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    domingo, 6 de março de 2016

    OBRAS PRIMAS DO TERROR 4 - PELA VERSÁTIL


    Terror é um gênero literário, cinematográfico ou musical, que está sempre muito ligado à fantasia e à ficção , e é criado com intuito de causar medo, aterrorizar. Também pode ser verificado na pintura, no desenho, na gravura e fotografia. A abstrata ideia de terror ou o ato de transmitir o sentimento de terror ou horror pode ser verificado em todas as formas de arte. 

    No cinema, muitas vezes é subestimado. As premiações dificilmente contemplam um filme do gênero. Interessante que a internet anda na contramão, sendo que uma boa parte de sites de cinema são de horror (Tente achar sites de filmes de comédia, por exemplo).

    A versátil percebeu como o cinema "de gênero" é querido e emplaca a 4 coleção de obras do horror. Um prato cheio para fãs. E nesta coleção, há do clássico ao cine trash. Além , é claro, dos tradicionais cards.

    E só uma observação: o tamanho do texto não tem relação com eu gostar mais (ou menos de um filme) ou mesmo achar que algum deles tem mais importância. Nesta coleção, especificamente, gosto de todos de forma igual.

    Vamos aos filmes (acesse os links para visualizar as filmografias dos respectivos diretores)

    DISCO 1

    A ESPINHA DO DIABO (“El Espinazo del Diablo”, 2001, 108 min.)
    De Guillermo Del Toro. Com Marisa Paredes, Eduardo Noriega e Federico Luppi.

    Sinopse:

    Carlos, um garoto de 12 anos, perde seu pai e é deixado no orfanato Santa Luzia, em plena Guerra Civil Espanhola. Lá, aprende a conviver com adultos agressivos e crianças perturbadas pela atmosfera do lugar. O espírito de um ex-aluno clama por vingança e instiga Carlos a descobrir seu assassino.

    Considerações:


    “A Espinha do Diabo” (El Espinazo del Diablo, Espanha/México, 2001) não deu sorte na época do lançamento original. A obra chegou aos cinemas quase ao mesmo tempo que outro longa-metragem hispânico de horror: “Os Outros”, de Alejandro Amenábar. Enredo clássico de casa mal-assombrada, o filme de Amenábar aproveitou as vantagens de ser falado em inglês e ter uma estrela (Nicole Kidman) como protagonista. O sucesso alcançado acabou por eclipsar o estranho híbrido de horror sobrenatural com filme de guerra, com implicações políticas, que o mexicano Del Toro ergueu com carinho e nostalgia quase explícitos.

    Rascunhado ainda na época em que o diretor era apenas aspirante a cineasta, “A Espinha do Diabo” foi mantido na geladeira por razões puramente comerciais. Ninguém queria produzir uma mistura de gêneros tão estranha. Foi o espanhol Pedro Almodóvar quem, após um encontro informal com o diretor mexicano em um festival de cinema de 1994, se dispôs a quebrar o preconceito. Ainda assim, seriam preciso mais sete anos antes que a história, fortemente baseada em memórias de infância e quadrinhos lidos quando Del Toro era menino, pudesse virar filme. Afinal de contas, a tarefa de produzir um longa de época, cujos gastos com cenários e figurinos costumam ser muito maiores do que o normal, se revelaria bem mais complexa do que o imaginado.

    O conto macabro é narrado do ponto de vista de Carlos (Fernando Tielve), um órfão cujo pai acaba de morrer na guerra civil espanhola, durante os anos 1940. Sem saber disso, o garoto é deixado num orfanato em meio ao deserto da Espanha. O lugar, assolado por lendas de fantasmas e tesouros escondidos, fica a um dia de distância da cidade mais próxima, e é utilizado pelos militantes de esquerda como um ponto de apoio na luta contra as tropas do general Franco. Sinistro e desolado, o orfanato é habitado por crianças cujos pais morreram na guerra, e apenas quatro adultos: a diretora mal-humorada e sem uma perna (Marisa Paredes), um poeta cheio de dores de amor (Federico Luppi), o ex-órfão viril que serve de segurança (Eduardo Noriega) e uma jovem bonita que cozinha para todos (Irene Visedo).


