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    GUERRA E PAZ NO CINEMA / TV


    Confesso que ao fazer esta lista, achei que tinham muitas versões, mas elas são poucas e longas. Primeiro algumas informações sobre a obra:

    Considerada a obra prima de Tolstói, Guerra e Paz é grandioso não somente pelo volume de páginas ou por sua densidade psicológica - esta última, a meu ver, nem tão densa assim - mas por conter, em um só trabalho, nuances tão distintas e, ao mesmo tempo, tão relacionadas entre si.

    Correm em paralelo as histórias dos personagens, de caráter ficcional, e a história bélica da invasão e posterior derrocada napoleônica na Rússia, entre os anos de 1805 e 1812 (aliás, o título original da obra, quando começou a ser publicada em jornal, era 1805). Como se não ocorresse no meio de um romance, devido à sua abordagem ampla e detalhada, Tolstói não apenas descreve o desenrolar da guerra como a analisa e demonstra os motivos e o teatro de guerra em particularidades que contradizem o senso comum. Relativiza a influência de personagens históricos, como o próprio Napoleão e o soberano Alexandre, da Rússia, e credita todos os desfechos à ação coletiva, mais que à individual. E não apenas afirma, como demonstra, expondo seu raciocínio lógico, inclusive com exemplos simples.

    Paralelamente, Tolstói já pulveriza em todo o texto, em diversos personagens - especialmente em Pierre e Mária - o seu entendimento religioso. Quem já leu "Minha Religião", obra do mesmo autor escrita já próxima de sua morte, depois que Tolstói se voltou fervorosamente para o catolicismo, poderá enxergar no texto de "Guerra e Paz", através dos devaneios de seus personagens, várias ideias contidas em sua obra sobre a religião.

    A grande sacada é que Tolstói consegue, na mesma obra, abordar temas tão distintos, como romance, história da guerra, filosofia da guerra e teologia, dentre outros assuntos de menos destaque, de forma tão ordenada, tão bem elaborada, que mal se percebe a riqueza da obra enquanto se lê. Guerra e Paz é talvez o livro que mais pode agregar a alguém, justamente por não se limitar a apenas um objeto. Assim, pode haver livros que agreguem mais como romance, como pode haver livros que agreguem mais em história da guerra, ou em filosofia de guerra, ou em teologia. Mas, ao mesmo tempo, com tanta profundidade, todos estes assuntos, acho muito improvável. Há também feroz crítica à sociedade aristocrática russa, que é debulhada, dissecada, analisada e exposta ao leitor. Embora já muito diferente do que se vê por aí, ainda guardando muitas semelhanças com a sociedade atual. 

    Por fim, a leitura de Guerra e Paz não é uma leitura difícil, como "Ulysses", de James Joyce, ou mesmo "Crime e Castigo" de Dostoievski. Pelo contrário, é bem corrida e simples, até. Acredito que muitos consideram como de difícil leitura muito mais pela quantidade de páginas. Tolstói, com Guerra e Paz, é o melhor exemplo que leitura edifica, engrandece, expande horizontes e diverte.
    Vamos aos filmes:

    GUERRA E PAZ (1915)

    Título original: Voyna i mir
    Direção:  Vladimir Gardin, Yakov Protazanov
    Elenco:  Vladimir Gardin, Vera Karalli, Olga Preobrazhenskaya
    Duração: 1h 38 min

    Primeira versão, já demonstrando que longos filmes viriam com o tempo (1 hora e 40 para 1915 é muito tempo ).

    A história segue a mesma , porém na condução de dois diretores, sendo um deles Yakov Protazanov, o famoso diretor russo de Aelita - A Rainha de Marte (1924), uma obra prima da época. As produções daria um salto de 40 anos, até ser produzido o filme de Vidor.


    GUERRA E PAZ (1956)

    Título original: War and Peace
    Direção: King Vidor
    Elenco:  Audrey Hepburn, Henry Fonda, Mel Ferrer
    Duração: 3h 28min

    A história se passa no início do século XIX, quando a Europa era controlada por Napoleão. A Rússia era um dos poucos países que conseguiu evitar o domínio francês, e preparava-se para enfrentar seu exército junto com a Áustria. Na batalha, o príncipe Andrei (Mel Ferrer) é ferido e retorna para casa, quando um tempo depois fica viúvo. Depois de dois anos de luto ele se interessa por Natasha Rostov (Audrey Hepburn), grande paixão de seu amigo Pierre Bezukhov (Henry Fonda). Ele, intelectual e filho bastardo de um aristocrata que após sua morte o deixa toda sua herança, também não pode fazer à corte a Natasha, pois já esta casado com a infiel Helene (Anita Ekberg). Quando uma nova guerra se inicia, Moscou é incendiada pelos próprios moradores para afugentar invasores. Mas uma tragédia mudará a vida de todas as pessoas desse país. 

