha que usar a música, obviamente, mas ela ajudaria a aumentar a empatia com a produção. Ao invés disto, usou uma infeliz trilha deixada por James Horner antes de sua morte acidental em 2015. Foi seu último trabalho e um dos piores de sua carreira. Não conseguiu criar um tema novo, passeando por acordes que nada tinham a ver com as cenas vistas. E quando sobem os créditos, e a música clássica finalmente toca, ela acaba acentuando a ruindade do que se ouviu em 2 horas e 13 min de projeção.

    Personagens secundários

    Impressionante como os personagens tem importância no filme de 1960. Até o dono da carroça, que levava o enterro no início é marcante. Vários deles tem visibilidade na tela: os três rapazes da vila, o sábio que aconselha Vin e Chris, as crianças, aquele que se revolta com as possíveis perdas na vila. E conjunto de tudo isto dá densidade à história. O filme se torna uma história de camadas. Você acredita que são pessoas ali, com questionamentos, anseios, atos de heroísmo, medos...

    Esta parte é muito mal desenvolvida na versão nova. Os rostos vem e vão. A única que tem relevância é a mulher, que em certo ponto assume um lugar nos 7 homens (o que é um reflexo da cultura atual).

    Seis homens sem destino

    Chris Pratt foi um achado em "Guardiões da Galáxia". Seu tipo casou perfeitamente com o esperado para o filme. Porém, em Jurassic World, seu personagem "Owen" parece uma variação do Peter Quill de Guardiões. Então, não há surpresa alguma no fato de que ele se repete novamente, fazendo o gostosão do grupo, regado a piadinhas e carões. Steve Mcqueen se revirou no túmulo...


    Ethan Hawke faz o personagem covarde do grupo. Meio o que o Brad Dexter fez no primeiro 7 homens com muito mais propriedade. Só que meio confuso. Ele é bom atirador, está com síndrome do pânico, mas você não se importa com isto. Na verdade, você passa boa parte do filme achando que ele é um charlatão, o que diminui a empatia com seu problema.

    Byung-hun Lee repete o personagem de James Coburn. Até ai tudo bem, mas o problema é que ele repete (até em detalhes) o seu filme famoso "Os Invencíveis de 2008". 

    Vincent D'Onofrio faz um personagem sem o menor sentido. Não se sabe se ele aceita ou não a oferta de trabalho, mas de repente aparece ajudando o grupo. Tem uma voz incrivelmente chata e fala da Bíblia o tempo todo. É o ponto fraco de um ótima ator, que recentemente arrebentou em "Demolidor".

    Martin Sensmeier. Este merece uma página de discussões. O Red Harvest é um índio que "tromba" com o grupo. Mas como o personagem do Denzel fala a língua dele, fica tudo certo e ele parte com o grupo.

    Este personagem acaba sensibilizando uma das piores comparações que pode ser feita com o original. No primeiro, os 4 homens são escolhidos,  um se oferece por estar sendo perseguido (Lee, personagem de Robert Vaughn) e o outro quer ser um grande pistoleiro (Chico), e busca reconhecimento, principalmente de  Chris  (Yul Brynner).


    Já neste filme, parece um grupo que está indo jogar bola e encontra aleatoriamente um ou outro. O próprio Byung-hun Lee é assim, pois eles estão astras de Ethan Hawke e o levam de lambuja sem a menor justificação. Não há a mitológica procura pelos 7. 

    E para completar o infortúnio do personagem, há um índio mal no grupo dos bandidos e eles se enfrentarão, naquele momento básico de clichê. Pior que o "Índio mal" morre mais fácil que eu morreria no lugar dele.

    O Sexto e menos marcante do grupo é Manuel Garcia-Rulfo, que faz Vasquez, um personagem legal, que não compromete nada o resultado, mas tão pouco é marcante.

    1 homem com destino

    Agora imagina só. O único personagem que presta dignidade ao longa é Denzel. Ele é contratado para matar o cara que ele quer vingar da morte de sua família. Sorte não? Conveniente não? Pior...no leito de morte do vilão, ele o "lembra das maldades feitas com sua família" num referência explicita ao "Era uma vez no Oeste", dando sentido totalmente diferente ao filme. O que era para ser 7 homens defendendo um vilarejo com poucos recursos, virou uma vingança pessoal orquestrada pelo personagem principal, fazendo um doa a quem doer, já que parecia impossível a vitória.

    No filme de 1960, cada personagem é importante, tem história e algo a contar. Bernardo O'Reilly por exemplo, vivido por Charles Bronson, era um caro caçador de recompensas, que vivia um período de "vacas magras", tendo que cortar lenha para sobreviver. Personagem adorado pelas crianças do vilarejo, até na morte tinha uma lição para deixar.

    Neste filme de 2016, pouco importa quem vai morrer. Talvez, o personagem de Vincent D'Onofrio tenha uma empatia maior neste sentido, por conta de sua voz ridícula que citei acima, que transmite certa sensibilidade.

    Haley Bennett, a mocinha toma conta do filme como a mulher forte (respingando o momento cultural). E o diretor de uma enorme moral para ela na cena final.

    E por fim...o bandido....

    que saudade do Calvera...

    Peter Sarsgaard nunca seria Eli Wallach (não é meu objetivo comparar) mas precisava ser um vilão tão ruim? Ele é mau apenas por matar duas pessoas a sangue frio. É temido apenas porque tem uma metralhadora (que nem é ele que empunha). O vilão não tem vida própria, é caricato e se vê indefeso com a morte do seu bando. E ainda destrói a cidade que deseja,  mata quase todo mundo, perdendo boa parte do objetivo dele e dos mocinhos.

    Uma pena. Um diretor melhor, uma história mais bem contada, melhores atores e uma outra trilha fariam um filme melhor...

    Ou melhor...joga fora e faz de novo porque "deu ruim".

    P.S.: So far so good

    Alguém pode notar que Faraday (Pratt) fala insistentemente esta frase (So far so good - que quer dizer, "até aqui tudo bem") o filme todo. Nada mais é que uma referência ao diálogo que Vin (Mcqueen) tem no primeiro filme, e que lá era uma "moral de história". Aqui, foi reduzido a uma chatinha citação sem propósito.


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