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    ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO (2016) - CRÍTICA DE RUBENS EWALD FILHO


    Alice Através do Espelho (Alice Through the Looking Glass)

    EUA, 16. 113 min. Direção de Jack Bobin. Roteiro de Linda Woolverton. Com Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Sacha Baron Conway, Rhys Ifans, Lindsay Duncan, Geraldine James, Richard Armitage, Ed Speelers (Downtown Abbey), as vozes de Alan Rickman (a quem o filme é dedicado), Timothy Spall, Stephen Fry, Michael Sheen.

    Vocês sabiam que de todos os desenhos animados de Disney da fase clássica o que rendeu menos bilheteria e foi menos reprisado foi exatamente o Alice no país das Maravilhas (51) por ser exatamente o mais confuso e complicado? Por isso foi tão surpreendente o sucesso de sua refilmagem com atores e direção de Tim Burton, que teve ótima repercussão em 2010, com orçamento de 200 milhões de dólares e basicamente o mesmo elenco que aqui. Principalmente por causa de uma espetacular direção de arte, extremamente criativa e bizarra o que lhe fez render mundialmente mais de 1 bilhão de dólares! Além de dois Oscars.

    O que explica esta continuação apesar dos problemas óbvios que certamente a Disney teve em conta. Esta história tem origem num livro que é uma continuação concebida pelo mesmo autor Lewis Carroll (1832-1898) só que é muito mais complexa, confusa, embora aqui procurem se fixar basicamente nos mesmos personagens básicos do anterior. Mas é um problema, porque acabou virando um delírio de efeitos especiais, que só irá confundir as crianças e até mesmo os adultos. Ainda que Burton tenha sido esperto o suficiente para assinar apenas como um dos vários coprodutores e tenha passado a direção para um diretor de comédias que tem um curriculum duvidoso, começando com aquele horrível série de TV da HBO Flight of the Concords, o show da Ali G. Show (estrelado por Sacha Baron Cohen, aqui na figura muito importante do Senhor do Tempo. Na verdade, para sermos justos, ele está muito melhor do que costume, mais contido o que leva a confirmar que Burton é um grande criador de imagens, mas um fraco diretor de atores!). Continuando a carreira de Bobin foi ele também que fez os dois fraquíssimos longas recentes com Os Muppets (Os Muppets e Procurados e Amados) e embora não creditado faz o papel do ex-namorado de Alice e dono da empresa de navios. Ao menos foi assim que eu o identifiquei por fotos com cara de Fabio Porchat!

    Por outro lado tenho a sensação de que esta Alice será muito menos sucesso que a anterior, não só porque já passou a novidade, mas porque o filme é outro delírio de efeitos especiais, imaginem que já começa com a heroína como capitã de um navio veleiro que ela brilhantemente faz escapar de recifes (naturalmente fica-se achando que é uma cena de sonho mas não! É pra valer e ela volta disposta a continuar a ser capitã apesar da oposição de todos e a falência de sua família). Teimosa, ela fura a festa do ex-noivo e entra espelho à dentro no que seria seu reencontro com todos os antigos amigos, começando com o Chapeleiro Louco, novamente vivido por Johnny Depp. Embora o rapaz esteja sofrendo uma fase de contínuos fracassos, ele retorna a forma numa criação muito na medida, com uma maquiagem excepcional. Aliás, o filme se qualifica para o Oscar do próximo ano porque há outra interpretação notável que é de Helena Bonham Carter, mais uma vez fazendo a rainha de cartas, chamada aqui de Iracebeth (ex-mulher de Burton, veja a ironia, passa da histeria ao drama até a emoção verdadeira).


    Fora disso porém todo o filme é de uma histeria de perseguições e maluquices, quando eles vão brincar e desafiar o próprio Senhor do Tempo (o visual por vezes me lembrou o do Scorsese em A Invenção de Hugo Cabret) enquanto Alice o tenta ajudar num problema meio esquisito, que é basicamente tentar encontrar a sumida família dele, a quem o rapaz preza muito! E por isso há inúmeros elogios a importância da família! Isso depois de tomar posse de um objeto letal chamado Gyroscope e na sua teimosia quase que consegue destruir toda a Wonderland e a humanidade!

    Não sei quem foi o responsável, mas alguém na Disney determinou que se inventassem mais figuras, mais monstrengos (tem até uns no estilo Transformers), mais explosões de luz o que em determinado momento se torna desnecessário e até irritante. Como se já não bastasse o enredo tão intrincado! Também porque até hoje nunca me convenceu a madame Mia Wasikoswa, que não é a mais expressiva ou bonita das atrizes. Acho curioso que certos críticos estrangeiros brincaram dizendo que embora o livro original tenha muitos derivativos fizeram o que é no fundo imitação de De Volta Para o Futuro e Charlie e a Fabrica de Chocolate!


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