• ÚLTIMAS...

    DRÁCULA ( HAMMER STUDIOS) NO CINEMA


    VAMPIRO DA NOITE / HORROR DE DRÁCULA (1958)

    1958 / Reino Unido / 82 min / Direção: Terence Fisher / Roteiro: Jimmy Sangster (baseado na obra de Bram Stoker) / Produção: Anthony Hinds, Anthony Nelson-Keyes (Produtor Associado), Michael Carreras (Produtor Executivo) / Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Michael Gough, Melissa Stribling, Carol Marsh 

    Um ano depois do sucesso de A Maldição de Frankestein, a Hammer nos presenteia com sua versão de Drácula de Bram Stoker, em cores, com o filme O Vampiro da Noite, reprisando o duelo entre a dupla Peter Cushing desta vez como o Dr. Van Helsing e Christopher Lee como o conde Drácula, e trazendo Terence Fisher mais uma vez na direção.

    Inegável a importância desta produção para os anais do cinema de terror, e principalmente para o gênero filmes de vampiro. Isso muito por conta do estupendo Christopher Lee, que encarnou pela primeira vez a capa e as presas, transformou-se em morcego e aqui se consolidou como o melhor ator já que interpretou o conde, tirando ele do aspecto caricato que havia herdado nos filmes da Universal e transformando-o de vez em uma criatura sanguinária, implacável e sedenta, mas muito sedenta, por sangue de belas virgens.

    Pegando apenas carona na obra de Stoker, utilizando alguns conceitos e nomes dos personagens, o enredo foi bastante alterado quanto sua fonte literária. Jonathan Harker, aqui um bibliotecário, vai ao castelo de Drácula em uma cidadezinha da Alemanha para organizar seus livros. Mas na verdade, ele é um caçador de vampiros que tem em mente livrar o mundo da vil criatura. O tiro acaba saindo pela culatra e ele acaba mordido, fazendo com que seu amigo de longa data, o Dr. Abraham Van Helsing, conhecedor das artimanhas do morto-vivo, resolva caça-lo antes que o conde ataque Lucy, a noiva de Harker e sua família: o irmão Albert e a cunhada Mina.

    Mais uma vez, o que brilha aos olhos em mais uma produção impecável da Hammer é a cor, by Technicolor. Logo nos créditos (acompanhado da trilha sonora de James Bernard, que mais lembra uma marcha fúnebre), um close no caixão de Drácula fechado, onde respinga sangue vermelho-vivo do teto sobre ele, já dando ao espectador a ideia do que vem por aí, ajudando no processo que daria cabo da inocência, dos monstrinhos alienígenas e radioativos, e assepsia dos filmes de terror produzidos nesta década até aqui, e escancarando as portas para o futuro do cinema gore.

    Diferente das outras produções de vampiro do gênero, a Hammer evoca todo seu espírito sanguinolento e Fisher nos brinda com closes em pescoços curvilíneos ensanguentados, nas presas do vampiro saltando de sua boca, olhos vermelhos, sangue jorrando enquanto os mortos-vivos são apunhalados no peito por estacas de madeira e apela para o famoso lado sexual do vampirismo, que ataca as mulheres inocentes na intimidade de seus quartos, vestidas apenas com roupas de dormir e mostrando uma das servas de Drácula em decotes extremamente ousados.

    Christopher Lee fez tanto sucesso como o vampiro (reiterando, na minha opinião, o melhor Drácula do cinema), com seu jeito cruel, altivo e elegante, que reprisou o papel mais seis vezes até o final dos anos 70. Ficou eternizado, claro, e entrou no hall da fama dos astros eternos do cinema de terror.

    NOIVAS DE DRÁCULA (1960)

    1960 / Reino Unido / 85 min / Direção: Terence Fisher / Roteiro: Peter Bryan, Edward Percy, Jimmy Sangster, Anthony Hinds (não creditado) / Produção: Anthony Hinds, Anthony Nelson-Keyes (Produtor Associado), Michael Carreras (Produtor Executivo) / Elenco: Peter Cushing, Martita Hunt, Yvonne Monlaur, Freda Jackson, David Peel, Miles Malleson 

    As Noivas de Drácula (também lançado no Brasil em DVD como As Noivas do Vampiro) é a continuação da Hammer para seu sucesso de 1958, O Vampiro da Noite, primeira empreitada do estúdio britânico no universo de Drácula, inspirado no livro de Bram Stoker, trazendo Christopher Lee no papel do Conde e Peter Cushing como o intrépido caçador de vampiros, Van Helsing. E a grandessíssima falha deste filme aqui é exatamente o fato de Lee não voltar a vestir a capa e presas.

    Há duas histórias sobre a não participação de Lee no elenco do filme. Uma diz que ele recusou o papel para não ficar estigmatizado como Drácula futuramente. Bom, isso podemos dizer que não serviu de muita coisa. A outra é que na verdade o cachê dele era muito alto para a produção e o estúdio acabou vetando-o. E mesmo com todo o carisma de Cushing, o filme acaba não se sustentando, e o Barão Meinster, o vampiro loiro almofadinha interpretado por David Peel por aqui, não convence ninguém.

