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    quinta-feira, 13 de agosto de 2015

    NOUVELLE VAGUE - PELA VERSÁTIL

    Não tenho hábito de reler o que eu escrevo, a não ser claro, no ato da escrita. Mas imagino que ao elogiar Fernando Brito e a Versátil eu acabo por me repetir.
    Sempre relato que admiro demais seu trabalho e naturalmente a forma que o executa, além de compartilhar a paixão cinéfila.
    A cada caixa lançada, a cada caixa que ele me envia, e me deparo com a qualidade ímpar da distribuidora, não dá para negar que é o melhor trabalho em todos os sentidos possíveis, no tocante a distribuição de filmes no país:
    Melhores filmes, melhores embalagens, melhores preços, maior atenção ao mercado, melhor atendimento ao consumidor. Filmes restaurados e normalmente com versões integrais. Quem pode, deve comprar todos os filmes lançados, e fazer sua coleção, pois esta realmente vale a pena.

    E atenção, nos nomes dos diretores abaixo estão links de suas respectivas filmografias, para conhecerem mais de suas obras.

    Enfim...vamos aos filmes.


    “O Ano Passado em Marienbad” 

    (“L’Année Dernière à Marienbad”, 1961, 94 min.)

    De Alain Resnais. Com  Delphine Seyrig, Giorgio Albertazzi, Sacha Pitoëff
    .


    Num hotel de luxo um homem (Giorgio Albertazzi) tenta convencer uma mulher casada (Delphine Seyrig) a fugir com ele. Entretanto ela não consegue se lembrar do caso que supostamente os dois tiveram no ano anterior em Marienbad.


    Para começar, um filme sem concessões, dirigido de forma brilhante. Incluo ele na lista dos 20 filmes mais importantes e belos do cinema.

    O filme se tornou famoso por apresentar uma estrutura narrativa enigmática e não-convencional, na qual realidade e ficção se misturam, ao passo que as relações temporais e espaciais se confundem. A natureza fantasista e onírica do filme deixaram audiência e críticos ao redor do mundo perplexos e fascinados, alguns o elogiam como obra-prima do cinema de inspiração Surrealista, outros acham o filme simplesmente uma realização incompreensível, mas não menos notável. Para ser visto e apreciado.


    “Os Libertinos”

    (“Les Dragueurs”, 1959, 78 min.)

    De  Jean-Pierre Mocky. Com Jacques Charrier, Charles Aznavour, Dany Robin


    Depois de um encontro casual na rua, dois jovens decidem ir aos salões de dança de Paris para ver se eles ficam com moças. Seus propósitos são muito diferentes.

    Joseph é tímido e humilde e está predisposto a se contentar com uma jovem, para lhe dar estabilidade e cuidar da casa, Freddy, um conquistador realizado, procurando perfeita dama. Em sua busca irá enfrentar todos os tipos de dificuldades.

    Este é o primeiro e mais raro filme de Jean-Pierre. O diretor é adepto há um filme enxuto. Este aqui tem 1h e 15 min. Ele chamava as "gorduras" de um filme de "peso morto". Mocky estimulava que se filmasse tudo sem captação de áudio, como os cineastas italianos do neo-realismo, poupando despesas, deixando para inserir o som gravado na pós-produção. Seu interesse era a essência, não na forma.




    “Um Só Pecado”

     (“La Peau Douce”, 1964, 113 min.)

    De François Truffaut. Com  Jean Desailly, Françoise Dorléac, Nelly Benedetti


    Uma única cena define o espírito de Um Só Pecado: um homem casado, de meia-idade (Jean Desailly), tira as meias de sua jovem amante (Françoise Dorléac), acariciando suavemente sua pele doce, remetendo ao nome original francês (La Peau Douce). Esta seqüência, ao mesmo tempo de um erotismo e de uma delicadeza raras, revela melhor do que nenhuma outra a força do desejo que move a história.

    François Truffaut, diretor e roteirista, sabia bem do que estava falando. Afinal, este seu quinto filme era altamente autobiográfico, como praticamente todos os demais, aliás. Vivia uma crise em seu casamento, tinha tido um caso com uma aeromoça e, como o protagonista, saíra para comprar meias de seda para a amante. Cenas da vida do casal em crise foram filmadas no próprio apartamento em que Truffaut morava com a mulher, Madeleine, e suas duas filhas, em Paris.
    Genial. 



    “Banda à Parte” 

    (“Bande à Part”, 1964, 95 min.)

    De Jean-Luc Godard. Com  Anna Karina, Claude Brasseur, Danièle Girard
    .

