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    PREÇO DE UMA VIDA (1949) - CLÁSSICOS QUE (QUASE) NINGUÉM VIU OU SE LEMBRA

    FICHA TÉCNICA

    Direção: Edward Dmytryk
    Roteiro: Ben Barzman, John Penn
    Elenco: Sam Wanamaker, Lea Padovani, Kathleen Ryan, Charles Goldner, Bill Sylvester
    Duração: 120 minutos

    SINOPSE

    Adaptação da novela de Pietro Di Donato, O Preço de uma Vida conta a vida de imigrantes italianos nos EUA durante a depressão americana. Filme neo-realista que retrata de maneira ímpar e corajosa, a vida dura numa cidade urbana estrangeira, dirigido pelo mestre Edward Dmytryk. Com este filme o seu diretor foi vítima do macartismo. 

    CLÁSSICO ESQUECIDO

    Confesso que fiquei na dúvida de qual sessão da página eu poria este filme. Mas acho que o "Rebobinando clássicos" é´para filmes muito divulgados e que revisitei. Já a sessão "Clássicos esquecidos" é para divulgar um filme que julgo pouco falado. E sempre considero muito a filmografia do diretor, e faço um comparativo com os demais filmes que este realizou. Alguns filmes são sem dúvidas, mais raros ou esquecidos que outros. O Teresa (1951) por exemplo, não foi lançado. Os olhos da múmia (1918) e o Robinson Crusoé (1954), são raros, difícil de encontrar, difícil de baixar e, obviamente, de diretores consagrados.
    Já O preço de uma vida (1949) foi lançado, o que diminuiu sem dúvidas o quesito raridade. Mas a sessão é sobre filmes esquecidos (raros ou não), então vamos a ele.

    Como cinéfilo, eu reconheço que o diretor Edward Dmytryk fez filmes importantíssimos para o cinema. Entraram para a história filmes como Lança Partida (1954), Rancor (1947), Deuses vencidos (1958), Minha vontade é lei (1959), Espírito Indomável  (1945). É um diretor que não curto assistir de novo filmes, como John Ford por exemplo, mas é um grande diretor sem dúvidas.
    Mas quando comecei assistir o filme em questão, senti algo diferente ali.  Da primeira tomada à última o filme me arrebatou. Mas antes, algumas questões. Primeiro, apesar do nome meio inglês, meio russo, o diretor é canadense. Se fosse europeu, explicaria melhor o que é mostrado no filme, que obedece a uma estética neo-realista, amplamente difundida, principalmente no cinema italiano em meados dos anos 40 até o final da mesma década. 
    Ou seja, a decadência do neo realismo coincide com a época que foi realizada a produção, acentuando a ideia de um modelo em baixa. Inclusive a história é sobre imigrantes italianos nos EUA, durante a depressão americana.  E o filme retrata exatamente isto: Muita luta com pouca expectativa de realizações.

    Alias, o neo realismo, para iniciados,  foi um movimento cultural surgido na Itália ao final da segunda guerra mundial, cujas maiores expressões ocorreram no cinema. Seus maiores expoentes foram Roberto Rosselini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti, todos fortemente influenciados pelos filmes da escola do realismo poético francês.
    O cinema neo realista italiano caracterizou-se pelo uso de elementos da realidade numa peça de ficção, aproximando-se até certo ponto, em algumas cenas, das características do filme documentário. Ao contrário do cinema tradicional de ficção, o neo-realismo buscou representar a realidade social e econômica de uma época.
    Com este conceito bem definido, o filme caminha para um final triste e soberbo, onde a emoção e o desespero é levado ao seu grau máximo, tornando a cena final (sem spoilers), uma das cenas mais inesquecíveis que eu já tive o prazer de contemplar.
    O filme é magnífico. Foi lançado no Brasil, em dvd pela Lume Filmes. E vale cada centavo. E ao final, certa personagem indaga qual o preço de uma vida? Você se vê obrigado a dar uma reposta dura, como o próprio neo realismo quer mostrar : Nada...a vida não vale nada.
    Genial...Imperdível...Arrebatador

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