• ÚLTIMAS...

    domingo, 11 de janeiro de 2015

    SAMUEL GOLDWYN JR .- BIOGRAFIA


    O produtor

    Samuel Goldwyn Jr. nasceu em  Los Angeles, California, filho da atriz Frances Howard e o pioneiro do cinema  Samuel Goldwyn. Ele frequentou a Fountain Valley School no Colorado Springs, Colorado e a University of Virginia.
    Depois de servir no Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, ele trabalhou como produtor teatral em Londres e para  Edward R. Murrow na CBS em New York. Depois seguiu os passos do pai e fundou as companhias de cinema Formosa Productions, The Samuel Goldwyn Company e  Samuel Goldwyn Films.
    Em 1950,  Samuel Goldwyn, Jr. casou-se com Jennifer Howard (1925–1993), filha do proeminente autor e roteirista Sidney Howard. O casal teve quatro filhos, incluindo o ator  Tony Goldwyn (lembrado por ser o vilão de Ghost - do outro lado da vida) e o executivo de estúdio John Goldwyn. Divorciaram-se em 1968 e a seguir ele se casou com Peggy Elliot, que ele teve dois filhos. Divorciou-se e até sua morte, estava casado com sua terceira esposa, Patricia Strawn.

    Aprofundando na história

    Os Goldwyns foram uma das poucas dinastias de Hollywood a deixar sua marca por gerações sucessivas. Mas as expectativas eram altas para o jovem Samuel Jr. “Sam foi criado por um pai volátil, às vezes emocionalmente abusivo, e uma mãe ressentida e desamorosa”, contou o biógrafo A. Scott Berg, autor de “Goldwyn: A Biography”, história da família publicada em 1989.

    O pai queria que o jovem trabalhasse desde cedo, para valorizar o esforço nascido do suor, mas Sam tinha outros planos. Quando foi empregado como entregador de jornais, na adolescência, jogava os exemplares das assinaturas pela janela da limousine da família, conduzido por seu motorista particular. Contrariado, o pai não o encorajava a seguir seus passos. Quando Charlie Chaplin e outras estrelas iam jantar na casa dos Goldwyns, o jovem Sam ia comer na cozinha, com os empregados. Para completar, o Sr. Goldwyn não queria que ele passasse a juventude na Califórnia, matriculando-o numa escola distante, no estado do Colorado, e posteriormente numa universidade na Virginia.
    Não adiantou muito, pois, após servir no Exército, Sam Goldwyn foi para Londres, onde arranjou trabalho como produtor de teatro. De volta aos EUA, manteve inicialmente a distância do pai (e de Hollywood) ao ir trabalhar no canal CBS, em Nova York. 

    Quando finalmente decidiu seguir a carreira do pai, nos anos 1950, fundou sua própria companhia em Los Angeles, a Formosa Productions (em referência à rua em que o escritório se localizava, em West Hollywood), estreando como produtor no western “Armado Até os Dentes” (Man with the Gun, 1955), estrelado por Robert Mitchum (“Cabo do Medo”).
    A produtora lançou vários sucessos de cinema, como o western “O Rebelde Orgulhoso” (The Proud Rebel, 1958) e o clássico juvenil “As Aventuras de Huckleberry Finn” (The Adventures of Huckleberry Finn, 1960), ambos dirigidos por Michael Curtis (“Casablanca”). Mas, ao contrário do pai que produzia blockbusters, ele tinha outras ambições. Por isso, arriscou-se na direção, comandando as filmagens de “Os Jovens Amantes” (The Young Lovers, 1964), drama sobre a angústia existencial que marcava a geração dos anos 1960. Na trama, Peter Fonda (“Easy Rider/Sem Destino”) vivia um estudante de arte que queria viver sem responsabilidades, até que sua namorada engravida.

    “Os Jovens Amantes” foi um fracasso de bilheterias e Samuel Goldwyn Jr. nunca mais dirigiu outro longa. Em vez disso, canalizou suas energias para produzir o tipo de filme que gostaria de fazer. A grande virada criativa aconteceu na época de “Rififi no Harlem” (Cotton Comes to Harlem, 1970), de Ossie Davis, durante o boom do gênero conhecido como blaxploitation, filmes de ação estrelados e dirigidos por negros. Apesar de seguir um filão comercial, a blaxploitation também foi marcada por inovações estilísticas e abordagens mais autorais.