    Mas uma coisa interessante é notarmos alguma evolução já nesta sequência com relação ao seu antecessor, principalmente tratando-se dos efeitos especiais, a maquiagem dos vampiros, com seus longos caninos afiados e peles esbranquiçadas, o sangue sempre vermelho vivo e abundante (na medida do possível e claro) e no clássico morcego de borracha voando de um lado para o outro, manipulado por fios. Mas o roteiro escrito à oito mãos, por Jimmy Sangster (roteirista do original), Peter Bryan e Edward Percy e Anthony Hinds é bem fraquinho, uma confusão dos diabos e com mais furos que um queijo suíço.

    Legal mesmo é ver todo aquele padrão Hammer de costume, com o uso de carruagem, excelente figurino de época, mulheres lindas e lascivas, penumbra, cemitérios esfumaçados, um vilarejo aterrorizado e moradores incautos e supersticiosos. E também mais uma vez Terence Fisher faz um excelente trabalho na direção, com algumas sequências muito bem executadas, como a ressureição das tais noivas vampirescas, saindo de suas tumbas, ou a luta final entre bem e mal em um moinho de vento, inclusive a forma como se procede a derrota do vampiro.

    Na trama, a professora de francês e bons costumes Marianne Danielle (Yvonne Monlaur) viaja pela Transilvânia até a escola onde irá lecionar e é largada em uma estalagem pelo cocheiro, pois estava anoitecendo e sabe como é… Ela é acolhida pela solícita Baronesa Meinster (Martita Hunt) e levada para o seu suntuoso castelo para passar a noite como convidada, onde mantém seu filho em cárcere privado, alegando que ele sofre de uma terrível doença mental. Balela. Ele é um vampiro sanguinário e sua mãe o deixa trancafiado para proteger o mundo de sua maldade. Mas a tonta da Marianne é ludibriada pelo charme do morto-vivo e o liberta da prisão. O vampirão primeiro vai transformar sua velha mãe por simples vingança, e depois sai por aí chupando o sangue e mordiscando o pescoço das virginais garotas da cidadela, que voltam à vida como concubinas das trevas.

    Cabe então ao destemido Van Helsing caçar essas criaturas amaldiçoadas e utilizar todas as técnicas que aprendeu durante suas andanças pela Europa, e impedir que a pobre Marianne case com o barão vampiro e sucumba como sua próxima vítima. É bem verdade que Van Helsing dá um monte de cabaçada para destruir esses vampiros, não segue nem seus próprios conselhos e por pouco não vira um deles, quando o Barão Meinster o ataca e suga seu sangue. Mas aí os roteiristas inventam uma esdrúxula cura, onde ele cauteriza o furo no pescoço com brasa quente e fica tudo numa boa. Outra cena dantesca é quando eles estão de guarda próximo de um dos caixões da vítima, e do nada, um pesado cadeado que mantinha a morta em seu devido lugar, cai do caixão sem nem ao menos se abrir.

    E cadê o Drácula? Isso que você me pergunta. Não sei. Ele é apenas citado de relance nesta história para fazer um paralelo com O Vampiro da Noite. Juro que não entendo o título do filme. Mas ótimo, porque Drácula da Hammer mesmo, só Christopher Lee, e o tal David Peel nunca chegaria aos pés do mestre. Mas diferente das pífias sequências de Drácula da Universal, onde nenhuma prestou, aqui a coisa muda de figura com as próximas seis sequências, tendo algumas bastante interessantes, incluindo o Drácula – O Príncipe das Trevas (o melhor da franquia) e o sanguinário O Conde Drácula de 1970. E nunca podemos esquecer do fantástico título que Dracula AD ganhou no Brasil: Drácula no Mundo da Minissaia.

    DRÁCULA - O PRÍNCIPE DAS TREVAS (1966)

    1966 / Reino Unido / 90 min / Direção: Terence Fisher / Roteiro: John Sansom, John Elder (ideia original) (baseado nos personagens criados por Bram Stoker) / Produção: Anthony Nelson Keys / Elenco: Christopher Lee, Barbara Shelley, Andrew Keir, Francis Matthews, Suzan Farmer


    Depois de sete anos, eis que Christopher Lee finalmente volta a vestir sua capa e presas, para encarnar o terrível Conde Drácula, nesta que é a continuação direta de O Vampiro da Noite de 1959, produzido pelo lendário estúdio inglês Hammer. Estou falando de Drácula, O Príncipe das Trevas.

    Assistir Lee interpretando o vampiro mor é como rever um antigo amigo. Fora que seu altivo Drácula nunca perde a sua majestade. E melhor ainda ver toda, ou quase toda, turma reunida, depois de duas cabeçadas da própria Hammer na mitologia vampiresca, com os fraquinhos As Noivas de Drácula e O Beijo do Vampiro, sem Christopher Lee no elenco. Terence Fisher volta à direção, Jimmy Sangster, sob o pseudônimo de John Sansom, assina o roteiro e Anthony Nelson Keys produz o filme. Só faltou Peter Cushing reprisar o papel do Prof. Van Helsing. Apesar que ele aparece no começo da fita, em cenas de arquivo de O Vampiro da Noite derrotando Drácula, para recordar ao espectador como o destemido caçador havia varrido aquele mal dos Cárpatos há dez anos.