    Algumas curiosidades:

    Marlon Brando foi chamado para fazer o papel de Pierre, mas ele não queria trabalhar com Audrey Hepburn. O personagem também foi oferecido a Montgomery Clift, mas ele recusou.
    Para as filmagens das cenas de batalha, os produtores contrataram 65 médicos, vestidos como soldados, e os espalhou por todo o local para cuidarem de qualquer dublê ou figurante que se machucasse durante a luta. 
    Jeremy Brett foi escolhido para interpretar Nicholas, em parte, porque ele era parecido com Audrey Hepburn, sua irmã no filme.


    O salário de Audrey Hepburn nesse filme foi de 350.000 dólares, o maior recebido por ela até então. 
    A primeira versão do roteiro tinha 506 páginas, o que é 5 vezes maior do que a média dos roteiros em geral. 
    Henry Fonda tinha 50 anos quando o filme foi feito, mas seu personagem tinha apenas vinte e poucos anos. Ele depois admitiu que sabia desde o início que estava velho demais para o papel, e que só aceitou fazer o filme por causa do dinheiro.


    GUERRA E PAZ (1965-1967)

    Título original: Voyna i mir
    Direção: Sergey Bondarchuk
    Elenco:   Lyudmila Saveleva, Vyacheslav Tikhonov, Sergey Bondarchuk
    Duração: 7h 7min

    Baseado na obra de literatura clássica de Leo Tolstoy, este clássico do cinema atinge um nível de qualidade sem precedentes através das suas cenas de guerra, em que é inteiramente recriado um exército regular com mais de 120.000 soldados e 35.000 peças de guarda roupa, proporcionando-nos imagens de um realismo emocionante da Batalha de Borodino e do incêndio de Moscou de 1812, que quase destruíram a nação Russa. Guerra e Paz relata o eterno romance entre Natasha Rostova e o Príncipe Andrei Bolkonsky, cujas vidas espelham as convulsões sociais que o seu país vivia na época. Com uma fotografia espetacular e imagens surpreendentes, este filme rivaliza com "Lawrence das Arábia" e com "O Vento Levou", como espetáculo de primeira qualidade. Foi premiado com o Oscar para melhor filme de Língua Estrangeira em 1968.

    O filme foi produzido pela Mosfilm entre 1961 e 1967 com um grande apoio das autoridades soviéticas. Com um custo de 8. 291 712 rublos soviéticos – 9 .213 013 dólares em valores de 1967, ou aproximadamente 87 milhões em valores atuais – Voyna i Mir foi o filme mais caro já produzido na União Soviética. Ao ser lançado, ele foi um enorme sucesso de público, atraindo mais de 135 milhões de espectadores. Voyna i Mir venceu o Grand Prix do Festival de Moscou, o Golden Globe Award de Melhor Filme Estrangeiro e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.


    GUERRA E PAZ (1972-74)

    Título original: War and Peace
    Direção: John Davies
    Elenco: Anthony Hopkins, Morag Hood, Alan Dobie
    Duração: 14h 50min divididos em 20 episódios

    Baseada na grandiosa obra de Leon Tolstoi, esta fantástica série segue as vidas das aristocráticas famílias Bolkonsky e Rostov. Uma super produção da BBC onde as personagens amam, odeiam e lutam, mas acima de tudo anseiam por encontrar o sentido da vida!

    Guerra e Paz é um microcosmo de famílias, casas, pessoas, de sentimentos, de anseios, de ambições e frustrações, um mundo onde há um pouco de tudo do nosso mundo. Virginia Woolf disse do autor: “Desde a primeira palavra nós sentimos, temos a certeza que Tolstoï é um homem que vê o que nós vemos, que procede como nós temos o hábito de proceder, não de dentro para fora, mas de fora para dentro. Nada escapa ao seu olhar que tudo regista.”


    GUERRA E PAZ (1991)

    Título original: War and Peace
    Direção: Humphrey Burton
    Elenco:  Sergei Alexashkin, Gennady Bezzubenkov, Irina Bogachova
    Duração: 4h 9min

    A história de amor da jovem condessa Natasha Rostova e  Pierre Bezukhov, se confunde com a "Grande Guerra Patriótica" de 1812 contra os exércitos de Napoleão onde o povo da Rússia, de todas as classes da sociedade, se levantam unidos contra o inimigo. Ambos lados sofrem grandes perdas durante a guerra, e a sociedade russa é mudará para sempre.




