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    O QUE FOI A NOUVELLE VAGUE JAPONESA?


    INÍCIO

    Em meados dos anos 1950 e início dos 1960, pipocaram Nouvelle Vagues no mundo inteiro, dentre as quais podemos lembrar o free cinema britânico, os novos cinemas da Polônia, Iugoslávia, o cinema novo brasileiro e o novo cinema indiano, entre outros. O Japão também conheceu sua versão dessas ondas, a nuberu bagu (nouvelle vague), mas lá foi sensivelmente diferente do resto do mundo.

    Assim como os outros Novos Cinemas dos anos 1960, a Nouvelle Vague Japonesa nunca foi um movimento ou uma escola com paradigmas estéticos rigorosamente definidos. O termo, na verdade, foi importado da França com um viés até publicitário, para sublinhar o surgimento de jovens cineastas que buscavam novas formas de olhar aos novos (e velhos) problemas do Japão, tomando certa distância, embora num constante diálogo, dos cinemas anteriores, tanto o clássico de Yasujiro Ozu, Kenji Mizoguchi e Mikio Naruse, quanto aquele iniciado no pós-guerra por Akira Kurosawa e Keisuke Kinoshita. As palavras de Masahiro Shinoda, um dos protagonistas dos anos 1960, são pontuais: “a geração de humanistas de Kurosawa demonstrava conclusões para os problemas contemporâneos; a Nouvelle Vague não tinha essas certezas”.

    Entre muitas das semelhanças das “novas ondas”, estava um espírito de resgate da identidade nacional, de rebelião contra os parâmetros estabelecidos, de liberalização dos costumes, uma busca pelo autêntico, pela verdade e realidade de cada localidade. Os japoneses estavam tão marcados por estas questões quanto franceses ou brasileiros, mas enquanto estes desenvolviam um modelo de realização independente na produção e na estética, rebelando-se contra a produção dos estúdios, os japoneses começaram sua “revolução” dentro dos estúdios que dominavam seu cinema.

    Importante frisar que, diferente dos colegas franceses, que queriam desesperadamente trabalhar com cinema, lançando-se primeiro numa empreitada crítica e depois de realização, Oshima, Imamura e companhia foram trabalhar com cinema porque precisavam sobreviver e não porque tivessem algum ideal romântico. Todavia, seu momento histórico era propício para as alterações que iriam construir. O avanço da cultura americana no Japão começava a se tornar uma evidência incômoda. Cineastas, escritores, filmes e romances começaram a refletir sobre este quadro e foi justamente dentro da produção dos estúdios que se iniciou uma ferrenha crítica reflexiva sobre os rumos que o povo e valores japoneses estavam tomando. De certa forma, como coloca Lúcia Nagib, a chamada nouvelle vague japonesa refletia menos o clima revolucionário internacional que se cultivava entre gerações mais jovens do ocidente e mais as circunstâncias das mudanças particulares de um Japão recém saído de uma guerra e sujeito a todo um processo de ocidentalização desenfreada.

    PRIMEIROS FILMES

    Existem dois filmes significativos que anunciam o surgimento de uma ruptura jovem no Japão: Fruto Insano (1956), de Kô Nakahira e Beijos (1957), de Yasuzo Masumura; cineastas que posteriormente não serão citados entre os grandes nomes da Nouvelle Vague Japonesa. São considerados precursores, acima de tudo, por retratarem os rompantes juvenis sem censuras ou floreios. Os filmes exploram os dilemas dos adolescentes de forma direta, exibindo ainda uma sensualidade, uma valorização da pele, do corpo até então raríssimas no cinema japonês.

    O ciclo de filmes sobre o universo jovem, a geração do sol, é basicamente inspirado pela obra literária de Shintaro Ishihara, o porta-voz da geração do final dos anos 1950 que optava pelo hedonismo como a fuga principal dos valores clássicos japoneses. É nesse contexto que surge a Nouvelle Vague Japonesa, num momento de modernização acelerada ao mesmo tempo em que se tem uma percepção crítica de seu principal incentivador: a presença cultural norte-americana no país. Mas também eram tempos de crise na indústria cinematográfica, especialmente nas produtoras mais famosas: Shochiku e Nikkatsu.

    A Nouvelle Vague da Shochiku

    O problema não era exclusivo do Japão. Na década de 1950 o cinema anunciava o medo da morte em vários países. Por isso que a Nouvelle Vague Japonesa, num primeiro momento, surge como uma cartada das produtoras com uma finalidade essencialmente comercial. Foi a partir dessa abertura que jovens cineastas como Nagisa Oshima, Yoshishige Yoshida e Masahiro Shinoda conseguiram dirigir filmes no final dos anos 1950 pela tradicional produtora Shochiku, a célebre casa de Ozu.