    Fato é que Drácula – O Príncipe das Trevas é considerado por muitos o melhor filme da franquia, percebendo-se uma evolução gigantesca tanto no domínio de Fisher na direção, quanto nos trejeitos do personagem de Lee, que abre a boca sequer uma vez no filme, mas sua frieza, presença assustadora, longos caninos, olhar demoníaco, e maneirismos, metem medo sem precisar que diga qualquer palavra. Há inclusive uma controvérsia entre o ator e o roteirista, onde Lee alega que foi sua opção não ter nenhum diálogo, considerando o script fraco (inclusive comenta esse fato no documentário As Várias Faces de Christopher Lee), enquanto Sangster jura de pé junto que realmente não escreveu nenhuma fala para o vampiro.

    Independente disso, não é só Lee quem está afiado na atuação muda de Drácula. Barbara Shelley conseguiu colocar seu nome de vez como uma das mais famosas Scream Queens do cinema graças a seu papel de Helen Kent, que no começo do filme se caga de medo e usa umas roupas fechadas até o pescoço, e depois de mordida pelo vampiro, vira uma verdadeira concubina do inferno, abusando da sexualidade, camisolas esvoaçantes e decotes convidativos. E também vale a menção para Andrew Keir que interpreta o frade Sandor, que faz às vezes de caçador de vampiros e imprime um tom de auto sátira ao papel (principalmente na cena da taverna, onde explana as maravilhas dos prazeres mundanos em poder tomar uma taça de vinho e aquecer a bunda numa lareira), e para Thorley Walter, que faz o papel de Ludwig, versão Hammer para o excêntrico personagem Reinfield da novela de Bram Stoker, louquinho de pedra e que gosta de comer moscas. Repare se o ator Thorley Walter não é a cara do carteiro Jaiminho (para evitar a fadiga) do Chaves!

    Mesmo dez anos após ter sido destruído por Van Helsing, a lenda de Drácula ainda faz gelar o sangue dos moradores dos Cárpatos. Só que o descanso eterno do morto-vivo está prestes a terminar quando um grupo de quatro ingleses turistas resolvem se aventurar no castelo do conde, mesmo tendo sido avisado pelo frade Sandor para nunca chegarem perto do local. Lá dentro, são recepcionados pelo esquisito serviçal Klove, que guarda suas malas e prepara-lhes um jantar. A temerosa e casta Helen começa a ouvir os alaridos do além túmulo durante a noite, e manda o marido, Alan investigar.

    Não dá outra: o homem incauto é capturado por Klove e seu sangue utilizado para trazer Drácula de volta à vida, em uma cena duplamente splatter, primeiro por Alan estar pendurado de cabeça para baixo, como um animal no abatedouro, deixando seu sangue escorrer para o caixão onde se encontra as cinzas do vampiro. Depois, na impressionante cena da criatura da noite voltando a tomar forma aos poucos, que é muito bem executada. Ponto para o sempre competente trabalho de Roy Ashton, à frente do departamento de maquiagem da Hammer. Drácula volta com um apetite danado e logo transforma Helen em sua escrava, pronto para depois sugar o pescocinho da bela Diana (Suzan Farmer), salva pelo seu marido, Charles (Francis Matthews).

    Conseguindo escapar ao amanhecer das garras de Drácula, os dois são encontrados na floresta por Sandor, que leva-os para o mosteiro e juntos começam a arquitetar um plano para acabar com o Conde. Bom, eles estarão seguros ali, afinal, um vampiro não pode entrar em nenhum lugar sem ser convidado, certo? Errado, porque Drácula usa sua influência mental no seu antigo servo, o pobre Ludwig, para que ele abra as portas para o chupador de sangue. Depois desse rebosteio todo, Drácula escapa com Diana com a ajuda de Klove, até ser encurralado por Sandor e Charles em um fina geleira ao redor do seu castelo (sendo que não nevou nenhuma vez sequer durante todo o filme e só vimos tardes ensolaradas), onde ele padecerá graças a uma das suas fraquezas: água corrente.

    Filmes de Drácula com Christopher Lee sempre são garantia de bons momentos de diversão, sangue abundante, garotas vampiras lascivas, climão gótico, moradores assustados em seus vilarejos, castelos cafonas e carruagens. Drácula – O Príncipe das Trevas não podia ser diferente. E isso já é ótimo por si só.

    DRÁCULA - PERFIL DO DIABO (1968)

    1968 / Reino Unido / 92 min / Direção: Freddie Francis / Roteiro: John Elder (baseado no personagem criado por Bram Stoker) / Produção: Aida Young / Elenco: Christopher Lee, Rupert Davies, Veronica Carlson, Barbara Ewing, Barry Andrews, Ewan Hooper, Michael Ripper

    Drácula está de volta, no terceiro filme da Hammer em que Christopher Lee encarna o chupador de sangue mor: Drácula – O Perfil do Diabo. E este título em português, hein? Imagino este o título de matéria com um perfil de Drácula naquelas revistas de fofocas, estilo Caras, sabe?

