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    quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

    O MONSTRO DO ÁRTICO NO CINEMA




    MONSTRO DO ÁRTICO (1951)

    O capitão da força aérea Patrick voa com sua equipe para o Pólo Norte com o objetivo de encontrar a Expedição Polar Seis, um grupo de cientistas liderados por Arthur. Os cientistas estudam as condições do Ártico para entender a razão de um avião ter se chocado no gelo. Quando Patrick se encontra com Arthur lhe são mostradas imagens de um estranho objeto cruzando o céu. Rapidamente é montada uma equipe para investigar um objeto que caiu no polo norte. Uma vez lá, encontram um disco soterrado na neve e algo que parece ser um animal congelado.

    Os homens removem o bicho do gelo, escavando um bloco com o corpo, e levam para a base, onde o filme deixa a ação e passa para o mistério e suspense. Uma vez aquecido o bloco de gelo, a criatura escapa, ataca cães sugando seu sangue e deixa uma parte dele para trás, que é autopsiada. Descobre-se que o bicho é na verdade um hematófago  se alimentando de sangue para sobreviver, mas tem uma condição genética semelhante a de um vegetal, como uma planta carnívora - e curiosamente, isso soa até plausível dentro da trama. Um dos envolvidos, o doutor, quer manter contato com a criatura, mantendo-a em cativeiro. A ideia dos outros, no entanto, é exterminá-la por segurança - embora ela seja imune a disparos de armas.

    Esse mote parece frágil, mas é a forma como é conduzido que faz toda a diferença. A trama é enxuta, bem amarrada e conduzida. O filme é rápido, não tem nem uma hora e meia de duração, e a montagem é ágil, dando ritmo de filme de ação apesar da idade - é um filme de 1951, em preto e branco, recordemos. Sem contar que chama atenção o mistério em torno da criatura, o que já garante metade do êxito da produção.

    A sacada do disco soterrado, em que os exploradores tentam medi-lo sobre o gelo, é excelente, bem como o fato de que a descoberta é escondida do resto do mundo por motivos óbvios. Em determinado momento, um dos personagens diz que é o evento mais importante do mundo, mas é censurado pela força aérea, uma ideia de que como o assunto era tratado à época (o Caso Roswell, o mais famoso incidente ufológico que se tem notícia, havia acontecido 4 anos antes, o que deixa um filme com tom de conspiração, sintonizado com o seu tempo).

    A criatura também é escondida o máximo possível, o que mantém a curiosidade do espectador até o final - antes,  suas descrições são conhecidas através de diálogos de personagens e de relances, como no ataque aos cães ou em invasões na base. O grupo arma uma emboscada para a criatura, uma vez que ela precisa do sangue deles para se alimentar e destrói o sistema de aquecimento da base, para deixar o ambiente congelante e espantar o grupo para fora. Graças aos seus hábitos particulares, há momentos interessantes e tensos, quando a criatura é presa dentro da estufa, mas em seguida foge, invade um dos quartos e todos tentam queimá-la; no aparelho que mede a radiação e que sinaliza quando ela está se aproximando; ou na cena em que eles descobrem que ela deixou um cão morto dentro da base.

    Se o mistério é mantido até praticamente o final, contudo, é a revelação que acaba estragando a produção - e é quando a idade do filme acaba realmente comprometendo o entretenimento: o bicho nada mais é do que um ator com maquiagem barata se movendo lentamente. A última sequência, com o monólogo de alerta, é abrupta e deixa uma sensação de que poderia ser melhor resolvida. Nada que acabe com a aura de um clássico que serviu de inspiração para refilmagem duas vezes.


    O ENIGMA DO OUTRO MUNDO (1982)

    O ano era 1982, o mundo inteiro se encantava com o alienígena bonzinho que foi esquecido na Terra e desenvolveu uma linda amizade com o menino Eliot. O que isso tem a ver com o filme foco desta coluna? Simples…o E.T., que diziam não fazia mal a ninguém, acabou com o filme de John Carpenter e mais tarde viria a acabar também com o Atari, mas isso é outra história.

