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    sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

    NO CORAÇÃO DO MAR - CRÍTICA POR R.E.F.


    No Coração do Mar (In the Heart of the Sea)

    EUA, 15. 121 min. Direção de Ron Howard. Roteiro de Charles Leavitt baseado no livro The Tragedy of the Whaleship Essex, de Nathaniel Philbrick. 121 min. Com Chris Hemsworth, Cillian Murphy, Brendan Gleeson, Tom Holland, Ben Whishaw, Charlotte Riley, Benjamin Walker, Frank Dillane, Jordi Mollá.

    Não sei se ainda existe público para este tipo de filme de época, que pretende contar uma história já muito conhecida e que deu origem a um livro celebrado e considerado um dos melhores de todos os tempos da literatura norte-americana, que é “Moby Dick” de Herman Melville, que foi filmado várias vezes, como minissérie de 11, com William Hurt e Ethan Hawke, uma versão modernizada com Barry Bostowick, um telefilme bem feito em 98 com Henry Thomas e Patrick Stewart, uma versão clássica de 1930 de John Barrymore, e a mais famosa de todas, do diretor John Huston em 1956, que trouxe Gregory Peck como o capitão Ahab, Richard Basehart como Ishmael, Leo Genn como Starbuck e Orson Welles como o padre. Agora como já temos efeitos digitais de primeira linha é possível se mostrar a baleia assassina em todo seu esplendor. E realizar um filme com bela fotografia, imagens fortes, algumas muito belas que lembram pinturas antigas, outras que parecem ser feita por drones. Tudo assinado pelo ex/ator juvenil e diretor ate premiado com o Oscar Ron Howard.

    Mas continuo achando ele profissional mas extremamente irregular. Não adianta ter feito um filme de qualidade quando está contando uma história que todo mundo já conhece (ao menos os americanos que foram obrigados a lê-lo no curso secundário) ou ao menos ouviram falar. A lenda da baleia branca assassina e do capitão do navio baleeiro com quem ela parece ter implicado mortalmente. E ai, entra outra questão, o Cinema já fez muito filme de navio a vela no estilo O Grande Motim (vencedor do Oscar, se baseava no conflito entre o imediato bom sujeito e o capitão violento e neurótico, alias também inspirado em fato real, várias vezes refeito pelo cinema inclusive com Anthony Hopkins e Mel Gibson). O desafio deste filme é contar a história real do que sucedeu e inspirou o próprio autor do livro Herman Melville (aqui vivido por um muito magro e sem graça Whishaw, que é o Q de 007). O começo da historia é quando este vem convencer um sobrevivente do evento a contar toda a verdade para ele que assim pudesse adaptá-lo para ficção. Contando detalhes que na época não eram admitidos (como uma baleia enorme que enfrentaria o capitão do navio mesmo ferida e até a morte).

    Uma pena que o roteiro não tenha tido o texto forte e bonito de Melville nem o diretor pudesse contar com um elenco mais forte de atores mais competentes. Ninguém gosta de falar muito mal de Chris Hemsworth depois de que ele foi votado o homem mais bonito do ano pela People. Afinal de contas ele é o Thor e todo mundo o respeita. Ou inveja, acho que todo jovem hoje em dia não quer ser aquele Superman sem graça mas o Thor. E ponto final, isso o exime de criticas. Mas o filme supostamente seria um duelo entre ele, justamente o imediato que entende do navio contra o capitão, no caso de família tradicional marítima que seria o capitão George Pollard. Quem o interpreta é Benjamin Walker, que nem como Abraham Lincoln O Caçador de Vampiros deu certo. É inexpressivo, não tem carisma e simplesmente não segura o personagem. O pior é que o resto do elenco que por diversos motivos também não brilha muito - em particular quando perdem o navio e tentam sobreviver no mar aberto e depois numa ilha deserta! - nem mesmo o futuro Homem Aranha, Tom Holland, que depois será vivido pelo mesmo personagem só que velho (Gleeson) porque é justamente o sobrevivente que lembra de todos os detalhes. 

    A ação central deste lançamento da Warner se passa no inverno de 1820, na Nova Inglaterra - e foi filmado basicamente na Espanha e nas Ilhas Canárias -, quando o navio Essex vai atrás do óleo de baleia (usado em iluminação de ruas e casas) e se defronta com um bicho enorme e que se revela um grande guerreiro. Não dá para dizer que seja um filme ruim, nem barato (não se confirmou um orçamento ), mas tampouco é inédito (em 2013, houve o telefilme The Whale que contava basicamente a mesma coisa!). Estreia simultaneamente com os EUA, correndo para não ser devorado pela explosão eminente de Star Wars.


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