    Ainda nos anos 1950, Seijun Suzuki e Shohei Imamura começaram a realizar filmes inovadores pela outra grande produtora do país, a Nikkatsu. Enquanto Suzuki subvertia o filme de máfia, mais tarde iria dizer que “o importante é o estilo”; Imamura propunha um cinema cru e intenso, fora dos estúdios, com atores não-profissionais. Percebendo a renovação da produtora rival (o filme de Kô Nakahira também era de lá), a Shochiku começou a incentivar seus jovens cineastas a realizar um cinema “novo”. Segundo Lúcia Nagib, autora de Em torno da Nouvelle Vague Japonesa, raro livro sobre o grupo publicado no Brasil: “os princípios da coletividade, da solidariedade, da uniformidade e da harmonia, tão apreciados no Japão, encontravam, portanto, no cinema da Shochiku, sua mais convicta expressão”. Quando encontramos as primeiras obras dos três novatos da produtora, todas inseridas no contexto juvenil do final dos anos 1950, ficam evidentes os sinais de ruptura.

    No período clássico da cinematografia japonesa, um cineasta precisava trabalhar muito tempo como assistente para posteriormente assinar seus próprios filmes, subindo degrau a degrau as escadas da produtora. Se o início da Nouvelle Vague acontece dentro delas, é justamente ali que termina a estrutura hierárquica tradicional da produção japonesa. As produções de Oshima, Shinoda e Yoshida olhavam para o universo juvenil, mas já indicavam rupturas estéticas que as obras de Nakahira e Mazumura ignoravam. Ficaram conhecidos como a “Nouvelle Vague da Shochiku”. Lançado em 1960, Conto Cruel da Juventude, de Oshima, é considerado o marco-zero da Nouvelle Vague Japonesa. No mesmo ano, o cineasta lança O Túmulo do Sol, lançando um olhar irônico à geração festeira que nasce influenciada pelos escritos de Ishihara, encerrando de vez esse primeiro momento juvenil do cinema moderno japonês.   

    A primeira vez do termo, oficialmente...

    1960, foi usado pela primeira vez que o termo nouvelle vague japonesa. Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups, 1959), de François Truffault, e Acossado (À Bout de Souffle, 1960), de Jean-Luc Godard, foram distribuídos nos Japão e, junto com eles, passava no cinema Conto Cruel da Juventude (Seishun Zankoku Monogatari), dirigido por Nagisa Oshima. Críticos de cinema usaram o slogan francês, então na ordem do dia, para denominar o novo filme de Oshima. O radical diretor abertamente criticava a americanização e a chamada “geração do sol”. Em 1960, lançou três filmes pela Shochiku que caíram como uma bomba no campo cinematográfico japonês: o já citado Conto Cruel da Juventude, no qual jovens que querem apregoar a liberdade de costumes acabam se juntando a gangsteres e a viver do crime; Túmulo do Sol (Taiyo no Hakaba), rodado num bairro pobre de Osaka, cujo ápice é o assassinato de um colegial sob o pôr-do-sol no meio das ruínas de prédios bombardeados; e Noite e Neblina do Japão (Nihon no Yoru to Kiri), filme com conteúdo político e esteticamente ousado que foi retirado dos cinemas pelo estúdios após 3 dias de exibição, o que causou a revolta de Oshima, que se demitiu da empresa, causando um escândalo no Japão.

    A trajetória de Oshima foi a mais radical, mas no geral, um a um, os cineastas inovadores que começaram a construir novas experiências nos estúdios se desentenderam com seus estúdios e começaram lentamente a buscar caminhos independentes. Alguns poucos continuaram trabalhando nos estúdios até suas falências, pois o momento da nouvelle vague japonesa não foi o começo do cinema independente no Japão, mas o final da era dos estúdios que entraram em decadência desde meados dos anos 1950 e que promoveram novos diretores na tentativa de se revitalizar.

