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    SAMUEL FULLER (12/08/1912 - 30/10/1997)- BIOGRAFIA

    Samuel Michael Fuller (Worcester, 12 de agosto de 1912 - Hollywood, 30 de outubro de 1997) foi um roteirista, produtor e diretor de cinema norte-americano.

    Filho de imigrantes judeus, seus pais alteraram o sobrenome da família de Rabinovitch para Fuller. Aos 17 anos já era repórter policial em Nova Iorque. Serviu no Exército dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, chegando a ser codecorado com a Purple Heart.

    Antes de lançar-se ao cinema, Samuel Fuller (1912-1997) já era dono de uma carreira prolífica como repórter policial, jornalista, escritor de romances pulp e soldado da Segunda Guerra Mundial. Foi aos 36 anos, porém, que Fuller foi contatado pelo produtor Robert L. Lippert, que era fã dos seus textos, para iniciar sua carreira no cinema como cineasta. Até então, Fuller só havia tratado alguns roteiros (inclusive como ghostwriter) e adaptado outros - e não havia se impressionado com a visão de diretores como Douglas Sirk para seu trabalho.

    O filme Hats Off de 1936 marcou o primeiro crédito de Fuller como roteirista. Apesar de ter escrito muitos roteiros, Fuller é mais lembrado como diretor. Estreou na direção em I Shot Jesse James de 1949.

    Terceiro filme de Fuller, The Steel Helmet, foi um dos primeiros filmes sobre a Guerra da Coréia, que escreveu baseado em depoimentos de veteranos da Coréia e suas próprias experiências.

    Mesmo contratado pela 20th Century Fox, onde fez Fixed Bayonets!, realizou em seguida e com recursos próprios Park Row, um tributo ao jornalismo.

    Dirigiu White dog em 1981, de tema racial, baseado em romance de Romain Gary, porém o estúdio Paramount não o lançou. Após o ocorrido, passou a residir na França.

    Samuel Fuller (1912-1997) foi um dos maiores subversivos do cinema. Fez filmes esteticamente inovadores e tematicamente corajosos. Não é à toa que foi perseguido e expulso de Hollywood.

    Fuller foi repórter policial, cobriu assassinatos, fotografou brigas de gângsteres e chafurdou no submundo. Lutou na Segunda Guerra e ajudou a libertar campos de concentração dos nazistas. Essa experiência marcou sua vida e seu cinema. Quando virou cineasta, no fim dos anos 40, levou uma linguagem de tabloide sangrento para as telas.

    Fuller fez faroestes, policiais “noir”, dramas e filmes de guerra, sempre com um estilo direto e pessoal. Odiava a assepsia do cinema comercial, que julgava “coisa de criança”. Influenciou a Nouvelle Vague (Godard o escalou para uma ponta em “Pierrot Le Fou”), Scorsese (os closes das lutas de boxe em “Touro Indomável” são puro Fuller) e Wim Wenders (Fuller fez um papel em “O Amigo Americano”). No Brasil, Rogério Sganzerla era fullermaníaco de carteirinha, e “O Bandido da Luz Vermelha”, com sua estética de “Notícias Populares”, é a maior prova disso.

    Muitos chamaram Fuller de primitivista. E não deixa de ser verdade: seu cinema é primitivo, no sentido de ser rude e grosseiro, e de provocar no espectador reações instintivas.

    Alguns cineastas têm essa capacidade de chocar pelo insólito, por seu estilo pessoal, inesperado e idiossincrático. Lembra a primeira vez que você viu os filmes da fase mexicana de Buñuel? Quando viu o menino de rua jogando o ovo na câmera em “Os Esquecidos”? Ou quando viu Jodorowsky? Paradjanov? Mojica? Ken Russell?

    Samuel Fuller é desse time. Seus filmes podem ter defeitos, podem ser desiguais e repetitivos, mas nunca, nunca, em hipótese alguma, são supérfluos. Samuel Fuller não é um burocrata.

    Nunca esqueço a primeira vez que vi “Cão Branco”. Foi em 1991, num VHS mofado. No filme, uma mocinha simpática, que lutava para ser atriz em Hollywood, encontra um pastor alemão albino. O cão está machucado e faminto. Ela leva o bicho para casa e lhe dá casa, comida e carinho. O animal retribui o afeto. Até que ela descobre que o cão é treinado para matar negros.

    Atordoada, ela busca ajuda de um treinador de cães. Um negro. E os dois tentam descondicionar o animal, tirar dele o instinto racista assassino que lhe foi incutido desde o nascimento.

    É o melhor filme sobre racismo que já vi, e não tem um pingo do moralismo ou do tom professoral da grande maioria dos filmes sobre o assunto.

    “Cão Branco” acabou com a carreira de Fuller em Hollywood – que já não era grande coisa. Depois desse filme, ele nunca mais conseguiu grana para filmar lá, e foi morar na Europa.

    Outra paulada é “Paixões que Alucinam” (“Shock Corridor”, 1963), sobre um jornalista que se finge de louco para investigar maus tratos dentro de um hospício. O que começa como um filme policial corriqueiro vira um pesadelo psicodélico e paranoico. Faça uma sessão dupla com “Ilha do Medo”, de Scorsese, e diga se o velho Martin não ajoelha toda noite num altar para Samuel Fuller.

    COM JIM JARMUSCH
    Fuller morreu em 1997, aos 85 anos...

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