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    MUSEU DE CERA NO CINEMA



    CRIMES DO MUSEU (1933)

    Provavelmente você conhece A Casa de Cera, lançado recentemente e com uma pá de atores jovens conhecidos no elenco, certo? Talvez você também conheça Museu de Cera, com o imbatível Vincent Price, lançado em 1953. Pois então, 20 anos antes, a versão original que inspirou esses dois remakes chegava aos cinemas pela Warner Bros.: Os Crimes do Museu.
    Os Crimes do Museu é o primeiro filme “colorido” dessa lista, filmado utilizando duas faixas com o processo Technicolor. E também é até que um filme bem impressionante para a época, pois traz um vilão com o rosto queimado completamente desfigurado, uma espécie de preview de Freddy Krueger, e traz também o conceito macabro de cadáveres sendo roubados para dar forma a assustadoras figuras de cera de personagens históricos, como Voltaire, Joana D’Arc e Maria Antonieta, a obsessão do escultor e vilão psicopata nas horas vagas, Ivan Igor (Lionel Atwill).

    Igor possui um modesto museu de cera em Londres, que vai muito mal das pernas. Seu sócio, Joe Worth, desgostoso com a grana que perdeu ao investir no local, tem a ideia de colocar fogo no museu para pegar o dinheiro do seguro e amenizar a perda financeira. Claro que isso implicaria em destruir as estimadas figuras de cera de Igor. Durante uma briga, o museu acaba pegando fogo, Worth deixa Igor para morrer e foge.

    Dez anos depois, logo após a virada de ano em Nova York, uma série de misteriosos assassinatos seguido de roubo dos cadáveres chama a atenção da espevitada jornalista Charlotte Duncan (interpretada por Fay Wray, a loirinha musa do King Kong original), que resolve começar sua investigação para conseguir um furo de reportagem. Coincidentemente, os crimes acontecem pouco antes de Igor, agora paralítico, com as mãos deformadas pelo incêndio e transformado em um maníaco necrófilo, resolver abrir seu museu na cidade.

    Por não poder mais esculpir, ele utiliza do trabalho de um escultor viciado, Ralph Burton, a quem ensinou todas as suas técnicas, e do jovem aprendiz Jim, namorado da amiga de Charlotte, Florence, a qual o atormentado Igor vislumbra sua nova Maria Antonieta, e não mede esforços para transformá-la na sua próxima estátua de cera humana.

    A premissa de Os Crimes do Museu é muito boa mas o filme é bem fraquinho no final das contas. Tem aquele clima muito ingênuo da década de 30, com alguns desvios cômicos desnecessários, diálogos que tentam ser afiados mas tornam-se enfadonhos e uma baita enrolação até o terceiro ato, quando realmente a coisa pega de vez, e vemos a terrível face carbonizada do vilão e a sua técnica para transformar as pessoas em cera. Mas tudo muito subaproveitado.

    Tanto que a versão de Price é infinitamente superior, exatamente por pegar a essência do original e tirar todas as arestas desnecessárias e essas piadinhas infames, transformando-o em um filme muito mais bem elaborado e intrigante. E claro, tem Vincent Price no papel principal, o que por si só já vale o filme.


    MUSEU DE CERA (1953)

    Saindo um pouco do campo do sci-fi, das invasões alienígenas e da ameaça da bomba atômica, Museu de Cera nos concede mais um dos papeis marcantes que Vincent Price interpretou no cinema de horror. Precisa de um personagem que era culto, inteligente e sofisticado e é acometido por uma tragédia que o deixa deformado, insano e sedento por vingança? Então é só chamar Price que ele é a pessoa sempre perfeita para esse tipo de papel.

    Refilmagem de Os Crimes do Museu, de 1933, Museu de Cera foi um dos filmes mais inovadores de seu tempo, pois foi um dos primeiros de terror a utilizar a técnica do 3D e conta com uma excelente resolução de cores, obtida através de um processo exclusivo desenvolvido pelos estúdios da Warner chamado de Warnercolor. Isso acompanhado de uma pesada campanha de marketing que levou milhares ao cinema para conferir essa novidade.

    Na trama, Price habilmente interpreta o Prof. Henry Jarrod, um notável escultor de figuras de cera na Nova York do começo do século passado, que preza pelos detalhes e busca a perfeição em cada uma de suas vívidas esculturas, principalmente em sua Maria Antonieta, a qual considera sua obra prima. Como sempre dedicou-se a arte e a beleza das formas, o museu passava por dificuldades financeiras, não sendo páreo para competir com outras exibições sensacionalistas na época. E essa baixa arrecadação de dinheiro causa um descontentamento em Matthew Burke, sócio de Jarrod.