    Logo no primeiro dia de orfanato, Carlos percebe que as coisas não serão fáceis para ele. O garoto entra em conflito com Jaime, o valentão do lugar, e começa a ter visões de um fantasma. Ao mesmo tempo, também não demora para que ouça outras lendas a respeito do lugar. O orfanato abriga uma bomba não detonada semi-enterrada no pátio, herança dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Alguns internos acreditam que o fantasma habitante do orfanato chegou junto com a bomba. No mesmo dia em que o artefato foi jogado no pátio, os internos registraram o sumiço de um garoto chamado Santi – e ninguém jamais descobriu o paradeiro do menino. Há ainda a lenda do tesouro, bem como o assustador conteúdo de um jarro de formol no laboratório de química do local. Obviamente, uma investigação amadora conduzida aos trancos e barrancos por Carlos vai dar conta de todas essas lendas, ligando-as de maneira inteligente.


    Projeto-irmão da elogiadíssima fantasia gótica de guerra “O Labirinto do Fauno” (2006), o filme de Guillermo Del Toro tem muitas qualidades. Uma delas está na criação quase artesanal do excelente visual, com uma direção de arte criteriosa, uma fotografia calcada no uso de sombras e tons de terra, e um design simples e inventivo do fantasma-mirim – um vulto aterrorizante, com face branca e olhos negros, de cujo crânio escorre espirra sangue em espiral, suavemente, como se o fantasma estivesse dentro da água. Este detalhe, aliás, se revela posteriormente uma bela sacada narrativa. O visual do fantasma, como Del Toro assume, foi inspirado nas histórias de horror japonesas, mas leva a idéia essencial a um patamar original.

    SOB O PODER DA MALDADE (“The Sorcerers”, 1967, 86 min.)
    De Michael Reeves. Com Boris Karloff, Catherine Lacey, Ian Ogilvy.

    Sinopse:

    Ao realizar experimentos envolvendo técnicas avançadas de hipnose e controle do cérebro, um cientista resolve testar sua nova descoberta em um jovem disposto a viver experiências psicodélicas. Quando o cientista e sua esposa, que é sua ajudante no experimento, descobrem que podem controlar mentes humanas e sentir suas experiências pessoais, passam a realizar seus desejos mais macabros através de suas cobaias.

    Considerações:

     'Sob o Poder da Maldade' (The Sorcerers) é um filme de horror e ficção científica, originalmente lançado em 1967, dirigido e co-escrito por Michael Reeves e estrelado por Boris Karloff , Catherine Lacey e Elizabeth Ercy.

    Mais uma obra prima do horror dirigido pelo jovem Michael Reeves, responsável por clássicos como 'O Caçador de Bruxas', 'The She Beast' e 'Il castello dei morti vivi'. Esta grande promessa para o cinema de horror teve sua vida interrompida por uma overdose acidental, quando tinha apenas 25 anos e estava na pré-produção de outro clássico: 'O Ataúde do Morto Vivo'.

    O filme conta também com o lendário Boris Karloff, em uma de suas últimas aparições no cinema; o monstro mais famoso do cinema de horror viria a falecer dois anos após o lançamento de 'The Sorcerers'. Diferentemente dos demais clássicos de Reeves, ambientados em cenários históricos, este se passa na contemporaneidade, isto é, dentro do universo psicodélico da segunda metade dos anos 60. Nada mais sugestivo do que uma história com jovens dispostos a sentir as mais loucas sensações lisérgicas e um cientista interessado em entender os segredos mais obscuros da mente humana. Surpreendentemente, Boris Karloff é um cientista que visa usar suas descobertas para o bem da humanidade, o lado inescrupuloso ficou por conta de sua ajudante. Segundo consta, o próprio Boris Karloff pediu para que seu personagem fosse mais simpático. 

    Não confundir o filme com "The sorcerer", também lançado pela versátil neste mês de março, de William Friedkin, refilmagem de "Salário do medo".

    DISCO 2

    A CASA DO CEMITÉRIO (“Quella villa accanto al cimitero”, 1981, 86 min.)
    De Lucio Fulci. Com Catriona MacColl, Paola Malco, Ania Pieroni.

    Sinopse:

    Um historiador recebe a notícia de que um amigo de profissão, a trabalho em Boston, cometera suicídio após ter assassinado a amante. Designado para o lugar do falecido, o homem muda-se para aquela cidade com a família e vai morar numa estranha mansão. Lá, coisas estranhas acontecem e logo se descobre que um assassino sedento por sangue vive escondido no porão.