    O fato é que o Enigma de Outro Mundo (The Thing, no original) estreou apenas duas semanas após E.T. nos cinemas americanos, e pegou o mundo inteiro apaixonado pelo pescoçudo fofinho. Numa época em que todo mundo queria ter um E.T. dentro de casa, as criaturas grotescas deste filme foram massacradas pelos críticos e rejeitadas pelo publico. Assim como o E.T. caiu nas graças do público merecidamente, o seu primo mais feio e malvado foi um tremendo fracasso. Vejam como uma decisão errada de um executivo sobre uma simples data de lançamento pode aniquilar o que deveria ter sido um grande sucesso.

    O filme é dirigido por John Carpenter, famoso pelo super clássico Halloween, mas que também fez outros filmes excelentes como “Christine, o carro assassino”, baseado no livro homônimo de Stephen King e “Os aventureiros do bairro proibido”, um dos maiores clássicos de aventura dos anos 80. Foi neste filme a primeira vez que Carpenter dirigiu Kurt Russel, com quem voltaria a trabalhar no próprio “Aventureiros…” e também no razoável “Fuga de Nova York” e, mais tarde, em “Fuga de Los Angeles”que não vale a pena nem ser comentado.

    A história se passa na Antártida, em uma estação de pesquisa americana, logo de cara, após uma cena descartável de nave caindo na Terra, vemos um helicóptero de pesquisadores Noruegueses perseguindo um inocente husk siberiano que tenta se salvar correndo pela neve até que alcançam a base americana. Neste momento os noruegueses conseguem, sem nenhuma ajuda, explodir o próprio helicóptero e atirar em um americano ao tentar acertar o cachorro. Claro que os americanos revidam e acabam com o único norueguês que havia sobrado.

    Mas por que os Noruegueses estavam atrás do pobre cachorro? Eles logo deduzem que é um caso de “cabin fever”, termo usado para designar um determinado tipo de paranoia que acontece quando pessoas são enclausuras em um mesmo lugar por muito tempo, elas começam a ficar malucas . Mas a fim de descobrir o que realmente aconteceu, um piloto e um médico resolvem ir até a base norueguesa, lá chegando encontram um cenário de destruição e os restos mortais de uma criatura totalmente deformada que resolvem levar com eles para análise.



    A partir daí o filme começa a mostrar a que veio. Descobrimos que o cachorro, na verdade é um ser alienígena, que tem a habilidade de morfar e assumir a forma de qualquer coisa que come. O trabalho aqui é feito com maestria e temos algumas das cenas mais nojentas da história do cinema .

    Lembre-se que estamos em 1982 e não havia este monte de computadores espetaculares sendo mal utilizados para criar monstros falsos em CGI, aqui é tudo feito com borracha, robótica, marionetes e um pouco de stop motion.

    E quem pensa que o filme é só um banho de sangue e gore pra tudo que é lado se engana. Como em determinado momento ninguém sabe mais quem é humano e quem já foi devorado, Carpenter passa a trabalhar com maestria este lado do suspense. Todos começam a desconfiar uns dos outros, a tensão psicológica e a pressão chegam ao extremo a medida que os alienígenas são revelados das maneiras mais nojentas possíveis. Gore, suspense e sustos na medida certa. A cena do desfibrilador é espetacular.

    O ENIGMA DO OUTRO MUNDO (2011)

    Quando foi lançado em 1982 O Enigma de Outro Mundo foi duramente criticado pelo publico e pela critica e não teve um bom faturamento nas bilheterias. Só anos depois o filme ganhou o reconhecimento merecido, sendo reconhecido como uma das grandes obras primas do terror. Como o filme virou um cult no gênero foi anunciado esse prelúdio que conta os eventos anteriores ao primeiro filme. Assim como o filme de John Carpenter que era baseado no pequeno clássico O Monstro do Ártico, O Enigma de Outro Mundo (2011) também foi duramente criticado, tendo uma péssima bilheteria, o filme custou US$ 38 milhões e não conseguiu o mesmo faturamento da produção nas bilheterias, arrecadando apenas US$ 27 milhões de dólares  A direção ficou a cargo do iniciante Matthijs van Heijningen Jr, que não é nem um John Carpenter, mas com uma equipe competente conseguiram fazer um filme digno, que mesmo estando bem abaixo do clássico de 82, é um filme que diverte e de quebra homenageia o original.

