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    CLÁSSICOS DE SCI FI - VOLUME 2

    Um pouco de história

    A ficção científica só se tornou possível pela ascensão da ciência moderna, sobretudo pelas revoluções operadas na astronomia, na física, química e na biologia. Além da antiquíssima literatura fantástica, que não é considerada para o efeito, o gênero teve precursores notáveis: viagens imaginárias à Lua ou a outros planetas no século XVIII e viagens espaciais no Micromégas de Voltaire (1752), culturas alienígenas n'As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift (1726), e elementos de ficção científica nas histórias de Edgar Allan Poe, Nathaniel Hawthorne e Fitz-James O'Brien, todos do século XIX. O verdadeiro início da ficção científica, contudo, dá-se no final do século XIX com os romances científicos de Júlio Verne, cuja ciência se situava ao nível da invenção, bem como com as novelas, cientificamente orientadas, de crítica social de H. G. Wells.

    Há outros precursores ilustres e mais antigos. O astrónomo Johannes Kepler (1571 - 1630) escreveu uma história, a que deu o título de Somnium (O Sonho), em que descreve uma viagem até outro planeta. Em 1656, o francês Savinien Cyrano de Bergerac escreveu Histoire Comique des États et Empires de la Lune, que relata também uma viagem até à Lua e a forma como os Selenitas vêem os terrestres.

    O desenvolvimento da ficção científica como gênero consciente de si próprio data de 1926, quando Hugo Gernsback, que cunhou a palavra combinada scientifiction (que se poderia traduzir para português como cientificção), fundou a revista Amazing Stories, dedicada exclusivamente a histórias de ficção científica. Publicadas nesta e noutras revistas pulp com um sucesso grande e crescente, tais histórias não eram vistas pelos sectores literários como literatura, mas sim como sensacionalismo. Com a chegada, em 1937, de um editor exigente, John W. Campbell, da Astounding Science Fiction (fundada em 1930) e com a publicação de contos e novelas por escritores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, a ficção científica emergiu como uma forma de ficção séria. As aproximações ao gênero por escritores que não se dedicavam exclusivamente à ficção científica, como Aldous Huxley, C. S. Lewis e Kurt Vonnegut, também adicionaram respeitabilidade. Capas de revistas com monstros de olhos esbugalhados e mulheres seminuas preservaram em muitas mentes a imagem de sensacionalismo.

    Assistiu-se a um grande incremento na popularidade da ficção científica a seguir à Segunda Guerra Mundial. Alguns trabalhos de ficção científica tornaram-se best-sellers. A crescente sofisticação intelectual do gênero e a ênfase em assuntos psicológicos e sociais alargaram de forma significativa o apelo da ficção científica junto do público leitor. Nos países anglo-saxônicos tomou-se consciência de ficção científica escrita noutras línguas, em especial na União Soviética e noutros países da Europa de Leste. É agora comum ver-se crítica séria ao gênero, e estuda-se ficção científica em instituições de ensino superior de várias partes do mundo, havendo especial interesse nas suas características literárias e na forma como ela se relaciona com a ciência e a sociedade.

    Uma das características únicas do gênero é a sua forte comunidade de fãs, da qual muitos autores também fazem parte. Existem grupos locais de fãs um pouco por todo o mundo que fala inglês, e também no Japão, Europa e noutros locais. É frequente que estes grupos publiquem os seus próprios trabalhos. Existem muitas revistas de fãs (e também algumas profissionais) que se dedicam apenas a informar o fã de ficção científica de todas as vertentes do gênero. Os principais prêmios da ficção científica, os Prêmios Hugo, são atribuídos pelos participantes da convenção anual Worldcon, que é organizada quase exclusivamente por fãs voluntários.

    A ficção científica tornou-se popular então, no cinema. Como vemos a seguir, o cinema de ficção/ horror é um retrato de sua época, com os medos, anseios e teorias conspiratórias fazendo um paralelo com os elementos dos filmes de ficção e horror (como exemplo, governos ameaçadores geralmente eram retratados como alienígenas conquistadores).


