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    CHATÔ, O REI DO BRASIL - CRÍTICA POR R.E.F.


    Chatô, o Rei do Brasil

    Brasil, 15. Direção de Guilherme Fontes. Com Marco Ricca, Paulo Betti, Andréa Beltrão, Gabriel Braga Nunes, Eliane Giardini, Leandra Leal, José Lewgoy, Walmor Chagas, Zezé Polessa, Tatiana Monteiro, Leticia Sabatella.

    Se você tiver interesse em conhecer a vida e obra de Assis Chateaubriand (1892-1966) recomendo evitar o filme e simplesmente ler o livro best-seller biográfico que foi escrito por Fernando Moraes. Esta produção lendária é provavelmente a mais cara e longa já produzida no Brasil, já que começou a ser produzido em 1995 e só agora esta estreando nos nossos cinemas. Há varias polemicas e até processos acusando o diretor estreante e produtor, mais conhecido como ator, Guilherme Fontes de mau uso de verbas, mas confesso que é um caso complicado e acho injusto opinar sobre algo que não tenho provas ou elementos para julgar. O fato é que se esperava que o filme fosse um desastre e que mesmo seu visual tivesse envelhecido (já que cinema envelhece na prateleira muito rapidamente, mas como é filme de época e construído como uma alegoria e um delírio, isso não chega a acontecer). E acabou tendo uma reação oposta, o filme vem sendo saudado com entusiasmo. Talvez pela surpresa de constatar que Guilherme fez um trabalho bem cuidado, bem fotografado, cinematograficamente interessante. Ainda que pelo fato de usar pseudônimos e nomes quase sempre inventados se torne impossível se entender o que esta acontecendo. Vira na verdade um samba do Crioulo Doido, misturando fatos com invenções, preferindo o exagero e o grotesco, entre a farsa e melodrama, no que poderia ser uma oportuna critica a corrupção brasileira que não é coisa apenas atual, mas que já existia desde sempre e como já cansamos de perceber sem consequências!

    O que mais me aborreceu é sem dúvida terem transformado Chateaubriand num canalha sem limites, capaz das piores grossuras e baixarias, de uma burrice indiscutível (se assim o fosse não teria chegado aonde chegou) , um protagonista desprezível sem um único momento de humanidade. E olha que com quase duas horas e meia de projeção se torna quase insuportável seguir sua trajetória confusa (na verdade, o filme só é desculpável pela interpretação de Marco Ricca no papel título, certamente seu melhor momento no cinema, ainda que o sotaque vai e vem sem critério).

    Não há qualquer novidade em optar por fazer toda a narrativa uma espécie de julgamento (o diretor teve a ajuda confessa da turma da Zoetrope de Coppola que deve tê-lo levado a tornar todo o filme um delírio de um homem já doente, as portas da morte, que esta sendo massacrado num programa de TV. Ou seja, tudo que é mostrado e discutido vira algo circense, chegando mesmo a ter Chacrinha de condutor). Talvez fosse aceitável num teatro musicado mas na tela deixa o espectador perplexo e confuso ao tentar ao menos entender não apenas quem foi o herói como aqueles que o cercam, já que com frequência as figuras são misturas de diferentes personalidades históricas, quase todas transformadas em caricaturas (em particular as mulheres!).

    É muito interessante de qualquer forma se constatar a falta de critério do brasileiro, que primeiro condenou o filme sem o conhecer e agora o elogiam como se isso os eximisse de culpa. Não percebem que no momento em que o filme vira farsa deixa de ter valor a crítica do oportunismo, até justificando os roubos, os golpes, tornando folclórico a desonestidade e a corrupção.


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