    “Para os atrasados que agora chegam, oferecemos umas poucas palavras escolhidas aleatoriamente: três semanas antes. Um monte de grana. Uma aula de inglês. Uma casa na beira do rio. Uma garota romântica”

    Odile (Anna Karina) uma moça delicada e ingênua, seduzida por uma dupla de ladrões que frequentam sua aula de inglês. Ao saberem da fortuna da tia de Odile, tramam um plano para roubar seus bens. A peça chave do plano é fazer com que a moça se apaixone por um dos ladrões, para que ela mesma abra as portas da mansão e colabore no furto.

    Uma cena icônica  é quando os três personagens principais resolvem fazer um minuto de silêncio que é intensificado pela retirada total do som, inclusive dos ruídos do ambiente. Godard destrói, assim, o realismo e faz o silêncio transcender o plano ficcional. Outra cena em que a inovação se dá de maneira oposta é quando um dos personagens finge atirar em outro usando o dedo como revólver e realmente sai o som do tiro.

    Simplesmente, um dos filmes que mais influenciaram Quentin Tarantino que além de colocá-lo como nome de sua produtora, é influenciado por ele em Pulp Fiction (1994), pois a cena em que Uma Thurman dança com John Travolta é uma referência direta à do trio de Godard.
    A cena que inspirou "Os sonhadores" é antológica.


    “A Baía dos Anjos”

    (“La Baie des Anges”, 1963, 90 min.)

    De  Jacques Demy. Com  Jeanne Moreau, Claude Mann, Paul Guers


    Jean trabalha em um banco. Seu amigo Caron leva uma vida de apostador e o vicia no jogo. Em um cassino, Jean conhece a misteriosa Jackie. Porém, esta bela e misteriosa parisiense, é uma mulher casa de meia idade que deixa seu marido e filhos, para se aventurar no mundo das apostas em Nice, onde estará em jogo não apenas o frenesi das roletas do cassino, mas também o do ciclo da sedução.

     “Eu quis desmontar e mostrar o mecanismo de uma paixão. Isso poderia ser o álcool e a droga, por exemplo. Não era somente um jogo em si” – Jacques Demy.

    Uma das pérolas fundamentais na filmografia do mestre Demy, que ficou perdida por muitos anos. Inédito e restaurado por Varda em 2000.

    Como curiosidade, o diretor Costa-Gravas é assistente de direção


    “Paris nos Pertence” 

    (“Paris nous Appartient”, 1961, 141 min.)

    De Jacques Rivette. Com  Betty Schneider, Giani Esposito, Françoise Prévost

    Na trama, Anne Goupil (Betty Schneider) é uma jovem estudante de literatura que conhece um grupo de pessoas, a maior parte delas envolvida numa peça de Shakespeare. O mistério que envolve o grupo se dá principalmente com a notícia do suicídio de um dos rapazes e de uma conspiração e de teorias conspiratórias que alguns membros do grupo dizem existir, de modo que outras pessoas também teriam o mesmo fim do rapaz que tirou a própria vida. Anne aos poucos vai entrando nessa rede de mistério, conhecendo outras pessoas envolvidas, e nós, espectadores, ficamos tão perdidos quanto ela.

    Meu primeiro contato com a filmografia deste diretor foi com "a bela intrigante", numa sessão do telecine 5 (se não me engano). Um longo e belo filme. De lá para cá, pude perceber ao longo deste 20 anos como nosso mercado deixou este cineasta meio "de lado". Típico problema corrigido pela Versátil.
    E quem assistiu o filme sabe que "Paris não pertence a ninguém".



    Marcus V.R.Pacheco
    Cinéfilo, colecionador e ocupado vendo filme


    DADOS TÉCNICOS DOS DISCOS


    NOUVELLE VAGUE



    DISCO 1: 

    “O Ano Passado em Marienbad” (“L’Année Dernière à Marienbad”, 1961)
    “Os Libertinos” (“Les Dragueurs”, 1959) 


    DISCO 2:

    “Um Só Pecado” (“La Peau Douce”, 1964) 
    “Banda à Parte” (“Bande à Part”, 1964)

    DISCO 3:

    “A Baía dos Anjos” (“La Baie des Anges”, 1963) 
    “Paris nos Pertence” (“Paris nous Appartient”, 1960) 


    EXTRAS:

    No Labirinto de Marienbad (33 min.), Trailers (18 min.)
    Entrevista de Jean-Pierre Mocky (5 min.)
    Depoimento de Dany Carrel (3 min.)
    A influência de Hitchcock em "Um Só Pecado" (12 min.)
    Entrevista de François Truffaut (11 min.)




    Todos em aspecto de tela widescreen anamórfico 1.85:1, com trilhas de áudio em italiano e inglês (ambas Dolby Digital 2.0) e legendas em português.


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