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    MACBETH (2015) - POR RUBENS EWALD FILHO


    Macbeth, Ambição e Guerra 

    EUA, Inglaterra, França, 15. 113 min. Direção de Justin Kurzel. Com Michael Fassbender, Marion Cottilard, Paddy Considine,Kayla Fallon, Lynn Kennedy, Seylan Baxter, Hilton McRea, David Thewlis, David Heyman, Sean Harris.


    Não é fácil adaptar para o cinema a célebre peça MacBeth de Shakespeare, que tem a péssima fama de ser o texto maldito, que sempre é fracasso e por isso os atores preferem chamá-la de “aquela peça escocesa”. Reza a lenda que durante esta filmagem, diante de fatos estranhos, o projeto passou a ser chamado também assim! O fato é que tive que pesquisar para ver se já houve uma grande adaptação do texto. O IMDB registra 162 filmes sendo o primeiro de 1898, e os mais famosos, o de Orson Welles (48), interessante mas todo feito em estúdio; o de 71, foi dirigido por Roman Polanski e estrelado por um desconhecido Jon Finch, hoje mais lembrado por sua violência. Quase todas as outras adaptações foram para a TV gravadas em teatros. E este ano houve a versão brasileira, chamada ridiculamente de A Floresta Que Se Move. O melhor deve ter sido mesmo o de Kurosawa, Um Trono Manchado de Sangue, 57, com seu favorito Toshiro Mifune. Foi isso também o que disse o diretor Justin em Cannes.

    Ou seja, há espaço para outra versão aqui estrelada por um ator do momento Michael Fassbender (Shame) e ainda mais com a presença da francesa premiada com o Oscar, Marion Cotillard. A adaptação foi feita por Jacob Koskoff, Michael Lesslie, Todd Louiso. Embora nenhum deles tenha crédito que os abonem. O mesmo se pode dizer do diretor australiano, Justin Kurzel, que fez o premiado mas desconhecido aqui Snowtown, 11, e agora roda Assassin´s Creed. A trilha musical estranha mas interessante foi composta por Jed Kurzel que é guitarrista e vocalista da banda australiana The Mess Hall. Obviamente como se percebe pelo sobrenome, ambos são irmãos. Também fiquem avisados de que o roteiro mexeu muito no texto, omitindo varias situações importantes (como a morte do filho do casal).

    O primeiro problema é a escuridão, hoje em dia é muito fácil rodar com câmeras digitais que dispensam muita iluminação, em especial nos rostos dos atores. Mas Justin exagera, é o Macbeth das Trevas, onde todos viram sombras com poucos contornos, o que prejudica muito o que seriam interpretações. Como o ator esta sempre nas mãos do diretor, é incrível como ninguém esta memorável. Marion em particular tem poucas cenas e passa delas para logo ficar louca. Uma pena (por sinal, ela mantém o sotaque francês que não perturba e substituiu Natalie Portman).

    Talvez essa escuridão eterna pode ter sido causada pela falta de orçamento, mas ainda assim é esquisito se ver diálogos em off, seguidos por outros que são ditos pelos atores e completados em off. Faz tempo que desacredito dos prêmios de Festivais em particular Cannes, onde esteve em competição e dizem que foi aplaudido por dez minutos (também foi indicado ao British Independent mas não levou nada). Mesmo para quem conhece o original é bom recordar a trama. Macbeth um escocês, depois de uma batalha onde saiu-se vencedor, esbarra num grupo de bruxas (geralmente são três, aqui um delas é uma meninota, e se dividem na profecia de que ele virá a ser rei. São ajudadas por um rapaz e ficam misteriosas mas não tem a força da ideia de bruxa original).


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