    Enfim, na minha opinião, Drácula – O Perfil do Diabo é um dos mais bacanas da série. Violento, sanguinário, cruel. Christopher Lee representa um vampiro do mal MESMO mesmo aqui. Tem umas quatro ou cinco falas apenas, mas só de olhar para a cara do sujeito com aqueles caninos pontiagudos e seus olhos vermelhos, já dá o maior medo de encontrá-lo por aí em uma esquina escura da Transilvânia.

    Dirigido por Freddie Francis, mesmo diretor de O Monstro de Frankenstein (que recebeu esse filme no colo pelo mesmo motivo do anterior, pois Terence Fisher, escalado para dirigir, havia sofrido um acidente de carro), e escrito por Anthony Hinds (sob o pseudônimo de John Elder), Drácula – O Perfil do Diabo já começa com os dois pés no peito, com um padre e seu assistente mudinho encontrando uma bela donzela morta em plena igreja, difamada pelo Drácula. Por conta disso, obviamente a população do vilarejo vive assustada por estar sob a sombra de seu castelo e pararam de ir à igreja aos domingos, que ficou largada às moscas.

    Até monsenhor Ernest Mueller (Rupert Davies) chegar ao local, dar um esporro no padre e em todos os aldeões supersticiosos, e resolver subir até o castelo de Drácula no topo da montanha, onde ele jazia congelado há um ano, desde o final de Drácula – O Príncipe das Trevas. Ele leva o deprimido e medroso padre (Ewan Hooper) para subir a montanha e colocar uma gigantesca cruz na entrada na porta, para que aquele mal nunca se liberte de lá e o povo volte a frequentar a paróquia local. Só que o padre com medo fica pela metade do caminho enquanto o monsenhor continua sua procissão. Uma tempestade se forma, e a ventania acaba derrubando o padre, que cai no chão ensanguentado. E eis que, milimetricamente, o sangue cai bem na boca de onde Drácula jazia, e o traz de volta à vida.

    Com seus poderes hipnóticos, Drácula ira transformar o padre em seu ajudante para lhe encontrar novas donzelas para que ele possa sugar o sangue. Nesse ínterim, vamos conhecer Paul (Barry Andrews), um jovem padeiro, ajudante de bar, estudante de medicina e ateu convicto, que namora a inocente e certinha sobrinha do monsenhor, Maria Mueller (Veronica Carlson). Todo mundo sabe que o Drácula é o mais talarico dos monstros, e obviamente ele vai querer dar uma chupada na jugular da moça loira.

    Mas antes disso ele vai se aproveitar da ruiva Zena (Barbara Ewing), que é preterida por Paul, mesmo arrastando uma asa para cima dele e usando decotes lascivos ao melhor estilo filmes da Hammer. Drácula suga seu sangue, a transforma em uma rameira do inferno, e depois também dá uma gelada na coitada, trocando-a pela inocente Maria. Coitada da Zena! Daí irá se seguir aquela velha batalha do mocinho contra o monstro das trevas pela alma da garota. Só que aí tem um pulo do gato que faz Drácula – O Perfil do Diabo sensacional.

    Como disse lá em cima, Paul é ateu, então cruzes, estacas, tudo que ele usar contra o vampiro não irá funcionar, porque é preciso fé. E você pensa que no final vai rolar aquela babaquice dele encontrando Deus, tornando-se um cristão fervoroso para destruir Drácula. Nada disso, ele continua irredutível em sua crença, e a redenção para destruir o sanguessuga vai vir mesmo do padre, quando Drácula é empalado pela cruz na montanha, e ele se redime rezando para a vil criatura da escuridão ser destruída de uma vez por todas. Até o próximo filme da franquia, claro.

    Drácula – O Perfil do Diabo foi o filme comercialmente mais rentável da Hammer, e durante a produção, foi o estúdio foi presenteado com o UK Queen’s Award for Industry. Christopher Lee gosta de contar a história sobre esse prêmio, pois o prêmio foi dado enquanto eram filmadas as cenas finais com Drácula empalado nas rochas, e um grupo de dignitários do governo britânico assistindo Lee gritando e com sangue jorrando por todos os lados. Após a cena, com estômago embrulhado, um ministro coxa inglês virou-se para a mulher e disse: “Esse homem é um membro do meu clube?”. Dá-lhe Hammer. Dá-lhe Christopher Lee!

    CONDE DRÁCULA (1970)

    1970 / Reino Unido / 96 min / Direção: Roy Ward Baker / Roteiro: John Elder / Produção: Aida Young / Elenco: Christopher Lee, Dennis Waterman, Jenny Hanley, Christopher Matthews, Patrick Troughton, Michael Ripper


    Graças a genialidade dos responsáveis por dar e aprovar títulos nacionais aos filmes, Scars of Dracula, virou O Conde Drácula, e assim no mesmo ano de 1970 , dois filmes com mesmo nome e ator.

