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    segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

    MONSTRO DA LAGOA NEGRA NO CINEMA




    MONSTRO DA LAGOA NEGRA (1954)

    SINOPSE

    Cientista que procura fósseis antigos na região do Rio Amazonas encontra a pata de uma criatura desconhecida. Resolve então organizar uma pequena expedição e parte em um barco à procura de outros vestígios. Em um local conhecido como Lagoa Negra, devido às águas serem muito escuras, acabam encontrando uma estranha criatura viva, um ser anfíbio muito parecido com o homem.

    FICHA TÉCNICA

     Direção: Jack Arnold
     Roteiro: Maurice Zimm (história), Harry Essex (roteiro), Arthur A. Ross (roteiro)
     Gênero: Aventura/Ficção Científica/Terror
     Origem: Estados Unidos
     Duração: 79 minutos
     Tipo: Longa-metragem

    ENTÃO...

    O Monstro da Lagoa Negra é o último dos monstros da Universal a surgir no cinema, completando um time que já era formado por Drácula, Frankenstein, A Múmia e O Lobisomem, antes do ciclo se encerrar por definitivo.

    O mais legal de tudo no filme é que na verdade o tal monstro é conterrâneo nosso. Sim, isso mesmo, o filme se passa no Brasil, e a criatura anfíbia meio homem, meio peixe, é morador das profundezas do Rio Amazonas, mas especificamente, uma parte do rio conhecida como Lagoa Negra (???!!!). Ainda bem que pelos menos os cientistas gringos do filme admitem que perto do Amazonas, o Rio Mississipi parece um riachinho.

    Pois bem, o explorador Carl Maia descobre às margens do rio a pata de fóssil de uma criatura desconhecida. Curioso em descobrir a sua origem, ele consegue financiamento para uma expedição e a bordo do barco Rita, sobe o rio junto com o biólogo marinho David Reed, sua noiva Kay Lawrence e o ganancioso e inconsequente Mark Williams, na busca pelo que eles acreditam ser o elo perdido que deixou as águas a milhares de anos e deu origem a toda a vida terrestre.

    Ao chegarem na tal Lagoa Negra eles se deparam com a existência deste monstro pré-histórico, que vive submerso, único sobrevivente de sua raça que viveu há 416 milhões de anos, no período devoniano. Enquanto David quer de toda forma capturar o monstro vivo para estudar sua espécie para poder entender melhor nossa própria evolução, Mark quer apenas caçar a criatura, como se fosse uma pescaria. Aos poucos, o monstro vai matando toda a tripulação em suas investidas, e se apaixona pela Kay, já que toda hora tenta raptá-la para levar ao seu covil. Pois é, criaturas aquáticas também amam!

    Os primeiros 20 minutos do filme são realmente fantásticos, contando desde a história da criação da terra e explanando sobre a evolução das espécies, até as belas tomadas em preto e branco do Rio Amazonas, e principalmente, as filmagens subaquáticas, já que quando está em seu habitat natural, o monstro promove um belo balé submerso, enquanto está de olho na bela Kay nadando ou mesmo quando é perseguido pelos seus caçadores e luta contra eles embaixo da água. Só que depois o filme vai perdendo o ritmo, tornando-se cansativo com repetições de cenas e situações e o predomínio de um clima aventureiro, deixando o terror completamente de lado.

    A roupa de borracha do monstro pode até ter sido um desbunde para a época, mas hoje é bastante tosca e engraçada, o que dá aquele saudoso ar de filme trash da década de 50 quando você o assiste novamente. Além de todos os demais papeis serem verdadeiros estereótipos: do mocinho, do anti-herói e claro, da mulher que só sabe gritar e ficar a mercê do monstro borrachudo. Pelo menos não fizeram nenhum brasileiro tosco, como é de costume. Mas não deixa de ser um filme interessante e inventivo.

    O Monstro da Lagoa Negra serviu como inspiração para muitos outros filmes envolvendo criaturas marinhas que viriam a ser feitos na posteridade, e teria seu lugar como referência nas filmagens das cenas subaquáticas. Até mesmo a cena em que o monstro nada por baixo de Kay, apenas espreitando o momento certo para dar o bote, lembra Tubarão de Steven Spielberg. Outros filmes que me vem a cabeça agora que são “filhos” de O Monstro da Lagoa Negra é o italiano A Ilha dos Homens-Peixe, clássico da Sessão das Dez do SBT nos anos 80 e o sensacionalmente tosco Criaturas das Profundezas do mestre dos filmes B, Roger Corman.

