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    terça-feira, 29 de setembro de 2015

    BURT LANCASTER - BIOGRAFIA (2ªVERSÃO)


    BURTON...MAS NÃO ERA RICHARD!

    Burton Stephen Lancaster, conhecido como Burt Lancaster (Nova Iorque, 2 de novembro de 1913 – Los Angeles, 20 de outubro de 1994) foi um ator e produtor de cinema dos Estados Unidos.
    Viveu a sua infância no Spanish Harlem, um bairro pobre da cidade de Nova York e os seus pais eram descendentes de protestantes irlandeses.

    Quando adolescente Burton Stephen Lancaster assistia filmes de seu grande ídolo Douglas Fairbanks. “A Marca do Zorro”, “O Ladrão de Bagdad” e principalmente “O Pirata Negro” foram as aventuras de Fairbanks que mais marcaram o menino novaiorquino. As proezas do atlético ator do cinema mudo faziam Burton se imaginar um dia praticando as mesmas acrobacias em filmes, sonho dividido com o de um dia ser cantor de ópera. Cinema era a principal diversão da garotada naqueles tempos, já o gosto pela ópera começou quando Burton ia à casa do amigo Nicola Cuccia e a senhora Cuccia, mãe de Nick, colocava discos de Enrico Caruso. Ouvindo o tenor os três chegavam às lágrimas, somente interrompidas na hora de comer a lasanha que dona Cuccia preparava. Nick e Burt (apelidos de Nicola e de Burton) tornaram-se inseparáveis, amigos de escola e na rua, onde Nick, apesar de seu diminuto tamanho era o terror do bairro. Nick botava para correr grandalhões duas vezes maiores que ele, moleques do tamanho de Burt que era alto também. Burt e Nick moravam numa região bastante violenta de Nova York, área ocupada por imigrantes de diversos países e pobre do garoto que vivendo naquele bairro não soubesse se defender. Muitos dos garotos pobres novaiorquinos tornavam-se marginais e os amigos Nick e Burt tiveram sorte de poder fazer outra opção de vida, no meio artístico.

    A família Lancaster morava na 106 Street, residência onde no dia 2 de novembro de 1913 nasceu o menino Burton. Os Lancasters tinham um padrão de vida superior ao da vizinhança pois o pai de Burt, James Lancaster, trabalhava no escritório do Correio. A mãe de Burton era uma mulher autoritária e de temperamento forte, aspectos da personalidade que passaria para Burt, o mais novo dos quatro filhos do casal Lancaster. Aos 12 anos Burton conseguiu uma matrícula no Union Settlement Hall, um centro onde jovens praticavam esportes, estudavam Artes e atuavam em peças. Lá Burt começou a praticar ginástica, destacando-se pelo físico privilegiado que possuía. Após concluir o ensino básico Burt cursou a De Witt Clinton High School onde foi percebida sua habilidade atlética, notadamente no basquetebol e na ginástica. Essas habilidades o ajudaram a ingressar na Universidade de Nova York onde cursou dois anos. Apesar de gostar muito de ler, devorando livros de todos os tipos, Burt sabia que não tinha vocação para os estudos, o que o fez desistir do curso para formar uma dupla de ginastas com o amigo Nick Cuccia que adotara o nome artístico ‘Nick Cravat’. A dupla queria trabalhar num grande circo, mas enquanto a oportunidade não se apresentava passaram a atuar nas ruas de Nova York fazendo acrobacias. A dupla se denominava ‘Lang & Cravat’ e depois de algum tempo passou a se exibir em teatros e circos. Foi num circo que Burt conheceu a também ginasta June Ernst, com quem se casou em 1935, aos 23 anos de idade, separando-se da moça um ano depois. A dupla Lang & Cravat continuou sua trajetória em busca da fama e melhor remuneração, mas sabiam que jamais chegariam ao Ringling Brothers Barnum and Bailey Circus que promovia o chamado ‘maior espetáculo da terra’. Quando se apresentava em St. Louis, em 1941, Burt Lancaster se feriu com certa gravidade na mão direita e foi obrigado a se afastar desse tipo de atividade. Pouco depois os Estados Unidos entraram na II Guerra Mundial.

