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    A ARTE DE BRIAN DE PALMA - PELA VERSÁTIL

     

    Mais um capítulo da série "A arte de..." criada por Fernando Brito, curador da Versátil Home Vídeo. Hoje falaremos um pouco sobre A Arte de Brian de Palma. 

    Primeiramente, um pouco das características marcantes do diretor:

    Faz constantemente homenagens a Alfred Hitchcock em seus filmes, geralmente usando a mesma decupagem de planos e mesmas locações. Em dois dos filmes abaixo, por exemplo, ele homenageia Psicose e a icônica cena do chuveiro;

    Geralmente usa Split Screen, efeito visual de dividir a tela de projeção ao meio, muito usado em cenas de conversas telefônicas;

    Quando esteve no segundo grau, ganhou o primeiro prêmio na Feira de Ciências local. Estudou física, porém paralelamente passou a fazer filmes independentes;

    Sua mais famosa predileção cinematográfica, o voyeurismo, segundo o próprio De Palma, começou quando sua mãe, ao desconfiar da infidelidade do pai, passou a vigiá-lo com equipamentos de gravação esperando encontrar algo que provasse a acusação.

    Acesse sua filmografia detalhada aqui:

    A edição em digistack possui os 4 tradicionais cards, que verão abaixo. E vamos aos filmes:

    UM TIRO NA NOITE

    De Palma gosta de cenas de impacto no início do filme. São vários exemplos, como "Os intocáveis", "Olhos de serpente". Um artifício para catapultar o espectador para dentro do filme e fazer parte daquela atmosfera. Em um "Um tiro na noite" ele ainda de quebra  homenageia "Psicose" no final da primeira sequencia. E depois disto, ainda tem a brilhante abertura, fazendo referência ao trabalho do sonoplasta e aos eventos que vão suceder.

    Alguns minutos depois (24 min. para ser exato) nos deparamos com mais uma sequencia genial onde John Travolta faz uma volta no tempo, ouvindo e lembrando o que cada som captado significou. Uma obra prima total.

    Nancy Allen, que era esposa de Brian de Palma na época,  está ótima num dos papéis mais marcantes de sua carreira (ela fez também "Vestida para matar" e "Carrie, a Estranha" com De Palma além de Robocop de Paul Verhoeven para citar os mais famosos).

    A sinopse é a seguinte: Jack Terry (John Travolta) é um sonoplasta que enquanto grava sons para utilizar como efeito sonoro nos filmes nos quais trabalha, acaba gravando um acidente de carro. Nessa gravação, no entanto, ele captura um som que o faz crer que o acidente, na verdade, fora provocado por um tiro. O fato de a vítima ser um governador cotado para concorrer à presidência eleva suas suspeitas.

    Terry salva do afogamento certo, uma garota que fazia companhia ao governador. É ainda no hospital que ele percebe que aquele caso não cheira bem. Primeiro, a polícia não parece interessada demais no acidente que pode não ter sido um acidente, depois, a equipe do governador quer tirar a garota “da cena” para evitar embaraços para a família dele. Terry decide fazer uma investigação paralela e é aí que o gênio de De Palma brilha intensamente.

    Desalinhando a trama com contundência e parcimônia, De Palma vai revelando uma intrincada conspiração que se alimenta do clima de paranoia da época da guerra fria. A ameaça comunista é um fantasma citado vez ou outra, mas é a face assustadora de John Lithgow (que depois faria Sindrome de Cain, também com De Palma), como o capanga responsável por aparar as arestas do plano conspiratório, que imprime o ar hitchcockiano definitivo a "Um tiro na noite."

    Não há nada fora do lugar no filme. Desde a mise-em-scène robusta, passando pelos conflitos dos personagens e culminando no final desorientador em sua grandeza cinematográfica. De Palma realiza um filme cheio de energia, com pulso de noir, verve de fita policial setentista e jeitão de ode ao cinema. 

