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    terça-feira, 26 de julho de 2016

    LUIS BUÑUEL - 10 FILMES ESSENCIAIS


    Luis Buñuel foi um realizador de cinema espanhol, nacionalizado mexicano. Trabalhou com Salvador Dalí, de quem sofreu fortes influências na sua obra surrealista.

    A obra cinematográfica de Buñuel, aclamada pela crítica, mas sempre cercada por uma aura de escândalo, tornou-o um dos mais controversos cineastas do mundo, sempre fiel a si mesmo. Buñuel também influenciou fortemente a carreira do realizador conterrâneo Pedro Almodovar.

    Luis Buñuel Portolés era filho de Leonardo Buñuel González, proprietário abastado que fizera fortuna em Cuba com um negócio de ferragens, e de María Portolés Cerezuela. Pouco depois, a família estabeleceu a sua residência em Saragoça, e só ia a Calanda durante a Semana Santa e nas férias de Verão. Luis era o mais velho de sete irmãos e irmãs, com quem teve uma infância feliz, saudável e despreocupada, em contacto com a rica natureza campestre da sua terra. Teve, desde cedo, uma grande sensibilidade em relação ao inusual e ao extraordinário, e facilmente se encantava com animais, plantas e fenômenos naturais, que observava atentamente, imbuído de uma religiosidade pagã. Foi também na infância que adquiriu um enorme fascínio pela morte, quando inadvertidamente, deparou com um burro putrefacto numa valeta.

    Em 1908 viu o seu primeiro filme num cinema de Saragoça. Estudou num colégio de Jesuítas, cuja influência se faria sentir para o resto da sua vida. Com a adolescência, perdeu a fé, tornando-se anti-clerical e ateu, e, em 1915, foi expulso do colégio, tendo terminado os seus estudos secundários no Instituto de Saragoça.

    Seus pais, ricos fazendeiros, lhe proporcionaram uma vida muito distanciada da realidade espanhola: estudos de música, verões em São Sebastião e Calanda. Estudou em Zaragoza em São Salvador e fez seus estudos universitários em Madri, na Residência dos Estudantes. Ali teve a oportunidade de embeber-se das correntes culturais e renovadoras do momento (o Jazz, o Darwinismo, o Comunismo...) e de conhecer Dali e Lorca. Licenciou-se em Filosofia e letras ainda que seu objetivo fosse escrever poesia. 

    Mudou-se para Paris, onde arranjou diversos trabalhos relacionados ao cinema, incluindo um emprego como assistente de Jean Epstein. Interessado pela obra de André Breton e o movimento surrealista, o incorporaram no cinema ao realizar sua obra-prima, "Um cão andaluz" (1928), em colaboração com Salvador Dalí. Em Paris também conheceu sua mulher, a ginasta Jeanne Rucar com quem viveu toda sua vida.  Ao regressar à Espanha não dirigiu nenhum filme, a não ser um documentário: "Terra sem pão" (Las Hurdes Tierra sin Pan, 1932), a cuja produção se dedicou. 

    Ao estourar a guerra civil na Espanha, emigrou aos Estados Unidos onde trabalhou no Museu de Arte Moderna como dublador para a Warner Bros. A oportunidade de dirigir de novo chegou no México. E ali, com 46 anos começou a realizar filmes de maneira estável pela primeira vez. Faleceu na Cidade do México aos 83 anos de idade.

    Abaixo, cumpri o desafio de colocar numa lista 10 filmes essenciais do diretor. De longe, a lista mais difícil que fiz. É um cineasta de obras primas. Fez pelo menos 15. Conseguiu o marco de começar e terminar a carreira no auge. É um gênio. 
    Minha consciência ficou pesada, pois tive que tirar filmes essenciais. Mas os 10 citados entram em qualquer lista dos melhores do cinema e o diretor.
    Boa sessão:


    Logo após Mathieu (Fernando Rey) entrar em um trem, ele joga um balde de água numa bela jovem que estava na plataforma, causando uma grande surpresa para os passageiros que ocupavam a mesma cabine de Mathieu. Ele resolve explicar para os outros passageiros a razão do seu ato e lhes conta que ficou bem obcecado por Conchita (Carole Bouquet), uma bela arrumadeira que parecia nunca ter trabalhado antes com as mãos. Começou então um jogo de gato e rato no qual Mathieu, um homem rico e sofisticado que está entrando na 3ª idade, tenta obsessivamente ganhar os afetos de uma jovem de 18 anos. Assim ela manipula o desejo carnal dele e cada um tenta ganhar absoluto controle sobre o outro.


    Várias situações independentes se sucedem, num filme episódico, sempre ligadas por um dos personagens. Mais uma parceria de Luis Buñuel com o roteirista Jean-Claude Carrière. Trama surreal e livre, uma sátira onírica e nonsense, na qual o diretor apela para a total inversão de valores no ataque à religião, à pátria e à família. O humor é erótico e violento.