    Em comum, apenas que ambos trazem Christopher Lee mais uma vez vestindo a capa e as presas, como o nefasto Conde Drácula. Nesta produção da Hammer, que traz Lee pela quinta vez reprisando o papel que o consagrou no gênero, somos brindados com o mais violento e gore filme do vampiro do estúdio inglês. Também não é para menos, já que estamos começando a presenciar a decadência daquela que foi outrora a casa do horror.

    Isso porque já no começo dos anos 70, o charme dos monstros do estúdio com toda sua aura gótica sobrenatural já havia entrado em baixa, isso sem contar que tanto a exploração da sexualidade feminina quanto a violência gráfica e o sangue vermelho vivo que marcou a Hammar, já havia sido superado por outras produções e novas formas de terror vindo principalmente do mercado americano, fazendo com que os súditos da Terra da Rainha tivessem de correr atrás.

    E a melhor forma de enfrentar esse gap e tentar trazer o público de volta às salas de cinema, é ao invés de renovar a franquia com novas ideias, manter a mesma coisa de sempre, só que com muito, mas muito sangue. É por isso que O Conde Drácula é considerado o mais violento filme da série. A direção ficou por conta de Roy Ward Baker, que para a Hammer também dirigiu Sepultura para a Eternidade e já se meteu no universo vampiresco em Carmilla, a Vampira de Karnstein. O roteiro é assinado mais uma vez por Anthony Hinds, usando o costumeiro pseudônimo de John Elder, e o grande destaque fica para a maquiagem sanguinolenta da equipe supervisionada por Wally Schneiderman.

    Christopher Lee faz um Drácula ruim como nunca aqui (no sentido de mal mesmo, cruel, e não de fraca atuação), que volta das cinzas após um morcego gigante (tosquíssimo, que o acompanha o filme todo, assim como outros, pendurados em um visível fio de nylon transparente e que até lembra o podre O Morcego Vampiro da década de 40, com Bela Lugosi) vomitar sangue em seu túmulo. Após a transubstanciação de cinzas para a forma “humana”, Drácula continuará a dar seu expediente de sugar o sangue de belas jovens e tocar o terror nos aldeões.

    E logo no começo do filme ele já bota para quebrar, quando um grupo de homens locais, munidos de tochas e forcados (ah, vá?) vai até seu castelo para incendiá-lo, Drácula lidera telepaticamente um exército de vampiros que invade a igreja, onde as suas mulheres esperavam em segurança, e promovem um verdadeiro massacre, dilacerando seus rostos, olhos e etc. Hoje estamos acostumados a banhos de sangue sem noção, mas no início dos anos 70, aquela cena era extremamente chocante.

    Passado algum tempo, um jovem conquistador e encrenqueiro chamado Paul Carslon (Christopher Matthews), ao fugir de policiais por ter transado com a filha do burgomestre, acidentalmente vai parar no castelo de Drácula. Lá, obviamente ele será morto, como acontece com todos os visitantes indesejados do vampiro mor. Seu irmão Simon (Dennis Watermann) e sua namorada, Sarah (Jenny Hanley) mas que também tem uma queda por Paul, preocupados com o sumiço do rapaz, resolvem investigar seu paradeiro e também vão deparar com o terrível Conde e seu ajudante desgranhento, Klove (interpretado pelo eterno Doctor Who, Patrick Troughton), que nutre uma paixão platônica pelo retrato de Sarah, que encontrou nos pertences de Paul.

    Auxiliado pelo pároco local, Simon tentará destruir o desmorto de uma vez por todas, e ao mesmo tempo, impedi-lo de possuir sua amada e torna-la uma de suas rameiras do inferno, situação de roteiro básica da franquia. Entre as mortes e cenas deveras violentas presentes no longa, vale destacar a cena em que Drácula, emputecido por uma de suas concubinas vampiras tentar sugar o sangue de Paul, aparece e saca um punhal, esfaqueando a garota violentamente (desde quando Drácula usa armas brancas?), que depois, será mutilada (em off screen) por Klove, utilizando cutelos e serras, a fim de dissolver seu corpo no ácido, e também quando o padre é atacado por um morcego impiedoso que investe contra seu rosto, arrancando nacos de carne e deixando-o completamente desfigurado.

    SANGUE DE DRÁCULA (1970)

    1970 / Reino Unido / 91 min / Direção: Peter Sasdy / Roteiro: John Elder / Produção: Ainda Young / Elenco: Christopher Lee, Geoffrey Keen, Gwen Watford, Linda Hayden, Peter Sallis, Anthony Corlan, Isla Blair


    O Sangue de Drácula é a prova cabal do quanto a franquia do vampiro mor da Hammer, interpretado por Christopher Lee, já estava entrando em franca decadência. Até então, é o filme mais fraco da série (sem contar As Noivas de Drácula, onde Lee sequer dá as caras).

