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    terça-feira, 27 de janeiro de 2015

    SENHOR DOS ANÉIS - O RETORNO DO REI (2003) ANÁLISE DO FILME




    FICHA TÉCNICA

    Título Original: The Lord of the Rings: The Return of the King - Ano do lançamento: 2003 - Produção: EUA - Gênero: Aventura - Direção: Peter Jackson - Roteiro: Frances Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson, baseado em livro de J.R.R. Tolkien

    SINOPSE

    Sauron planeja um grande ataque a Minas Tirith, capital de Gondor, o que faz com que Gandalf (Ian McKellen) e Pippin (Billy Boyd) partam para o local na intenção de ajudar a resistência. Um exército é reunido por Theoden (Bernard Hill) em Rohan, em mais uma tentativa de deter as forças de Sauron. Enquanto isso Frodo (Elijah Wood), Sam (Sean Astin) e Gollum (Andy Serkins) seguem sua viagem rumo à Montanha da Perdição, para destruir o Um Anel.

    EU E O FILME

    Como cinéfilo, confesso que vivo a morte do cinema clássico.  O grande filmes talvez já tenham mesmo sido feitos, como sinalizou Peter Bogdanovich. Mas ao assistir  o Oscar, já tão acostumado com as eternas injustiças da premiação, tive certeza: O Maior épico da minha geração foi feito. O reconhecimento incrível tanto de crítica (ganhou TODOS os Oscares que disputou), quanto de público, premiaram um sonho meu...sempre quis saber como seria ver os grandes filmes espetáculo na época de lançamento. Nunca vou saber o que pensavam as pessoas ao sair do cinema depois de assistir " os dez mandamentos" , ou 'ben hur", ou ainda " e o vento levou". Mas minha geração viu Senhor dos anéis... Desde que eu comecei a assistir filmes no cinema, lá na decada de 80, foi o melhor filme-espetáculo que já vi. E saí do cinema com a alegria e sensação que nunca mais veria coisa igual. E hoje, 12 anos depois, esta idéia se mantem.

    O FILME

    Ninguém nunca imaginou que a empreitada do diretor neozelandês Peter Jackson em adaptar a trilogia O Senhor dos Anéis para as telonas daria tão certo. Uma aclamada obra, com personagens e lugares de fantasia nas mãos de um diretor pouco experiente e um orçamento considerável? Certamente algo sairia errado. Foi por isso que A Sociedade do Anel, primeira parte da trilogia, causou um alvoroço tão grande entre os espectadores e encantou crítica e público, que ficaram famintos pela continuação. Um ano depois, As Duas Torres veio para comprovar de vez a qualidade e grandiosidade da adaptação, expandindo a história e injetando espetaculares sequências de ação, mas sem nunca se esquecer de seus carismáticos personagens. Por fim, em 2003, a coroação de uma das melhores obras do cinema: 11 estatuetas do Oscar e mais de um bilhão de dólares para O Retorno do Rei, que encerrou a trilogia de forma incrivelmente satisfatória.

    A saga de Frodo e Sam se aproxima do fim à medida que os dois hobbits e a criatura Sméagol chegam cada vez mais perto de Mordor, onde o Anel poderá ser destruído. Enquanto isso, Aragorn, Gandalf e o restante da Sociedade do Anel preparam-se para a grande guerra que decidirá o futuro da Terra-Média. A adaptação da terceira parte de O Senhor dos Anéis é mais uma vez competente graça ao cuidadoso trabalho dos roteiristas Frans Walsh, Philipa Boyens e Peter Jackson, que souberam alterar pontos necessários e cortar algumas passagens que não fizeram falta na história. Mas, com a dificílima missão de concluir inúmeros plots e amarrar todas as pontas soltas dos filmes anteriores, alguns trechos saem perdendo. A longa disputa entre Sam e Gollum pela confiança de Frodo é uma das partes menos interessantes da trilogia, por exemplo. O final do longa-metragem, que mostra o desfecho de vários importantes personagens e demora para se encerrar de vez também é frequentemente criticado, mas nada que ofusque o brilhantismo da equipe de roteiristas em adaptar tantas páginas, personagens e tramas para o cinema de forma tão coerente e equilibrada.

    São tantos os momentos marcantes em O Retorno do Rei que poderia fazer um especial somente sobre eles. Com três horas de projeção, o longa-metragem é capaz de apresentar desde um dos momentos mais íntimos da trilogia, no diálogo sobre a vida após a morte entre Pippin e Gandalf, até a maior cena de guerra na história do cinema, sem qualquer receio de hipérbole. A chegada dos cavaleiros de Rohan em Minas Tirith e a sequência final na Montanha da Perdição são, em particular, dois momentos de catarse. E, ainda mais do que em A Sociedade do Anel e As Duas Torres, o filme traz alguns ótimos momentos de alívio cômico e puro entretenimento, principalmente com a dupla Gimli e Legolas (a cena do elfo em cima do Olifante é inesquecível), mais próximos e competitivos do que nunca. Tudo isto acompanhado pela fantástica trilha sonora de Howard Shore, que retoma os memoráveis temas da trilogia e conquistou o segundo Oscar em três filmes.