    A versátil lança 6 obras marcantes de suas respectivas épocas, como vemos à seguir. Quem quiser comprar, é só acessar o link direto do site aqui: ME COMPRE E ME ASSISTA

    E atenção, nos nomes dos diretores abaixo estão links de suas respectivas filmografias (e biografias em alguns casos) para conhecerem mais de suas obras.

    Enfim...vamos aos filmes.

    “Scanners - sua mente pode destruir”

    (Scanners, 1981, 103 min.)

    De David Cronenberg. Com Jennifer O’Neill, Stephen Lack e Michael Ironside.


    Scanners é um filme canadense de 1981, dos gêneros terror e ficção científica, escrito e dirigido por David Cronenberg e estrelando Jennifer O'Neill, Stephen Lack e Patrick McGoohan. No filme, "scanners" são pessoas com poderes telepáticos e telecinéticos incomuns. A corporação ConSec busca scanners para usá-los para suas próprias intenções. O enredo do filme aborda a tentativa de Darryl Revok, um scanner renegado, de promover uma guerra contra a ConSec. Outro scanner, Cameron Vale, é enviado pela ConSec para deter Revok.

    A história é estruturada como um thriller futurista, envolvendo espionagem industrial e intriga, perseguições a carro, conspirações e tiroteios (incluindo um duelo repulsivo entre Vale e Revok no final). Foi a coisa mais próxima de um thriller de ficção científica convencional que Cronenberg fez até então, sem contar o conteúdo sexual de Calafrios, Rabid ou Os Filhos do Medo; foi também seu filme mais lucrativo até A Mosca, seis anos depois.

    Devido à excentricidade das estruturas de financiamento cinematográfico do Canadá naquela época, foi necessário começar a gravar com apenas duas semanas de pré-produção, antes do roteiro ter sido terminado, com Cronenberg escrevendo o roteiro entre às 4h e às 7h toda manhã durante as filmagens. Uma vez que a equipe de direção de arte não tinha tempo de construir cenários, algumas vezes a equipe teve que sair procurando locações para filmar. Com isso, Cronenberg disse, fazer Scanners foi um pesadelo.

    O maquiador Dick Smith (O Exorcista, Sweet Home) forneceu próteses para o importante duelo scanner e o efeito icônico da cabeça explodindo.

     “O homem dos olhos de raio-x” 

    (X: The Man with the X-Ray Eyes, 1963, 79 min.)

    De Roger Corman. Com Ray Milland e Diana van der Vlis.

    O cientista James Xavier desenvolve uma substância que amplia a visão humana a um nível nunca alcançado. Entretanto a pesquisa é suspensa pela Fundação para a qual trabalhava quando resolve testar em si mesmo. Ele usa a capacidade para realizar cirurgia com notável capacidade de enxergar através do tecido humano, como um raio X. Em um incidente com o colega médico Sam Brant, contudo, o doutor é acusado de assassinato e torna-se foragido. Cada vez mais dependente da substância que desenvolvera e precisando de dinheiro, chega a trabalhar num circo, como curandeiro, e vai até os cassinos de Las Vegas. Essa grande capacidade no entanto, leva sua vida a caminho trágico.


    O filme ganhou o prêmio "Espaçonave de Prata" de 1963 oferecido pelo Primeiro Festival Internacional de Filmes de Ficção Científica (Festival internazionale del film di fantascienza) em Trieste, Itália


    (The Thing from Another World, 1951, 83 min.)

    De Christian Nyby e Howard Hawks. Com Kenneth Tobey e Margaret Sheridan.

    Uma criatura alienígena que chegou a Terra há milhares de anos e se incrustou numa placa de gelo em algum lugar do círculo polar ártico é descoberta na atualidade, junto a seu enorme disco voador. A criatura, quando reanimada, se revela hostil, interessada nos seres humanos unicamente como sua nova fonte de alimentos.

