• ÚLTIMAS...

    sexta-feira, 18 de setembro de 2015

    SEGUNDA GUERRA NO CINEMA - PELA VERSÁTIL


    Há 70 anos acabava um conflito que levou milhares de vidas inocentes de nosso mundo. A Segunda Guerra Mundial foi um conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo — incluindo todas as grandes potências — organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo. Foi a guerra mais abrangente da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. Em estado de "guerra total", os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econômica, industrial e científica a serviço dos esforços de guerra, deixando de lado a distinção entre recursos civis e militares. Marcado por um número significante de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 a mais de 70 milhões de mortes.

    Geralmente considera-se o ponto inicial da guerra como sendo a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista em 1 de setembro de 1939 e subsequentes declarações de guerra contra a Alemanha pela França e pela maioria dos países do Império Britânico e da Commonwealth. Alguns países já estavam em guerra nesta época, como Etiópia e Reino de Itália na Segunda Guerra Ítalo-Etíope e China e Japão na Segunda Guerra Sino-Japonesa. Muitos dos que não se envolveram inicialmente acabaram aderindo ao conflito em resposta a eventos como a invasão da União Soviética pelos alemães e os ataques japoneses contra as forças dos Estados Unidos no Pacífico em Pearl Harbor e em colônias ultra marítimas britânicas, que resultou em declarações de guerra contra o Japão pelos Estados Unidos, Países Baixos e o Commonwealth Britânico.

    A guerra terminou com a vitória dos Aliados em 1945, alterando significativamente o alinhamento político e a estrutura social mundial. Enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) era estabelecida para estimular a cooperação global e evitar futuros conflitos, a União Soviética e os Estados Unidos emergiam como superpotências rivais, preparando o terreno para uma Guerra Fria que se estenderia pelos próximos quarenta e seis anos (1945-1991). Nesse ínterim, a aceitação do princípio de autodeterminação acelerou movimentos de descolonização na Ásia e na África, enquanto a Europa ocidental dava início a um movimento de recuperação econômica e integração política.

    Mais uma vez os filmes são lançados num belíssimo digistack, (compre aqui http://www.dvdversatil.com.br/).

    E atenção, nos nomes dos diretores abaixo estão links de suas respectivas filmografias (e biografias em alguns casos) para conhecerem mais de suas obras.

    Enfim...vamos aos filmes.

    “Fomos os sacrificados”

    ("They Were Expendable", 1945, 135 min.)

    De John Ford. Com John Wayne, Robert Montgomery e Donna Reed.

    A derrota dos japoneses em ilhas filipinas, na Segunda Guerra Mundial, para os americanos. Em um tempo onde muitos incentivavam a guerra pelo meio cinematográfico, John Ford, nesse clássico, toma um ar anti-bélico e prega a paz.
    John Ford serviu as forças armadas americanas durante a II Guerra. Nos créditos do filme, sua patente é escrita na tela. Justíssimo. Se em todos os seus filmes, a beleza das encenações envolve o porte rigoroso dos atores (ainda que seja em posição de relaxamento), em Fomos os esquecidos, Ford faz dos oficialismos militares o motivo justo para revelar de seus intérpretes os significados profundos das posturas eretas, dos joelhos dobrados e dos traseiros conformados ao chão. Na arte do John Ford que fez a guerra e o cinema, é a postura que revela os homens.
    Visão de mundo conservadora, crédula na dignidade permanente dos errantes que cumprem o inexorável dever de morrer.

    “48 horas!”

    ("Went the Day Well?", 1942, 96 min)

    De Alberto Cavalcanti. Com Leslie Banks, Elizabeth Allan e Frank Lawton

    No vilarejo de Bramley End, na Inglaterra pós-Segunda Guerra, um sacristão conta uma história: no dia 23 de maio de 1942, chegou ali um grupo de homens do exército, comandados pelo major Hammond, para “rever a segurança da área”. No entanto, ele é um oficial alemão, com ordens de preparar uma invasão, com a colaboração de um cabo do exército local. Nos dias que se seguem, alguns moradores começam a suspeitar da presença do grupo e resolvem investigar o que está realmente acontecendo.
    Cavalcanti transmite um tom de urgência quase palpável e assim entramos de corpo e alma na história. Algumas sequências se destacam pela violência e outras pela coragem dos ingleses defendendo o lar da ameaça alemã.

