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    terça-feira, 30 de junho de 2015

    O QUE É O GIALLO ITALIANO?



    INTRODUÇÃO

    Oficialmente, Giallo (em italiano: amarelo) é um gênero literário e cinematográfico italiano de suspense e romance policial que teve seu auge entre as décadas de 1960 e 1980. O nome é uma referência às páginas amarelas das revistas pulp italianas, publicadas a partir de 1929.O primeiro filme do gênero foi La ragazza che sapeva troppo, de Mario Bava, lançado em 1963, e um dos mais recentes é Giallo, de Dario Argento, lançado em 2009.

    HISTÓRIA

    Quando se começaram a produzir filmes sobre assassinos em séries sendo perseguidos por detetives, a associação com os livros levou a que esse gênero cinematográfico tenha sido apelidado de giallo. A maioria dos filmes deste gênero são semelhantes, com um assassino em série (que geralmente é mostrado somente no final, durante o filme vemos apenas suas mãos vestidas com luvas pretas de couro), um detetive que procura esse assassino, mortes chocantes, principalmente de mulheres (sempre com cenas de perseguição antes do ato), e exposição de corpos total ou parcialmente nús. O giallo foi muito importante para o gênero do terror.

    Entre os aficionados do cinema cult, o gênero italiano Giallo se destaca como uma alternativa para as fórmulas dos filmes de terror americanos. Esses filmes apresentam características muito específicas que os distinguem do "cinema respeitável", como o suspense, a nudez deliberada, e litros de sangue.

    O nome do gênero deriva de uma série de romances policiais cômicos produzidos na Itália em 1929, chamado Il Guiallo Mondadori. O nome era uma homenagem às vistosas capas amarelas dos romances.

    A literatura Giallo teve grande sucesso e logo começou a atrair diretores de companhias e produtores que queriam experimentar algo novo. Embora o gênero tenha dois estilos: o italiano e o anglo, ambos se utilizam de armadilhas de mistério e suspense. O estilo italiano faz referência a um gênero amplo, o terror, enquanto o estilo anglo é mais conhecido como "um terror a la italiana".

    A popularidade do gênero se enraizou na década de 60 e evoluiu paralelamente à corrente do cinema. Os filmes são maiores e mais escandalosos do que as novelas originais, destacando nudez explícita e erotismo descarado que só estavam sugeridos no material de origem.

    O pioneiro do Giallo foi Mario Brava, cujo filme Olhos Diabólicos (1963) serviu como o primeiro exemplo verdadeiro do gênero. O nome do filme é uma clara homenagem ao lendário diretor Alfred Hitchcock e seu filme O Homem Que Sabia Demais (1956).

    A maioria dos realizadores italianos da atualidade teve sua estreia cinematográfica com giallos. Os representantes mais importantes do gênero são Dario Argento, Mario Bava, Lucio Fulci, Aldo Lado, Sergio Martino, Umberto Lenzi, e Pupi Avati. Eles fizeram inúmeros filmes imperdíveis como Sei donne per l'assassino (1964), Orgasmo (1968), O Pássaro das Plumas de Cristal (1970) e Torso (1973).

    Apesar de sua popularidade, Giallo não é tão forte hoje . No entanto, sua influência no cinema mundial pode ser vista em muitos filmes, como os primeiro filme de Brian de Palma e John Carpenter Halloween - A Noite do Terror (1978). Os críticos também consideram que o filme de David Fincher ,Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995) também foi fortemente influenciado pelo cinema Giallo. Em 2009, Dario Argento, fiel às raízes do gênero, lançou Giallo





                                                                TOP 10 GIALLO



    10 – O Esquartejador de New York (Lo Squartatore di New York - 1982)

    Direção: Lucio Fulci

    Fulci deve ter algum trauma de infância com o Pato Donald. O Esquartejador de New York é o segundo filme do cineasta que cita o clássico personagem. Dessa vez, há um assassino que ameaça suas vítimas simulando a voz do Pato. É um filme extremamente violento, feito logo após a sequência de clássicos gore que Fulci enfileirou a partir do final dos anos 70.


    09 – O Que Fizeram com Solange? (Cosa Avete Fatto a Solange - 1972)

    Direção: Massimo Dallamano

    Dallamano fez um “razoável” estágio de cinema durante os anos 1960: foi apenas o diretor de fotografia dos primeiros clássicos de Sergio Leone. Dirigiu poucos filmes (morreu em 1976), mas deixou pelo menos esse, em trama repleta de pontos polêmicos como sedução de menores e aborto, para a posteridade como um dos grandes do subgênero. A título de curiosidade, a fotografia é assinada por Joe D’Amatto.
    08 – A Tarântula do Ventre Negro (La Tarantola Dal Ventre Nero-1971)

    Direção: Paolo Cavara

    Paolo Cavara é mais conhecido por ter sido um dos nomes por trás do Mondo Cane, documentário italiano que marcou época na década de 1960. A Tarântula do Ventre Negro é uma das poucas incursões no giallo desse cineasta que fez poucos filmes. E tudo nele é perfeito, a trama misteriosa, a música de Morricone, o desfecho, a fotografia psicodélica (de Marcelo Gatti, o diretor de fotografia de A Batalha de Argel, de Pontecorvo). Também é o filme com elenco feminino mais estonteante da história: Stefania Sandrelli, Barbara Bach, Rossana Falk, Claudine Auger e Barbara Bouchet são pra matar qualquer um do coração.

