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    A ARTE DE ARTHUR PENN - PELA VERSÁTIL


    Tudo junto e misturado, A versátil arrebenta corações com A arte de Arthur Penn...

    Para começar, já sabemos que "Um de nós morrerá". Entre Patt e Billy, todos sabem o destino. Mas aqui, amigos, o que importa é a viagem. No filme William Bonney, conhecido como "Billy the Kid", se afeiçoa a seu novo patrão criador de gado conhecido apenas como "Inglês". Quando tentava negociar um rebanho com o exército, o Inglês é emboscado e assassinado por empresários e o xerife corrupto da cidade de Lincoln, que não desejavam concorrência. Bonney se junta a dois comparsas jovens como ele e parte para a vingança contra os vilões. Nesse confronto ele acaba se indispondo contra um outro novo amigo, o pistoleiro e ex-fora-da-lei Pat Garret, que resolve assumir o cargo de xerife para perseguir Billy.

    O título original (tradução mais fiel seria "A arma do canhoto") se refere à crença da época de que Billy the Kid era canhoto, conforme uma foto histórica conhecida dele em que aparece com o coldre com a arma do lado esquerdo do corpo. Atualmente se sabe que a foto traz uma imagem reversa. Mesmo assim, na interpretação Newman usou muito em cena a mão direita pois o personagem sofreu uma grave queimadura no braço esquerdo devido a um incêndio e passa a maior parte da película com o braço ferido imobilizado ou o movimentando com dificuldade. Arthur Penn, bastante respeitado por seus trabalhos como diretor de teleteatros na televisão norte-americana estreou no cinema dirigindo “Um de Nós Morrerá”. Um belo começo.

    O roteiro de Leslie Stevens apresenta William Bonney como um jovem inquieto e revoltado. Esse Billy the Kid guarda semelhanças com os personagens interpretados por James Dean nos três filmes que Dean estrelou antes de falecer e ainda com o motociclista Johnny (Marlon Brando) de “O Selvagem”, todos jovens problemáticos. Os anos 50 foram o berço dos rebeldes sem causa focalizados por Hollywod em dramas urbanos, ainda que a história de “Assim caminha a humanidade” se passe no Texas. Com “Um de Nós Morrerá” chegaria a vez do autêntico Velho Oeste acolher um jovem indomável e ainda obstinado pelo desejo de vingança. Com James Dean morto e Brando cuidando de seu próprio projeto no gênero western (“A Face Oculta”/One-Eyed Jacks), por sinal uma história parecida com a de “Um de Nós Morrerá”, só poderia ser Paul Newman o insubmisso Billy the Kid. Ao invés das nuances explícitas de homossexualidade contidas no texto original, o filme de Arthur Penn sugere a casualidade de Billy the Kid ter amigos mais velhos. 



    Billy inicialmente adota o criador de gado inglês como amigo e posteriormente a amizade aparentemente filial se dá com Pat Garrett. Quando Billy pergunta a Garrett por que este se preocupa tanto com ele, a resposta de Garrett é: “Suponha que sou naturalmente brando de coração”. Um diálogo que possivelmente foi mantido do texto de Gore Vidal é quando Celsa fala a Billy para ele procurar uma mulher para se divertir dizendo: “Vai, Billy, não há nada de errado com você que uma moça não possa consertar”.

    Voltando à informação do segundo parágrafo, O título original do filme – “The Left Handed Gun” – é um clamoroso erro histórico pois provou-se que William Bonney era destro. A única foto existente de Billy the Kid foi revelada invertida, com seu coldre à esquerda, o que, por muitos anos levou a supor que ele fosse canhoto. Billy the Kid foi finalmente desmistificado em “Um de Nós Morrerá” e esse é o aspecto mais positivo do filme de Penn que tem a seu favor a admiração de Sam Peckinpah que fez a releitura de algumas sequências do filme de Arthur Penn no seu brilhante “Pat Garrett and Billy the Kid”. A fuga da cadeia com Billy assassinando dois guardas foi praticamente refilmada por Peckinpah, idêntica à encenada por Penn em seu primeiro faroeste. 

    A caixa continua com Mickey One, filme adorado por muitos. Meu amigo e crítico do cineplayers Heitor Romero deu a seguinte opinião sobre a produção: -"Inovador, dinâmico, revolucionário estética e narrativamente: um autêntico irmão ianque da nouvelle vague que soma ao movimento francês ao adentrar na efervescência que começava a surgir no cinema americano."

    Trata-se de um filme norte-americano  protagonizado por Warren Beatty que desempenha o papel título.  É um drama romântico psicológico policial de ação com certa dose de mistério e com uma mensagem de crítica aos costumes sociais.  Mickey One é um personagem perseguido e atormentado por sua própria consciência. Uma metáfora do macarthismo, sem dúvidas. O seu drama psicológico é uma dúvida. Ele tem uma dívida com alguém mas não sabe nem de quanto é essa dívida nem a quem ele deve. O filme termina e ele não descobre quem é essa pessoa mas, consegue libertar-se do problema.

