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    A MOSCA NO CINEMA



    A MOSCA DA CABEÇA BRANCA (1958)

    A Mosca da Cabeça Branca é um daqueles clássicos do cinema de terror / sci-fi, elevados ao status de cult. Diferente da refilmagem de David Cronenberg, A Mosca, de 1986, o original sofre as limitações da sua época, claro, o que acaba não impressionando tanto, visualmente falando, quanto sua versão atual, mas mesmo assim, não deixa de ser um filme redondo e com a sua boa dose de suspense.

    Assim como o filme de Cronenberg, o qual nós somos mais acostumados a ver e rever, a grande mensagem de A Mosca da Cabeça Branca é a respeito dos perigos que a tecnologia pode nos trazer. E aqui isso fica ainda mais evidente, afinal, estamos na década de 50 vivendo sob a paranoia da Guerra Fira e o medo da tecnologia ser usada pelos soviéticos para acabar com o belo modo de vida americano.

    E essa metáfora é muito bem representada pelo casal do filme, o brilhante cientista Andre Delambre e sua esposa devotada, Helene. Eles tem aquela vida perfeita típica do subúrbio americano dos anos 50: ela dona de casa servil e companheira, ele homem brilhante que traz o sustento à casa. Vivem com o filho pequeno, Phillipe, e a empregada em um mundo ensolarado e positivo. Porém esse status quo é arruinado graças a que? A tecnologia, claro.

    Logo no começo do filme somos pegos despreparados, com o zelador de uma fábrica encontrando um corpo que teve a cabeça esmagada em uma prensa hidráulica. Assustado, ele liga para o dono da fábrica, François Delambre (Price), irmão de Andre e cunhado de Helene. Em seguida, a moça liga confessando o crime, que acabara de assassinar seu irmão na prensa.

    Price então contata o Inspetor Charas, para que ele cuide da investigação do assassinato. 
    É aí que Helene resolve contar a trágica história para os dois, afim de evitar que seja presa ou vá parar em um manicômio.

    Andre trabalhava em um projeto secreto para a aeronáutica americana e construiu uma máquina capaz de teletransportar objetos e pessoas. Como bem já sabemos (acredito eu), durante um teste realizado consigo mesmo, uma mosca entra na cápsula de teletransporte e o computador faz uma recombinação genética dos dois. Diferente da refilmagem, que vai alterando fisicamente o cientista aos poucos até transformá-lo em uma criatura monstruosa e repugnante, aqui os efeitos colaterais são devastadores logo de cara. O corpo de André ganha uma cabeça gigante de mosca e um de seus braços é substituído por uma pata, enquanto o corpo da pequena mosca ganha a cabeça e o braço do pobre infeliz.

    Inicialmente ele mantém seu rosto coberto por um pano, para que a esposa não o veja. Nisso o filme é incrível, pois vai cercando de expectativa de como será a terrível aparência de André, e aguçando a curiosidade do expectador com uma dose cavalar de suspense, até que Helene enfim retira o pano e se depara com a criatura. Aos poucos, Andre vai perdendo a batalha contra o instinto primitivo do inseto, e sem conseguir encontrar a mosca-homem, o homem-mosca decide que deve ser destruído, o que nos leva aos acontecimentos do começo da fita.

    O que atrapalha bastante o filme é que ele perde muito o ritmo, enquanto mãe, filha e empregada ficam zanzando pela casa e jardim afim de capturar a tal mosca da cabeça branca, única saída para que Andre tente reverter sua aparência, prejudicando o andamento do filme. Mas no final, novamente o suspense torna-se constante, quando Helene está prestes a ser levada ao manicômio por ter assassinado seu marido, já que nem François e nem o inspetor Charas conseguem engolir essa história. É aí que Phillipe encontra a mosca da cabeça branca presa em uma teia de aranha, prestes a ser devorada, em uma das mais clássicas e bizarras cenas do cinema de terror.



    Ele conta ao tio, que leva o inspetor até o jardim e os dois presenciam o pavor e agonia da pequena criatura a mercê do aracnídeo, antes de ambos serem destruídos por uma pedra, lançada pelo atormentado Charas, que nunca mais irá esquecer aquela visão e aquele grito de desespero. Mas infelizmente, o final acaba sendo feliz demais (bem diferente de A Mosca, por exemplo), pois mesmo com a morte de Andre, Helene não é presa, e vive feliz com o filho e com François, que assume o papel de pai do garoto. Aquelas maravilhas dos anos 50, sabe?