    Nos extras, além do tradicional trailer, um precioso documentário  sobre o filme de uma hora, explicando todo processo de produção pelo próprio Brian de Palma. E no disco dois Vilmos Zsigmond fala sobre o filme. Ele é o responsável pela fotografia, que inclusive faleceu em 1 de janeiro deste ano de 2016, aos 85 anos. Ele trabalhou em muitos filmes importantes, como Franco atirador e Contatos imediatos de 3º grau.

    IRMÃS DIABÓLICAS

    O filme é sobre uma modelo franco-canadense, Danielle Breton (Margot Kidder), que depois de sair de uma noite conturbada, dorme com o seu amante, Phillip Woode (Lisle Wilson). Porém, no dia seguinte, Phillip é assassinado pela irmã extremamente ciumenta de Danielle, Domique, que também é interpretada por Margot Kidder, e a jornalista Grace Collier (Jennifer Salt) vê tudo pela janela de seu apartamento e decide chamar a polícia, mas Danielle esconde o corpo, junto com o seu ex-marido, Emil Breton (William Finley), e quando os polícias vão até a casa de Danielle e não encontram nada, Grace decide investigar sozinha e provar que não foi só imaginação o que ela viu, sem antes se deparar com algo obscuro no passado de Danielle.

    Brian De Palma se inspirou em um caso de duas irmãs gêmeas siamesas soviéticas, Masha e Darya Krivoshlyapova. O filme é fortemente influenciado pelos filmes de Alfred Hitchcock, tendo como referência Janela Indiscreta, e também conta com Bernard Herrmann como compositor. Herrmann é conhecido por trabalhar em vários filmes de Hitchcock, como por exemplo Psycho e Vertigo.

    O filme foi lançado nos Estados Unidos pela American International Pictures, em 27 de março de 1973 e também foi lançado na Europa. Ele também foi exibido no Festival de Veneza em 1975. Sisters foi lançado em VHS pela Warner Home Video em 1980, e foi relançado em 2000 por Homevision. 

    O filme foi recebido com elogios, Roger Ebert (um jornalista e crítico de cinema) observou: "Feito conscientemente como uma homenagem a Hitchcock" e acrescentou: "Ele tem uma vida própria", e elogiou o desempenho de Jennifer Salt. Vincent Canby, do The New York Times, o chamou de um bom filme de terror substancial e afirmou: "De Palma revela-se para ser um diretor de primeira linha mais ou menos convencional", também observou referência a Repulsion e Psicose. Enquanto isso, a Variety, embora afirmando que era "um bom melo drama psicológico", disse que "a direção de Brian De Palma não enfatiza os valores de exploração e mascaram totalmente a fraqueza do roteiro". No site Rotten Tomatoes, o filme tem uma aprovação de 83%, com base de 20 críticas e no IMDB, tem uma nota 7,0 de 105 críticas.

    FANTASMA DO PARAÍSO

    Sinopse: Swan (Paul Williams) é um famoso produtor satânico de discos que está criando o PARAÍSO, uma casa de espetáculos que está planejada para ser o novo templo do rock. Como precisa de uma música para inaugurar, decide roubar a música do cantor e compositor Winslow Leach (William Finley), canção que retrata a trajetória de Fausto.

    O Fantasma do Paraíso, um filme produzido deliberadamente para ser um sucesso cult, para um nicho de público que nos anos 1970 era chamado de “cinema da meia-noite”: filmes com temática livremente estranha e bizarra que eram exibidos em horários alternativos das madrugadas, para espectadores aventureiros e sedentos por experimentações. Uma época em que a indústria do entretenimento permitia que jovens diretores fizessem todo tipo de filme.

    Numa entrevista, o diretor Brian de Palma se referia a esse período: “Era uma época em que se permitia aos jovens diretores fazerem todo tipo de filme. Se o filme El Topo  era um western cheio de surrealismo impenetrável, com imagens ocultas alucinógenas embalada por um público de cinéfilos fumantes de maconha, com certeza pensei que as pessoas não ficariam assustadas com O Fantasma do Paraíso, paródia cheia de roupas bizarras, cores berrantes e com música hard rock da qual todos os jovens falam hoje”.