    “Também somos seres humanos”

    ("The Story of G. I. Joe", 1945, 108 min.)

    De William Wellman. Com Robert Mitchum e Burgess Meredith.

    O correspondente Ernie Pyle se junta a 18ª Infantaria do exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, onde conhece o comandante Walker, homem que o fará entender melhor toda a dor de se estar em combate.
    Um dos dois melhores filmes a retratar a infantaria americana (o outro é A Walk in the Sun, do mesmo ano), The Story of G. I. Joe foi universalmente aplaudido, porém pouco visto. Um dos motivos pode ter sido a audácia de mostrar corpos de soldados mortos no final carrancudo, o que ia de encontro à euforia da época. Com um tom semidocumental, o filme abre mão de falsos heroísmos ou batalhas exageradas e se concentra no dia a dia do soldado anônimo (conhecido como G.I. Joe nos EUA). Por isso, é considerado por muitos veteranos da infantaria americana como o mais realista de todos os filmes de guerra produzidos em Hollywood na década de 1940.
    O filme representou o estrelato para Robert Mitchum, que vinha de uma série de filmes B, muitos deles da série de Hopalong Cassidy, onde atuava como bandido. Pelo papel do Tenente Bill Walker, comandante da Companhia C, o ator recebeu a primeira e única indicação ao Oscar de sua longa carreira. O roteiro, também indicado pela Academia, é baseado em colunas de Ernie Pyle, correspondente de guerra que se juntou ao exército de seu país nos fronts da Europa e do Pacífico. Dois meses antes da estreia do filme, ele foi morto em Okinawa, por tiros de metralhadora disparados pelos japoneses.

    “Proibido!” 

    (“Verboten!”, 1959, 87 min.)

    De Samuel Fuller. Com James Best e Susan Cummings.

    O diretor Samuel Fuller habilmente intercala imagens dos campos de extermínio alemães com cenas deste drama instigante, sobre um caso de amor proibido no pós-guerra. David é um soldado que está na Alemanha com o Governo Militar Americano. Ele se apaixona por Helga, uma jovem alemã, e ela retribui seus sentimentos. Mas seu romance não é tolerado por nenhuma das culturas.
    Maus uma obra prima magnificamente filmada do diretor. Conheça mais da vida dele no link, com sua filmografia e a biografia.
      
    “Amargo triunfo”

    ("Bitter Victory", 1957, 102 min.)

    De Nicholas Ray. Com Richard Burton, Curt Jurgens e Ruth Roman.

    Durante a II Guerra Mundial, um covarde e indeciso oficial das forças aliadas recebe sem merecer uma condecoração por bravura em combate. Mas o fato da indicação ter partido de um charmoso e destemido capitão que no passado foi amante de sua mulher transforma a honraria em fonte de ódio e desejo de vingança.
    Amargo Triunfo é todo pontuado por pequenos detalhes, diálogos, planos, gestos ou até mesmo pela sensação de incompletude de certos momentos que no final acabam transmitindo muito mais sensações e reflexões do que uma boa centena de filmes que trazem isto como principais pretensões.
    Este é o filme que fez Godard, à época crítico de Cinema da revista francesa Cahiers du Cinéma, afirmar que “Nicholas Ray é o Cinema”, frase que marcou a história de ambos.


     “Mercenários sem glória” 

    ("Play Dirty", 1969, 118 min.)

    De André De Toth. Com Michael Caine, Nigel Davenport e Nigel Green.

