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    CANHÕES DE NAVARONE (1961) - REBOBINANDO CLÁSSICOS


    Ficha técnica:


    Os Canhões de Navarone (The Guns of Navarone) Blu-ray Brasil.
    Áudio: Inglês , Port, Francês. Leg: Inglês, espanhol, francês, português, árabe, coreano, tailandês, chinês, holandês, tailandês.


    Aventura.Widescreeen 2.35:1. 156 min.Cor.1961; Estados Unidos. Columbia Sony. 12 anos.

    Diretor: J. Lee Thompson - Elenco: Gregory Peck, Anthony Quinn, David Niven, Gia Scala, Stanley Baker, Irene Papas, Anthony Quayle, James Darren, Richard Harris, Bryan Forbes, James Robertson Justice.




    Sinopse: 

    Durante a Segunda Guerra Mundial, um comando aliado tem a missão de destruir uma fortaleza alemã com dois supercanhões que está em um inacessível rochedo na Grécia na Ilha de Navarone.


    Análise do filme, blu ray e curiosidades:


    Temo que o gênero que envelhece mais cedo é justamente o de aventura/ação, do qual este foi um dos pioneiros. Por mais que tenha sido o maior sucesso de bilheteria do ano e tenha sido indicado para Oscars, ganhou o de Efeitos Especiais e concorreu como melhor filme, diretor (J.Lee Thompson 1914-2002), montagem, trilha musical (Dimitri Tiokim 1894-1979 ), som e roteiro (Carl Foreman também produtor,1914-1984 ).

    Tudo porque os efeitos especiais que causaram tanta sensação na época hoje estão óbvios e envelhecidos.

    Fica difícil os mais novos não acharam meio ridículas as cenas com miniaturas, com efeitos “matte”, cenas pintadas que eram colocadas em cima de outras realmente fotografadas, e alguns cenários obviamente feitos em estúdio.

    Por outro lado, grandes estruturas como o próprio canhão tiveram que ser realmente construídas, hoje seriam mero efeito digital. E algumas cenas tenham sido realmente perigosas, como a tempestade no mar, que foi feita em estúdio, mas as ondas eram tão fortes que David Niven quase morreu afogado, ou feitas em locação, como a escalada do penhasco, parte real, parte em estúdio. O curioso é que não chovia quando rodaram. A chuva foi colocada depois com uso de truques.

    Não adianta tentar explicar que o filme foi pioneiro num estilo de aventura e que já foi chamado de “o melhor filme B de todos os tempos”. Foi baseado em livro de Alistair MacLean, escritor britânico, 1922-87, especializado em livros de aventura.Depois deste filme houve um ciclo com histórias suas: O Desafio das Águias com Eastwood, Estação Polar Zebra com Rock Hudson, O mundo Caminha para o Fim/Satan Bug, A Ilha dos Ursos e muitos outros.



    Mas na verdade o autor é o produtor e roteirista Carl Foreman que estava exilado na Inglaterra por causa da Lista Negra do McCarthismo. Ele escreveu roteiros clássicos como A Ponte do Rio Kwai, Matar ou Morrer com Gary Cooper, Espíritos Indômitos , estréia de Marlon Brando, O Invencível com Kirk Douglas, dirigiu o drama contra a Guerra, Os Vitoriosos.
    Criou uma fórmula que se repete até hoje: um grupo heterogêneo de homens de países e origens diferentes, que se une e tenta enfrentar um mesmo objetivo, quase impossível, com coragem e determinação (filmes recentes como Esquadrão Classe A/A-Team ou The Expendables/Os Mercenários, nada mais fazem que copiar isso). Sempre se esquecendo de sua agenda particular, de seus problemas em troca do bem comum.

    O filme foi muito famoso e se tornou a aventura favorita de toda uma geração.

    Mas é preciso esclarecer alguns fatos: não existe a ilha de Navarone, nem a história é baseada em fatos reais. Partiu-se de um dado real.


    CONTINUAÇÃO: COMANDO 10 DE NAVARONE
    A Inglaterra realmente trabalhou com pequenos comandos, grupos treinados para missões especificas, realmente houve uma resistência grega formado por guerrilheiros mas eram divididos entre os comunistas e os de Direita e nunca se entenderam.Não esqueçam que a Grécia antes da Guerra era uma ditadura, até a Itália resolver invadi-la.

    Até hoje vemos as notícias de que é um país politicamente problemático e pouco confiável. Nunca houve também canhões daquele tamanho e daquela forma. Os especialistas acham difícil montar algo desse tipo em tão pouco tempo, num lugar tão remoto e tecnologicamente tão complexo.

    Foi apenas vagamente inspirado numa batalha famosa que foi a de Leros. Mas praticamente tudo é ficção. É a primeira das grandes aventuras com elenco internacional. Foreman pela sua própria formação não era capaz de escrever uma mera aventura sem trazer uma mensagem, uma moral.

    Na época o filme foi criticado por apresentar recados contra a guerra (que curiosamente hoje mantém o filme atual e superior a outros). Fala da futilidade da guerra, de como os dois lados sempre perdem, discute a necessidade ou validade dos delatores e a traição (um tema importante para Foreman, já que ele foi delatado como comunista nos inquéritos do governo).

    É como eles dizem “um irônico épico do heroísmo”. Outros temas sérios também são discutidos, como se devem ou não matar, o companheiro que os esta atrasando e liquidar ou não o traidor do grupo. Tem momentos de humor e quando o rodavam, os próprios atores se divertiam com as cenas.


    O que poucos perceberam porém, é a pretensão do roteiro de ser uma versão moderna de Jasão e os Argonautas (o canhão seria algo como o Minotauro) e com toques de Édipo (tem gente que brinca dizendo que os canhões são os maiores símbolos fálicos do cinema) a que pretensiosamente chamam de Lenda de Navarone (não existia lenda nenhuma!).

