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    sábado, 12 de março de 2016

    GIALLO VOL.2 - PELA VERSÁTIL

    Ao invés das tradicionais considerações sobre cada filme, resolvi falar sobre o tema que deu origem a esta espetacular caixa. Como disse Eli Roth em um dos extras "- Torso mudou minha vida e me influenciou completamente em Albergue".

    Eli não é uma referência no cinema, mas reside aí o espírito do que pretendo dizer agora: o Giallo direcionou QUASE TODO cinema de horror dos anos 80 norte americano. Não é pouco. Ao vermos Torso, percebemos por exemplo, que cada detalhe da série Sexta Feira 13 é calcado nele (além do filme "Banho de sangue", que foi o precursor do Slasher e copiado em Sexta -feira 13).

    Oficialmente, Giallo (em italiano: amarelo) é um gênero literário e cinematográfico italiano de suspense e romance policial que teve seu auge entre as décadas de 1960 e 1980. O nome é uma referência às páginas amarelas das revistas pulp italianas, publicadas a partir de 1929.O primeiro filme do gênero foi A garota que sabia demais (La ragazza che sapeva troppo), de Mario Bava, lançado na Arte de Mario Bava, e um dos mais recentes é Giallo, de Dario Argento, lançado em 2009.

    HISTÓRIA

    Quando se começaram a produzir filmes sobre assassinos em séries sendo perseguidos por detetives, a associação com os livros levou a que esse gênero cinematográfico tenha sido apelidado de giallo. A maioria dos filmes deste gênero são semelhantes, com um assassino em série (que geralmente é mostrado somente no final, durante o filme vemos apenas suas mãos vestidas com luvas pretas de couro), um detetive que procura esse assassino, mortes chocantes, principalmente de mulheres (sempre com cenas de perseguição antes do ato), e exposição de corpos total ou parcialmente nus. O giallo foi muito importante para o gênero do terror.

    Entre os aficionados do cinema cult, o gênero italiano Giallo se destaca como uma alternativa para as fórmulas dos filmes de terror americanos. Esses filmes apresentam características muito específicas que os distinguem do "cinema respeitável", como o suspense, a nudez deliberada, e litros de sangue. O nome do gênero deriva de uma série de romances policiais cômicos produzidos na Itália em 1929, chamado Il Guiallo Mondadori. O nome era uma homenagem às vistosas capas amarelas dos romances.

    A literatura Giallo teve grande sucesso e logo começou a atrair diretores de companhias e produtores que queriam experimentar algo novo. Embora o gênero tenha dois estilos: o italiano e o anglo, ambos se utilizam de armadilhas de mistério e suspense. O estilo italiano faz referência a um gênero amplo, o terror, enquanto o estilo anglo é mais conhecido como "um terror a la italiana".A popularidade do gênero se enraizou na década de 60 e evoluiu paralelamente à corrente do cinema. Os filmes são maiores e mais escandalosos do que as novelas originais, destacando nudez explícita e erotismo descarado que só estavam sugeridos no material de origem.

    O pioneiro do Giallo foi Mario Brava, cujo filme A garota que sabia demais / Olhos Diabólicos (1963) serviu como o primeiro exemplo verdadeiro do gênero. O nome do filme é uma clara homenagem ao lendário diretor Alfred Hitchcock e seu filme O Homem Que Sabia Demais (1956). A maioria dos realizadores italianos da atualidade teve sua estreia cinematográfica com giallos. Os representantes mais importantes do gênero são Dario Argento, Mario Bava, Lucio Fulci, Aldo Lado, Sergio Martino, Umberto Lenzi, e Pupi Avati. Eles fizeram inúmeros filmes imperdíveis como Seis mulheres para um assassino (1964), Orgasmo (1968), O Pássaro das Plumas de Cristal (1970) e Torso (1973).

    Apesar de sua popularidade, Giallo não é tão forte hoje . No entanto, sua influência no cinema mundial pode ser vista em muitos filmes, como os primeiro filme de Brian de Palma e John Carpenter Halloween - A Noite do Terror (1978). Os críticos também consideram que o filme de David Fincher ,Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995) também foi fortemente influenciado pelo cinema Giallo. Em 2009, Dario Argento, fiel às raízes do gênero, lançou Giallo.

    A seguir os filmes lançados neste segundo volume:


    UMA LAGARTIXA NUM CORPO DE MULHER

    (“Un Lucertola con la Pelle di Donna”, 1971, 103 min.)

    De Lucio Fulci. Com Florinda Bolkan, Stanley Baker e Jean Sorel.

    Carol Hammond, personagem de Florinda Bolkan, é filha de um respeitado político e tem sonhos constantes com a sua vizinha Julia Durer (Anita Strindberg). Em uma dessas noites, Carol sonha que mata Julia. No entanto, quando a jovem é encontrada sem vida em seu apartamento, Carol se torna a principal suspeita e faz de tudo para provar o contrário.