    Ah, O Monstro da Lagoa Negra ainda conseguiu gerar duas sequências: A Revanche do Monstro, de 1955 e Caça ao Monstro, de 1956. Ambos sem o mesmo charme do predecessor.

    De acordo com o produtor William Alland, a ideia para o filme foi originalmente trazida por um diretor brasileiro que ele encontrara na casa de Orson Welles. O homem falara de um amigo que tinha desaparecido no Amazonas ao realizar filmagens para um documentário sobre rumores da existência de um povo-peixe no lugar.

    Foram criadas várias caracterizações para a criatura. William Alland o visualizava como um "triste e bonito monstro". Pensou-se inicialmente em desenhá-lo com uma lustrosa pele de enguia, sem as muitas brânquias da versão final. O artista responsável pelo desenho que enfim foi aprovado foi o animador de Walt Disney Millicent Patrick mas essa importância foi propositalmente obliterada pelo maquiador Bud Westmore que durante cinquenta anos recebeu exclusivamente os créditos pela concepção da criatura. A vestimenta do ator com a aparência do Monstro foi produzida em borracha esponjosa e custou 15 mil dolares.

    As sequências subaquáticas foram filmadas em Wakulla Springs ao Norte da Flórida (hoje um parque estadual). Parte do filme foi rodado em Jacksonville, Flórida na margem sul do rio próximo a antiga Ponte Acosta. A roupa para os mergulhos do Monstro foi pintada de amarelo a fim de se obter maior visibilidade nas águas escuras. Havia uma mangueira de ar dentro da roupa, por onde se podia respirar.



      SLUGS



    A REVANCHE DO MONSTRO (1955)

    Claro que um filme de monstro da Universal teria que ter uma continuação. Se Drácula teve, Frankenstein teve, A Múmia teve, O Lobisomem teve e até O Homem Invisível teve, por que seria diferente com O Monstro da Lagoa Negra? Pois é, o Gill Man volta a atacar em A Revanche do Monstro. Novamente dirigido por Jack Arnold, o diretor do primeiro filme, aqui vemos a criatura anfíbia Gill Man (algo como tradução literal de Homem Guelra) tendo sua paz mais uma vez atazanada em pleno Rio Amazonas, seu habitat natural. Agora, o Prof. Clete Ferguson e Joe Hayes vão pescar o mutante para levá-lo até o aquário Ocean Harbor na Flórida, afim de estudá-lo e colocá-lo como a mais nova atração do parque aquático. Uma verdadeira crueldade com o Gill Man.

    Ao chegar ao parque aquático, eles recebem a ajuda da ictióloga Helen Dobson, por quem Clete acaba rapidamente se apaixonando assim como o Gill Man. Claro né, afinal em O Monstro da Lagoa Negra já dava para sacar que ele era chegado em uma mamífera humana. E aqui enquanto ele está acorrentado no fundo do tanque onde é cativo, ele vira e mexe recebe a visita da garota que o olha com dó, mas só até Clete aparecer e eles começarem a flertar na frente da criatura, que fica os encarando com aquele olhar de peixe morto .

    Preso, com tesão reprimido e ainda sendo cutucado com uma vara elétrica e azucrinado pelos cientistas, não ia dar outra. Gill Man revoltado consegue estourar as correntes e toca o terror no parque aquático, sendo um espécie de predecessor de Tubarão 3 e Piranha, até voltar para o mar. Então várias manchetes de jornais dão conta de ataques que o monstro vai cometendo nas praias e costas, até encontrar novamente com Clete e Helen em uma baladinha à beira de um rio em Jacksonville, chamada The Lobster House (isso antes de dar uma bela olhada na garota tomando banho em outra cena). Gill Man promove o pânico ali naquele bar e rapta Helen, talvez querendo gerar pequenos monstrinhos da lagoa negra com ela. Com o auxílio da polícia local, Clete vai ao encalço do anfíbio mutante para livrar sua amada das garras escamosas do monstro.

    Destaque mais uma vez para a tosca, mas legal, roupa de Gill Man, design criado por Jack Kevan, com suas guelras que se abrem e fecham, que foi interpretado por Tom Hennesy nas tomadas em terra firme, e por Ricou Browning, em sua diversas cenas embaixo d’água, quando a criatura mostra com toda desenvoltura seu balé aquático.

    Filmado com a tecnologia 3D da época, uma das principais curiosidades de A Revanche do Monstro é que foi a primeira participação de Clint Eastwood no cinema, em um papel não creditado, como um técnico de laboratório chamado Jennings, no comecinho da fita. As cenas que se passam no Ocean Harbor foram na verdade filmados no Marineland of Florida, o primeiro oceanário do mundo.