    É aquele mesmo problema que acomete todas as sequências, sabe? Tem hora que você não aguenta mais ver a cara de determinado personagem na telona. Isso aconteceu com Frankenstein e a Múmia na Universal, agora com Drácula e mais para frente, com todos os famosos movie maniacs, tipo Jason, Freddy, Michael Meyers, Leatherface, Pinhead, Jigsaw, e por aí vai.

    Enfim, filme fraquinho, com prazo apertado para conclusão das filmagens e orçamento baixíssimo, que começa exatamente onde termina o anterior, Drácula, o Perfil do Diabo, com o morto-vivo morrendo empalado por uma cruz. Um comerciante perdido no meio da floresta dá de cara com o agonizante vampiro e é testemunha ocular de sua destruição. Com tino para os negócios, o sujeito recolhe a capa, anel, medalha e o sangue de Drácula para vendê-lo mais tarde, para o Lorde Courtley, adorador do oculto, que junto com três distintos cavalheiros ingleses, William Hargood (Geoffrey Keen), Samuel Paxton (Peter Sallis) e Jonathon Secker (John Carson), em busca de aventuras excitantes, resolvem praticar um ritual de magia negra e ressuscitar o monstro, provando seu sangue, tal qual fosse um Jesus Cristo de presas.

    O indigesto sangue vampiro não cai bem no infame Lorde Courtley e cagando de medo, os três senhores espancam o pobre diabo e fogem em disparada para suas casas, enquanto o corpo sem vida de Courtley então dá lugar ao Drácula ressuscitado de sua tumba, com seus olhos vermelho e tudo, jurando vingança contra aqueles que causaram a morte de seu servo (ah, tá, desde quando o Drácula se importa com a saúde e bem estar de seu capangas???)

    Um por um, e com a ajuda sempre bem vinda das suas rameiras do inferno da vez, a bela loirinha Alice Hargood (Linda Hayden) e a morena lasciva Lucy Paxton (Isla Blair) conquistadas por meio de hipnose ou uma chupadela de sangue na jugular, Drácula vai matando suas três vítimas. Acontece que naquele vilarejo todo mundo tinha suas ligações. Por exemplo, o filho de Samuel Paxton, Paul (Anthony Higgins) é namorado de Alice, filha de William (que era um escroto pai abusivo que repreendia a menina). Já a irmã de Paul, Lucy, era namorada de Jeremy Secker, filho de Jonathon. Ou seja, está tudo mais ou menos em família, meio novelão mexicano.

    Com o desaparecimento de Lucy e de Alice, Paul, aconselhado por uma carta deixada por Jonathon antes de morrer, se municia do kit básico para matar vampiros, com estacas, martelos e cruzes, e vai ao encalço de Drácula, para tentar destrui-lo e salvar a alma da sua amada, mesmo sendo contrariado pelo inútil e rabugento inspetor Cobb, interpretado por Michael Ripper, eterno coadjuvante da Hammer, tendo participado de três filmes da franquia.

    E é isso. Dentro daquele esquema maniqueísta de todos os filmes de Drácula, e da Hammer como um todo por bem dizer, o mocinho vence no final, o vampiro é derrotado mais uma vez, mas prontinho para voltar na próxima sequência, O Conde Drácula, lançado no mesmo ano e que é bem melhor do que O Sangue de Drácula, e também muito mais violento e sanguinário. Christopher Lee sempre sinistro com aquela cara carrancuda de Drácula salva o filme, apesar de mais uma vez, ter pouquíssimas falas por conta de ter ficado descontente com o roteiro e de resto, mais do mesmo: mulheres bonitas, carruagens, estética gótica decadente que já está perdendo seu encanto, e por aí vai. E o pior é que Vincent Price foi cotado para participar do filme, no papel de William Hargood, mas que foi preterido pela falta de grana para pagar seu cachê.


    DRÁCULA NOS TEMPOS DA MINISSAIA (1972)


    1972 / Reino Unido / 96 min / Direção: Alan Gibson / Roteiro: Don Houghton / Produção: Josephine Douglas, Michael Carreras (Produtor Executivo) / Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Stephanie Beacham, Christopher Neame, Michael Coles, Marsha A. Hunt

    Primeiro eu gostaria de dar meus parabéns para o sujeito que colocou o título do filme Dracula A.D. 1972 aqui no Brasil no genial Drácula no Mundo da Minissaia. Sério, gente… Não é um dos melhores títulos de filmes de terror de todos os tempos? Drácula… No… Mundo… Da… Minissaia? Milhares de coisas relacionados ao filme passam-se pela cabeça ao ouvir esse nome. Primeiro, obviamente, que se trata de uma sátira pornô.

    Mas não é nada disso. Drácula no Mundo da Minissaia é somente a reencarnação de Christopher Lee como o maldito Conde na Londres do ano de 1972, trazendo o sanguessuga para o século XX, em meio a adolescente hippies drogados, bandas de rock progressivo, calças bocas de sino (e minissaias) e muito funk e soul na trilha sonora.