    Burt se alistou no Exército e suas qualidades de ginasta o transformaram num artista e não em soldado. Burt foi incluído no show itinerante “Stars and Gripes”, tendo se exibido para as tropas norte-americanas no Norte da África, na Itália e na Áustria. Numa série de apresentações para as tropas que estavam na Itália, Burt conheceu Norma Anderson, então soldado que atuava como dançarina do “Stars and Gripes”. Quando a Guerra terminou Burt, assim como muitos outros soldados, tentaram a carreira artística e com a experiência adquirida na “Stars in Gripes” Burt estava determinado a ser ator. Alto, com os cabelos castanhos claros, uma esplêndida voz, Burt conseguiu uma oportunidade numa peça chamada “A Sound of Hunting”, que seria encenada na Broadway em novembro de 1945. O ator Sam Levene fazia o papel principal e Burt era um coadjuvante, com o nome artístico Burton Lancaster. A peça teve apenas 23 apresentações, o suficiente para que descobridores de talentos percebessem que Burt possuía as qualidades que Hollywood exigia. Um total de sete ‘talent scouts’ fizeram contato com Burton Lancaster que podendo escolher optou por ter como agente um judeu baixinho chamado Harold Hecht.

    Começou no cinema em 1946, trabalhando com o diretor Robert Siodmak, com quem faria ao todo três filmes. Atuando em filmes de ação, thrillers e westerns, movendo-se gradualmente para papéis mais exigentes e sérios e para o cinema europeu, à medida que ia ganhando prestígio. Participou em dezenas de filmes dos anos 1940 aos anos 1980 e seu talento foi reconhecido quando ganhou o Oscar de melhor ator em 1960 pela interpretação de um caixeiro-viajante e ex-estudante de Teologia no filme Entre Deus e o Pecado. Nesse mesmo ano, trabalhou com John Huston em O Passado não Perdoa.

    Foi nos anos 1950 que alcançaria a maior popularidade, tendo sua primeira indicação ao Oscar de melhor ator, de 1953, pela atuação no filme "A Um Passo da Eternidade". Receberia mais três indicações: em 1960 pelo já citado Entre Deus e o Pecado; em 1962 por O Homem de Alcatraz e em 1980 por Atlantic City. Além das interpretações dramáticas, Lancaster brilhou em filmes nos quais podia exibir sua excelente forma atlética, como no drama Trapézio (1956).

    PRODUTORA

    Além da reputação de um ator sempre eficiente, Lancaster foi também um empresário ambicioso e bem sucedido e realizou várias produções independentes com sucesso. O filme Marty, vencedor do Oscar de 1955, foi produzido pela companhia de Harold Hecht e Burt Lancaster; foi produzido com um pequeno orçamento, pois precisavam de um filme que "perdesse dinheiro", devido aos impostos. Mediante, porém, o sucesso de crítica, investiram mais na promoção e na publicidade, e o filme foi um sucesso no Oscar e em Cannes.

    Parecia não haver limites para o sucesso de Burt Lancaster, já reconhecido como um dos mais talentosos atores do cinema e com sua produtora aparentemente cada vez mais forte. Só aparentemente. Lancaster decidiu que o produtor James Hill seria também sócio de sua produtora, surpreendendo inclusive a Harold Hecht. Com nova denominação, a Hecht-Hill-Lancaster produziu alguns filmes que fracassaram nas bilheterias, como “O Discípulo do Diabo” e “Amarga Solidão”, este último sem a participação de Lancaster como ator. “Vidas Separadas” não chegou a ser um fracasso comercial, mas acabou não se pagando. Além desses prejuízos, a Hecht-Hill-Lancaster mantinha um enorme escritório com mais de 40 funcionários e um grupo de seis roteiristas na folha de pagamento praticamente sem nada escrever. Havia até uma filial da HHL em Paris e a soma de tudo foi a falência da produtora, cujo último filme foi “O Passado Não Perdoa”, a pá de cal da Hecht-Hill-Lancaster. Mas se a produtora ia mal, o mesmo não ocorria com a amizade de Burt Lancaster e James Hill, voltando as publicações sensacionalistas a especular sobre outro caso homossexual de Lancaster, desta vez com o então marido de Rita Hayworth.