    Com a visita do respeitável crítico de arte Sidney Wallace, fascinado pela beleza das obras, Jarrod, em comum acordo com Burke, resolve oferecer a ele a parte do sócio. Porém como Wallace estava com viagem marcada, essa resposta sobre a compra de metade da sociedade só seria dada em três meses. Movido pela ganância e pela necessidade imediata de dinheiro, Burke resolve então que a melhor saída é queimar todas as estátuas e a galeria e conseguir com isso uma bolada do seguro. É claro que Jarrod é contra destruir toda a obra de sua vida, e os dois tem uma terrível briga, onde Burke por fim incendeia as estátuas e o local e deixa Jarrod para ser consumido pelas chamas.

    Passado algum tempo, o escultor, dado como morto, retorna completamente desfigurado, lunático, com um terrível plano de reconstruir sua obra, porém dessa vez, usando pessoas reais como base para suas estátuas. Jarrod conta com a ajuda de dois capangas para construir as esculturas, já que suas mãos ficaram completamente deformadas, assim como seu rosto. Um deles é o ex-presidiário Leon Averill e o outro é o surdo-mudo Igor, que vejam só, é interpretado por Charles Bronson em seu início de carreira.

    Jarrod abre um novo museu de cera, com uma ala batizada de Câmara dos Horrores, trazendo representações históricas de crimes e torturas. Para conseguir seus modelos vivos, perambula pelas noites da cidade cometendo assassinatos, com seu rosto deformado, capa preta e chapéu, parecendo uma mistura de O Fantasma da Ópera com o personagem de Darkman – Vingança sem Rosto de Sam Raimi. Fugindo de um de seus crimes, ele acaba por conhecer e perseguir a bela Sue Allen, que em sua mente doentia, vê na garota a encarnação da sua próxima Maria Antonieta, e não medirá esforços e escrúpulos para transformá-la em sua próxima estátua.

    Um dos grandes momentos de Museu de Cera é quando Sue é raptada e o lunático escultor coloca sua máquina para funcionar, na tentativa de derramar a cera quente derretida em sua vítima. A maquiagem assustadora de Price, que mais tarde se tornaria um dos maiores astros do cinema de terror, também é um dos grandes motivos de choque que o filme proporciona, fora sua interpretação mais uma vez notável, contrastando a sensibilidade do professor com sua persona obcecada e demente. Vale também prestar atenção em dois coadjuvantes do filme: um é o já citado Charles Bronson, novo de tudo, que ficaria famoso principalmente pela franquia Desejo de Matar, e a atriz Carolyn Jones, morta logo no começo do filme e usada como molde para a Joana D’Arc de cera, que seria imortalizada como a Mortícia do seriado de TV da Família Addams.

    Em 2005, Museu de Cera, que já era uma refilmagem, ganhou um até que decente remake dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra (mesmo diretor de A Órfã), que no Brasil ganhou o nome de A Casa de Cera, com Elisha Cuthbert, Paris Hilton e Jared Padalecki (do seriado Supernatural) no elenco, produzido pela Dark Castle Entertainment, produtora de Joel Silver e Robert Zemeckis, que ficou famosa por outras refilmagens de filmes de terror da década de 50 e 60, como A Casa da Colina e 13 Fantasmas.



    MUSEU DE CERA (2005)

    A produtora especializada em filmes de horror Dark Castle, de Joel Silver e Robert Zemeckis, que já lançou A Casa da Colina (House on Haunted Hill, 99), Treze Fantasmas (13 Ghosts, 2001), Navio Fantasma (Ghost Ship, 2002) e Na Companhia do Medo (Gothika, 2003), retornou em 2005 com A Casa de Cera (House of Wax), que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 03/06/05, com a direção de Jaume Collet-Serra em seu primeiro filme e trazendo a burguesinha Paris Hilton no elenco.

    Um grupo de seis jovens viajam em dois carros com destino a uma grande cidade para assistirem um jogo de futebol americano. O grupo é formado por dois casais de namorados, Wade (Jared Padalecki) e a bela Carly Jones (Elisha Cuthbert), e Blake (Robert Richard) e Paige Edwards (Paris Hilton), além de Nick Jones (Chad Michael Murray), o irmão folgado e encrenqueiro de Carly, e Dalton Chapman (Jon Abrahams), seu amigo e o mala da turma, sempre invadindo a privacidade dos outros com sua câmera de vídeo.