    Os efeitos especiais de A Mosca da Cabeça Branca são decentes, se você parar para pensar que estamos falando aqui de um filme B de sessenta anos atrás. Tanto a maquiagem da cabeça de mosca deve ter sido um choque e assustador na época, quanto os efeitos das luzes de neon enquanto a máquina era utilizada, assim como os objetos sumindo antes de serem materializados na outra máquina. As atuações estão bem sóbrias também, principalmente de Price, que ainda não havia se tornado uma referência no horror até então, e de Patricia Owens, que vive Helene. O excesso de cores, a fotografia e a filmagem em Cinemascope também são muito bem utilizados, para mostrar que o terror pode acontecer em locais ensolarados, claros e em plena luz do dia e não são exclusividades de paisagens e lugares sombrios.


    MONSTRO DE MIL OLHOS (1959)

    Considero O Monstro de Mil Olhos um filme menosprezado. Fracasso retumbante de bilheteria, essa continuação de A Mosca da Cabeça Branca, que traz novamente Vincent Price no elenco, não chega a ser indispensável, mas eu gostei mesmo do filme e principalmente da maquiagem da cabeçona de mosca do monstro, mais bem feita do que o filme original, por exemplo.

    O grande problema, opinião até compartilhada por Price em entrevista dada em 1988, é que o que fez o filme não ser tão bem aceito quanto seu predecessor, foi o fato dele ter sido filmado em preto e branco, exigência da 20th Century Fox, sendo que A Mosca da Cabeça Branca era todo cores vivas em Technicolor. 

    Um parágrafo a parte para o título do filme. Sabemos que a cultura no nosso país é dar o título mais mercadológico possível para as produções que chegam ao cinema (e mais tarde em VHS, DVD, Blu-Ray, VOD, e por aí vai). Mas O Monstro de Mil Olhos???? Custava ser O Retorno da Mosca? Assim como o original, precisava se chamar A Mosca da Cabeça Branca, ao invés de simplesmente A Mosca?

    Mas enfim, devaneios a parte, a história se passa 15 anos após os trágicos acontecimentos quando a experiência de teletransporte de Andre Delambre deu miseravelmente errado e ele se transformou em duas criaturas mutantes distintas: um homem com cabeça e pata de mosca e uma mosca com cabeça (branca) de homem. Agora, seu filho crescido, Phillipe (Brett Halsey), após a morte de sua mãe, resolve retomar as experiências do pai e reconstruir a máquina capaz de desintegrar e reintegrar matéria.

    Claro que seu tio e tutor, François, papel reprisado por Vincent Price (detalhe que o garotinho do filme anterior se torna um jovem adulto e o personagem de Price não envelhece sequer uma ruga) é completamente contra a ideia, devido à tragédia que se abateu com a família durante todos esses anos. Mas Phillipe não dá a menor bola a continua o projeto, mudando-se para a antiga casa de seu avô com seu assistente Alan Hines, onde pretende reconstruir a máquina no porão.

    Porém quando a grana começa a ficar curta e ele precisa do financiamento do tio e do dinheiro das empresas, ele chantageia François ameaçando vender sua parte na companhia o qual é sócio, herdada de seu pai, fazendo com que não sobre alternativas para o tio a não ser continuar investindo no experimento, até como forma de se manter próximo de Phillipe e evitar que algum acidente parecido aconteça. Um dos testes para constatar a confiabilidade da máquina, é colocar um porquinho da índia no teletransportador e armazená-lo por um tempo no limbo, decidindo trazê-lo de volta apenas no dia seguinte. E Hines, solicitamente oferece todo seu auxílio e trabalha de graça para Phillipe.

    Mas como quando a esmola é muita, o santo desconfia, Hines se mostra na verdade um espião industrial usando um nome falso. Seu verdadeiro nome é Ronald “Roonie” Holmes, fugitivo da polícia britânica, que fecha um acordo escuso com Max, um sujeito meio gângster e meio dono de uma funerária (???!!!), para que ele venda os esquemas e diagramas da invenção revolucionária para importantes companhias, traindo Phillipe e ganhando uma bolada com isso.