    Livre das obrigações com a produtora, Burt Lancaster pode se dedicar mais intensamente à atividade de ator e a cada filme ele parecia se aperfeiçoar como intérprete, superando-se a cada atuação. “Entre Deus e o Pecado” e “O Homem de Alcatraz” renderam a Lancaster novas indicações ao Oscar, sendo premiado pelo primeiro filme e injustiçado no segundo, no qual teve um dos mais extraordinários desempenhos de um ator no cinema.  Em 1962 ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza pela sua atuação em O Homem de Alcatraz. Para atuar por alguns minutos em “Julgamento em Nuremberg” como um nazista, Burt Lancaster recebeu 750 mil dólares. Por bem menos que isso aceitou interpretar o Príncipe Don Fabrizio Salina em “O Leopardo”, dirigido pelo diretor Luchino Visconti, na Itália. Se Burt Lancaster comprovava a cada filme ser um dos maiores atores , por outro lado esses filmes não se tornavam sucesso de bilheteria, e isso mesmo voltando ao faroeste em “Nas Trilhas da Aventura”, de 1965. Mas no ano seguinte, com o western “Os Profissionais” Burt Lancaster voltou a saber o que é sucesso. E quatro anos depois, em 1970, se tornaria um milionário com “Aeroporto”, estrondoso êxito de bilheteria e no qual Lancaster teve participação de 10% nos lucros do filme. Quem assiste a “Nas Trilhas da Aventura” percebe um Burt Lancaster radiante e feliz e isso tem uma explicação. Nas locações dessa superprodução Lancaster conheceu a cabeleireira Jackie Bone que penteava a atriz Pamela Tiffin. Jackie conquistou o ator, então com 50 anos de idade.

    ATOR POLITIZADO

    Além de ator e produtor, Burt Lancaster era também um empenhado ativista liberal, falando várias vezes em nome das minorias. Em 1963 participou de uma marcha organizada por Martin Luther King e foi sempre um defensor das causas indígenas.

    No final da década de 60 ocorreram muitas manifestações sociais pelos direitos humanos, especialmente dos negros. Liberal por princípio e Democrata politicamente, Burt Lancaster associou seu nome a esses movimentos, ao lado de Marlon Brando, Paul Newman, Sidney Poitier, Harry Belafonte, Charlton Heston, James Garner e outros. Burt Lancaster era o que se pode chamar de homem culto e distante da ostentação da maioria dos astros de cinema, tinha na sua biblioteca e na coleção de obras de arte o seu maior orgulho. Quando sua situação conjugal se tornou insustentável e ele tomou a decisão de viver com Jackie Bone e ocorreu o divórcio de Norma Anderson. A ex-esposa recebeu dois milhões de dólares e valiosos quadros e esculturas de artistas ilustres. Mas a vida de Lancaster com Jackie Bone não foi nada fácil pois ele e sua companheira tinham constrangedores desentendimentos públicos, algo que não combinava com a personalidade de Lancaster. Mesmo assim viveram juntos por quase 20 anos.

    Nos anos 70, o quase sexagenário Burt Lancaster atuou em quatro westerns: “Revanche Selvagem”, “Mato em Nome da Lei”, “Quando os Bravos se Encontram” e “A Vingança de Ulzana”, este o melhor deles. Esse sequência de westerns é algo impensável para um ator veterano e nenhum outro astro de sua geração seria capaz de tal proeza. Na década de 70 Lancaster atuou em filmes importantes como “Violência e Paixão”, de Luchino Visconti e “1900”, de Bernardo Bertolucci”, ao lado de outros filmes menos importantes que aparentemente contratavam Lancaster apenas para dar status à produção. O próximo grande trabalho de Burt Lancaster ocorreria em 1980, com “Atlantic City”, de Louis Malle, que valeu ao ator a quarta e última indicação para o Oscar. A esta altura de sua carreira o Oscar tinha menor importância para Lancaster que colecionava prêmios igualmente importantes mas menos comerciais. Entre estes merecem ser citados os prêmios de melhor ator “Golden Globe”, “Bafta” (duas vezes), “Festival de Berlim”, “Boston Film Society Critics Award”, “David de Donatello” e  “Golden Boot Awards” este último entregue àqueles que engrandeceram o gênero western.

    Em meio aos prêmios e reconhecimento do público e da crítica, Burt Lancaster teve uma alegria especial na sua vida pessoal quando em 1984 contratou como secretária Susie Scherer, de 42 anos. Lancaster afeiçoou-se a Susie de tal maneira que acabaram se casando com a bênção de filhos, genros e netos em 1990. Pouco antes do casamento, em 1988, Norma Anderson faleceu vítima de complicações hepáticas e Burt compareceu à cremação do corpo da ex-esposa. Nos anos 80 Burt Lancaster atuou em algumas séries de TV e em filmes feitos para exibição na TV. Entre os melhores filmes nos quais Burt Lancaster atuou nesses anos estão “Momento Inesquecível” e “Campo dos Sonhos”, além do tão elogiado quanto desconhecido western “Annie e os Bandidos” (Cattle Annie and Little Britches). Decepção foram o sexto e último encontro em filmes de Lancaster com o amigo Kirk Douglas, em “Os Últimos Durões”, e de certa forma “O Casal Osterman”, último filme de Sam Peckinpah. O último trabalho de Burt Lancaster foi a lado de Sidney Poitier no Filme para TV “Separado, mas Iguais”, produzido em 1990. Vivendo uma espécie de aposentadoria ao lado da esposa Susie, Burt Lancaster sofreu um derrame cerebral em 1990 depois de uma operação de urgência no coração, que o deixou numa cadeira de rodas. A saúde do ator foi deteriorando cada vez mais até que em 20 de outubro de 1994, quando estava em sua casa ao lado da esposa, Burt sofreu um ataque cardíaco, vindo a falecer. Nove meses antes havia morrido seu querido amigo de infância, adolescência e filmes, Nick Cravat. 