    Howard Hawks pediu à Aeronáutica americana assistência para a realização de O Monstro do Ártico. Mas o pedido foi recusado sob a alegação de que, caso a Aeronáutica o aceitasse, seria uma espécie de confirmação de que naves extra-terrestres realmente existem. Foi lançada em 1989 uma versão colorida do filme, no formato de VHS nos Estados Unidos. O filme foi refilmado duas vezes (leia aqui as críticas detalhadas do filme e suas continuações)


    “Matadouro 5!”

    (“Slaughterhouse-Five”, 1972, 104 min.)

    De George Roy Hill. Com Michael Sacks, Ron Leibman e Eugene Roche.


    Pilgrim sobreviveu a uma bomba em Dresden, em 1945. Depois disso, estranhamente, ele passa a viver simultaneamente no passado como um jovem prisioneiro de guerra, no futuro como um animal no zoológico do imaginário planeta Tralfamadore e no presente como um oftalmologista em Nova York.

    É interessante que o diretor George Roy Hill – mais conhecido por filmes alegres, divertidos, como Golpe de Mestre e Butch Cassidy – seja o autor deste filme denso, pesadíssimo, baseado no livro de Kurt Vonnegut Jr. Bem para o final do filme, o personagem central, Billy Pilgrim, já velho, diz, referindo-se ao planeta que ele inventou e onde vive em paz com seu grande amor imaginário, uma antiga estrela sem grande importância de Hollywood: “Em Tralfamadore, você aprende que o mundo é só uma coleção de momentos reunidos em uma bela ordem aleatória. Se vamos sobreviver, devemos nos concentrar nos momentos bons e ignorar os ruins”.

    É uma visão extremamente cruel da falta de sentido da guerra, e de como as memórias dos horrores dela – em especial as de Dresden destruída pelas bombas dos aliados na Segunda Guerra Mundial – vão permeando para sempre a vida do personagem. Não tenho ideia de como é a estrutura do livro do Vennegut, mas o filme segue a descrição feita por Billy Pilgrim – uma coleção de momentos reunidos em uma bela ordem aleatória. Ele alterna – numa ordem só aparentemente aleatória, é claro, na verdade uma ordem cuidadosamente estudada – diversos momentos da vida do personagem: antes da guerra, durante, logo depois, muito depois, suas visões do planeta Tralfamadore.

    As idas e vindas no tempo são absolutamente constantes, toda a narrativa é uma colcha de pequenos retalhos de épocas diferentes. É, possivelmente, o filme americano mais descosturado, em termos de ordem cronológica – me lembrei até do Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais, a maior expressão de descostura do tempo da história do cinema, se não estou enganado. A costura dessa descostura no roteiro e na montagem é brilhante, feita de paralelos, de situações por algum motivo análogas. Um belíssimo trabalho de roteiro e de montagem. Ah, sim, uma curiosidade: na apresentação aparece – Música Glenn Gould. Fica parecendo que o grande pianista é o compositor. Todas as obras executadas no filme por Gould são de Bach – é a especialidade dele.

    “No mundo de 2020”

    (“Soylent Green”, 1973, 97 min.)

    De Richard Fleischer. Com Charlton Heston e Edward G. Robinson.

    No ano de 2022, a cidade de Nova Iorque conta 40 milhões de habitantes. Para alimentar as inúmeras pessoas pobres e desempregadas, existem tabletes verdes chamados de Soylent Green, produzidos inicialmente através da industrialização de algas. Somente os ricos tem acesso a comidas raras, como carnes, frutas e legumes.

    Quando um rico empresário das indústrias Soylent Corporation é assassinado em seu luxuoso apartamento, o detetive policial Robert Thorn começa a investigar. Ele de imediato suspeita do guarda-costas do empresário, que alega ter saído na hora do crime. Após interrogá-lo, Thorn vai ao apartamento dele e encontra coisas suspeitas, como uma colher com restos do caríssimo morango. Enquanto Thorn persegue o guarda-costas, seu idoso parceiro Sol começa a investigar os registros e papéis do empresário morto. E acaba descobrindo uma verdade estarrecedora sobre o tal tablete verde.