    Elogiar a parte técnica do filme também já é quase redundante. A direção de arte, o som, o figurino e a já mencionada trilha sonora beiram a perfeição, e aqueles poucos que ainda reclamavam sobre os efeitos visuais utilizados em Gollum não puderam falar mais nada. Ainda mais realista e expressivo, o visual da criatura, interpretada com louvor por Andy Serkis, é impressionante neste último filme, e conseguiu ser ainda mais aperfeiçoado em O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, nove anos depois.

    Mas acima de todos os méritos da película está o trabalho de Peter Jackson, que entrega uma obra e um clímax tão épico e emocionante como o esperado. Sua habilidade em gravar grandiosas cenas de ação, intercalando travelings aéreos, que apresentam a dimensão da batalha, com lutas extremamente bem coreografadas, é extremamente eficiente. Analisando especificamente a cena da chegada de Théoden e seu exército à Gondor (que é tão boa que estou citando-a pela segunda vez), é imprescindível prestar atenção em cada plano e movimento de câmera utilizado pelo diretor. Com planos abertos que demonstram a magnitude da guerra e alguns close-ups em isolados soldados, Jackson é hábil em apresentar tanto o sacrifício e o desespero dos personagens ao mesmo tempo em que empolga e emociona o espectador para o grande confronto que se aproxima.

    E por falar nos personagens, em O Retorno do Rei fica claro que os grandes heróis da história, dentre poderosos homens, elfos, magos e anões, são os pequenos hobbits do Condado. Perturbados pelo sofrimento causado por Sauron e tristes devido à distância de casa, Merry e Pippin, e principalmente Frodo e Sam, tornaram-se sérios e determinados, bem diferentes dos alegres e festeiros hobbits do primeiro longa. Por isso, é triste e tocante assistir a Frodo e seu fiel companheiro, imundos, exautos e nostálgicos, se arrastando no chão de Mordor rumo ao local onde podem concluir sua missão. E mais emocionante ainda é acompanhar o reconhecimento de seus sacrifícios pouco depois, quando os pequeninos são ovacionados em Minas Tirith, numa cena que leva muitos espectadores às lágrimas. O retorno ao Condado (que é bem tranquilo, ao contrário do livro) é reconfortante, belo e nostálgico, como diz o próprio Frodo Bolseiro: “Como se recupera sua vida antiga? Como é que se continua? Quando em seu coração, você começa a perceber que não há volta… há certas coisas que o tempo não pode consertar, alguns machucados que vão tão fundo que serão eternos.”

    E assim chegou ao fim a Sociedade do Anel e a jornada de milhões de satisfeitos espectadores na Terra Média. Mais de dez anos depois, O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei é até hoje uma das maiores bilheterias da história e o único filme de fantasia a vencer o Oscar de Melhor Filme, além de ter o maior número de estatuetas, junto com Titanic e Ben-Hur. Títulos que não valem muito para alguns avaliadores, mas que expressam a importância e a qualidade da histórica saga para o cinema.
    Tudo que é visto – e sugestionado – funciona inacreditavelmente bem, como uma ópera há muito ensaiada. Estamos diante de um épico fenomenal, uma gigantesca obra de mais de 10 horas de duração – toda a trilogia combinada – que atinge seu clímax de modo a não mais ser esquecido por essa ou pelas próximas gerações! Um trabalho digno de um mestre da sétima arte, que soube se apropriar de um texto admirado e louvado por tantos há décadas e tratá-lo com respeito, mas sem se sucumbir à importância original. Assim, conseguiu criar algo novo e tão atraente quanto sua fonte original. Após o término da sessão, ao invés de lamentarmos pelo fim – afinal, tão cedo não será possível passar por sensações iguais novamente – devemos agradecer por essa chance de vermos, com nossos próprios olhos, um fenômeno como esse se concretizar diante de nós.


    PRÊMIOS

    OSCAR
    Ganhou: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Som, Melhor Efeitos Especiais, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original (“Into the West”), Melhor Maquiage, Melhor Edição, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte

    GLOBO DE OURO
    Ganhou: Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original (“Into the West”)

    BAFTA
    Ganhou: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Efeitos Especiais

    Indicações: Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Ian McKellen), Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Maquiagem, Melhor Desenho de Produção e Melhor Som

    MTV MOVIE AWARDS
    Ganhou: Melhor Filme e Melhor Cena de Ação (batalha de Gondor)

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