    Um grupo de amigos da classe média/alta francesa pretende juntar-se para mais um jantar de convívio, mas tudo lhes corre mal. Os convivas chegam um dia antes do combinado. Para remediar a situação, decidem-se por um restaurante, mas o corpo estendido na sala ao lado tira-lhes o apetite.


    Séverine (Catherine Deneuve) é uma jovem rica e bonita, porém infeliz. Ela ama seu marido (Jean Sorel), um médico, mas eles não são tão íntimos quanto ela deseja. Ela procura um discreto bordel, comandado pela Madame Anais (Geniviève Page), para realizar suas fantasias eróticas e e conseguir o prazer que seu marido não consegue lhe dar. Ela trabalha como prostituta à tarde e à noite retoma a vida de casada.


    Um casal da elite da sociedade aristocrata convida um grupo de amigos para um jantar em sua luxuosa mansão. Mas, depois do evento, eles descobrem que estão presos em uma sala. Não há nada físico, como grades, que os prenda ali mas, ao mesmo tempo, ninguém consegue sair ou entrar daquele local: algo os faz de reféns. Enquanto os dias passam, todas as máscaras e convenções sociais vão desaparecendo, dando lugar aos instintos mais primitivos de cada um.


    A noviça Viridiana (Silvia Pinal) faz uma visita ao seu tio moribundo, atendendo a um pedido do próprio. O pervertido homem, obcecado pela beleza da jovem, tenta seduzi-la de todas as formas. Ele morre e Viridiana decide não mais voltar ao convento. Em contrapartida transforma a antiga casa do tio num abrigo para necessitados e moradores de rua. 


    O padre Nazarin (Francisco Rabal) tenta viver de forma honesta, segundo os princípios cristãos. Humilde, porém idealista, ele acaba abrigando Andara (Rita Macedo), uma prostituta que está fugindo da polícia e eles são obrigados a sair da cidade. Beatriz (Marga López), uma jovem desiludida e amiga de Andara, os segue. Em sua peregrinação, o padre segue com suas atitudes cristãs, mas elas acabam provocando efeitos totalmente opostos.


    Francisco Galvan de Montemayor é um homem rico e amargo, bastante rigoroso com seus princípios e, por isso, ainda solteiro. Um belo dia ele conhece Gloria, se apaixona e é subitamente convencido a se casar com ela, noiva de Raul Conde. Francisco corteja a mulher até que ela aceitasse seu pedido de casamento, e, ao conseguir, de mostra um marido exemplar e dedicado. Mas, pouco a pouco, sua paixão começa a apresentar traços inquietantes. Gloria expressa o comportamento crescentemente abusivo de Francisco com seus conhecidos, porém se mantém cética sobre a gravidade da situação, desconhecida de seu ex-noivo, Raul Conde.

    Nos subúrbios da Cidade do México um grupo de jovens delinquentes passa os dias cometendo pequenos roubos. Um fugitivo de um reformatório, Jaibo (Roberto Cobo), por ser mais velho e experiente se torna o líder natural deles. Um dia, na companhia de Pedro (Alfonso Mejía), Jaibo se descontrola e espanca Julian (Javier Amézcua) até a morte, pois supostamente este o teria delatado. Pedro, que tem uma grande necessidade de carinho materno mas é ignorado por sua mãe (Estela Inda), carrega um sentimento de culpa por se considerar cúmplice de Jaibo, que se comporta como se nada tivesse acontecido. Jaibo ainda tenta seduzir a mãe de Pedro, que não lhe dá nenhuma abertura, fazendo com que o confronto entre Jaibo e Pedro seja algo inevitável.


    Um homem e uma mulher estão loucamente apaixonados, mas não conseguem consumar esse amor, porque são interrompidos toda hora. Primeiro, eles interrompem um cerimonial estranho cheio de bispos com os seus gritos, depois estão em uma festa na casa dela, mas são interrompidos de várias maneiras, ou pela família ou pela sociedade burguesa. Um louco e surrealista frenesi conduz à sequência final, onde os libertinos de Sade abandonam a orgia no Châteu de Sellini.

    Além dos filmes acima, é necessário conhecer pelo menos um curta e um média metragem a seguir:


    O filme representa uma reunião de imagens oníricas, encadeadas no vídeo como se fossem um pesadelo, repleto de cenas metafóricas.



    O roteiro deste filme baseia-se na história de Simão Stilites que, dizem, viveu 37 anos no topo de uma coluna pregando a cristandade, até sua morte em 459 A.C.. 
    Luiz Buñuel usa a história para um ataque divertido e cínico contra a religião e o fanatismo. Assim, o personagem central do filme, Simão, é um fanático religioso que passa sua vida no alto de sua coluna, no meio do deserto, rezando, pregando pela salvação, abençoando os peregrinos e ditando regras de conduta. O demônio, disfarçado, tenta seduzi-lo o tempo todo...


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