    Embora Oshima, no decorrer dos anos 1960, ampliasse seu diálogo com as produções francesas, o único que teve contato amplo com esta foi Yoshishige Yoshida, companheiro de estúdio de Oshima. Seu mais famoso filme do princípio dos anos 1960 foi As Termas de Akitsu (Akitsu Onsen, 1962), sem qualquer violência típica aos filmes de Oshima ou da americanização da “geração do sol”. Todavia seu ataque ao Japão era metaforizado pela estória de uma moça que espera incessantemente um jovem que lhe prometera amor antes de ir para a guerra e que vive isolada, à sua espera, vendo apenas fantasmas da história que ocorre fora de sua casa, enquanto o jovem a atormenta, mas jamais se decide por ela. Seu amor é uma impossibilidade.

    Ruptura

    O filme que inicia uma nova etapa da Nouvelle Vague Japonesa é Noite e Neblina no Japão (1960). Em primeiro lugar, há uma ruptura no modo de filmar, num procedimento claro de distanciamento brechtiano (e pioneiro, se pensarmos que a Europa ainda não tinha aplicado os ensinamentos do alemão) que procura revelar a existência da câmera durante as cenas. Da mesma forma, a citação a Alain Resnais no título não aparece por capricho cinéfilo, já que a obra mescla tempos com uma liberdade que o cinema japonês (e mundial) não havia se permitido até então. O que está em jogo, num sentido geral, é justamente o conflito de gerações, algo que já aparece nos filmes juvenis, mas que agora é colocado num contexto político, da redefinição da esquerda, da situação conflituosa do Japão no pós-guerra.

    A outra questão importante que a Nouvelle Vague Japonesa vai trabalhar é a representação da mulher. No cinema clássico japonês, mesmo quando as mulheres tentavam subverter a cultura paternalista que o Japão assumiu para si durante o século vinte, o desfecho era frequentemente negativo. Um exemplo fundamental é a obra de Kenji Mizoguchi. Suas mulheres, especialmente as gueixas, lutavam contra essa realidade e acabavam punidas (pelos homens ou pelo destino – mas nunca pelo cineasta, importante destacar). Como um contraponto à revolta das gueixas, havia também os exemplos maternais, de mulheres que se sacrificavam para que seus homens tivessem êxito na vida.

    Com a Nouvelle Vague Japonesa, a mulher chega enfim à independência, criando uma consciência sexual e descobrindo o direito ao prazer. É o que vemos em Desejo Assassino (1964), de Shohei Imamura, quando as visitas constantes de um bandido acabam tirando a protagonista da estagnação emocional de sua vida familiar. Em 1965, ao lado da esposa e musa Mariko Okada, Yoshishige Yoshida rompe com a Shochiku e monta uma produtora independente. Não deixa de ser o momento em que suas personagens femininas também se libertam. Em As Termas de Akitsu (1962), seu filme mais famoso da fase na produtora, a mulher ainda é submissa, permanece sempre à espera, como se não pudesse evitar seu destino. É uma história narrada pelo homem, inclusive. Em sua fase independente, Yoshida questiona até mesmo o valor libertador do sexo para a mulher.  É o que vemos na obra-prima A Mulher do Lago (1966), que justifica desde as primeiras cenas a interrogação final da protagonista (sempre Mariko Okada): você me acha monstruosa? No filme, ela se relaciona com três homens: o marido, o amante e um estranho que a chantageia com fotos comprometedoras. Há um descompasso evidente entre a protagonista e os homens, algo que nem mesmo o sexo extraconjugal consegue encerrar. 

    Independência

    Hiroshi Teshigahara e Susumu Hani representam os independentes da Nouvelle Vague Japonesa. Todos os outros jovens cineastas seguiram esse caminho, mas somente os dois começaram a trajetória fora das produtoras. O cinema de Teshigahara, em parceria com o escritor surrealista Kobo Abe, indicava um parentesco com o absurdo e o existencialismo, com influências de Kafka e até Camus. Já Hani, que iniciou sua trajetória realizando documentários, manteve a preocupação de registrar os instantâneos afetivos da vida jovem no Japão.

    Mas não demorou muito tempo para que todos os cineastas da Nouvelle Vague Japonesa se tornassem independentes. A invenção radical dos filmes de Oshima, Shinoda e Yoshida (na Shochiku) e Imamura e Suzuki (na Nikkatsu) seria rapidamente indesejável dentro das grandes produtoras. Na segunda metade dos anos 1960, todos já estavam trilhando um caminho independente, contando com o apoio da Art Theatre Guild, distribuidora dedicada a filmes de invenção japoneses. Neste período as obras se tornam ainda mais experimentais. Um exemplo é o modo particular como Yoshida usa o desenquadramento (quando o personagem não está mais no centro harmônico da composição) em seus filmes do final dos anos 1960, como Eros + Massacre (1969) e Purgatório Eroica (1970). Com a independência, a geração se distancia e cada um segue seu rumo: Oshima mergulha de cabeça no cinema político, Shinoda flerta com o teatro Kabuki, Imamura encontra um novo caminho no documentário, Suzuki se torna cada vez mais estiloso e menos narrativo, Yoshida radicaliza o desenquadramento. Se nos anos 1970 o cinema japonês conheceu alguns filmes e cineastas extremamente transgressores, foi porque a geração da Nouvelle Vague escancarou todas as portas. 