    Encontra-se sepultado em Westwood Memorial Park, Los Angeles, Condado de Los Angeles, Califórnia nos Estados Unidos.  Possui uma estrela na Calçada da Fama.

    Acredita-se  que fosse bissexual, e teria tido relações com outros atores famosos como Cary Grant e Rock Hudson.


    BURT E O OSCAR

    Indicação ao Oscar de melhor ator (Montgomery Clift foi indicado ao Oscar de melhor ator pelo mesmo filme) em From Here to Eternity ("A Um Passo da Eternidade"), em 1953.
    Oscar de melhor ator em Elmer Gantry ("Entre Deus e o Pecado"), em 1960.
    Indicação ao Oscar de melhor ator em The Birdman of Alcatraz ("O Homem de Alcatraz"), em 1962.
    Indicação ao Oscar de melhor ator em Atlantic City ("Atlantic City"), em 1981.

    FATOS

    • Burt Lancaster ocupa a 19ª posição masculina na Lista das 50 Maiores Lendas do Cinema, divulgada pelo American Film Institute em 1999.
    • Foi a primeira escolha de Cecil B. DeMille para o papel de Sansão em "Sansão e Dalila". O papel ficou depois com o ator Victor Mature.
    • Em 1947 foi-lhe oferecido o papel de Stanley Kowalski na montagem original na Broadway de "Um Bonde Chamado Desejo", depois que a primeira opção para o papel, John Garfield, foi rejeitada por exigir uma parcela dos lucros da produção. Ele não aceitou o papel que ficou para Marlon Brando e fez dele uma lenda.
    • Não aceitou o papel principal em "Patton" (1970), por ser contrário ao envolvimento americano na Guerra do Vietnam, mas lutou para conseguir um papel no próximo filme do roteirista de "Patton", Francis Ford Coppola, o de um certo "Don Corleone" no filme "O Poderoso Chefão". Ele ofereceu-se para fazer um teste e, mesmo com a Paramount interessada em dar-lhe o papel, Coppola preferiu escolher Marlon Brando. O curioso é que, tanto George C. Scott, escolhido para o papel de Patton, quanto Marlon Brando, como Don Corleone, ganharam (e recusaram) o Oscar de Melhor Ator pelos papéis.
    • Protagonizou uma das cenas mais lembradas do cinema até hoje: o ardente beijo no mar com a atriz Deborah Kerr em A Um Passo da Eternidade, um dos seus maiores sucessos no cinema.
    • Trabalhou com alguns dos maiores cineastas de seu tempo: Bernardo Bertolucci, Luchino Visconti, Louis Malle, John Frankenheimer, Stanley Kramer e John Huston. Construiu assim uma carreira sólida e é reconhecido como um dos maiores atores de sua geração.
    • Também dirigiu dois filmes: The Kentuckian em 1955 e The Midnight Man em 1974.
    • Tentou levantar financiamento por quatro anos para o filme de Hector Babenco, "O Beijo da Mulher Aranha" (1985), baseado na novela de Manuel Puig, após Babenco ter-lhe dado a novela na Cerimônia da Sociedade de Críticos de Cinema de Nova York, em 1981. Lancaster pretendia interpretar o papel de Molina, o cabeleireiro gay que divide a cela com Valentin, um prisioneiro político. No entanto, Lancaster sofreu um ataque cardíaco em Junho de 1983; com a idade de 70 anos, ele era essencialmente "inasegurável". Teve de desistir de diversos papéis na época, inclusive deste. O filme foi rodado posteriormente, por menos de 1 milhão de dólares, com William Hurt vivendo o papel que seria de Lancaster. Hurt ganhou o Oscar de Melhor Ator por este papel.

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