    Certa noite, enquanto Hines (ou Holmes) está fotografando os diagramas da máquina de teletransporte, um detetive inglês que finalmente encontrou seu paradeiro entra no laboratório às escondidas e dá voz de prisão ao escroque, que não se rende e enfia o detetive dentro do teletransportador, trazendo-o de volta na sequência junto com o porquinho da índia desmaterializado anteriormente. A fusão celular faz com que o homem ganhe as patas do roedor, e o bichinho braços humano. Após dar sumiço do corpo e do carro do detetive e sair para encontrar Max, a fim de lhe enviar provas para conseguir concretizar a venda secreta do experimento, ele volta e encontra Phillipe no laboratório questionando-o, quando em uma violenta briga, Hines (ou Holmes) também mete o antigo parceiro na máquina e por pura maldade, enfia uma mosca junto com ele.

    Phillipe volta com a horrenda cabeça de uma mosca, assim como uma pata, tal qual aconteceu com seu pai, e o pequeno inseto ganha a cabeça do jovem cientista. Phillipe foge do laboratório e vai ao encontro de Max e Hines, matando ambos. Infelizmente a morte é por um simples estrangulamento com a pata de mosca. 

    Nada nojento como vomitar e derreter o vilão, como acontece em A Mosca de David Cronenberg. Lutando contra seus instintos e preservando o pouco que resta da consciência de Phillipe, a criatura volta até a casa, onde o Inspetor Beecham conseguiu aprisionar a Mosca em uma jarra, e François coloca os dois no teletransportador, para tentar reverter o processo. 

    O Monstro de Mil Olhos parece mais do mesmo, mas não é um filme cansativo e você não tem aquela impressão de que perdeu seu tempo assistindo mais uma fraca sequência. Eu sinceramente gosto do filme, principalmente, como disse acima, da maquiagem da mosca com seu cabeção inseto, que chega a ser hilário e assustador ao mesmo tempo. Claro, nada comparado à maquiagem de Rob Bottin na refilmagem de 1986, mas é bastante interessante, pensando nos padrões do final da década de 50.


    MALDIÇÃO DA MOSCA (1965)

    A Maldição da Mosca é o filme que encerra a trilogia original da Mosca, que se iniciou em 1958 com A Mosca da Cabeça Branca, e seguiu com sua sequência do ano seguinte, O Monstro de Mil Olhos. 

    É o primeiro sem a presença de Vincent Price, que nesta altura, estava trabalhando com Roger Corman em suas adaptações da obra de Edgar Allan Poe para a American International Pictures. Sorte dele. E de novo, comete o mesmo pecado sem sentido que o filme anterior, utilizando fotografia em preto e branco, sendo que o primeiro filme e o mais velho fora rodado colorido em Technicolor, Cinemascope e tudo mais.

    Dirigido por Don Sharp e com roteiro de Harry Spalding, a trama segue a saga da amaldiçoada família Delambre, que depois de três gerações, tenta viver uma vida normal, pero no mucho, ainda engajados em suas experiências com teletransporte, mesmo que anteriormente tenham sido extremamente mal sucedidos e todos os envolvidos tenham se transformados em monstruosos insetos humanos.

    Henri Delambre, interpretado por Brian Donlevy (o Prof. Bernard Quatermass de Terror que Mata) o filho do cientista mosca original de 1958, está tentando dar continuidade em seus experimentos para teletransportar pessoas do Canadá para a Inglaterra, auxiliado pelo restante de sua família e uns empregados chineses que parecem capangas do Fu Manchu. Obcecado em finalmente conseguir resultados, ele continua insistindo na ideia de usar cobaias humanas, mesmo que dê errado e transforme-as em terríveis deformidades mutantes, como faz até mesmo com sua nora. Sem contar a desaprovação de seus filhos, que querem apenas ter uma vida ordinária, com suas famílias, deixando de lado esse sonho maluco que só vem se transformando em um pesadelo.

    Em uma viagem para Montreal, Martin Dellambre (George Baker), filho de Henri, conhece Patricia Stanly, interpretada pela bela sul-africana Carole Grey, que na verdade é uma louca de pedra que acabara de fugir de um hospício, logo na cena de abertura do longa, só de calcinha e sutiã, quebrando uma janela de vidro (sem se machucar) e correndo para a floresta, em uma cena pateticamente poética em câmera lenta e música instrumental de melodrama de fundo.