    Na cena mais infame do filme, Carol, a possível assassina, caminha para um sanatório e encontra quatro cães com o peito aberto e seus corações ainda batendo. Os efeitos de Rambaldi foram tão convincentes que um tribunal italiano acusou o diretor Lucio Fulci de crueldade animal e ele quase enfrentou uma pena de dois anos. A produção testemunhou e afirmou que Rambaldi havia usado bonecos de borracha e pele de coiote. As acusações foram suspensas e a produção achou melhor cortar a cena do filme.

    O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE?

    (“Cosa Avete Fatto a Solange?”, 1972, 102 min.)

    De Massimo Dallamano. Com Fabio Testi, Cristina Galbó, Karin Baal.



    Algumas meninas são mortas por uma pessoa vestindo trajes semelhantes a de um padre, em uma faculdade para mulheres. A polícia e os professores são incapazes de localizar o assassino e evitar novas mortes. Enrico, que tem um caso romântico com uma de suas alunas, Elizabeth, torna-se o principal suspeito.

    Diretor de fotografia renomado, Massimo Dallamano trabalhou principalmente em Westerns spaghettis e épicos italianos. Ele dirigiu apenas 11 filmes, sendo que atuou em alguns deles também.

    Talvez o menos conhecido dos 4 filmes e por isto, o mais interessante de ser avaliado. Dei uma boa procurada na internet, e pouquíssima informação sobre o filme é encontrada.

    TORSO 

    (“I Corpi Presentano Tracce di Violenza Carnale”, 1973, 93 min.)

    De Sergio Martino. Com Suzy Kendall, Tina Aumont e Luc Merenda.

    Em uma cidadezinha do interior da Itália, os jovens estão assustados com a onda de violência que vitimou várias estudantes. Quatro garotas decidem tirar um tempo para descansar e esquecer da paranoia, em uma casa de campo. O que elas não esperavam era serem seguidas pelo maníaco.

    Filme emblemático para o Giallo, com todos os principais elementos. Nos extras há um documentário do diretor falando do filme e das escolhas realizadas ao longo da produção, inclusive analisando o título do filme comercialmente.


    A BREVE NOITE DAS BONECAS DE VIDRO

    (“La Corta Notte Delle Bambole di Vetro”, 1971, 97 min.)

    De Aldo Lado. Com Jean Sorel, Mario Adorf, Barbara Bach, Ingrid Thulin.

    Um jornalista investiga o sumiço de sua namorada. Com este "fiapo" de história, ao som de Ennio Morricone (que venceria o Oscar pela primeira vez em 2016, por "Os 8 odiados"), o filme segue tenso e denso, num dos poucos dirigidos por Aldo Lado, este sendo inclusive, seu primeiro filme.

    Nos extras, há um documentário interessante, que mostra, dentre outras coisas, as variações do nome do filme, que se chamava "Malastrana" , porém pela falta de identificação que o público em geral teria com o nome, modificou-se mais duas vezes, até se tornar o título lançado.

    Marcus V.R.Pacheco
    Cinéfilo, colecionador, escritor, cineasta e ocupado vendo filme

    DADOS TÉCNICOS DOS DISCOS


    DISCO 1

    UMA LAGARTIXA NUM CORPO DE MULHER

    (“Un Lucertola con la Pelle di Donna”, 1971, 103 min.)
    De Lucio Fulci. Com Florinda Bolkan, Stanley Baker e Jean Sorel.


    O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE?

    (“Cosa Avete Fatto a Solange?”, 1972, 102 min.)
    De Massimo Dallamano. Com Fabio Testi, Cristina Galbó, Karin Baal.

    DISCO 2

    TORSO 

    (“I Corpi Presentano Tracce di Violenza Carnale”, 1973, 93 min.)
    De Sergio Martino. Com Suzy Kendall, Tina Aumont e Luc Merenda.

    A BREVE NOITE DAS BONECAS DE VIDRO

    (“La Corta Notte Delle Bambole di Vetro”, 1971, 97 min.)
    De Aldo Lado. Com Jean Sorel, Mario Adorf, Barbara Bach, Ingrid Thulin.

    Extras: 

    Especial sobre “Uma Lagartixa num Corpo de Mulher” (34 min.)
    Cena excluída de “Lagartixa” (1 min.)
    Depoimento de Sergio Martino sobre “Torso” (11 min.)
    Introdução de Eli Roth para “Torso” (2 min.)
    Depoimento de Aldo Lado sobre “Breve Noite”
    Trailers e Spots (18 min.)


    Vídeo: 1.85:1 anamórfico, 2.35:1 anamórfico
    Áudio: italiano Dolby Digital 2.0 (italiano e inglês Dolby Digital 2.0)
    Legendas: português


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