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    OS BONS COMPANHEIROS (1990) - ANÁLISE DO FILME



    FICHA TÉCNICA

    Gênero: Policial 
    Direção: Martin Scorsese
    Roteiro: Martin Scorsese, Nicholas Pileggi
    Elenco: Adam Wandt, Alyson Jones, Andrew Scudiero, Angela Pietropinto, Anthony Alessandro, Anthony Polemeni, Anthony Powers, Anthony Valentin, Beau Starr, Berlinda Tolbert, Bo Dietl, Bob Altman, Bob Golub, Catherine Scorsese, Charles Scorsese, Christopher Serrone, Chuck Low, Clem Caserta, Daniel P. Conte, Daniela Barbosa, Debi Mazar, Dino Laudicina, Dominique DeVito, Ed Deacy, Edward D. Murphy, Edward Hayes, Edward McDonald, Elaine Kagan, Elizabeth Whitcraft, Erasmus C. Alfano, Fran McGee, 

    SINOPSE

    O filme conta a trajetória do mafioso Henry Hill (Ray Liotta). Ainda garoto, ele une-se à máfia e passa a crescer na organização. Trabalha para o chefão do bairro e se torna amigo dos "bons companheiros" Jimmy (Robert De Niro) e Tommy (Joe Pesci), que lhe apresentam ao mundo dos mafiosos.

    CURIOSIDADES

    Baseado em Wise Guys, livro-reportagem de Nicholas Pileggi
    A cena que Joe Pesci fala "Você me acha engraçado?" foi baseado numa história que Pesci fez para Martin Scorsese. O diretor autorizou o ator e Ray Liotta improvisarem a cena
    A palavra "fuck" foi usada 296 vezes, sendo que metade deles foi dita por Joe Pesci
    Após a mãe de Joe Pesci ter visto o filme, ela achou muito bom, mas perguntou ao filho se era necessário xingar daquela forma
    Ray Liotta negou o papel de Harvey Dent em Batman (Tim Burton) para fazer Os Bons Companheiros

    EU E O FILME

    Confesso que sou viciado no filme. Talvez eu passe "Tubarão" em número de vezes assistidas, pois assisto umas 5 vezes por ano, ao passo que o primeiro vejo uma só. Umas 100 vezes já computei. Cheguei a assistir 3 vezes num dia.  Nunca saberei na verdade, pois o único filme que continuo anotando é ' Tubarão'.
    O filme faz parte da minha lista dos 14...E olha que assisti 15.500 filmes diferentes. Em 2010, assisti durante uns dois meses, todos os dias, sendo que teve dia que eu assistia mais de uma. A obra é viciante mesmo.
    Acho que tenho algum tipo de problema no cérebro que impede que eu tenha fadiga com coisas que gosto. Até filmes como 'Maquina Mortífera' eu assisti 50 vezes...enfim...

    O FILME

    Ao lado de O LOBO DE WALL STREET, TOURO INDOMÁVEL, OS INFILTRADOS, CABO DO MEDO e TAXI DRIVER, CASSINO, OS BONS COMPANHEIROS é um dos meus filmes prediletos do diretor Martin Scorsese. Verdadeiro mestre da história do cinema norte-americano, o cineasta desde pequeno teve proximidade com o mundo dos mafiosos italianos que moravam em Nova York e isso se tornou uma de suas marcas registradas, o que apenas reforça a qualidade do longa-metragem e a sua importância no sub-gênero “filmes máfia”, sendo tão indispensável quanto Os Intocáveis, de Brian De Palma, ou O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, por exemplo.