    CAÇA AO MONSTRO (1956)

    Ao melhor estilo das continuações dos filmes de monstro da Universal, Gill Man ganha seu terceiro e completamente dispensável título, Caça ao Monstro, enterrando de vez a franquia criada em O Monstro da Lagoa Negra.

    Com o excelente e menosprezado nome original, que em tradução ao pé da letra seria A Criatura Caminha Entre Nós (sendo que criatura poderia muito bem ser trocada por “monstro” numa boa), a premissa do filme pode parecer que Gill Man está a solta na cidade, espalhando o caos o terror (e o pôster do filme até ajuda essa impressão errônea). Mas na verdade acontece que o termo “caminha entre nós” é uma espécie de metáfora ao fato da criatura ter se tornado, hã, humana, se podemos assim dizer.

    Parece bisonho? Pois é. Na trama, Dr. William Barton, um médico cientista rico, obcecado e desequilibrado emocionalmente, quase psicótico, digamos, financia uma caçada ao Gill Man após sua escapada do aquário de Ocean Harbor, no filme anterior, A Revanche do Monstro. Nesta equipe, encontram-se o Dr. Thomas Morgan, o Dr. Borg, Dr. Johson, Jed Grant, guia contratado por eles, e a esposa de Barton, Marcia, uma mulher reprimida pelo marido violento que vira e mexe tem suas vontades coagidas e passa por algumas humilhações públicas.

    O barco desse time vai até os Everglades, onde encontram a criatura e a capturam, na tentativa de levarem de volta para estudos científicos. Porém durante a caçada, o grupo é atacado e em uma tentativa de defesa, eles acabam colocando fogo no monstro, que quase perde a vida. Com horríveis queimaduras de terceiro grau na pele escamosa, Gill Man é levado para o barco e começa a passar por um intenso tratamento médico.

    Só que a criatura anfíbia está com a vida por um fio, já que fora da água, ele não conseguiria se manter muito tempo vivo respirando por suas ineficientes brânquias. Porém, através de uma radiografia, o grupo de cientistas descobre que milagrosamente o monstro continua respirando, pois ele possui dois sistemas respiratórios, e dentro de seu corpo há também um pulmão subdesenvolvido. Através de uma traqueostomia, Gill Man começa a respirar pelo pulmão, tendo o fornecimento de ar pelas suas guelras completamente substituído.

    Daí vem a parte absurda e chacota da história toda: com o desenvolvimento do pulmão e a respiração de oxigênio da criatura, Gill Man aos poucos vai perdendo todas as características aquáticas e começa a passar por uma mutação, transformando-o em humano, perdendo as guelras, ganhando um nariz e dedos, e por aí vai. Sério, é ridículo. Tudo bem que é um filme fantástico, mas como alguém pode aprovar um roteiro desses?

    Gill Man coitado, perde todo seu charme anfíbio, sua aparência clássica, e vira um cafuçu meio retardado, cabisbaixo, sem vontade própria, morrendo de saudades do mar e como se não bastasse, perde totalmente seus instintos violentos. É deprimente. Para piorar ele é levado para a fazendo do alucinado Dr. Barton e vive chateado atrás de um cercado junto com ovelhas.

    Nesse ínterim, desde o passeio de barco, o guia Jed Grant, típico mulherengo auto confiante e xavequeiro está dando em cima da patroa de Barton, Marcia. E o doutor só de olho, mas ao invés de mudar sua postura, vira e mexe ameaça a esposa e continua com seus ataques histéricos com ela. Até que a garota, que no começo estava arrastando uma asa para o fortão, de repente começa a achá-lo um chato repugnante também. Pois bem, durante o cárcere do Gill Man, ou só Man agora, já que ele perdeu sua gill (gill = guelra. Tá, piada infame), a primeira volta ao instinto primitivo de matar ocorre quando do nada uma puma (ou suçuarana, se você for muito nacionalista) invade o cercadinho e mata uma ovelha. O segundo e definitivo, que faz o monstro arrebentar a jaula e conseguir fugir é quando num acesso de ciúmes doentio, o Dr. Barton mata Grant bem aos olhos do monstro. E daí é dois palitos para a criatura surtar, acabar com a raça do médico e fugir em direção ao oceano, mesmo que isso custe sua vida, já que agora respira pelos pulmões. O mais legal é ver a felicidade e naturalidade com que Marcia age com a morte do marido.

    No final, Caça ao Monstro ainda tenta passar uma estúpida lição de moral sobre a verdadeira natureza humana, e umas baboseiras sobre o homem estar a um passo de conquistar a selva e as estrelas (anos 50, lembre-se). Resumindo, é um filme idiota, que encerra a trilogia do último monstro da Universal.

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