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    sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

    JACK ELAM (13/11/1920 - 20/10/2003) BIOGRAFIA


    Nasceu em 13 de novembro de 1920, Miami, Arizona, EUA, e faleceu em 20 de outubro de 2003, Ashland, Oregon, EUA .


    Jack Elam nunca foi capa de revistas de cinema e mesmo assim seu rosto era muito conhecido, um tipo de fisionomia que ninguém esquece, especialmente pela força de suas caracterizações que fizeram dele um ator muito especial e até mesmo famoso.

    A data de nascimento de Jack Elam é controversa e há fontes que indicam 1916, 1918 e 1920. Seu nome verdadeiro era William Scott Elam e ele nasceu em Miami num dia 13 de novembro, tendo estudado no Santa Monica Junior College, na Califórnia. De lá saiu formado em Contabilidade, sendo contratado para exercer a função de auditor contábil na produtora de Samuel Goldwyn e depois na produtora de Hopalong Cassidy. Conseguindo fazer amigos no mundo cinematográfico, Elam esporadicamente era convidado para participar de filmes, isto apesar do defeito em um dos olhos. Aos 12 anos o menino William se envolveu numa briga com outro garoto, sendo ferido no olho com um lápis, tendo ficado definitivamente vesgo e por essa razão jamais sonhou em se tornar ator. Porém casado com Jean Louis e com dois filhos para sustentar, Jack se esqueceu do seu olhar vesgo e para aumentar a renda familiar acabou aceitando os convites para ser ator. A primeira vez foi em 1944, num short-western (20 minutos), intitulado “Trailin’ West” em que Elam interpretou um assassino.


    Outra oportunidade surgiu em 1947 no western B “Mistery Range”, no qual ele já utilizou o nome artístico de Jack Elam. Em 1949 interpretou novamente um bandido no policial “Wild Weed” e a partir daí abandonou de vez a rotina da vida burocrática do escritório, nunca mais deixando de fazer filmes, a maior parte deles faroestes e na primeira parte de sua carreira interpretando foras-da-lei. Magérrimo, arqueado, barba sempre por fazer e o olho esquerdo fortemente desviado, Jack Elam era, convenhamos, uma figura nada bonita e nada simpática num cinema repleto de rostos bonitinhos. Afinal, alguém tinha que ser bandido...


    A carreira de mais de 200 filmes de Jack Elam pode ser dividida em três partes: nos primeiros 20 anos foi predominantemente um vilão; de 1965 a 1975 atuou em muitos westerns cômicos; nos últimos 20 anos Jack Elam havia engordado, deixado a barba crescer e seus papéis eram sempre de cowboys envelhecidos mas bastante simpáticos. Na primeira fase de sua carreira como ator Jack Elam fez parte do elenco de alguns dos melhores westerns dos anos 50 entre eles “Matar ou Morrer” (High Noon), “O Diabo Feito Mulher” (Rancho Notorius), “Vera Cruz”, “Região do Ódio” (The Far Country), “Homem Sem Rumo” (Man Without a Star), “Um Certo Capitão Lockhart” (The Man from Laramie), “Ao Despertar da Paixão” (Jubal), “Sem Lei e Sem Alma” (Gunfight at the Ok Corral). As participações de Jack Elam eram normalmente pequenas, mas se o diretor percebia o potencial artístico de Jack Elam, seu papel era dimensionado e ele dominava o filme. Foi o que ocorreu em “Correio do Inferno” (Rawhide), dirigido por Henry Hathaway, a primeira grande atuação do bandido vesgo.



    Jack Elam levou seu tipo assustador a outros gêneros, especialmente o policial como nos clássicos “Os Quatro Desconhecidos” (Kansas City Confidential” de Phil Karlson e “A Morte num Beijo” (Kiss me Deadly), de Robert Aldrich e ainda em “O Assassino Público N.º 1” (Baby Face Nelson), de Don Siegel; “Nem o Céu Perdoa”, com Dan Duryea; “Um Grito no Pântano”, com Jeffrey Hunter; “Medo que Condena”, com Teresa Wright; “Covil da Morte”, com Cornel Wilde. Dramas como “Amo esse Bruto”, com Paul Douglas; “Sem Pudor”, com Shelley Winters; “Viver é Lutar”, com Rita Moreno. Elam fez comédias como “Artistas e Modelos” e a comédia-western “O Rei do Laço” (Pardners), ambos com a dupla Dean Martin-Jerry Lewis; e ainda “Mulher, a Quanto Obrigas”, com Clark Gable e “Vítimas da Sorte”, com Tom Ewell. 