    Foi o último filme de Edward G. Robinson; ele morreu logo após as filmagens, em 26 de janeiro de 1973. O título original do livro de Harry Harrison, "Make Room! Make Room!", não foi usado pelos produtores para evitar confusão por parte do público com a série de TV "Make Room for Daddy", que estava em exibição na época. Durante as filmagens de Soylent Green o ator Edward G. Robinson já estava quase que totalmente surdo, sendo apenas possível escutar o que lhe diziam se falassem diretamente em seu ouvido. Devido a isto as cenas em que o ator dialogava tiveram que ser rodadas diversas vezes, até que ele conseguisse captar o ritmo do diálogo.

    Todas as falas do ator Mike Henry foram dubladas, devido ao sotaque do sul dos Estados Unidos que possuía. O consultor técnico de Soylent Green foi Frank R. Bowerman, que na época era o presidente da Academia Americana de Proteção ao Meio-Ambiente. Algumas capas de DVD's de outras distribuidora tem o título "No Mundo de 2022"


    “Robinson Crusoé em Marte”


    (“Robinson Crusoe on Mars”, 1964, 110 min.)

    De Bryon Haskin. Com Paul Mantee, Victor Lundin e Adam West.

    Uma nave, tripulada por dois astronautas, é enviada pela terra ao planeta marte com a missão de orbitar o planeta e recolher dados científicos. Repentinamente a espaçonave tem sua órbita alterada obrigando os ocupantes a ejetar em direção ao planeta. Devido a confusão na hora da saída, os dois chegam a superfície em locais separados por muitos quilômetros. Enfrentando o ambiente desolado e impróprio à vida humana os astronautas tentam sobreviver e reagrupar enquanto aguardam por socorro. Draper encontra um alienígena, fugitivo de uma outra raça que usa escravos para minerar o planeta. Além dos problemas naturais, terão agora também de fugir desta raça perigosa.

    Leia sobre Robinson Crusoé em Marte e as inúmeras versões do livro original de Daniel Defoe aqui: ROBINSON CRUSOÉ NO CINEMA

     .
    Marcus V.R.Pacheco
    Cinéfilo, colecionador, escritor, cineasta e ocupado vendo filme

    DADOS TÉCNICOS DOS DISCOS


    CLÁSSICOS DE SCI FI - VOL 2


    DISCO 1

    “Scanners – Sua Mente Pode Destruir” (Scanners, 1981, 103 min.)

    De David Cronenberg. Com Jennifer O’Neill, Stephen Lack e Michael Ironside.

    “O Homem dos Olhos de Raio-X” (X: The Man with the X-Ray Eyes, 1963, 79 min.)
    De Roger Corman. Com Ray Milland e Diana van der Vlis.

    DISCO 2

    “O Monstro do Ártico” (The Thing from Another World, 1951, 83 min.)
    De Christian Nyby e Howard Hawks. Com Kenneth Tobey e Margaret Sheridan.

    “Matadouro 5” (“Slaughterhouse-Five”, 1972, 104 min.)
    De George Roy Hill. Com Michael Sacks, Ron Leibman e Eugene Roche.

    DISCO 3

    “No Mundo de 2020” (“Soylent Green”, 1973, 97 min.)
    De Richard Fleischer. Com Charlton Heston e Edward G. Robinson.

    “Robinson Crusoé em Marte” (“Robinson Crusoe on Mars”, 1964, 110 min.)
    De Bryon Haskin. Com Paul Mantee, Victor Lundin e Adam West.


    Extras: 

    Documentário sobre “Scanners” (23 min.)
    Entrevista de Michael Ironside sobre “Scanners” (19 min.)
    Depoimento de Joe Dante sobre “O Homem dos Olhos de Raio-X” (6 min.)
    Prólogo alternativo de “O Homem” (4 min.)
    Depoimento de John Carpenter sobre “O Monstro do Ártico” (24 min.)
    Especial sobre “O Monstro do Ártico” (10 min.)
    Making of de “No Mundo de 2020” (10 min.)
    A Ciência em “Robinson Crusoé em Marte” (19 min.)
    Trailers (18 min.)


    TRAILER


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