    07 – Não Se Tortura um Patinho (Non Si Sevizia Un Paperino - 1972)

    Direção: Lucio Fulci

    Filmaço. A cena em que a personagem de Florinda Bolkan, considerada bruxa pelos habitantes da cidade, é espancada até a morte é digna de antologia. Fulci coloca uma força descomunal, utilizando uma música romântica enquanto a mulher apanha até não poder mais. Foi o filme que causou a excomunhão de Fulci pelo Vaticano.


    06 – Olhos Diabólicos (La Ragazza Che Sapeva Troppo - 1963)

    Direção: Mario Bava

    É considerado o pai do giallo por muitos especialistas em cinema italiano. Se não tem as cores psicodélicas (a maravilhosa fotografia em p&b é assinada por Bava, como de costume), o filme realmente introduz muitos elementos do subgênero, como o assassino misterioso e a atmosfera onírica. Também apresenta bastante humor, com direito a um impagável desfecho. Certamente entra na lista dos melhores filmes do mestre do horror italiano.

    05 – Prelúdio Para Matar (Profondo Rosso - 1975)

    Direção: Dario Argento

    Muita gente coloca esse filme como o melhor giallo de todos os tempos. É brilhante, isso é inegável. Em Prelúdio Para Matar, Argento chegou ao seu ápice estético (só Suspiria rivaliza). As imagens do mestre Luigi Kuveiller, que além de fazer carreira na Itália, fez a fotografia para muita gente, de Paul Morrissey a Billy Wilder, estão entre as mais emblemáticas do cinema de horror italiano. Também marcou época a trilha sonora do Goblin, fazendo um contraponto às costumeiras criações sonoras de Ennio Morricone e Bruno Nicolai.
    04 – Todas as Cores da Escuridão (Tutti Colori Dei Buio-1972)

    Direção: Sergio Martino

    Sergio Martino pode não estar entre os grandes mestres do horror italiano, mas certamente Todas as Cores da Escuridão figura entre os melhores filmes de horror feitos na terra da bota. Apesar de ser um giallo atípico, cheio de referências à magia negra e ao ocultismo, traz o que o subgênero tem de melhor: fotografia psicodélica, lindas mulheres e músicas bem sacadas (de Bruno Nicolai). Também tem a direção de Martino, que é um caso à parte. São poucos os filmes do subgênero italiano com uma direção tão precisa.

    03 – O Pássaro das Plumas de Cristal (L’Uccello Dalle Piume di Cristallo-1970) 

    Direção: Dario Argento

    Tenho um carinho especial pelo filme, que me introduziu no universo giallo. Em seu primeiro longa, Argento coloca o espectador na mesma sinuca de bico que seu protagonista (algo que também acontece em Prelúdio Para Matar): o desafio é compreender exatamente o que vimos. Discípulo de Hitchcock, Argento é um dos poucos cineastas do subgênero que trabalha com o que é visto e não visto. E o filme ainda tem um dos grandes desfechos do cinema italiano (nisso ele bate o final apressado de Prelúdio Para Matar).
    02 – A Casa com Janelas que Riem (La Casa dalle Finestre che Ridono -1976)

    Direção: Pupi Avati

    Muita gente nem considera esse filme um giallo. Flertando com o sobrenatural, a obra de Avati é um dos marcos do cinema de horror. A trama gira em torno de um restaurador de pinturas que chega num pequeno vilarejo e começa a sofrer ameaças. Lá exitiu um artista conhecido por pintar cenas de morte. É um crescendo de mistério e tensão que deságua no memorável desfecho. A agoniante cena final é daquelas que só o cinema de horror italiano pode oferecer. Clássico.

    01 – Seis Mulheres Para o Assassino (Sei Donne Per L’Assassino - 1964)

    Direção: Mario Bava

    Não só meu giallo número um, mas também meu filme preferido de Mario Bava (ao lado de Kill Baby Kill e Cães Raivosos). Seis Mulheres Para o Assassino é uma aula de cinema fantástico, a atmosfera que Bava cria em momentos que seriam banais em qualquer filme do gênero é impressionante.  Também inventou praticamente tudo que foi replicado na década seguinte e ainda transcendeu o gênero, como nos mostra Pedro Almodóvar na sua homenagem em Matador. Principalmente em dois filmes (esse e Banho de Sangue), Mario Bava mostrou pro mundo o que fazer para criar cenas de assassinato emblemáticas. Muita coisa saiu daqui.

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