    Sério, o filme é um dos mais divertidos e um dos meus preferidos da franquia do estúdio inglês. Pois é muito engraçado ver o choque de realidades, quando se está acostumado a ver Lee com sua capa, presas e olhos vermelhos, sob a sombra de seu opressivo castelo nos Montes Cárpatos, sugando o sangue de aldeões assustados em seus vilarejos, andando de carruagem e fugindo de revoltosos com tochas e forcados.

    Sendo que a Europa Medieval era o ambiente único e exclusivo do Príncipe das Trevas (sem contar o Drácula original da Universal, aquele com Bela Lugosi, que se passa na Londres vitoriana, no Século XIX). E basicamente tirando Blacula – O Vampiro Negro, lançado mais cedo no mesmo ano, onde um vampiro aterroriza as ruas de Los Angeles nos anos 70, Drácula no Mundo da Minissaia é um dos pouquíssimos filmes até então que tenta trazer a mitologia vampiresca para o mundo contemporâneo, algo que se provaria um baita sucesso cinematográfico, literário e televisivo futuramente (A Saga Crepúsculo não conta, porque aquilo não é filme e nem livro, é lixo em forma de papel e película, pronto falei!).

    Enfim, na trama, já no ano de 1872, o Conde enfrenta, em pleno Hyde Park em Londres, Lawrence Van Helsing, interpretado pelo sempre intrépido Peter Cushing, um descendente da nêmese do morto-vivo, Abraham Van Helsing. O vampiro se dá mal e é derrotado pelo professor, com uma roda de carruagem quebrada, que se transforma em uma estaca e perfura seu coração. Mas um dos seguidores capachos de Drácula recolhe suas cinzas e enterra em solo não sagrado.

    Depois de 100 anos, em 1972, um tal de Johnny Alucard (anagrama ao nome de Drácula), interpretado por Christopher Neame, que é um desses acólitos do Conde, junta uns amigos hippies que adoram se embebedar em um pub em Chelsea, entrar de penetra nas festas, fumar baseado e usar ácido, para praticar uma missa negra, um ritual macabro com o intuito de trazer seu mestre de volta à vida. Neste grupo, está presente Jessica Van Helsing (Stephanie Beacham), neta de Lorrimer Van Helsing (novamente Cushing) e consequentemente, bisneta de Lawrence, o homem que havia destruído Drácula no século anterior. Com o sangue de uma das participantes do ritual, que começa como brincadeira e ganha contornos dramáticos e assustadores (em uma cena apavorante, tremendamente bem executada), Johnny traz Drácula de volta à vida.

    Claro que seu mestre, primeiro dá uma coça no discípulo insolente em busca de poder e vida eterna, e depois, prepara sua vingança contra Van Helsing, desejando sugar o sangue de sua neta e torná-la uma concubina do inferno. Só que as mortes estranhas chamam a atenção do Inspetor Murray (Michael Coles) da Scotland Yard, que acredita no envolvimento de uma seita satânica e vai se consultar com Van Helsing, proeminente estudioso do oculto, que logo saca, devido a excentricidade das mortes (sangue drenado, duas marca no pescoço, mutilações) que eles podem estar lidando com um vampiro, e mais especificamente, com o grande inimigo de sua família: Drácula.

    Um combate entre as forças das trevas e do bem é iminente quando Johnny, devidamente transformado em vampiro, também hipnotiza e morde o namorado de Jessica e ambos raptam a garota. Cabe a Van Helsing, trilhar o mesmo caminho dos seus ancestrais e confrontar sozinho o Conde Drácula (que já comandou nações, fala dita por Lee parafraseada do livro original de Bram Stoker). Pena que o Drácula deva estar meio enferrujado por um século de sono, porque ele está um pouco mole e acaba facilmente subjugado por um velhinho!

    Claro que por se tratar de uma trama passada nos amalucados anos 70, Drácula no Mundo da Minissaia tem algumas das cenas mais patéticas, ridículas e cafonas da franquia, como, por exemplo, a apresentação da banda Stoneground cantando a música Alligator Man, onde Johnny e sua cambada de badernistas estão dançando em uma festa que invadiram da alta sociedade londrina, e mesmo toda a trilha sonora cheia de grooves, comporta por Michael Vickers, que destoa completamente do clima Drácula + filme de terror. Mas vale cada minuto de metragem do longa! Uma curiosidade para quem gosta de futebol assim como eu, em uma das cenas, Cushing passa pela frente de um muro que está pichado Chelsea, com um risco por cima, e escrito West Ham embaixo, dois times rivais futebolísticos da capital inglesa.

    RITOS SATÂNICOS DE DRÁCULA (1974)

    1974 / Reino Unido / 87 min / Direção: Alan Gibson / Roteiro: Don Houghton / Produção: Roy Skeggs, Don Houghton (Produtor Executivo) / Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Michael Coles, William Franklyn, Freddie Jones, Joanna Lumley


    Os Ritos Satânicos de Drácula é o último filme da Hammer que traz Christopher Lee como o Conde, papel que o marcaria para toda a vida, e o colocaria no panteão de um dos maiores astros de terror de todos os tempos. Mas infelizmente, como vem acontecendo com as produções do estúdio inglês neste período, não é de se esperar muito não.