    Considerações:

    Quella villa accanto al cimitero (A Casa do Cemitério, 1981) é um filme que crê absolutamente naquela máxima de Nietzsche segundo o qual “você não deve olhar para o abismo, senão o abismo olha de volta para você”. No início do filme, é Bob que é o objeto do olhar da menina aprisionada na foto; é Bob a presa da representação do fantasma, e  Bob que vamos acompanhar, em suas fases mais crucialmente determinantes: matar as figuras paternas e maternas reais (não só a mãe, mas a mulher que lhes aluga a casa e Annn, a babysitter) até não restar senão a quintessência icônica da Mãe monstruosa de Melanie Klein, na figura de Mrs. Freudstein, uma lady saída direto dos logros fantasmáticos de Henry James. 

     A Casa do Cemitério é  uma espécie de despedida de Lucio Fulci dos seus grandes filmes de horror, partindo depois para produções mais convencionais. E o melhor é que o filme funciona perfeitamente: poucas vezes Fulci teve um roteiro tão preciso em suas mãos, e sua equipe habitual de colaboradores parece estar no auge da eficiência. O cinema italiano de horror é conhecido por seus excessivos enigmas, que normalmente deixam os roteiros sem pé nem cabeça. Pavor na Cidade dos Zumbis e  Terror nas Trevas eram assim, e o espectador precisava esquecer a lógica e as explicações para se divertir. A Casa do Cemitério também tem seus enigmas e algumas passagens inexplicáveis, mas o roteiro de Dardano Sacchetti, Giorgio Mariuzzo e do próprio Fulci é tão bem bolado e amarrado, sem apelar para os exageros ou soluções fáceis, que o espectador até esquece disto.

    A Casa do Cemitério é o filme ideal para quem quer ter uma primeira impressão sobre o tão falado cinema de horror europeu, ou mesmo sobre a filmografia de Lucio Fulci, pois é um filme mais convencional, com uma história redondinha, nada tão alucinado e amalucado quanto outros filmes do período e do mesmo diretor. É quase um filme sobre casas mal-assombradas, semelhante àqueles feitos na Inglaterra e nos Estados Unidos – apenas com o sangue e a violência quintuplicados!

    A FILHA DE SATÃ (“Night of the Eagle/Burn, Witch, Burn”, 1962, 90 min.)
    De Sidney Hayers. Com Peter Wyngarde, Janet Blair e Margaret Johnston.

    Sinopse:

    Norman Talor é um professor universitário que um dia descobre que sua esposa, que esta casado a vários anos, é uma bruxa , e ela acredita que ele esta precisando de proteção ,pois ela tem percebido alguns sinais de que alguém esta contra seu marido, mas Norman não admite e não acredita nisso, até que alguns acontecimentos fazem ele mudar de ideia.

    OS 6 CARDS CONTIDOS NO DIGISTACK

    Considerações

    A Filha de Satã é um thriller sobrenatural interessante, que mescla vários elementos do gênero usado até então, com uma tensão crescente em uma excelente fotografia sem desperdiçar nenhum frame, que segue bastante o conceito de se concentrar na atmosfera e na sugestão do que no terror implícito, ressuscitando a forma como Val Lewton conduzia as produções para a RKO Radio Pictures durante a década de 40.  Curioso que em seu lançamento nos EUA, o filme era acessível para menores de 13 anos, enquanto na Inglaterra, foi aplicada uma censura X, apenas para adultos. Na versão americana foi incluída uma narração inicial de Paul Frees, entoando um feitiço para proteger a audiência do mal.

    DISCO 3

    SCHOCK (Idem, 1977, 93 min.)
    De Mario Bava. Com Daria Nicolodi, John Steiner e David Colin Jr.

    Sinopse:

    Dora Baldini se muda com seu filho Bruno para uma nova casa onde quer começar uma nova vida após seu marido ser assassinado. Dora agora esta de namoro com Marco, um piloto de avião que vira e mexe sai para viagem. Logo nos primeiros dias na casa, Bruno o filho de Dora começa a ficar meio estranho, e começa a olhar para a mãe com um olhar possessivo e de ciúmes em determinadas situações. A mãe percebe que o garoto esta ficando aloprado demais e começa a achar que possa ser algo que se encontra na casa depois que passa ter visões e pesadelos assustadores. 