    Douglas, um executivo da British Petroleum é designado para trabalhar com o exército britânico no Norte de África, na manipulação de combustíveis. Isso lhe dá a classificação de capitão oficial do exército britânico. O coronel Cyril Leech é encarregado de levá-lo a acompanhar os seus homens em uma missão perigosa 400 milhas atrás das linhas alemãs.
    Grande momento do diretor, que faz aqui uma variação de "Os doze condenados". O filme também é conhecido como "Inferno no deserto".


    .

    Marcus V.R.Pacheco
    Cinéfilo, colecionador, escritor,cineasta e ocupado vendo filme

    DADOS TÉCNICOS DOS DISCOS


    SEGUNDA GUERRA NO CINEMA


    Disco 1: 

    "Fomos os Sacrificados" ("They Were Expendable", 1945, 135 min.) De John Ford. Com John Wayne, Robert Montgomery e Donna Reed. 
    "48 Horas!" ("Went the Day Well?", 1942, 96 min.) De Alberto Cavalcanti. Com Leslie Banks, Elizabeth Allan e Frank Lawton. 

    Disco 2:

    "Também Somos Seres Humanos" ("The Story of G. I. Joe", 1945, 108 min.) De William Wellman. Com Robert Mitchum e Burgess Meredith. 
    "Proibido!" (“Verboten!”, 1959, 87 min.) De Samuel Fuller. Com James Best e Susan Cummings. 

    Disco 3:

    "Amargo Triunfo" ("Bitter Victory", 1957, 102 min.) De Nicholas Ray. Com Richard Burton, Curt Jurgens e Ruth Roman.
     "Mercenários Sem Glória" ("Play Dirty", 1969, 118 min.) De André De Toth. Com Michael Caine, Nigel Davenport e Nigel Green. 



    País de Produção: Estados Unidos - Inglaterra Formato de tela: Fullscreen 1.33:1, Widescreen Anamórfico 2.35:1.

    Conteúdo: Trailers de "Fomos os sacrificados" e "Proibido!" (5 min.)



    TRAILER



    BÔNUS


    A versátil lança também o clássico de Melville...

    “O exército das sombras”

    ("L’armée des ombres", 1969, 145 min)

    De Jean-Pierre Melville. Lino Ventura, Simone Signoret, Paul Meurisse, Jean-Pierre Cassel, Claude Mann, Paul Crauchet

    Philippe Gerbier, membro da resistência gaulesa durante a ocupação nazista, é levado em outubro de 1942 para um campo francês e transferido para o quartel-general da Gestapo, em Paris. Ao fugir para Marselha, procura por seu traidor.

    CRÍTICA

    Desacreditado pelos críticos franceses durante o seu lançamento inicial em 1969, o Exército das Sombras (L'Armée des ombres), de Jean-Pierre Melville, tem desfrutado de uma reavaliação crítica nos últimos anos, culminando numa restauração do negativo original e a exibição da primeira versão teatral nos Estados Unidos, 37 anos depois de estrear em França, e 33 anos depois da morte do seu autor, cuja feroz independência e inovação estilística lhe renderam o título de "Padrinho da Nouvelle Vague." Como o próprio título sugere, o Exército das Sombras é um retrato, assombrado da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial, e não é, nem de comemoração de algum evento (como era originalmente criticado por ser), nem uma versão cínica da guerra. Em vez disso, Melville navega por entre a zona moral mais obscura entre o necessário e o impensável, com foco em personagens que são forçadas a fazer escolhas agonizantes num momento em que parecia que o mundo todo desabava sobre eles.

    A cena de abertura, que estabelece o âmbito trágico do filme, teria sido um choque em 1969, e hoje ainda mantém o poder sublime: uma linha de soldados alemães a passar pelo Arco do Triunfo e, de seguida, virando no famoso Champs-Élysée, mesmo na direção da câmera. Esta metonímia visual para a queda moral e militar francesa, surpreendentemente, nunca tinha sido recriada num filme francês antes de Melville se atrever a abrir um filme com ela, e a carregar uma carga de melancolia que persiste ao longo do filme.

