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    O QUE É SLASHER ?



    Então...

    Slasher é um sub-gênero de filmes de terror quase sempre envolvendo assassinos psicopatas que matam aleatoriamente. Pecando em vários sentidos em sua produção tanto no roteiro quanto na atuação, edição, fotografia, música e envolvendo muito sangue. Normalmente são feitos com baixo orçamento, daí são constantemente nomeados como "terror b".

    O nome "slasher" foi criado porque o princípio básico do filme é um serial killer com uma máscara ou fantasia que vai coletando vítimas e mais vítimas ao longo do filme, até ser revelada sua identidade misteriosa pelo protagonista que, após fugir o filme inteiro, acaba matando o vilão.

    Muitos filmes se destacaram ao longo dos anos desde que o gênero se submeteu. Tendo como precursor o clássico "Halloween - A Noite do Terror", de John Carpenter, trazendo consigo todo o potencial dos filmes e seus clichês, além de ser a estréia para o mundo de Jamie Lee Curtis.

    Como podemos ver, os sub-gêneros se confundem. Um filme "B", pode ser Trash. Um Slasher pode ser Gore....e por aí vai. Mas acho que o termo Serial Killer, muito conhecido do público em geral é uma espécie de sinônimo de Slasher (não a palavra, mas do que se trata o filme, sendo o serial a principal característica do sub-gênero).

    Facilmente vem a mente ícones como Jason Vorhees e Freddy Krugger


    Sub-gênero ou revolucionário?


    O século XX, podemos dizer que foi “o” século da virada. O modo como vemos as coisas, a vida corrida e o cotidiano exagerado da nossa geração, deve tudo aos cem anos passados. Não seria diferente com o cinema, graças à invenção dos irmãos Lumiére o fim de noite é garantido com um bom filme, principalmente se for de terror.

    Até a década de 50, os filmes de terror eram românticos, apresentando ao seu telespectador monstros apaixonados por mocinhas indefesas. Em plena guerra fria (1945-1991), corrida espacial (1957-1975) e Beatles (1960-1970) a década de 60 conseguiu colocar um fim no moralismo exacerbado, a inocência chegava ao fim.

    O gosto pelo terror crescia, as firulas de monstros românticos já não empolgavam mais, era a hora de ser mais real, de transformar figuras míticas em pessoas comuns ou a animais ferozes.

    Fomos apresentados a filmes mais próximos da realidade, afinal o real sempre carrega mais medo. Psicose (1960), A cidade dos malditos (1960), Os Pássaros (1963), À noite dos mortos vivos (1968) e fechando com O bebê de Rosemary (1968), levou o terror a outro nível, mas todo esse realismo não bastava, as pessoas queriam mais.

    Os anos 60 passaram e os 70 com seu amor livre revolucionário e o psicodelismo trouxe um gênero que até hoje é fórmula de sucesso: Slasher.


    Nasce um sub-gênero


    Slasher foi o nome dado a filmes com serial killers sanguinários, por que não bastava apenas matar, o público queria sangue escorrendo da tela. Tobe Hooper revolucionou o cinema com um novo conceito de filme, baseado no assassino real Ed Gein  (1906-1984), que matava suas vítimas e usava sua pele como decoração e roupa, nasceu Leatherface ou cara de couro, do filme O massacre da serra elétrica (1974) 


    O auge e a queda

    O ápice do Slasher foi a década de 80 com a franquia Sexta-Feira 13 (1980), Dia dos Namorados Macabro (1981), Acampamento Sinistro (1983), A Hora do Pesadelo (1984) entre outros, que rechearam a imaginação de uma geração fissurada em terror.

    Infelizmente o tema foi tão explorado, que ao final dos anos 80 ninguém aguentava mais ver tanta matança, usavam o mesmo roteiro para todos os filmes, os finais não surpreendiam mais, e então o Slasher adormeceu, dando lugar para filmes de artes marciais e ação futurista.


    Em Pânico

    Depois de alguns anos adormecido, o gênero retorna com um novo rosto. Ghostface transforma uma simples vingança em uma loucura de proporções gigantescas.

    Agora a mocinha, que no meio do filme aos olhos curiosos da câmera se torna uma mulher, é guerreira e forte, não apenas luta por sua vida, mas transforma as perseguições em gosto de quero mais.

    O segredo envolvendo a trama, as inesquecíveis regras para se sobreviver em um filme de terror, a sátira dos clichês usados em filmes anteriores, fizeram de Pânico (1996) uma obra prima dos Slashers. Wes Craven conseguiu revitalizar o gênero esquecido.


    Renascimento e… Vemos tudo novamente



    Graças a Pânico (1996) o terror em modo geral renasceu. Víamos inúmeros títulos nas prateleiras das locadoras transbordando abordagens novas. Os fãs suspiraram aliviados, afinal quase dez anos sem grandes novidades. Mas o que era bom durou pouco. Inclusive, as capinhas são todas iguais, com vários rostos em close, com um fundo geralmente escuro, e a arma usada pelo assassino sobrepondo tudo...

    Ao mesmo tempo em que franquias eram lançadas, os mesmos erros eram cometidos como no passado: mesmos roteiros, finais parecidos, mocinhas chorosas. Não que fosse ruim, afinal tínhamos com o que nos entreter, mas enjoa e os fãs queriam mais como na década de 70.

                         
    Um filme de baixo orçamento e com um roteiro incrível conseguiu o que nenhum outro slasher fez: Roteiro e trama envolvente, final surpreendente e franquia inigualável: Saw ou Jogos mortais (2004) é o Slasher definitivo, pleno, sagaz e inteligente provando que nem sempre terror é um sub-gênero, um filme B de categoria inferior.

    Jogos mortais conseguiu transpor a barreira do óbvio e Jigsaw consegue fazer você se apaixonar e entender seus motivos ao longo da franquia. O assassino burro agora não existe e ele não é assassino. Jigsaw dá escolhas, que podem levar a morte ou não. Dependendo do que levou àquelas escolhas a personagem tem opções de ajudar, ser ajudado e sobreviver, matar ou morrer.


    O futuro...


    Os filmes refletem a situação atual e isso é um fato. Se na década de 50 o medo de ser atacado por alienígenas era recorrente, hoje o medo se torna real e é nosso vizinho.
    Desde tiroteios em escolas a sequestros de uma década, não podemos negar que os filmes passaram a mostrar o que acontece no nosso cotidiano.
    É bom ter sempre em mente que quanto mais vemos a realidade na tela, menos nos choca e acaba nos tornando frios. Temos que tentar separar essa realidade assistida à realidade do dia a dia para assim, ter discernimento de saber o que é certo.


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