    Marco o namorado dela fala que ela esta muito cansada e que pode estar precisando de um repouso e que não tem nada de errado na casa. Ela resolve mandar Bruno para um psiquiatra para fazer um tratamento e descobrir o por que do comportamento "hiperativo" do garoto. O psiquiatra Dr. Aldo Spidini não vê nada de errado no garoto a principio, apenas achando que seus desenhos mostram que o garoto sinta a falta do carinho da mãe, mais os desenhos começam a ficar mais violentos com o passar do tempo. Mas na verdade quem esta sentindo falta do carinho da mãe e o  espírito de seu ex-marido assassinado que esta rodeando o garoto e o usando para ficar por perto de Dora e ver se da um sumiço no seu novo namorado .

    Considerações:

    Último filme de Bava. O mestre já não estava tão bem de saúde, vindo a falecer em 1980, porém ainda tinha fôlego para co-dirigir seu último filme e dividiu o cargo com seu filho, Lamberto Bava. O resultado: Shock 

    O roteiro escrito por Lamberto Bava e Dardano Sacchetti  propositalmente gera dúvida sobre o quanto é real e o quanto é imaginário. Talvez seja seu filme mais assustador, com algumas cenas bem violentas, repleto de visões soturnas e cenas de pesadelo incríveis – o trabalho atrás das câmeras é estupendo. Os 15 minutos finais são soberbos.

    A produção foi lançada lá fora em VHS como Beyond the Door II, apesar de não ter absolutamente nada com Beyond the Door (de Ovidio G. Assonitis e Robert Barrett, lançado no Brasil em VHS pela Alvorada Vídeo como Espírito Maligno) a não ser pela presença do ator David Colin Jr.
    Daria Nicolodi era esposa de Dario Argento.

    NASCE UM MONSTRO (“It’s Alive”, 1974, 91 min.)
    De Larry Cohen. Com John P. Ryan, Sharon Farrell, James Dixon.

    Sinopse:

    Um bebê, que sofreu mutações durante a gestação, nasce deformado e com um apetite voraz e assassino. Ele escapa do hospital e transforma uma pequena cidade americana em um inferno. A policia local inicia uma verdadeira caçada ao pequeno monstro, que assustado vai trilhando um rastro de sangue e violência.

    Considerações:

    O nome do filme é uma icônica, bem bolado e direto, e não tem como não lembrar da clássica fala: "It's Alive! It's Alive! It's Alive! It's Alive!..." do clássico Frankenstein, que por sinal se assemelha muito a trilha sonora deste filme.

    Mesmo produzido por um dos estúdios gigantes de Hollywood, Warner Brothers, Nasce um Monstro (It's Alive), de 1974, foi criado com grande liberdade e muita criatividade.

    Num primeiro momento, podemos até mesmo desconfiar da intensidade deste filme, pois era uma típica produção B sem maiores referências ou astros, quase que um arremedo de programação produzido por um grande estúdio. Mas esta aparente simplicidade esconde um grande filme, sendo que sua grande virtude estava na direção, feita por um especialista no gênero de terror (e também de filmes B), Larry Cohen, que soube criar uma história forte, convincente e apavorante.

    A história é simples: uma típica e feliz família norte-americana espera o nascimento de seu segundo filho depois de 11 anos de infrutíferas tentativas e, durante o trabalho de parto, a criança revela-se um monstro e mata toda a equipe médica. As autoridades a perseguem, inclusive com a ajuda do pai, enquanto a criança vai cometendo as mais horríveis atrocidades na procura de seus pais. A perseguição ao bebê-monstro e as dúvidas existenciais e emocionais do pai - dividido entre o remorso de ter gerado uma criatura monstruosa e seu amor paterno - conduzem o filme de uma maneira tensa e profunda. A própria visão do bebê-monstro, completamente distorcida e trêmula, é, muitas vezes, o único elo de ligação entre ele e o público.