    Após o sucesso de “Rififi no Harlem”, Goldwyn Jr. mudou o foco de seu negócio, fundando a Samuel Goldwyn Company para adquirir e distribuir filmes de arte. A produtora mudou o panorama cinematográfico dos EUA, bancando uma nova geração de cineastas, voltada a temas como inadequação e homossexualidade, que estabeleceu uma nova sensibilidade artística, estabelecendo o cinema indie como é hoje conhecido.

    O cinema americano nunca mais foi o mesmo após “Estranhos no Paraíso” (Stranger Than Paradise, 1984), marco indie de Jim Jarmusch (“Amantes Eternos”), ser premiado no Festival de Sundance – e reconhecido no Festival de Cannes. Samuel Goldwyn Jr. chamou atenção de outros produtores, como os irmãos Weinstein, da Miramax, para o potencial das produções indie, além de inspirar a Sony Pictures a criar uma divisão para filmes “de arte”, a Sony Pictures Classics. E o resto é história.
    Por meio da produção de “Corações Desertos” (Desert Hearts, 1985), de Donna Deitch, e “Meu Querido Companheiro” (Longtime Companion, 1989), de Norman René, Goldwyn ainda desempenhou papel importante para impulsionar o queer cinema nos anos 1980. Ele também incentivou as carreiras de David Lynch (“Império dos Sonhos”), Alex Cox (“Repo Man – A Onda Punk”), Gregg Araki (“Mistérios da Carne”) e Mary Harron (“Psicopata Americano”), abriu as portas para uma nova geração de cineastas britânicos, como Mike Newell (“Harry Potter e o Cálice de Fogo”), Stephen Frears (“Philomena”) e Kenneth Brannagh (“Operação Sombra – Jack Ryan”), além de ter lançado o taiwanês Ang Lee (“As Aventuras de Pi”) nos EUA.

    Entre os clássicos do catálogo da Samuel Goldwyn Company encontram-se “Dançando com um Estranho” (Dance with a Stranger, 1985), de Mike Newell, “Sid & Nancy” (1986), de Alex Cox, “Três Mulheres, Três Amores” (Mystic Pizza, 1988), de Donald Petrie, que lançou a atriz Julia Roberts (“Álbum de Família”), “Henrique V” (Henry V, 1989), estreia na direção de Kenneth Brannagh, “Coração Selvagem” (1990), de David Lynch, o francês “Nikita – Criada Para Matar” (Nikita, 1990), de Luc Besson, que rendeu remake e até duas séries, o taiwanês “Banquete de Casamento” (Xi Yan, 1993), de Ang Lee, o chinês “Tempo de Viver” (Huo Zhe, 1994) de Zhang Yimou, “Um Tiro Para Andy Warhol” (I Shot Andy Warhol, 1996), de Mary Harron, “Splendor – Um Amor em Duas Vidas” (Splendor, 1999), de Gregg Araki, e até o brasileiro “Ópera do Malandro” (1986), de Ruy Guerra.

    Apesar da longa carreira como produtor, ele só concorreu uma vez ao Oscar, disputando a estatueta de Melhor Filme em 2004, por “Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo” (Master and Commander: The Far Side of the World, 2003). Mas a produção, a primeira de grande orçamento de seu estúdio, cofinanciada com a Fox, deu prejuízo e levou à reestruturação de seu negócio. Ele passou uma década sem voltar a produzir outro filme, encerrando a carreira com a produção da comédia “A Vida Secreta de Walter Mitty” (The Secret Life of Walter Mitty, 2013), estrelada e dirigida por Ben Stiller.

    Além de produzir filmes, Samuel Goldwyn Jr. também foi um humanitário, participando de arrecadações de fundos e atividades beneficentes em apoio aos trabalhadores da indústria do entretenimento. Sua fundação, que tem o nome da família, construiu uma creche e um centro de saúde em Los Angeles.

    Seus filhos continuam o legado da dinastia. John Goldwyn também é produtor de cinema e TV (série “Dexter”), e foi vice-presidente da Paramount Pictures. Seu outro filho, Tony Goldwyn, é ator e integra o elenco da série “Scandal”. Ele deixa ainda mais dois filhos, Francis e Peter, e uma filha, Catherine.

    O produtor Samuel Goldwyn Jr. morreu, na sexta aos 88 anos, de insuficiência cardíaca congestiva.

    COMENTE USANDO SEU FACEBOOK:

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Scroll to Top