    Outros gêneros em que Elam atuou nos anos 50 foram os musicais “O Que Pode um Beijo” (A Ticket to Tomahawk) e “Estranho no Paraíso” (Kismet), atuou nas aventuras “Almas Selvagens” (Glenn Ford); “Os Homens Rãs” (Richard Widmark; “Contrabando de Armas” (Gun Runners) com Audie Murphy; “O Tesouro do Barba Rubra” (Stewart Granger) e “A Princesa do Nilo” (Debra Paget). Jack Elam vestiu um safári e ameaçou até Gordon Scott no seu primeiro filme como Tarzan intitulado “Tarzan na Selva Misteriosa”. Mas eram os faroestes que mais contavam com a presença de Jack Elam que na década de 50 fez parte dos elencos de “O Rebelde” (The Bushwhakers), com John Ireland; “A Revolta dos Pele Vermelhas” (The Battle at Apache Pass), com Jeff Chandler; “A Bela e o Renegado” (Ride, Vaquero!), com Robert Taylor; “De Homem para Homem” (Gun Belt), com George Montgomery; “Choque de Ódios” (Wichita), com Joel McCrea; “No Reino das Sombras” (The Moonlighter) e “Montana, Terra do Ódio” (Cattle Queen of Montana), os dois com Barbara Stanwyck; “Traição Cruel” (Ride Clear of Diablo), com Audie Murphy; “Thunder Over Arizona”, com Skip Homeier; “A Passagem da Noite” (Night Passage), com James Stewart.

    Nos anos 60 a televisão produzia muitas séries semanais de westerns, o que ajudou a reduzir os longa-metragens de faroestes para o cinema. Sem abandonar o cinema, Jack Elam migrou então para a telinha atuando em incontáveis episódios de séries westerns ou policiais. E atuou como personagem fixo em duas séries. A primeira foi “The Dakotas”, na qual Jack Elam era o delegado J.D. Smith, série que foi ao ar em 1963 e durou somente 20 episódios, tendo acabado de modo inusitado. No episódio n.º 19, intitulado “Sanctuary at Crystal Springs”, os delegados J.D. Smith (Jack Elam) e Del Stark (Chad Everett) invadem uma igreja e matam dois bandidos que mantinham um padre como refém. O tiroteio se passou dentro da igreja e o episódio gerou uma onda de protestos terminando com a retirada da série do ar. A segunda série de TV em que Jack Elam atuou foi “Temple Houston”, produzida e estrelada por Jeffrey Hunter que é ajudado por Jack Elam, série encerrada em 1964 e que durou 26 episódios. O bandido do olho atravessado atuava bastante na TV mas era muito requisitado pelo cinema e na década de 60 os papéis de Jack Elam já não eram de apenas um ou dois minutos. Atuou em “O Último Pôr-do-Sol” (The Last Sunset), com Kirk Douglas-Rock Hudson; “Os Comancheiros” (The Comancheros), com John Wayne; “Os Quatro Heróis do Texas” (4 for Texas), com Frank Sinatra; “Raça Brava” (The Rare Breed), com James Stewart; “Desbravando o Oeste” (The Way West), com Kirk Douglas-Robert Mitchum-Richard Widmark; “O Pistoleiro do Rio Vermelho” (The Last Challenge), com Glenn Ford; “O Último Tiro” (Firecreek), com Henry Fonda-James Stewart; “Satã, o Urso Cinzento” (The Night of the Grizzly), com Clint Walker. Jack Elam participou do spaghetti-western, intitulado “Sonora”, uma aventura de Sartana com Gilbert Roland. Uma curiosidade na carreira de Jack Elam é que ele atuou no único western dirigido por Alan LeMay, o célebre autor de “The Searchers” (Rastros de Ódio). O filme de Alan LeMay se chamou “High Lonesome”, e teve como ator principal John Drew Barrymore. Outra curiosidade é que Jack Elam havia participado do último filme do grande diretor Michael Curtiz que foi “Os Comancheiros” e coincidentemente atuou também no último filme de outro importante cineasta, Frank Capra, em “Dama por um Dia”, com Bette Davis e Glenn Ford.


    A década de 60 reservava em seu final uma agradabilíssima surpresa para Jack Elam.

    Com a indefectível deselegância, o esgar cínico e ameaçador e o sinistro olhar estrábico, Jack Elam vinha sendo um dos mais perfeitos contrapontos à pose certinha dos heróis. Ao longo de 20 anos de carreira ele havia enriquecido muitos faroestes com sua presença, invariavelmente como membro das mais temíveis quadrilhas que o cinema já conseguiu reunir.Não apenas contraponto, mas vítima constante dos mocinhos, para quem os filmes eram concebidos. Os westerns eram muitos, mas os momentos de Jack Elam, como já foi dito, nem tanto, o que não impediu Elam de roubar bancos, gados e principalmente cenas. Como santo de casa não faz milagres, foi necessário que Sergio Leone criasse uma sequência inteiramente dedicada a Jack Elam e isso ocorreu em “Era Uma Vez no Oeste”, o monumental painel do diretor italiano sobre o Oeste norte-americano e que acabou sendo uma justa e bonita homenagem ao ator norte-americano. Durante longos minutos no início do filme o rosto amedrontador de Jack Elam toma conta da tela em close-up. Mas ele não está sozinho pois uma mosca resolve atormentá-lo e Jack captura a mosca dentro do cano de seu revólver numa poética cena, magnífica ode ao ator num dos mais belos westerns de todos os tempos.