    O Fantasma do Paraíso de De Palma, mestre dos planos sequências e das montagens paralelas com telas divididas mostrando sequências simultâneas, foi o resultado de um bizarro mix de Fausto com O Retrato de Dorian Gray, O Fantasma da Ópera e pitadas do expressionismo alemão do filme O Gabinete do Dr. Caligari.

    Seu ponto de partida é a sátira e o pastiche: uma paródia da onda das opera rock naquela década como Jesus Cristo Superstar e Tommy. “Ele vendeu a alma para o Rock”, está escrito no pôster promocional, apontando para um tema gnóstico que De Palma vai encontrar no crescimento vertiginoso da indústria da cultura pop naquele momento, e que chegaria ao ápice anos depois com o surgimento da MTV: a metáfora de um cosmos manufaturado por um Demiurgo (a cultura Pop) que repetiria um drama arquetípico da mitologia gnóstica – a exploração da espontaneidade e vitalidade humana como forma do Demiurgo injetar alguma “luz” ou conteúdo espiritual em um universo em si sem vida e vazio. E por isso, destinado à destruição... a não ser que aprisione o homem para roubar-lhe sua energia e pureza. Grande filme, que melhora a cada revisão.

    TRAILER 
    Os sites mais conhecidos dedicados a cultuar o filme são http://swanarchives.org/, com todas as informações possíveis sobre a obra, e o canadense http://phantomoftheparadise.ca/, de Winnipeg, onde o filme nunca cansa de ser exibido e foi sede dos primeiros Phamtompalooza.

    Além do trailer, o disco vem com um interessante documentário sobre as complicadas filmagens com Brian de Palma.

    DETALHES DOS DISCOS:

    FILMES:

    DISCO 1


    UM TIRO NA NOITE (“Blow Out”, 1981, 108 min.)
    Com John Travolta, Nancy Allen e John Lithgow.

    DISCO 2

    IRMÃS DIABÓLICAS (“Sisters”, 1973, 93 min.)
    Com Margot Kidder, Jennifer Salt e Charles Durning.

    O FANTASMA DO PARAÍSO (“Phantom of the Paradise”, 1974, 92 min.)
    Com Paul Williams, William Finley e Jessica Harper.



    EXTRAS:

    Disco 1:

    - Making of de “Irmãs Diabólicas” (46min50s): Um excelente documentário sobre o filme, recheado de informações e curiosidades, com cenas do filme e dos seus bastidores, com boa análise sobre a obra do Diretor.
    - Extras de Um Tiro na Noite:
    - Entrevista com Brian De Palma sobre “Um Tiro na Noite” (57m20s): Um belo depoimento do Diretor sobre o filme, com boas informações presentes na mesma edição americana da produtora Criterion, praticamente uma trilha de comentários sobre o filme, bem ilustrada e curiosa.
    - Trailer do Filme (1m50s)

    Disco 2:

    - Vilmos Zsigmond Fala Sobre “Um Tiro na Noite” (27m20s.): O Diretor de Fotografia do filme nos brinda com detalhes bem interessantes sobre as filmagens, com uma análise crítica bem legal feita recentemente (anos 2000) para fãs e cinéfilos, imperdível.
     - “O Fantasma do Paraíso” Por Brian de Palma (33 min): Um belo relato do Diretor, num featurette bem informativo e bem ilustrado com cenas do filme e de bastidores, abordando vários temas sobre este cultuado filme através do tempo. Mais uma vez imperdível. Realizado em 2002.
    - Trailer de “Irmãs Diabólicas”
    - Trailer de “O Fantasma do Paraíso”


    DETALHES TÉCNICOS

    Idioma: Inglês
    Áudio: Dolby Digital 2.0, 5.1
    Legenda: Português
    Formato de tela: Widescreen Anamórfico 1.85:1
    Tempo de duração: 293 min.
    Região: 0 (All)
    Colorido
    Faixa etária: 14 anos


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