    Ainda mais porque a história é uma bobagem sem tamanho. Drácula tem um mirabolante e megalomaníaco plano para dizimar a humanidade através de um poderoso vírus (mais mortal que a peste negra, segundo o próprio). Mas hein? É isso mesmo que você leu. O vampirão-mor parece mais um inimigo saindo dos filmes de James Bond ou de uma história em quadrinhos, do que o outrora Rei dos Cárpatos, aterrorizando e sugando o sangue de jovens virginais das aldeias próximas.

    Reflexo este do desespero gritante da Hammer em conseguir alguns trocados e atrair a atenção do público, atirando para tudo quanto é lado, assim como, por exemplo, o infame A Lenda dos Sete Vampiros, misturando terror com kung-fu (esse Lee sabiamente pulou fora do barco ao ler o roteiro). Bom, Já havíamos visto o vilão em plena Londres do século XX no longa anterior, Drácula no Mundo da Minissaia. Então OK, se serve de pretexto, pelo menos não é a primeira incursão do morto-vivo nos efervescentes anos 70. Mas daí para amarrar a história do filme em uma intriga de espionagem, onde o Conde é dono de uma multinacional que quer acabar com a civilização de uma vez por todas porque está de saco cheio da imortalidade e quer descansar, é demais!

    Para combatê-lo, claro, o Van Helsing vivo da vez, mais uma vez interpretado de forma afiada e impecável pelo galante Peter Cushing. Além de ajudar uma agência do serviço secreto britânico, tal qual a MI6, com suas dicas infalíveis sobre rituais satânicos e vampirismo e desbaratar o esquema de Drácula (ou D.D. Denham, alcunha a qual usa) mancomunado com um seleto grupo de importantes homens da coroa, como um militar, um empresário latifundiário, um ministro de serviço de segurança e um cientista prêmio Nobel, Van Helsing ainda irá encarar seu arqui-inimigo na tentativa de impedir que transforme sua neta, Jessica (a ruiva Joanna Lumley) em sua concubina do inferno.

    Outro detalhe importante, a começar pelo título escolhido pela Casa do Horror (nos EUA foi chamado de “Count Dracula and his Brides” e ainda cogitou-se no Reino Unido se chamar “Dracula Is Alive and Well and Living in London”…), é utilizar-se de satanismo e seitas ocultas como mote para tentar (mais uma vez) atrair o público, que estava mais interessado em O Bebê de Rosemary e O Exorcista da vida do que em filmes góticos com vampiros sanguessugas. Por isso, além de toda a trama sem o menor sentido, ainda veremos várias missas negras sendo praticadas. O que fica mais evidente é que Don Houghton, o roteirista do filme, poderia muito bem ter substituído a figura do Conde por qualquer outro vilão, que talvez funcionasse muito melhor.

    Mas fato é que alguns momentos são bastante interessantes, e que diabos, o filme é divertido e tem lá sua dose de entretenimento. Muito bacana a hora em que o covil das garotas transformadas em vampiras é descoberto no porão de uma mansão, e Jessica xeretando por ali é atacada por essas escravas de Drácula. Outro momento interessantíssimo é quando um dos cupinchas enganados por Drácula é infectado com o vírus e sua pele começa a derreter e ficar horrivelmente deformada. Outros entretanto, são de dar dó, como o diálogo canastríssimo entre Denham e Van Helsing (como se suas intenções já não fossem toscas o suficiente) e todos do grupo de assassinos treinados a mando da organização que se parecem com o Patropi (pô meu, você parece que não sei…).

    Mas claro que o auge da fita é a última, definitiva e aguardada batalha entre Drácula e Van Helsing. Obviamente o maniqueísmo irritante dos filmes da Hammer farão com que o Conde se dê mal mais uma vez e o bem triunfe sobre o mal. Mas agora de uma forma completamente inusitada (leia-se esdrúxula). Tiraram de não sei onde que arbustos espinhentos são mortíferos para vampiros. Então o tonto do Drácula tenta atravessar uma espinheira para pegar Van Helsing de pau e cai todo destrambelhado agonizando de dor no chão. Ah qual é? Vampiros derrotados por plantas espinhentas??? Desde quando??? Aí só cabe ao professor intrépido arrancar uma cerca e usá-la como estaca, fincando no coração do monstro. Detalhe muito legal é que Drácula morre quase como um Jesus Cristo às avessas, deitado no chão com os braços abertos em forma de cruz e uma coroa de espinhos na testa.

    Lançado no Brasil pelo selo Dark Side da Works Editora, Os Ritos Satânicos de Drácula merece sim uma chance de ser visto, por completar, depois de outros sete títulos, que se iniciaram em O Vampiro da Noite de 1958, uma das mais famosas franquias do cinema de terror com o monstro mais popular de todos os tempos. Longa vida à Christopher Lee como Drácula.













    COMENTE USANDO SEU FACEBOOK:

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Scroll to Top