    Mickey One é um filme para ser levado em outro sentido. Arthur Penn, o mesmo de “O milagre de Ann Sullivan”, soube dirigir essa formidável película com segurança e desembaraço. Este filme representa o medo que têm os norte-americanos da bomba atômica (o diretor havia voltado da Segunda Guerra, quando fez seu primeiro filme, este aqui o terceiro) Exprime a vontade do homem maduro, que mesmo após a morte precisa mover-se. Como comparação muito inteligente o diretor mostra  logo no princípio, o homem sendo esmagado pelo mundo utilizando-se para isto de um carro sendo amassado por máquinas. E toda paranóia envolvendo perseguição e como o mundo pode ser destruidor.

    Mickey One termina cantando num palco e, de repente, no meio da cidade, ele agora está livre para  o mundo.

    Na contramão de Mickey está Deixem-nos viver (*). Em 1965, o jovem músico novaiorquino Arlo busca escapar do alistamento militar para a Guerra do Vietnã matriculando-se em um conservatório musical na distante Montana. Seu cabelo comprido e atitude hippie lhe causam problemas com a polícia e moradores locais e ele acaba por voltar para casa depois que seus professores não aceitam que toque música moderna. Seu pai, o famoso cantor folk Woody Guthrie, está no hospital sofrendo de uma doença degenerativa e ele vai visitá-lo. Alí está também o cantor Pete Seeger e os dois tocam juntos no quarto.

    Arlo sai do hospital e vai ao encontro de um casal amigo seu, a ex-bibliotecária Alice e o motociclista veterano Ray Brock. Eles lhe mostram seu novo lar, uma antiga igreja em Great Barrington, Massachusetts, no qual constroem um abrigo chamado de Congregação Triângulo, destinado a ajudar adolescentes hippies e outros tipos boêmios e desajustados. Arlo revê também seu amigo de escola Roger e o artista e motociclista Shelley, um ex-viciado em heroína. Além da igreja, Alice inaugura um restaurante próximo a Stockbridge. Frustrada com as atitudes liberais de Ray, Alice tem um caso com Shelley e depois os deixa para visitar Arlo em Nova Iorque. Ray e Alice se reconciliam, o que não é aceito por Shelley, e todos se reúnem na congregação para comemorarem o "Dia de Ação de Graças" .

    Nesse ponto o filme segue a canção que inspirou o roteiro: Após o jantar do feriado, Arlo pega sua kombi vermelha e junta o lixo acumulado no local e o transporta para o lixão da cidade. É impedido pois o acesso ao local foi fechado devido ao feriado. Ao avistar um outro lugar ele despeja o lixo mas é denunciado às autoridades. O "Oficial Obie" (interpretado pelo próprio chefe de polícia William Obanhein, que participou do caso real narrado na canção), prende Arlo enquanto os homens tiram 27 fotos do "crime".

    Depois de encerrado o caso, Arlo inicia um namoro com uma garota asiática de nome Mari-chan. Ele finalmente é convocado para o alistamento militar em Nova Iorque e inicia uma série de procedimentos médicos, psicológicos e físicos narrados por ele de forma a acentuar o surrealismo da situação (* e neste ponto, anda na mão de Mickey).

    E assistindo até aqui (ví nesta mesma ordem), o título deste define os 3 filmes: Pessoas angustiadas, que não querem mudar o mundo ou serem especiais, só querem que a sociedade as deixem viver.

    O que nos leva a "Amigos para sempre" onde três amigos gostam da mesma mulher, Georgia (Jodi Thelen). Mas a moça adianta-se em tudo, sempre colocando em cheque os desejos de Danilo (Craig Wasson), Tom (Jim Metzler) e David (Michael Huddleston). O iugoslavo Danilo é o destaque do filme, com seus problemas com o pai operário, a desobediência às leis estabelecidas e a necessidade de se afirmar em um país estrangeiro, que ele acha mais seu do que de quem lá nasceu. O filme fala com ternura sobre amizade, amor e inconformismo, com os sonhos, esperanças e a vida dos jovens, tendo como pano de fundo os acontecimentos sociais da época.

    E é curioso notar que Tackleberry (David Graf), entra em cena vestido de policial, antes de ir para o cast de Loucademia de polícia, numa cena que se encaixaria no filme, inclusive.

    Digistak com 4 cards exclusivos além dos tradicionais extras, com trailers , spots e um documentário. Inclui também um preciso comentário de áudio com o diretor, que você tem a opção de colocar enquanto curte o filme.

    DETALHES TÉCNICOS

    DISCO 1


    UM DE NÓS MORRERÁ (The Left Handed Gun, 1958, 102 min.)
    Com Paul Newman, Lita Milan e John Dehner.

    MICKEY ONE (Idem, 1965, 93 min.)
    Com Warren Beatty, Alexandra Stewart e Hurd Hatfield.


    DISCO 2

    DEIXEM-NOS VIVER (Alice’s Restaurant, 1969, 110 min.)
    Com Arlo Guthrie, Patricia Quinn, James Broderick.

    AMIGOS PARA SEMPRE (Four Friends, 1981, 115 min.)
    Com Craig Wasson, Jodi Thelen, Michael Huddleston, Jim Metzler.


    INFORMAÇÕES DA CAIXA

    Idioma: Inglês
    Áudio: Dolby Digital 2.0
    Legenda: Português
    Formato de tela: Widescreen anamórfico 1.85:1
    Tempo de duração: 420 min.
    Região: 4
    Colorido e Preto & Branco
    Faixa etária: 18 anos
    Extras: Depoimento de Peter Biskind (14 min.), Comentário em áudio de Arthur Penn para “Um de Nós Morrerá” (102 min.), Trailers (13 min.) 




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