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    sexta-feira, 20 de maio de 2016

    REVISITANDO SEXTO SENTIDO (1999)



    A esta altura, todos sabem o grande segredo do filme. Então nem vou perder tempo com preocupações: Malcolm está morto desde o início do filme.

    E não é que "Maior filme de suspense de todos os tempos"... te faz chorar. É emocionante a trajetória de descoberta e redescoberta. Há uma jornada ali. Malcolm esta morto e não faz a menor ideia. Cole vê os mortos e não sabe o que fazer com este dom.

    A cada construção de cena, executada com maestria por Shyamalan, constrói-se o mundo de Cole e desconstrói-se o que Malcolm sabe sobre ele mesmo. É um ótimo filme visto na primeira vez, mas se torna torna perfeito a cada revisão. Cada discussão no filme, tem seu sentido, como o médico (o próprio diretor) quando questiona a mãe a forma que ela lida com a criança. Tocante e genial. Cena aliás que precede a antológica cena que Cole diz "-I see dead people."

    Uma das situações mais interessantes do filme, é que ele mostra que o mundo espiritual é tão perturbado como o nosso, e que eles buscam as mesmas coisas, como auto ajuda, redenção e justiça. Eles estão tão perdidos quanto nós, procurando tantas respostas como nós.

    No filme também há uma interessante associação com o vermelho, no sentido de proteção. A porta da Igreja é vermelha (mantendo espíritos fora), assim como a barraca que Cole se abriga em casa. Há outros elementos como a blusa que ele usa (vermelho, para se proteger) e a maçaneta vermelha da porta da casa de Malcolm (que o matem fora daquele cômodo). Há um tapete vermelho na porta da joalheria, mostrando que Malcolm não vai entrar ali (inclusive em uma cena , ele quebra o vidro da porta).A cor significa perigo e força...exatamente as duas pontuações necessárias para entender esta associação. 

    A outra associação, que está ligada ao frio. Desde a primeira cena, na adega, é mostrado que quando há um morto por perto, cai a temperatura. 

    A interpretação de Osmet é fantástica, digamos, das melhores de uma criança... do cinema. Bruce Willis está impecável como o médico incapaz de ajudar o menino e de se ajudar, mas ao mesmo tempo, mostra total compaixão com aquele jovem indefeso. E Toni Colette arrasa no papel da mãe sem compreender o mundo que o filho vive.

    A trilha de James Newton Howard pontua o filme de forma sublime. Ela mostra tensão e sutileza na medida. Te deixa nervoso e com compaixão. A cena que Cole decide escutar Malcolm e enfrentar seu destino é magnífica. O horror sai de cena, e entra o dom de Cole de ajudar os mortos.

    A produção concorreu , dentre os principais prêmios, aos Oscar, Globo de Ouro e Bafta.

    E no final das contas, como não percebemos que Malcolm esta com a mesma roupa o filme todo? "-Algumas mágicas são reais", como diz Cole numa cena. Cinema é isto...uma grande magia, mas no caso do Sexto Sentido, com qualidade, e nunca um simples truque com uma moeda.

    E como na peça de teatro, já caminhando para o final do filme, Cole se torna o protagonista (Rei Arthur), mostrando que precisamos buscar incessantemente este protagonismo nas nossas vidas, e que ele ajuda-nos a tornar as rédeas de nossa caminhada. Obra prima.


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