    Ter filmado com Sergio Leone trouxe muita sorte para Jack Elam pois veio então a fase dos westerns-cômicos. Lee Marvin havia revolucionado o gênero como o pistoleiro bêbado de “Dívida de Sangue” (Cat Ballou) e diversos westerns seguiram o filão descoberto por esse filme. Um deles foi “Uma Cidade Contra o Xerife” (Support Your Local Sheriff), com James Garner no papel principal e Jack Elam como um pistoleiro bêbado transformado em ajudante do xerife. Esse western fez enorme sucesso e mereceu uma espécie de continuação com “Latigo, o Pistoleiro” (Support Your Local Gunfighter), com o mesmo James Garner e Jack Elam num papel maior novamente como ajudante do xerife Garner. Jack Elam sempre foi um ladrão de cenas e quanto maior fosse seu papel mais ele roubaria o filme do ator principal, o que aconteceu em “Latigo, o Pistoleiro”. Outro western engraçado foi “Os Patrulheiros Aposentados” (The Over-the-Hill Gang), feito para a TV mas lançado nos cinemas, com um elenco de veteranos formado por Jack Elam, Walter Brennan, Andy Devine, Chill Wills e Edgar Buchanan. Em 1970 Jack Elam juntou-se a Dan Blocker, o Hoss de “Bonanza”, na comédia-western “Uma Noiva para Charlie” (Cockeyed Cowboys of Calico County), filme pouco visto e até hoje não lançado em VHS ou DVD, e que se tornou um cult movie do gênero, admirado pelos poucos que o assistiram à época de seu lançamento. No elenco ainda Mickey Rooney, Henry Jones, Stubby Kaye e Noah Beery Jr, todos garantindo boas gargalhadas. Nesse mesmo ano Jack Elam interpretou o célebre bandido John Wesley Hardin na comédia “O Mais Perigoso dos Bandidos” (Dirty Dingus Magee), feita sob medida para Frank Sinatra mas dominada inteiramente por Jack Elam cada vez melhor nesse tipo de filme.

    Ainda em 1970 Jack Elam se reencontrou com John Wayne em “Rio Lobo”, de Howard Hawks, agora como segundo nome masculino do elenco. Quando a TV decidiu refilmar “Cat Ballou”, Jack Elam foi chamado para interpretar ‘Kid Sheleen’ e seria muito interessante assistir a essa versão para comparar os pistoleiros bêbados Lee Marvin-Jack Elam. Em 1972 a Paramount resolveu apostar no western-comédia reunindo Ernest Borgnine, Jack Elam e Strother Martin para enfrentar a pistoleira Raquel Welch em “Hannie Caulder”, outro faroeste que provocou muitos risos pois o trio de bandidos era uma homenagem a Os Três Patetas. Em seguida Jack Elam atuou em “Sidekicks”, de Burt Kennedy, estrelado por Larry Hagman, na mesma linha de westerns engraçados.

    “Pat Garrett & Billy the Kid”, de Sam Peckinpah também contou com o talento de Jack Elam em mais uma destacada atuação num personagem aparentemente criado especialmente para ele. Jack Elam entraria pouco depois na última etapa de sua carreira, fase em que teve diversos papéis principais. Foi o primeiro nome do elenco numa refilmagem para a TV de “O Monstro da Lagoa Negra” (ele não interpreta a criatura....); co-estrelou com Ben Johnson o bonito “Grayeagle, western sobre um índio lendário; com Kirk Douglas como protagonista, Jack Elam atuou também em “Cactus Jack, o Vilão”; interpretou o ‘Doctor Nikolas Van Helsing’ nos grandes sucessos de bilheteria “Quem não Corre Voa” e “Um Rally Muito Louco”, com Burt Reynolds. Aos 70 anos de idade Burt Kennedy o chamou para participar de “Louis L’Amour’s Down the Long Hills”. Nesse mesmo ano de 1986 Jack Elam encabeçou o elenco de “The Aurora Encounter”, western-sci-fi sobre uma cidade do Texas chamada Aurora onde surgem aliens. Novamente dirigido por Burt Kennedy Jack Elam atuou em “Era Uma Vez No Texas”, com Willie Nelson e Richard Widmark. Outra vez foi o primeiro nome do elenco de um western-horror intitulado “The Uninvited”, em 1993.


    O final de carreira Jack Elam aconteceu em dois westerns para a TV: “Bonanza – O Retorno”, com Lorne Greene e na continuação da obra-prima “Pistoleiros do Oeste” (Lonesome Dove), filmada em 1995. Após quase 50 anos como ator Jack Elam se aposentou. Havia ficado viúvo de Jean, sua primeira esposa em 1961, que teve dois filhos. Tornou a se casar nesse mesmo ano desta vez com Margaret Jennison, com quem teve um filho e viveu até o fim de sua vida dia. Jack Elam faleceu em 20 de outubro de 2003, após uma brilhante carreira como ator, carreira em que foi homem mau, cowboy engraçado e simpático ‘old timer’ (velho do Velho Oeste). Mas será sempre lembrado como um dos mais queridos fora-da-lei do cinema, aquele bandido vesgo.



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