    Além da cena morte dos médicos durante o parto (insinuada, pois não foi mostrado a maneira como bebê os matou), o filme apresenta várias sequências famosas: o pai volta para casa à noite e, depois de perceber que a geladeira, que estava exageradamente cheia à tarde, ficou vazia, desconfia que seu filho esteja em sua casa e, na escuridão, caminha pela casa procurando-o, num sensacional jogo de gato e rato; numa outra seqüência famosa (e a mais divertida do filme, apesar de trágica), um inocente leiteiro não percebe a entrada do faminto bebê no seu carrinho, tendo uma desagradável surpresa numa de suas entregas.

    As razões para a criança ter nascido como um monstro raramente são ditas, o que irritou a crítica na época. A ideia mais próxima apresentada pelo roteiro foi o do consumo, pela mãe, de um remédio que poderia ter produzido efeitos na criança, mas mesmo esta hipótese é mantida em aberto. A maior força do filme foi justamente trabalhar com a ideia de que a anomalia é fruto da sociedade e das suas deficiências (meio ambiente, relações pessoais, falta de controle sobre os produtos consumidos, remorso, etc). Neste sentido, uma fala do pai é bastante significativa: "Você já reparou que a gente costuma chamar de Frankenstein o monstro, e não o seu criador?"

    O próprio fim do filme não é otimista em relação ao que levanta pois, depois de terem caçado e matado o bebê, um policial revelou ao desolado pai que uma outra criança como a dele havia nascido. O mal - e o terror - era social.

    O filme originou continuações e uma refilmagem que serão tratadas posteriormente.

    EXTRAS:

    Especial sobre “A Espinha do Diabo” (14 min.)
    O especial "Invocando espíritos" mostra uma interessante entrevista com Del Toro sobre sua relação com o gótico e a construção de Santi (o fantasma) , mostrando a relação de sua aparência com o contexto da história.

    Cenas excluídas de “A Espinha do Diabo” (4 min.)
    As cenas excluídas são sempre boas para que curte o filme e quer ver um pouco do que foi deixado de fora da produção.

    Entrevista com o elenco de “A Casa do Cemitério” (14 min.)
    Interessante entrevista com os atores do filme

    Uma história mal assombrada: “A Casa do Cemitério” (14 min.)
    Outro interessante documentário sobre a produção

    Gótico Espanhol (18 min.)
    Del toro explica as conexões entre o título do filme com lendas e o universo gótico.

    Depoimento sobre “Schock” (9 min.)
    Precioso depoimento de Lamberto Bava, contando como foi começar a trabalhar com o pai, Mario Bava.

    Cena excluída de “A Casa do cemitério” (1 min.)
    Curiosa cena excluída do filme, sem audio.

    Trailers e Spots (19 min.)


    Bônus:

    SÍNDROME MORTAL (1996)

    Título original: La Sindrome di Stendhal
    País de produção: Itália
    Ano de produção: 1996
    Gênero: Terror
    Direção: Dario Argento
    Elenco: Asia Argento, Thomas Kretschmann, Marco Leonardi
    Idioma: Italiano
    Áudio: Dolby Digital 5.1
    Legenda: Português
    Formato de tela: Widescreen anamórfico 1.66:1
    Tempo de duração: 119 min.

    Sinopse:

    Asia Argento, filha do diretor, é Anna Manni, uma policial que está tentando capturar um estuprador e assassino. O problema é que ela sofre da Síndrome de Stendhal, uma doença psicossomática que a faz sofrer vertigens e alucinações quando ela é exposta à visão de pinturas e quadros. O problema piora quando o bandido a prende no famoso museu Uffizi.

    Considerações:

    Dario Argento é um dos grandes nomes do cinema de terror, sendo mais conhecido por sua preferência pelo subgênero Giallo nos seus filmes. Porém, com Síndrome Mortal (La Sindrome di Stendhal, 1996), apesar de manter um pouco desta veia giallo, ele resolveu investir numa premissa diferente, um filme mais artístico e conduzido por um terror mais sutil e psicológico. Dario Argento faz o que ele mais gosta de fazer — inovar. Não obstante, o longa aprofunda o apreço do cineasta pelo estudo da mente humana e das peças que ela pode nos pregar.