    Baseado numa história real, o roteiro acompanha um jovem que, impressionado com a vida dos mafiosos do bairro, cresce trabalhando para o “poderoso chefão” das redondezas. Ao lado Tommy (Joe Pesci) e Jimmy (Robert De Niro), Henry (Ray Liotta) se torna uma pessoa importante, pode ir para os lugares sem encarar fila, não precisa se preocupar com nada. Tudo isso por causa de uma coisa chamada respeito, muito usada no meio dos mafiosos e de quem os conhece (e fica se cagando de medo de acordar ao lado de uma droga de cavalo morto). O grande lance é que, ao contrário de seus amigos, Henry não é uma pessoa do mal. Embora esteja bem longe de ser considerado santo, ele tem seus valores e não aprova a violência excessiva dos companheiros, especialmente Tommy. Mas a sua ganância fala sempre mais alto e ele acaba se envolvendo em tantos problemas que descobre que ninguém é 100% confiável.

    Os Bons Companheiros é sobre como as pessoas se transformam quando existe um interesse maior envolvido. Henry é ganancioso, observador e inteligente demais para o seu próprio mal. Decidido a ter uma vida luxuosa, os riscos de ser preso se tornaram aceitáveis. Foi com esse estilo de vida que se casou com Karen e teve duas meninas. Com o passar do tempo, a polícia fechou o cerco em cima dos mafiosos e todos acabaram presos. Com a possibilidade da mamata acabar, e mesmo depois de ser advertido pelo chefão Paulie, Henry insiste em continuar contrabandeando drogas, o que mostra uma clara situação de ascensão e queda de um homem. Percebendo que os mafiosos são desprovidos de sensibilidade, e sentindo a corda apertando no próprio pescoço, Henry é obrigado a aceitar que todo o luxo precisa chegar ao fim um dia, se isso for o necessário para sobreviver.

    No início do filme, já uma grande apresentação dos personagens a seguir. Durante um jantar, Joe Pesci está contando piadas e fazendo todos rirem até que Ray Liotta diz que o acha engraçado. O clima fica fechado, como se Pesci tivesse tomado aquilo como uma ofensa pessoal e todos os homens presentes ficam tensos, com medo do que poderá acontecer. Momentos depois, um garçom chega no personagem de Pesci para entregar a conta. Reparem na expressão de ansiedade no rosto de Liotta, que de maneira sádica e covarde, se prepara para assistir ao amigo agredindo o pobre coitado do garçom. Até hoje acho engraçado a questão do "padrinho de casamento" .


    Aliás, vamos combinar. O elenco dá um verdadeiro show de interpretação. Quando ninguém podia esperar ver Robert De Niro superando o que fez em Touro Indomável ou O Poderoso Chefão 2, lá está ele mostrando que possui muito mais para mostrar para o público. De maneira convincente, ele interpreta um gangster frio e elegante, mesmo quando suja as mangas da camisa. Ray Liotta consegue atender as necessidades de seu personagem interesseiro e pretensioso. Quem realmente rouba a cena é o nanico enfezado Joe Pesci. Para quem o conheceu em Esqueceram de Mim ou na franquia Máquina Mortífera é um verdadeiro choque perceber que ele consegue realmente dar medo e deixar o espectador com medo de suas ações. Detalhe para uma participação breve de um projeto de Samuel L. Jackson.

    O final, ao som de uma versão punk de “My Way” (cantada pelo Sid Vicious, ex-baixista do Sex Pistols) é a cereja do bolo e coroa a obra-prima de Martin Scorsese. Inclusive, com uma cena do personagem de Joe Pesci apontando a arma para o espectador e disparando. Perfeito. Já que mencionamos a trilha sonora, “Sunshine of Your Love”, do Cream; e “Gimme Shelter”, dos Rolling Stones; são ouvidos em momentos importantes da trama. Os fãs de Scorsese já estão acostumados a ouvir boas músicas na trilha sonora, afinal de contas o cineasta é um grande admirador do rock e dirigiu/produziu vários documentários sobre nomes importantes do meio, como Bob Dylan e os próprios Stones, por exemplo. Aliás, “Gimme Shelter” já se tornou até uma assinatura do diretor, já que a faixa apareceu em outros trabalhos, como Os Infiltrados. Perfeito... O filme é uma obra de arte.




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