    Mais divertida foi a analise de Gregory Peck que disse para Thompson que já descoberta qual era a do filme: na história, Peck esta apaixonado por Quinn, Niven por Quayle (Anthony) que esta ferido e então transfere seu para Peck enquanto Quinn encontra novo parceiro em Irene Papas e assim vivem todos felizes.

    Foi o chefe da Columbia na época, Mike Frankovich, que o encaminhou para Foreman que a princípio contratou o diretor de comédias Alexander MacKendrick para fazer o filme. Esse é o mesmo célebre realizador de Quinteto da Morte, A Embriagues do Sucesso, Um Ianque na Escócia, O Homem do Terno Branco.

    Mas os atores não o respeitaram e foi mandado embora. Como Gregory Peck tinha direito a aprovar o diretor foi ele que assistiu os filmes e acabou selecionando outro britânico J. Lee Thompson, achando que este tinha mostrado sensibilidade (no filme Tiger Bay, Marcados pelo Destino com Hayley Mills) e capacidade para cenas de ação (em Sangue Sobre a Índia com Lauren Bacall).

    De fato, Lee é subestimado até hoje e em todas as entrevistas o elenco é unânime em elogiar sua competência, habilidade em conduzir atores e seu método de ensaiar de manhã durante umas três horas, fazendo as marcações e explicando tudo para os atores.

    Não fazia como os americanos de então, a chamada Master Shot e depois os detalhes (eles gostavam na época e ainda hoje usam isso, em filmar em plano geral e depois fazer cobertura de cada um dos personagens. Para economizar, os diretores hoje em dia já chegam no set sabendo o que vão utilizar na edição final. É mais eficiente e menos cansativo e mais econômico. O que rodar é o que vai para a tela.

    E olha que ele tinha um elenco difícil de gente temperamental. Peck fazia o sua especialidade, o grande herói americano, Anthony Quinn, o bom caipira grego, e fez tão bem que a partir deste papel iria criar Zorba, sua marca registrada como grego.

    David Niven era o típico britânico, assim como Anthony Quayle. A produção era inglesa e havia uma cota a cumprir, exigência da lei. Assim colocou o popular Stanley Baker e Gia Scala, que era também nascida na Inglaterra e houve espaço para uma ponta do futuro astro Richard Harris (que tem uma fala grande que foi censurada porque usava a palavra bloody que era proibida na Inglaterra de então!).

    O maior risco era a presença de James Darren que era apenas um jovem cantor Pop (que tinha feito Gidget com Sandra Dee) enquanto Irene Papas era de fato a única grega do elenco central (na época ela já tinha feito um filme americano, Tributo a um Homem Mau com James Cagney mas só após este filme se tornaria uma estrela internacional de grande importância com Cacoyannis).

    Um detalhe: como quase todo sucesso que se preze, o filme teve uma fraca e tardia continuação, que pouco tinha a ver com o assunto: Force 10 from Navarone/Comando 10 de Navarone, de Guy Hamilton, 1978, com Harrison Ford, Robert Shaw, Franco Nero, Barbara Bach e a missão era explodir ponta na antiga Iugoslávia.Edward Fox fazia o personagem que era de Niven e Shaw o Mallory que foi de Peck!).

    Como não fui rigoroso com a parte técnica (que acho que faz parte da época mesmo), achei que Os Canhões de Navarone se for visto com olhos de nostalgia continua a funcionar. A produção é luxuosa, o elenco estrelar, as locações exuberantes (tem ate prólogo no Parternon de Atenas) e com muita ação.

    Não é dos mais verossímeis. Mas tudo é compensado pela direção competente, uma trilha musical que começa militar e fogosa mas depois sabe criar suspense e tensão quando é necessário.
    Também a restauração (contada em extra chamado Restauração Heróica) foi feita com muito cuidado a partir do negativo original. É engraçada que uma cena do começo que ultimamente era vista como diurna na verdade era para ser a noite. Isso foi agora ajustado.

    A edição em Blu-ray tem a inteligência de trazer extras novos junto com outros que já se conhecia de uma edição em luxo em DVD que saiu aqui. Com um problema: não há legendas nos extras (!), que são importantes e informativos.

    “Uma Mensagem do Produtor Carl Foreman” (ele está no set de seu novo filme e cumprimenta o pessoal que esta na premiére do filme na Austrália), comentários em áudio auxiliar do diretor Thompson e do historiador Stephen J. Rubin.

    Mais trailers de cinema, making-ofs de 2006: (Memórias de Navarone que tem depoimentos dos já falecidos Peck, Quinn, Thompson, e o ainda vivo James Darren e com a palavra da viúva de Foreman e Peter Yates que foi assistente), Épico de Heroísmo e Forjando os Canhões: Observações durante a Gravação e mais O Prólogo sem narração.

    Tem ainda documentários antigos e originais muito curiosos (Grandes Canhões. Proibida a Entrada de Visitantes, Lua de Mel em Rhodes, onde foi rodado o filme e onde passaram a lua de mel Darren e sua mulher Evy Norlund), 2 Garotas na Cidade (narrado por Irene Papas).

    E um especial sobre a trilha musical de Dimitri Tiomkin chamada Uma Trilha Heróica (mas tiraram o intervalo e a música original porque acharam que este não existia na estreia original. Só em alguns países).

    De novo, de 2011, temos o que chamam de Dossiê da Resistência de Navarone: com os capítulos Feito Militar ou Ficção?; A Resistência Grega, O Efeito Navarone, A velha Escola de Truques, Os Canhões Verdadeiros de Navarone, A Segunda Guerra Mundial nas Ilhas Gregas.





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