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    AVA GARDNER - O FURACÃO PASSA BELO BRASIL


    RIO DE JANEIRO - TUMULTO - SAPATADA - SEXO - MARTINI - AVA GARDNER


    Ava Lavinia Gardner  foi uma atriz norte-americana do cinema clássico de Hollywood. Indicada ao Prêmio Oscar, é considerada uma das atrizes mais belas da história do cinema e uma das grandes estrelas do século XX. É um dos mitos da sétima arte e está entre as 50 maiores lendas do cinema da lista do AFI. Conhecida por sua exuberante e fotogênica beleza, é lembrada como "o animal mais belo do mundo", de acordo com as palavras de Jean Cocteau (1889-1963), poeta e cineasta francês,

    A diva Ava (1922-1990) passou um período pelo Brasil, na cidade maravilhosa. Claro que eu ainda não viera ao mundo, no entanto, tal passagem deixou registros muito importantes, que nem mesma a atriz descartou em sua autobiografia Ava-My Story, que foi aqui lançada no Brasil pela Editora L&PM, um ano depois da morte de Ava, em 25 de janeiro de 1990.

    Entretanto muitos registros da passagem da atriz na cidade maravilhosa ainda são controversos. De um lado, histórias populares do julgo dos cariocas e artistas que testemunharam os rompantes da diva. De outro, de comentários a respeito que levam a um cantor brasileiro e famoso na época, que teria “negado fogo” à estrela. E de outro, a própria Ava a declarar o que ocorreu propriamente, em sua estadia aqui em 1954, de acordo com sua autobiografia publicada pouco depois de sua morte.

    Ava Gardner, considerada a mais espetacular estrela de Hollywood daquela época, havia chegado ao Rio da Janeiro em 1954 trazida pela United Artist, para divulgar seu filme mais recente, A Condessa Descalça (The Barefoot Contessa), de Joseph L. Mankiewicz (1909-1993). Ava no esplendor dos seus 34 anos, já havia cunhado o epíteto promovido por Jean Cocteau, que a perseguiria pelo resto de sua tumultuada vida.

    Foi pouco depois do suicídio do presidente Getúlio Vargas, em agosto do mesmo ano e os agentes da atriz até temiam que uma revolução pudesse eclodir em nosso país. Entretanto, o tumulto que de fato ocorreu foi de outra ordem. Quando Ava chegou ao aeroporto do Rio, a multidão que a aguardava quebrou a barreira policial e invadiu a pista. A passagem de Ava Gardner pelo Rio de Janeiro foi muito tumultuada, ela reclamou das "mãos-bobas" no Galeão. Quando a atriz finalmente conseguiu chegar a um táxi, o carro não conseguiu partir, então ela teria batido na cabeça do motorista com seu sapato.

    Evidentemente, e como não pôde deixar de ser, houve muitas euforias por parte do público masculino. Muito dona de si, a estrela detestava o elogio, clichê constante nos textos dos jornalistas pouco informados e menos criativos. Mas o Rio de janeiro, que até hoje, de forma provinciana recebe artistas menores como deusas estava literalmente aos pés da grande e verdadeira estrela do cinema internacional.

    Conta-se que o Hotel que ela ficaria hospedada e a qual haviam os agentes reservado para atriz, o Hotel Glória, na região que saí do Centro da Cidade Maravilhosa em direção á Zona Sul, Ava não teria gostado das instalações, e imediatamente, exigiu ser hospedada no famoso Copacabana Palace. Numa discussão com o gerente do primeiro hotel, bebidas foram atiradas ao chão, e segundo o que se chegou à imprensa, ela teria quebrado objetos no hotel. Ava, como toda prima dona, era realmente temperamental, acabando por ser a protagonista de um fantástico barraco no famoso Hotel Glória ou porque bebeu demais, ou porque não gostou da suíte que recebeu, ou mais provavelmente pelos dois motivos. Seja como for, foi o que se divulgou durante muito tempo, com ares de boatos, dúvidas, e incertezas, mesmo considerando o temperamento forte da atriz.

    Mudando para o Copacabana Palace, onde o playboy Jorginho Guinle (1916-2004), um dos donos do hotel, que costumava receber com todas as mordomias as estrelas do cinema americano com o intuito de levá-las para a cama, mais pelo desfrute da fama do que pelo sexo. Durante toda sua vida, Guinle declarava que fez amor com todas elas. Lá também, encontrou celebridades de nossa cultura, como José Lewgoy (1920-2003). No entanto, apesar da “mudança de ares”, nem por isso Ava se livrou de confusões.

    No Copacabana, Ava, após um de seus muitos pileques, resolveu meter-se (no sentido literal) com o crooner da orquestra do maestro Copinha, de nome Carlos Augusto. Este, descoberto por Ary Barroso, não demorou muito para chegar ao estrelato. Passou pelas mãos de Almirante, Paulo Gracindo, selando seu sucesso ao lado de Emilinha Borba em turnê pelo norte do país.

