• ÚLTIMAS...

    sábado, 11 de julho de 2015

    OMAR SHARIF - ENTREVISTA


    Seu olhar poderoso, ainda ardente como uma brisa no deserto, nos prende com sua intensidade. Sua aura é a de Ali Ibn el Kharish – personagem de Omar Sharif em Lawrence da Arábia e seu passaporte para o estrelato internacional.  Aos 80 anos (na data da entrevista, 3 anos atrás), este ator com alma de nômade  mora sozinho em hotéis.   Avô feliz de quatro netos e dono de oito cavalos de corrida, ele acabou de gravar um filme no Marrocos: Gnaza Party, de Laïla Marrakchi. Com o uísque diário e beliscando tâmaras, Omar Sharif nos revela as lembranças de uma vida que, para ele, foi profundamente marcada pela boa sorte...  

    P:O senhor costuma dizer que não está completamente satisfeito com nenhum dos seus filmes. Por quê?

    R: Alguém consegue se sentir completamente satisfeito na vida? Tenho apenas um carinho especial por alguns filmes: Lawrence da Arábia, é claro, mas também Dr. Jivago, porque sou sentimental, e Funny Girl – A garota genial, com Barbra Streisand. Nós dois nos entendemos muito bem. Na verdade, quase nos casamos. Eu recusei porque ela queria que fôssemos morar nos Estados Unidos e eu queria ficar em Paris (ele ri)!   

    P: Costuma ter casos de amor com as atrizes principais?

    R: Amor, não... Na verdade só amei uma mulher: aquela com quem me casei (Faten Hamama, grande estrela no Egito). E, mesmo assim, a deixei...   

    P: A quem ou a que o senhor tem de agradecer pelo papel em Lawrence da Arábia? 

    R: À boa sorte, mas minha mãe ajudou. David Lean procurava um ator árabe que falasse inglês, e foi minha mãe quem me obrigou a aprender a língua. Na verdade, com 10 anos eu estava enorme de gordo, porque comia o tempo todo, e na minha escola, dirigida por jesuítas, não praticávamos esportes. Ela se desesperou ao ver o único filho – em quem depositava muitas ambições – tão feio, e decidiu me mandar para o internato num país onde a comida não me tentasse: a Inglaterra! Missão cumprida. A gordura desapareceu por completo (ele ri). E, como a escola tinha um teatro, também descobri uma nova paixão.   

    P: Acha que crescer no Oriente lhe deu uma personalidade bem característica? 

    R: Nunca analisei isso. É verdade que cresci no Egito, mas logo depois de filmar Lawrence da Arábia parti para Hollywood, como estipulava o contrato de sete anos que assinei. Só sei que sou um ator sem pátria, o único do mundo que representou um coronel nazista (A noite dos generais, de Anatol Litvak) e um judeu de Nova York (Funny Girl), um muçulmano, um padre, um árabe no deserto... e até um príncipe austríaco (Mayerling). Dá para imaginar? Eu, árabe, como austríaco? (Ele dá uma gargalhada.)   

    P: Para marcar o 50º aniversário de Lawrence da Arábia, em 12 de novembro (2012) será lançada uma edição especial remasterizada para Blu-ray. O senhor assistirá novamente ao filme?

    R: Desde a estreia, em 1962, nunca mais o assisti. O mesmo aconteceu com meus outros filmes. E devo ter ido ao cinema no máximo duas vezes em 15 anos! Não gosto do cinema porque sei muito bem como os filmes são feitos. Prefiro o teatro. Os atores podem cometer erros, mas pelo menos estão “vivos” na minha frente e não refazendo uma cena centenas de vezes. Mas adoro assistir às séries de televisão.



    P: Se vivesse tudo de novo, ficaria tentado a mudar o rumo de algumas coisas? 

    R: Provavelmente, mas não saberia dizer quais. Afinal, quando não gosto de alguma coisa sei apagá-la da memória e recordar apenas os momentos felizes. 

    Entrevista concedida em 2012 à Seleções Reader's Digest

    COMENTE USANDO SEU FACEBOOK:

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Scroll to Top