    As experiências erradas do passado obviamente virão à tona para desgraçar novamente os Delambre, quando a moça descobre aquelas horrendas criaturas que vivem encarceradas. Como ela já havia chamado a atenção da polícia por ser uma fugitiva, agora por conta dos experimentos, auxiliados com uma consultoria do já velho e aposentado Inspetor Charas, o mesmo que investigou a estranha morte e suicídio de André Delambre, o primeiro Mosca, os policiais resolvem ficar no encalço dos cientistas, mais uma vez tentando frustrar seus planos amalucados de teletransporte.

    O que pode ser um ponto positivo pela originalidade do roteiro em mostrar apenas a saga dos cientistas loucos e suas mutações e não envolvê-los em nenhuma outra experiência que irá deformá-los e transformá-los em uma criatura no clímax do filme.


    A MOSCA (1986)

    "Tenha medo. Tenha muito medo”. David Croneneberg eleva as ideais de metamorfose de Kafka ao extremo da repugnância com A Mosca, refilmagem de um filme B dos anos 50 estrelado por Vincent Price, que no Brasil foi lançado com o nome de A Mosca da Cabeça Branca.

    Os longas de Cronenberg já predizia que os avanços tecnológicos (Videodrome – A Síndrome do Vídeo), sociais (Calafrios) e médicos (Os Filhos do Medo) poderiam ter efeitos devastadores sobre as pessoas. E A Mosca é o resultado supremo do que pode acontecer quando todas esses elementos se juntam em uma experiência desastrosa.

    Fiel à premissa do original, Seth Brundle (Jeff Goldblum, ótimo, por incrível que pareça) é um brilhante e tímido cientista que inventa algo que irá mudar o modo como vivemos. Ele cria uma máquina de teletransporte, que batiza de telepod, capaz de desintegrar as partículas de objetos inanimados e reintegrá-las em outra cabine. A experiência é acompanhada pela jornalista Veronica “Ronnie” Qualife (Geena Davis), que resolve documentar o avanço de Brundle e inexoravelmente transforma-se em seu par amoroso. O próximo passo é tentar teletransportar seres vivos, algo que consegue com sucesso apenas depois de virar do avesso vários babuínos durante o processo. Só que nessa equação existe o cínico e chauvinista editor e ex-namorado de Ronnie, Stathis Boranis.

    Cronnenberg sempre deixou muito claro seu fetiche pela carne, e o quanto ela é vulnerável e mutável. Aqui ele alcança seu apogeu. E escancara isso quando a experiência de Brundle só consegue obter sucesso quando o cientista programa seu computador para tornar-se louco pela carne e reproduzí-la por completo, e não apenas sintetizá-la.

    Pois bem, certa noite, atacado por uma crise de ciúmes e bebedeira, Brundle resolve fazer o experimento em si mesmo, após o sucesso com outro de seus babuínos cobaias. Só que junto com Brundle, em um dos telepods entra uma mosca. O computador durante o processo realiza uma recombinação genética entre eles e gradativamente Brundle vai se transformando em um híbrido entre humano e inseto, o “Brundlemosca"como o computador batiza.

    O diretor canadense nunca teve pudores em mostrar nojeira em seus filmes. Mas em A Mosca, ele atinge o seu extremo, graças a fantástica maquiagem ganhadora do Oscar daquele ano e as próteses criadas por Rob Bottin. No começo Brundle começa a se sentir mais ágil, forte, disposto e as mudanças físicas ficam no crescimento de repulsivos pelos duros em seu corpo e manchas em seu rosto. Mas conforme a mutação se acelera, bolhas, pústulas e cancros vão surgindo em sua pele, enquanto pedaços do corpo que se tornam inúteis como cabelos, unhas, orelhas e dentes vão caindo gradativamente e “Brundlemosca” vai se transformando em uma grotesca massa disforme mutante.

    Tudo complica mais ainda quando Ronnie descobre que está grávida de Seth e quer desesperadamente abortar a criança, com medo de que ela tenha alguma característica genética do pai. E a relação entre os dois é que realmente mostra o quanto A Mosca é uma história de amor sadicamente deturpada, mesmo com todo seu tom asqueroso. É a luta de Ronnie tentando de qualquer forma encontrar naquela criatura grotesca o homem que um dia amou, e a luta de Seth em manter a sua razão em detrimento do instinto animal de sobrevivência e perpetuação da espécie que vai tomando conta de seu ser. O final dessa história não poderia ser mais trágico e cativar mais o espectador, mesmo com toda a repulsa.