    GUERRA E PAZ (2000)

    Título original: La guerre et la paix 
    Direção: François Roussillon
    Elenco:  Nathan Gunn, Olga Gouriakova, Margarita Mamsirova
    Duração: 4h 49min

    Com centenas de personagens e mais de mil páginas na versão original, Guerra e paz é considerado um dos maiores romances da história. O enredo deste clássico da literatura russa se passa durante a campanha de Napoleão na Áustria, e descreve a invasão da Rússia pelo exército francês e a sua retirada, compreendendo o período de 1805 a 1820.

    Trata-se de um painel profundo e verdadeiro da aristocracia russa, pois foi escrito por alguém de dentro dela. As duas principais famílias retratadas - Rostov e Bolkonski - representam as famílias Tolstói e Volkonski, respectivamente do pai e da mãe do autor, Liev Tolstói. Guerra e paz retrata ainda o preconceito e a hipocrisia da nobreza, e também suas tradições religiosas, ao lado da vida cotidiana dos soldados e dos servos.
    Esta versão é uma ópera filmada.


    GUERRA E PAZ (2007)

    Título original: War and Peace
    Direção: Robert Dornhelm
    Elenco:   Clémence Poésy, Alessio Boni, Alexander Beyer
    Duração: 6h 34min divididos em 4 episódios

    Baseada na obra-prima de Leon Tolstói, a série conta a história das famílias da aristocracia russa durante a época napoleônica, mais precisamente durante a invasão da Rússia pelas tropas de Napoleão. Essa invasão selou o destino dos inúmeros personagens da trama criada por Tolstói, afetando profundamente a vida, os amores, os desejos, as vinganças e a busca da felicidade de cada membro das famílias Bezukhov, Bolkonski e Rostov. “Guerra e Paz” foi levado aos cinemas pela primeira vez em 1915 e, desde então, várias adaptações para teatro, ópera, cinema e rádio já foram produzidas. Esta nova versão, dirigida por Robert Dornhelm, teve o vultuoso orçamento de US$30 milhões e contou com a participação de 7 países (Rússia, Estados Unidos, Itália, Alemanha, França, Espanha e Polônia) em sua produção. Fazem parte do elenco atores e atrizes com grande experiência no cinema e em seriados, destacando-se os nomes de Malcolm McDowell (“Laranja Mecânica”), Clémence Poésy (“Harry Potter e o Cálice de Fogo”) e Alexander Beyer (“Adeus, Lênin!”).


    GUERRA E PAZ (2016)

    Título original: War and Peace
    Direção: Tom Harper
    Elenco:   Paul Dano, James Norton, Lily James 
    Duração: 7h 30min divididos em 6 episódios

    Situada na Rússia entre os anos 1805 e 1820, a história tem como pano de fundo as invasões de Napoleão Bonaparte. A narrativa trata, primordialmente, de cinco famílias aristocratas, em especial os Bezukhovs, os Bolkonskys e os Rostovs, e o vínculo de suas vidas pessoais com o curso da História do país.

    O Excelente Paul Dano dá vida ao personagem que já foi interpretado por Anthony Hopkins em outra versão.

    BASEADO EM PARTE DO LIVRO DE TOLSTOI

    A ÚLTIMA NOITE DE BORIS GRUSHENKO (1975)

    Título original: Love and Death
    Direção: Woody Allen
    Elenco:   Woody Allen , Diane Keaton , e Harold Gould , Sol Frieder , Olga Georges-Picot 
    Duração: 1h 35min 

    Um russo (Woody Allen), na véspera de ser executado pelo franceses por um assassinato que não cometeu, recorda toda a sua vida desde criança até ser forçado a se alistar e defender seu país da invasão napoleônica, que ironicamente lhe propiciou condecorações quando se tornou acidentalmente um herói. No entanto sua situação se complica, pois se casa com a mulher que sempre amou, mas esta planeja matar Napoleão.

    De Guerra e Paz, o cineasta tirou, além da paráfrase do título original de seu filme, o contexto histórico, a época em que a ação se passa – a Rússia imperial do início do século XIX, a invasão da Rússia pelos exércitos de Napoleão. Às vezes o personagem de Bóris Grushenko faz lembrar o conde Piotr Bezukov do romance de Tosltói, com suas dúvidas existenciais, metafísicas – e também sua intenção de assassinar o ditador francês durante sua estadia em Moscou.


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