    O crooner da orquestra do maestro Copinha, chegou a ter um caso amoroso com a atriz. Entretanto, quando Ava o chamou para sua suíte, parece que o cantor se intimidou com aquela beleza de uma deusa, monumento de desejo que até o mais simples dos mortais sempre desejou...pelo menos, em sonhos. Reza à lenda, o cantor “negou fogo” à atriz, talvez achando que ela fosse muita areia para o seu caminhãozinho. Até me fez lembrar uma cena de A Condessa Descalça, onde Maria Vargas (Gardner) esta num veleiro, e com um maiô bem sensual, aos olhos dos frequentadores. Todos ficam à babar, mas ninguém leva, com certeza por pura timidez. Carlos Augusto (já falecido), tinha fama de conquistador, mas se intimidou quando viu aquele mulherão, e para “vergonha nacional”, brochou, e conforme o dito popular, irremediavelmente. Assim foi rotulado aos ares o pobre cantor. Carlos foi expulso por Ava da suíte, mas como ela estava um tanto agitada, não desistiu e desceu para o bar, pedindo mais um Martini. Anselmo Duarte (1920-2009), mais bem apanhado e mais bonito que Carlos Augusto, se insinuava para Ava, mas esta não deu a mínima bola ao nosso galã dos antigos clássicos da Atlântida.

    Impressionou a todos com a quantidade de bebida que consumia, a ponto de um jornal publicar uma charge onde havia um copo com as medidas “para mulheres”, “para homens”, “para cavalos” e a máxima, “para Ava”. No fim, ficou trancada em sua suíte o tempo todo, encurtou sua visita, mas dizem que saiu na última madrugada aqui para conhecer a Cidade Maravilhosa.

    Concedendo uma entrevista, declarou que o filme da sensação do momento, A Condessa Descalça era seu filme favorito e que estava no Brasil divulgando um esplendoroso trabalho, seguido de Mogambo, realizado por John Ford no ano anterior (em sua autobiografia, Ava declara Ford como um “Cavalo” de estúpido, mas que de certa maneira ela agradece ao Mestre, pelo ótimo desempenho que obteve, pois no fim, o prestigia) e disse que Os Cavaleiros da Távola Redonda era o seu pior filme. Ava não gostava de épicos.

    Mas apesar dos dissabores aqui vividos, certamente existem fãs brasileiros, que além de não só admirar sua beleza, que sem dúvida é um marco na cinematografia, a admiram também como grande atriz. O legado de Ava Gardner é uma marca registrada de um período de ouro do cinema, período este de saudosas constelações, com seus eternos astros e estrelas do passado.

    AVA CONTA SUA VISITA AO RIO DE JANEIRO

    Em sua autobiografia, Ava dedicou algumas linhas à sua passagem pelo Rio de Janeiro. Não citou um nome sequer nem se referiu a nenhum caso amoroso. Vamos ao texto abaixo:

    A United Artists não tinha nos colocado no hotel que eu havia pedido, mas sim numa espelunca que cheirava a fumaça e tinha mais queimaduras de cigarro do que a Carolina do Norte inteira. Por isso me mudei calmamente para o hotel que eu queria.
    Na manhã seguinte, no entanto, os jornais contaram uma história completamente diferente. Eu tinha chegado bêbada, fazendo confusões, descalça (era verdade que eu tinha chegado descalça, pois o salto do meu sapato quebrara quando fui amassada por uma multidão no aeroporto). Eu destruíra meu quarto, e a gerência do hotel, para provar a coisa, logo chamou fotógrafos, sem ter outra opção a não ser me expulsar.

    O que realmente aconteceu foi que o hotel, numa espécie de vingança por eu ter decidido me mudar, contratou um verdadeiro exército destruidor menos de uma hora depois que saí. Quebraram todos os espelhos, atiraram garrafas de uísque por toda parte, destruíram a mobília, arrasaram literalmente com tudo.

    Nem vamos considerar que eu não teria conseguido fazer todo aquele estrago mesmo com machados e uma semana para trabalhar. Todos acreditaram nas manchetes. Nem uma entrevista à imprensa e nem uma desculpa do governo brasileiro fizeram com que a verdade vencesse a mentira nos jornais do mundo inteiro.

    Ava Lavinia Gardner – AVA, MY STORY, Capítulo XXII, Página 221.

    NOTA DO EDITOR: Por mais de dois anos, Ava Gardner esquadrinhou sua memória, preenchendo noventa fitas cassetes com reminiscências de sua vida, desde sua infância de filha de agricultores até sua transformação numa legendária estrela da tela. Ela gravou a última fita poucos meses antes de sua morte repentina, em janeiro de 1990.


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