    Imamura, Yoshida, Oshima e tantos outros renovaram o cinema japonês ao confrontar sua realidade social com o cinema num momento histórico de falência da produção dos estúdios. A sociedade japonesa ocidentalizada pagava um alto preço que os cineastas faziam questão de denunciar desafiando os cânones estabelecidos por cineastas como Yasujiro Ozu ou Kenji Mizoguchi, expoentes dos velhos estúdios. A nova geração usou o ocaso de uma forma de produção para lançar um cinema independente que influenciou o mundo todo.


    INFOGRÁFICO


    Estritamente falando, os principais representantes do gênero  são Nagisa Oshima, Masahiro Shinoda e Yoshishige Yoshida. Por extensão, dada a sua proximidade estilística, obras criadas na época por Yasuzo Masumura, Seijun Suzuki e Shohei Imamura também se tornaram fundamentais.


    15 filmes para entrar no universo da Nouvelle Vague Japonesa


    1. Nagisa Oshima – Conto Cruel da Juventude (Sēshun zankoku monogatari, 1960)

    Dois jovens se conhecem e iniciam uma relação amorosa conturbada. Para ganharem algum dinheiro começam a cometer armações que podem os levar a ruína.


    2. Nagisa Oshima – Noite e neblina no Japão (Nihon no yoru to kiri, 1960)

    Os ativistas estudantis Nozawa e Reiko se conheceram na época de faculdade e se casaram 10 anos depois. Na festa de casamento, vários colegas e professores estão presentes, e logo a cerimônia fica em segundo plano quando começam a discutir sérias questões pendentes da época de ativismo.


    3. Yoshishige Yoshida – As termas de Akitsu (Akitsu onsen, 1962)

    Melodrama sobre um encontro amoroso que é uma metáfora da história do Japão de 1945 a 1962. No verão de 45, o estudante Shusaku chega às termas de Akitsu para tratar a tuberculose que contraiu durante a guerra. É ajudado pela arrumadeira Shinko, jovem independente que sonha com um país livre do peso da tradição que oprime as mulheres. Eles se apaixonam. Quando ficam sabendo da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, tentam um suicídio, mas não conseguem concretizá-lo. Shusaku então decide voltar para a cidade. Os amantes continuam a se encontrar nos 17 anos seguintes, mas nunca estabelecem uma relação sólida. Apesar da vida mundana de Shusaku, que vai ficando cada vez mais cínico, Shinko é fiel ao amado. O último encontro deles será marcado pela tragédia.


    4. Shohei Imamura – A mulher inseto (Nippon konchuki, 1963)

    O filme conta a história de uma camponesa que, tal como um inseto, faz sua escalada da sobrevivência. Tendo atravessado, desde a adolescência, a violência sexual e o incesto, sua mudança para a cidade grande a conduz diretamente à prostituição e afinal ao controle de um bordel, onde passa a praticar toda sorte de atos vis, dos quais antes fora vítima. O tratamento do personagem como uma verdadeira heroína é absolutamente novo no até então moralista cinema japonês. E as tomadas de estilo documental, nas quais freqüentemente o personagem principal não passa de uma cabeça perdida na multidão das ruas da cidade, propõem exatamente o oposto das imagens de estúdio da Shochiku, sempre bem compostas e nítidas.


    5. Shohei Imamura – Desejo assassino (Akai satsui, 1964)

    Dona de casa do interior, casada com marido infiel, sofre ataques constantes de um estuprador, que se diz apaixonado por ela..


    6. Hiroshi Teshigahara – A mulher de areia (Suna no onna, 1964)

    Um entomologista amador resolve sair da cidade e passar o fim de semana numa área desértica do Japão, a fim de coletar insetos raros. Ele pernoita numa casa onde habita uma estranha mulher. Logo ele vai perceber que caiu em uma armadilha, a qual não existe saída.


