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    sexta-feira, 9 de outubro de 2015

    PETER PAN (2015) - CRÍTICA POR R.E.F.





    Peter Pan (Pan)
    EUA, 15. 111 min. Direção de Joe Wright. Roteiro de Jason Fuch. Com Levi Miller, Hugh Jackman, Garrett Hedlund, Rooney Mara, Adeel Akhtar, Amanda Seyfried, Kathy Burke, Cara Delevigne.


    Sou um confesso admirador de Peter Pan, conforme concebido há mais de um século por seu criador James M. Barrie (1860-77) e realizado para o cinema no famoso desenho animado da Disney, em montagens teatrais musicais na Broadway (geralmente o papel de Peter é feito por garotas inclusive estrelas como Mary Martin, que fez também versão para a TV), e na TV americana (recentemente ao vivo, com Allison Williams e Kelli O´Hara). Houve também várias adaptações para o cinema, com destaque para a poética Em Busca da Terra do Nunca (recém transposta também para a Broadway) com Johnny Depp fazendo o papel de Barrie). Foi Steven Spielberg que dirigiu e produziu Hook, a Volta do Capitão Gancho, 94, com Robin Williams como Peter adulto, Julia Roberts com a fada Sininho (até hoje não me conformei em virar Tinker Bell!) e até Maggie Smith. Depois teve um filme bonito mas de pouco sucesso que foi Peter Pan (Idem, 03) de P.J. Hogan, com elenco britânico menos famoso.

    Com tudo isso enchendo nossa imaginação, não é nada fácil enfrentar agora um outro filme grande, super espetáculo de 150 milhões de dólares que apresenta uma história de origem completamente diferente e por vezes oposta (e ainda se dá ao luxo de achar que vai ter continuação), deixando para a próxima aventura, que não parece muito provável, a transformação de Garret Hedlund (que padece da falta de carisma) que faz Hook no que viria a ser o futuro Capitão Gancho! Um detalhe: em certo momento ele cita Errol Flynn, usando chapéu a moda dele!

    Como sou admirador do diretor britânico Joe Wright, realizador dos excepcionais Anna Karenina, a obra prima Desejo e Reparação, acredito quando ele disse que só aceitou este projeto já iniciado para contentar o filho pequeno que admirava a ideia. Outro problema foi que ele havia encomendado uma trilha musical para seu amigo Dario Marianelli, mas a rejeitou e o substituiu por outra de John Powell (Como Treinar o seu Dragão). Mas Wright assumiu o filme quando estava pronto o script do ator Fuchs (frequente ator mas que escreveu para cinema apenas A Era do Gelo 4). Acho especialmente desagradável a parte inicial que lembra muito Oliver (Twist), o musical baseado em Charles Dickens, já que os meninos são todos perseguidos por uma freira glutona e maléfica. Entendo que não exista mais o pó mágico que faz todos viajarem já que poderia ser confundido com a cocaína. Ele se tornou então o pó das fadinhas mortas que então ajudaria nos voos. Mas se com um pouco de boa vontade dá para engolir Peter Pan voando, alguém pode me explicar porque diabos os navios, caravelas nadam no espaço como se fossem naves? Como e por que?

    Acharam melhor não explicar aliás muita coisa no filme. A imprensa americana tem falado muito mal da escolha de Rooney Mara para fazer a indiazinha Tiger Lily, quando recusaram tanto as nativas americana quanto a Lupita Nyong. E Rooney está fraca e pálida como sempre.

    Mas os atores ainda são a melhor coisa do filme. Hugh Jackman esta competente e diferente como o Capitão Barba Negra que seria o vilão titular desta vez. O menino escolhido para protagonista o australiano Levi Miller tem boa aparência e reage sempre da maneira certa. Amanda Seyfried tem aparição tão breve que é difícil reconhecê-la e o mesmo se pode dizer de Delevigne. Fora disso há muita luta, perseguição, ação juvenil, momentos que lembram o recente Mad Max. Mas mesmo agora escrevendo sobre o filme não estou muito convencido e suspeito que ele seja repudiado pelo público.

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