    A história desse preludio se passa dias antes do filme de John Carpenter e mostra uma equipe de Noruegueses que ao acharem uma forma de vida misteriosa presa no gelo decidem aumentar a equipe trazendo cientistas e pesquisadores para investigar a forma de vida que pode ter milhões de anos e pode ser uma das maiores descobertas da história da ciência. A paleontóloga Kate Lloyd (Mary Elizabeth Winstead de Premonição 3 e Natal Negro) é contratada pela equipe de Noruegueses a fim de descobrir do que se tratava a forma de vida no gelo. A equipe vai rumo a Antártida e tiram a parte do gelo contendo a forma de vida. A equipe decide levar o bloco de gelo descavado para a base, onde mais tarde o gelo derrete e a coisa desperta, matando membros da equipe. Ao capturar a coisa e colocar fogo nela, eles descobrem que as células da criatura continuam vivas, e copiando as células dos sobreviventes na base. Sem saber qual membro do grupo está contaminado,qualquer um pode ser a criatura. Um clima de paranoia começa entre os sobreviventes na base.

    O filme recicla vários elementos e cenas do filme original de 1982, com alguns detalhes acrescentados a trama que explica alguns eventos anteriores ao filme do Carpenter, mesmo que alguns partes continuem sem resposta. Assim como Halloween O Inicio, O Enigma de Outro Mundo pode ser considerado tanto um prequel, quanto um remake. Ele antecede os eventos do filme de 1982, mas também copia várias cenas dele. O mais bacana nesse filme é que ao prestar homenagem ao filme original ele dá atenção a vários detalhes do outro filme. O machado na porta, a forma de vida queimada com dois rostos do lado de fora da base norueguesa, todos esses detalhes não ficaram de fora.

    O maior erro desse filme foi terem usado e abusado do maldito CGI, enquanto o original era um show de efeitos especiais práticos esse aqui usa efeitos especiais de computador em todas as cenas que que a criatura aparece, outro erro foi mostrar a forma real da criatura. Uma das coisas mais elogiadas no filme do Carpenter era o fato de ninguém saber qual era a forma real no alienígena, já que ele copiava toda forma de vida da terra, já nesse filme ele aparece em várias cenas em sua forma original, tirando o elemento surpresa que era o grande acerto do filme de 82. O CGI mesmo que não seja excelente como no filme original é bem usado para mostrar as deformidades causadas pela criatura quando possui a vitima.

    O suspense funciona, não tem a mesma força do filme de John Carpenter, mas funciona sim, diferente do que a maioria dos críticos andam falando por ai. O roteiro de Eric Heisserer (A Hora do Pesadelo, Premonição 5) tem erros e acertos. O maior acerto é não dar detalhes sobre a origem da coisa, mostrando apenas a história dos Noruegueses mostrados no filme de 82 .

     Mary Elizabeth Winstead tá bem no papel de protagonista, diferente do que andou se falando ela é carismática e é bacana o filme ser o ponto de vista apenas dela. No filme de 1982, o personagem Macready era o protagonista, mas também era um dos suspeitos, já nesse tudo é visto do ponto de vista da mocinha que conduz a trama.

    Muitos fãs do filme original não curtiram, falaram que é inferior ao clássico, isso não pode ser apontado como um defeito, já que o objetivo desse prequel foi homenagear o original e mostrar uma história que antecede  o filme. Assista sem comparar! É um filme que merece ser visto e que provavelmente daqui a alguns anos receberá o reconhecimento merecido!


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