    7. Masahiro Shinoda – A flor seca (Kawaita hana. 1964)

    Nesta sofisticada e sedutora joia da New Wave Japonesa, um yakuza, recém-saído da prisão, envolve-se com uma bela e enigmática moça viciada em jogos; o que a princípio parece uma relação redentora termina o afundando ainda mais no submundo do crime. Fascinantemente rodado e editado, e embalado pela trilha sonora de Toru Takemitsu, este romance de gangsteres foi um marco para o idiossincrático Masahiro Shinoda.


    8. Seijun Suzuki – Tóquio violenta (Tokyo nagaremono,1966)

    Tetsuya "Phoenix Tetsu" Hondo é um implacável assassino de uma quadrilha da Yakuza que foi recentemente desativada quando Kurata, o chefe, resolveu se aposentar. Otsuka, líder de uma quadrilha rival, tenta recrutar Tetsu para o seu lado, mas o assassino nega o convite. Assim, o chefe do crime resolve eliminá-lo.


    9. Yoshishige Yoshida – A Mulher do Lago (Onna no Mizûmi, 1966)

    Fotos sensuais tiradas pelo amante de uma mulher casada, e logo após roubadas por um homem desconhecido, fazem com que ela, desesperada pela possibilidade de seu marido vê-las, faça uma viagem psicológica e física para recuperá-las.


    10. Susumu Hani – Nanami: O Inferno do Primeiro Amor (Hatsukoi Jigokuhen, 1968)

    Nanami é um dos filmes precursores do Nuberu Bagu (Nouvelle Vague Japonesa), e um dos filmes mais conhecidos de Hani. O filme foca na dor diária e nas confusões mentais de ser um adolescente em crescimento, contando a historia de amor entre Shun e Nanami, um garoto inseguro que se apaixona por uma modelo de nudismo.


    11. Shohei Imamura – Profundo Desejo dos Deuses (Kamigami no Fukaki Yokubo, 1968)

    Um dos filmes mais característicos de Imamura, que explora e analisa a «animalidade» do ser humano, no que quase se pode ver como um documentário (ou antes, uma ficção documental) sobre uma comunidade primitiva japonesa, as suas crenças, mitos e superstições, os tabus e o castigo da sua quebra imposto pelos deuses.


    12. Yoshishige Yoshida – Eros + Massacre (Erosu purasu Gyakusatsu, 1969)

    Cinebiografia do anarquista Sakae Osugi (1885-1923), assassinado pela polícia, a partir de seus relacionamentos amorosos. Paralelamente, duas estudantes pesquisam sobre as teorias políticas e as ideias de amor livre que ele defendia.


    13. Nagisa Oshima – Diário de um Ladrão de Shinjuku (Shinjuku dorobô nikki, 1969)

    O título do filme não corresponde exatamente à estrutura clássica de um diário. Não se pode descrever o desenrolar da história sem cometer o deslize de adiantar surpresas importantes do filme. Grande parte dele se desenvolve em uma livraria (Livraria Kinokuniya, em Tóquio) onde há lugar reservado para muita literatura, especialmente a poesia. Destaca-se ainda a discussão sobre sexualidade. A participação do Grupo do Teatro Jokyo acompanha o filme com teatralidade e música oriental. Há alternância entre o colorido e preto & branco.


    14. Masahiro Shinoda – Duplo suicídio em Amijima (Shinjû: Ten no amijima, 1969)

    A história de amor de um comerciante de papel por uma geisha. Ela, visada pelo mais rico comerciante local, precisa do dinheiro dos clientes para sustentar a mãe, que morre de fome no interior. Ele, casado e com dois filhos, não vê outra maneira de consumar seu amor – uma vez que ele não tem como sustentar a geisha só para si – a não ser pela morte. Propõe à amada o duplo suicídio na ponte. Ela concorda.


    15. Yoshishige Yoshida – Purgatório Eroica (Eroica Rengoku, 1970)

    Uma garota se apresenta como filha de um casal: ela dona de casa, ele um misterioso cientista. A suposta filha terminará por seduzir o alegado pai. Antes disso, o cientista será perseguido por vários grupos de extrema esquerda, que atuam talvez para que o Japão sucumbisse ao comunismo. Mas o próprio governo encarcera, prende e tortura o pesquisador, acusando-o de promover a revolução, fato que ele nega.



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    3 comentários:

    1. Brilhante matéria. Impressionante como é bem posta. Parabéns pela iniciativa, Existem diversos sites bacanas de cinema, mas este é o primeiro que encontro informações preciosas do cinema em geral.

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