    A narrativa começa em 1942, bem depois de grande parte da França ter caído para o império Nazi, quando o movimento da resistência ainda era pequeno e fracturado. O argumento de Melville, que é baseado no romance de 1943 de factos reais, escrito pelo lutador da Resistência Joseph Kessel, divide o seu foco entre os vários combatentes da Resistência, mantendo assim a estrutura do romance original. Como resultado, não há um protagonista, apesar de andarmos sempre perto de Philippe Gerbier (Lino Ventura), um engenheiro bem-educado, prático, e por vezes um implacável civil, que dirige uma pequena célula de combatentes da Resistência. Fundamentalmente, quando vimos pela primeira vez Gerbier, foi capturado e está a ser transportado para um campo de prisioneiros de Vichy. Assim, a ameaça de captura e morte paira sobre os personagens nos momentos de abertura do filme, lembrando que esta não é uma fantasia escapista de acção teatral, mas sim um jogo de moralidades, sobre desespero e fatalismo.

    Outros membros da célula de Gerbier incluem Félix (Paul Crauchet), Le Bison (Christian Barbier), e Le Masque (Claude Mann). Eles ganharam um novo recruta em Jean-François Jardie (Jean-Pierre Cassel), cujo irmão mais velho, Luc Jardie (Paul Meurisse), é o chefe da Resistência. O outro personagem crucial é uma raridade para um universo tipicamente pesado de Melville: Mathilde (Simone Signoret), uma mulher de aço, de bravura intensa, que no entanto tem um ponto fraco, que irá trazer ao filme o seu clímax trágico.

    TRAILER

    Ao longo do filme cada um desses personagens tem momentos que poderiam ser convencionalmente definidos como "heroísmo", mas Melville apresenta-los de forma a enfatizar a simples humanidade. Melville também infunde o filme com momentos de humor negro, como a cena em que Gerbier deve regressar imediatamente para França a partir de Londres, onde tem andado a recrutar ajuda entre os britânicos, e é forçado a atirar-se de pára-quedas para uma uma zona de guerra, apesar de nunca o ter feito antes. A sua relutância um pouco cômica para dar o salto final é um bem-vindo toque de humor, mas também é testemunho do facto de que mesmo os mais duros também têm momentos de dúvida ou fraqueza.

    Embora haja pouca ação convencional em "O Exército das Sombras" - a maior parte do filme centra-se sobre os detalhes do processo do planeamento e, mais na emoção do que na execução - quando Melville emprega a violência, ele fá-lo de uma forma bem dura. A cena mais brutal do filme retrata Gerbier, Félix, Le Bison, e Le Masque executando um jovem que contou alguns segredos aos alemães. Enquanto a cena é um prenúncio de escolhas mais difíceis que ainda estão por vir, também funciona como uma das representações mais implacáveis ​​de sempre do que está envolvido em tirar a vida a outra pessoa. Não é possível usar uma arma porque os vizinhos poderiam ouvir, os combatentes da Resistência calmamente debatem como executar o jovem traidor mesmo em frente a ele, e eventualmente, decidem-se sobre o método de estrangulamento com uma toalha. De certa forma, parece que o tipo de humor negro que se poderia encontrar num filme de Hitchcock, mas também funciona para nos lembrar que estes combatentes da Resistência são homens desesperados que, se necessário, empregam tácticas brutalmente violentas para garantir a sua própria sobrevivência e, a sobrevivência da França. O heroísmo, Melville mostra-nos que é um assunto profundamente complicado.

    Obra prima. O diretor merece um "A  ARTE DE JEAN PIERRE MELVILLE"...

    Extras: 

    Documentário sobre o filme (27 min.)
    Entrevista com Pierre Lhomme (15 min.)
    Melville, cineasta (5 min.)
    Simone Signoret e Lucie Aubrac (6 min.)
    Trailer (3 min.)



    COMENTE USANDO SEU FACEBOOK:

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Scroll to Top