    A ideia central do enredo é basicamente focada na condição de Anna e esta é a grande sacada de Dario Argento. O longa é quase um estudo sobre as oscilações comportamentais de uma mulher em crise: por causa de coisas que aconteceram com ela, por causa dos homens que a rodeiam, por causa da sociedade em que vive etc. O cineasta conduz a trama movendo os fios sutilmente através da doença, sem que, no entanto, o espectador perceba onde exatamente ele está querendo chegar. A Síndrome de Stendhal, por ser pouco conhecida do grande público, cria possibilidades que são bem exploradas pelo diretor. Algumas pessoas, talvez, sintam alguma dificuldade de acompanhar o raciocínio da trama, especialmente por causa da forma como Dario Argento apresenta os fatos. Situações que normalmente aconteceriam no final de qualquer filme de suspensa, aqui, surgem no meio da história, promovendo uma sensação de que não há mais o que contar e de que tudo está realmente resolvido. Então, vem a virada e Argento surpreende com seu movimento. Síndrome Mortal é uma prova da habilidade do diretor em explorar conceitos diferenciados a partir de ideias simples. A simplicidade, todavia, pode também provocar uma compreensão prematura do enredo. O mínimo entendimento acerca da Síndrome de Stendhal, que é explicada ao longo do filme, pode ajudar alguns a desvendar a intrincada história que Argento está querendo contar.

    POSTER
    Para completar, o diretor trabalha com a violência de uma forma tão niilista que torna o filme frio e áspero, com um toque chocante que lembra muito os filmes de terror das décadas e 70 e 80 — época, aliás, de muitos filmes do próprio Argento. A atmosfera do longa ainda tem sua estranheza ampliada pela trilha sonora de Ennio Morricone, que realça com perfeição o olhar pungente do diretor. O mundo de Síndrome Mortal é um lugar quase que completamente sem emoção, onde um serial killer é capaz de estuprar e atirar na cabeça das vítimas com despreocupação e um sorriso estampado no rosto. Mesmo quando parece que as emoções vão jorrar e aquecer este mundo desolador, a realidade mostra-se cruel em subverter o que seria uma representação de carinho e segurança. Dario Argento perverte os conceitos e brinca com a dualidade das coisas. Homens e mulheres, bandidos e mocinhos, bem e mal, nada disso tem valor realmente ante uma mente cuja síndrome mortal é mudar ingredientes padrões do horror e adaptá-los em gêneros completamente diferentes e inusitados. Apesar do aspecto experimental, Síndrome Mortal tem um toque raro de originalidade. E Dario Argento surpreende como poucos.

    A Síndrome de Stendhal (ou síndrome de sobredose de beleza) foi observada pela primeira vez pelo escritor francês Marie-Henri Boyle que, ao visitar a cidade de Florença, em 1817. A doença é caracterizada por aceleração do ritmo cardíaco, vertigens, falta de ar e mesmo alucinações, decorrentes do excesso de exposição do indivíduo a obras de arte, sobretudo em espaços fechados. O escritor francês descreveu sua experiência como: “absorto na contemplação de tão sublime beleza, atingi o ponto no qual me deparei com sensações celestiais. Tive palpitações, minha vida parecia estar sendo drenada”. O transe mental provocava uma euforia que o desnorteava completamente. A síndrome só foi diagnosticada e catalogada em 1982 e recebeu o nome Stendhal porque este era um pseudônimo de Marie-Henri Boyle. A curiosidade por trás do filme é que Dario Argento diz ter passado por uma experiência com a síndrome quando criança. De férias em Atenas, Grécia, com os pais, Dario escalava as escadarias do Partenon quando foi atingido por um transe que fez com que ficasse perdido de seus pais por horas. Assim, ele transformou sua experiência infantil na ideia do filme.

    EXTRAS:

    A visão do diretor (20 min.)
    A Síndrome de Stendhal (22 min.)
    Os efeitos especiais (16 min.)
    Depoimento de Luigi Cozzi (22 min.)
    Trailer (1 min.)

    Com mais de uma hora de extras, ao assistir você fica "doutor" no filme e no problema que ele aborda. Há depoimentos de especialistas explicando como é a Síndrome, além do próprio Argento. Há também uma minuciosa dissecação dos efeitos especias, que estavam na época do "boom" com sucessos como "Exterminador do futuro 2" e "Jurassic Park"



    ABAIXO, AS CONSIDERAÇÕES DE FERNANDO BRITO SOBRE OS LANÇAMENTOS

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