    Eles decidem passar a noite na estrada, acampando numa floresta, e são forçados a se separarem por causa de uma correia quebrada no motor do carro de Wade. Formando três grupos de dois, cada par toma um rumo diferente. O casal Wade e Carly pega uma carona com um homem sinistro (interpretado por Damon Harriman), cuja função é recolher as carcaças de animais atropelados na estrada juntando-os num cemitério exposto em céu aberto. Chegando numa pequena e estranha cidade deserta, conhecida como Ambrose (e que nem se encontra no mapa), eles conhecem apenas o misterioso dono do posto de gasolina, Bo (Brian Van Holt), e entram em contato como uma curiosa Casa de Cera, um museu literalmente construído em cera e que abriga em seu interior modelos de várias pessoas moldadas de forma bastante convincente com cera.

    Após o misterioso desaparecimento inicial de Wade, sua namorada Carly juntamente com os outros amigos que também chegam à cidade, passam a lutar por suas vidas, sendo perseguidos por um assassino mascarado chamado Vincent (também Brian Van Holt), que teve uma infância perturbada, com a mãe, outrora uma famosa escultura, morrendo por causa de uma grave doença, e o pai, um cirurgião não convencional, se suicidando de desgosto.

    Depois de ver A Casa de Cera, a maioria dos fãs de cinema de horror terão provavelmente uma opinião muito parecida sobre duas comprovações a respeito do roteiro do filme. Primeiro, como ponto negativo, temos a presença daqueles tradicionais personagens ridículos e banais que merecem morrer de forma dolorosa o mais rápido possível, sendo nesse caso um grupo de jovens tão patéticos e desinteressantes que é impossível para o espectador se importar com seus destinos trágicos, além da tentativa incrivelmente ruim de se criar situações de tensão e suspense com sustos forçados e descartáveis que não conseguem cumprir seu objetivo (aquelas cenas previsíveis com aumento repentino de som).

    Segundo, agora como ponto positivo, temos uma generosa dose de violência com um horror gráfico ousado (foi adotada a censura de 18 anos nos cinemas brasileiros) para os padrões dos filmes americanos convencionais que são produzidos aos montes todos os anos, em várias cenas de mortes sangrentas com direito a cabeça degolada, crânio estourado com pancadas de taco de baseball, entre outras atrocidades. Em especial, vale destacar uma cena onde um dos personagens torna-se vítima de um doloroso e angustiante processo de transformação de seu corpo num modelo coberto de cera, e o pior ainda estava por vir quando um dos seus amigos o descobre vivo por baixo da casca de cera e tenta ajudá-lo.

    O filme é anunciado pelos produtores como uma refilmagem do clássico Museu de Cera (53), dirigido por André de Toth e estrelado pelo ícone Vincent Price, porém as histórias de ambos são completamente diferentes (apesar do crédito do roteiro indicar uma base na história de Charles Belden, a mesma que originou o filme da década de 50). A única coisa em comum, além do nome original House of Wax, é justamente a ideia de um museu de cera cujos modelos possuem uma estranha autenticidade com pessoas de verdade. No mais, esse filme de 2005 apresenta um roteiro que abusa da liberdade de criação artística, explorando uma história totalmente diferente. Aliás, alguns elementos do filme possuem grande similaridade com Pânico na Floresta (Wrong Turn, 2004), principalmente na ideia de um lugar perdido no meio da floresta, sem o conhecimento das autoridades policiais, cuja imensa incompetência não permite descobrir o rastro de uma infinidade de ocorrências estranhas na região, com o desaparecimento misterioso de pessoas. Outra similaridade está no famoso caminho errado escolhido pelo grupo de jovens, levando-os diretamente para um lugar sinistro onde terão que lutar por sua sobrevivência (facilitando também o trabalho sem criatividade dos roteiristas).

    Três curiosidades que merecem registro são a presença de Paris Hilton, que é muito bonita, mas péssima atriz (apesar que seu personagem também é ridículo, dificultando o trabalho para qualquer ator tentar torná-lo interessante), sendo que para promover o filme os produtores lançaram camisas com uma frase convidando o público a ver a atriz morrer no filme. Além da homenagem ao lendário ator Vincent Price com a escolha do nome Vincent para o assassino, e o fato do cinema da cidade fantasma estar exibindo trechos do terror psicológico O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?, 62), de Robert Aldrich e com Betty Davis, Joan Crawford e Victor Buono.

    Apesar do nome nacional escolhido ser uma tradução literal do original House of Wax, uma vez que a ideia dos produtores é a de uma refilmagem (mesmo com história completamente diferente do clássico de 53), o mais correto seria adotar o título brasileiro como sendo o mesmo da obra dos anos 50, Museu de Cera. Ao chamar o filme por aqui de A Casa de Cera, a Warner apenas trouxe mais burocracia para um trabalho de pesquisa e catalogação dos filmes de horror que chegam ao Brasil.)

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