    Um golaço que Cronnenberg sempre marca é pegar atores canastrões e fazer com que eles façam os papeis surpreendentes. Foi assim com James Woods em Videodrome e é assim que ele faz com Jeff Goldblum em A Mosca. A degradação tanto física quanto psicológica do personagem é simplesmente sensacional. Aos poucos você vê Seth tornando-se cada vez mais hiperativo, entupindo-se de açúcar e perdendo completamente seu controle emocional, e graças a alguns tiques nervosos com os olhos e rápidos movimentos do rosto e membros, sua transformação em uma mosca humana fica completamente crível.

    Fato é que nunca você vai sentir ao mesmo tempo tanto nojo, e tanta dó juntos em um filme, como em A Mosca. Recomendadíssimo!


    A MOSCA 2 (1989)

    A Mosca 2 é mais uma daquelas sequências caça-níquel.  Mas olhe, ele não é de tudo tão ruim. Na verdade, se formos pensar em termos dos efeitos de maquiagem, o longa é excelente. O roteiro também tem lá seus méritos, ainda mais se tratando de uma continuação direta de seu antecessor, o insuperável A Mosca, dirigido por David Cronenberg. O grande problema é o final salafrário (coisa de estúdio, sabe?) e o visual da criatura principal.

    Fato é que A Mosca é um filme tenso. Além da nojeira no limite, dos dilemas morais e científicos aplicados, da deturpada história de amor, o final é completamente pessimista, uma vez que Brudlemosca ao virar a amálgama mutante entre humano e inseto, acaba fazendo o papel do vilão (ou anti-herói?), deixando a mocinha grávida (a quem tenta até matar em última instância) e sendo morto/sacrificado depois de mais um teleporte errado.

    O filho de Seth Brundle e Veronica Quaife (Geena Davis não voltou para o prólogo porque ficou deveras traumatizada com a cena da cirurgia obstetrícia da larva no primeiro, e uma vez que ela voltaria apenas por poucos minutos para dar a luz ao bebê) será então o protagonista nesta sequência (tal qual o filho de Andre Delambre em O Monstro de Mil Olhos, sequência do original A Mosca da Cabeça Branca, lá dos anos 50). Veronica morre no parto e o garoto, Martin, que nasce aparentemente normal e será confinado, cuidado e observado por uma equipe de cientistas da empresa comandada pelo famigerado Sr. Bartok (Lee Richardson).

    Como Martin possui o metabolismo de um inseto, com cinco anos de vida ele já se torna um adulto, agora interpretado por Eric Stoltz (o papel quase foi de Vincent D’Onofrio, que acabou não passando no teste, e também fora oferecido para Keanu Reaves e Josh Brolin), e passa a trabalhar, sempre manipulado por Bartok, nos telepods do pai.

    Tudo está bem na medida do possível, Martin se engraça com a também pesquisadora Beth (Daphne Zuniga, impossível de se desassociar da Princesa Vespa de Spaceballs), mas eis que a mutação em seu organismo começa a dar sinais de vida e ele descobre que está sendo usado por Bartok e continua tendo sua privacidade e passos filmados.

    A transformação de Eric Stoltz no Brundlemosca II é de tirar o chapéu, assim como as cenas de splatter (principalmente quando o moscão vomita sua secreção ácida no rosto de um segurança, ou quando outro guardinha tem sua cabeça esmagada por um elevador) e algumas outras criaturas deformadas (incluindo aí um pobre cãozinho vítima de um teleporte mal sucedido), que não entrarei mais em mais detalhes para não soltar SPOILERS do final do filme.

    Mas a passagem mais genial de todo A Mosca 2 provavelmente deve ter passado desapercebido de muita gente. Dado momento há uma cena com um vigia noturno da Bartok dentro de sua guarita, e o livro que ele está lendo se chama “The Shape of Rage”, que é exatamente o livro escrito pelo Dr. Hal Raglan em Os Filhos do Medo, dirigido por quem? David Cronenberg! Bela homenagem ao diretor do primeiro filme. 

    Mas como disse no começo do texto, toda a estrutura da sequência em repetir fórmulas (como a história do caso amoroso entre Martin e Beth), em ampliar o conceito do mutante, deixando-o maior, mais mortal, e mais cartunesco, por conseguinte, e com muito mais tempo em cena, e o tal do final feliz, é o que transforma A Mosca 2 em uma sequência caça-níquel clássica com cara de produto enlatado de estúdio.

    O que é uma pena, pois ele é decente de certa forma e poderia ter um resultado muito mais satisfatório.




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