• ÚLTIMAS...

    CARRIE - A ESTRANHA NO CINEMA



    CARRIE -  A ESTRANHA (1976)

    Carrie – A Estranha é o primeiro sucesso comercial do diretor Brian De Palma, que passou a década toda aperfeiçoando suas técnicas de filmagem inspiradas em Alfred Hitchcock, e também a primeira de inúmeras adaptações às telas de um livro de Stephen King. E me atrevo a dizer que mais de trinta anos passados, ainda assim é a minha adaptação preferida de todas as suas obras para o cinema, mesmo com suas diferenças em relação ao texto do escritor.

    Isso se deve muito a três forças motrizes que elevam esse filme aos altos degraus do Olimpo do cinema de horror: A primeira, claro é a direção de De Palma, que trabalha muito bem os nuances do terror, o crescente suspense, o descontrole emocional dos personagens, a descoberta da sexualidade, e o cotidiano com cenas poéticas e de uma beleza ímpar, além da sua peculiar maneira de filmar com a câmera acompanhando os personagens e sua tara por planos sequência.

    Alerta de SPOILER (se ainda não assistiu ao filme, vá para o armário e reze, e pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco). A antológica sequência do baile de formatura traz diversos elementos e técnicas de narrativa que vão deixando o espectador tenso até que o balde cheio de sangue de porco caia sobre a pobre garota esquisita. Tudo começa com Carrie vencendo o concurso de rainha do baile, num esquema preparado pelas rivais de escola como a mais perfeita tradução da palavra bullying. É um momento mágico e sublime em câmera lenta. Em seguida, uma tensão avassaladora vai tomando conta do espectador enquanto uma de suas amigas descobre o terrível plano e tenta alertar a professora. E depois, a sequência final parece um trem desgovernado, com Carrie dando vazão a todo seu poder descomunal, enquanto De Palma utiliza de separações da tela em dois planos diferentes para mostrar tanto a garota quanto os pobres coitados presos naquele salão de baile, além de brincar com o jogo de cores, entre o vermelho e o azul.

    Fora isso, De Palma pinça toda a sexualidade latente sugerida por King em seu livro e decide extrapolar esse limite, logo no começo do longa na fatídica cena do chuveiro, quase tão emblemática quanto o baile de formatura em si, que funciona como o estopim de todo esse turbilhão de sentimentos que vão desde vergonha à prazer que se inicia exatamente no banho de Carrie. Pintado quase como um quadro de ninfas gregas, enquanto as garotas colegiais desfilam com seus seios à mostra e pelos pubianos em meio ao vapor saído dos chuveiros quentes, Carrie solitária, inocente pero no mucho, acaricia delicadamente seu corpo nu molhado, suas coxas, seu sexo, incrementando uma mensagem erótica subliminar, até que apavorada tem sua primeira menstruação, e desesperada por não ter nenhum tipo de instrução sexual, tenta pedir ajuda às colegas de colégio, que começam a jogar absorventes nela e a tratar ofensivamente. Pronto, o palco está montado para o final explosivo.

    A segunda é o texto de King. Antes de Carrie – A Estranha, ele era apenas um professor de inglês medíocre que morava com sua esposa em um trailer em Portland, no Maine, aspirando um dia tornar-se um escritor famoso. Largamente influenciado em sua vida por Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft e pelos quadrinhos de terror da EC Comics, King havia escrito um romance sobre uma garota que vive em uma cidadezinha ordinária nos Estados Unidos, é feita de gato e sapato na escola, com necessidade de ser aceita como todas as garotas adolescentes e a dificuldade dessa inserção social, pena nas mãos de uma mãe cristã fundamentalista radical, tudo isso além do fato dela possuir poderes telecinéticos. Ele havia detestado o resultado do livro e jogou o manuscrito na lixeira, resgatado por sua esposa, que achou incrível e o encorajou a terminar o romance. O resto é história.

    Por fim, a terceira é a atuação de Sissy Spacek como Carrie e Piper Laurie como sua mãe afetada, ambas indicadas ao Oscar® como melhor atriz e melhor atriz coadjuvante respectivamente. Spacek está fantástica no papel título, melhor atuação de toda a sua carreira sem dúvida. Seus olhares, a forma como seu rosto e seu corpo se contorcem e reagem na cena do baile de formatura, são um espetáculo a parte. E daqui até o final, ela vai passar praticamente todo filme completamente ensanguentada. Laurie como a Sra. White e todo seu alucinado fervor religioso, onde tudo é pecado e penitência, também dá um show de atuação, principalmente na sequência final (Alerta de SPOILER de novo) quando revela como Carrie nasceu, ao ceder às tentações e ter feito sexo (e gostado!!!) com o pai bêbado da garota, e ao ser esfaqueada na posição da cruz, nitidamente sente uma espécie de prazer reprimido em toda aquela dor. Fora que ela fica igualzinha uma figura bizarra de Jesus Cristo alojado no armário onde Carrie roga por seus pecados. É tipo um Jesus de cabelão crespo, sem barba, mais parecendo um cantor de rock de arena dos anos 60, com várias flechadas no peito e os olhos esbugalhados e brilhantes. Vai entender…

    Carrie – A Estranha é cercado de subtextos para quem quiser enxergá-los além do horror. Fala sobre o preconceito às diferenças, sobre o desejo de vingança que nasce, cresce e corrói dentro de todos aqueles excluídos socialmente (principalmente em um ambiente opressor como o colégio), fala sobre os absurdos do fundamentalismo religioso que é capaz de gerar monstros em nome da fé e principalmente, ao meu ver,  fala do poder feminino, da repressão, da misoginia, do estigma da sexualidade da mulher ter de ser escondida e combatida por movimentos religiosos e retrógradas convenções sociais, e que o poder sobrenatural (que pode ser substituído por prazer, personalidade, desejos, liberdade, vontades, o que que quer você escolha) tem de ser escondido dentro de um armário escuro, e que vindo à tona, vem recoberto de fúria, de sangue e fogo. E todos aqueles que contribuíram para que essa situação chegasse ao limite, família, colegas de escola, sociedade (afinal no livro Carrie simplesmente destrói a CIDADE INTEIRA, não apenas o baile como no filme com seu orçamento apertado) devem e serão punidos.



    O remake de Carrie – A Estranha chegou aos cinemas em 2013. Isso depois de uma sequência tosca e um filme água com açúcar chato, mambembe e interminável feito diretamente para a TV . Infelizmente o clássico de Brian De Palma e Stephen King e transformou em um terrorzinho desnecessário para essa geração de adolescentes .

    CARRIE 2 - A MALDIÇÃO DE CARRIE (1999)

    Talvez fosse mais justo se o título fosse Carrie 2 – A Maldição de Stephen King. O Mestre do Horror Contemporâneo é um dos mais populares escritores do gênero fantástico, com obras traduzidas em diversos países, mas sofre com as adaptações para o cinema de seus livros e, principalmente, com as continuações ruins. Ao mesmo tempo em que é considerado uma mente criativa no estilo, ele também inspira remakes desnecessários e sequências que se aproveitam de seu rótulo para atrair público. Pode-se exemplificar com a gigantesca franquia Colheita Maldita e seus oito filmes e um remake, além de Cemitério Maldito 2, Vingança em Chamas (continuação de Chamas da Vingança), a série O Vidente (baseado em Na Hora da Zona Morta), a franquia Às Vezes Eles Voltam, entre outros. Nem mesmo seu trabalho de estreia nas telas conseguiu escapar da falta de criatividade de Hollywood.

    Carrie 2 começou a ser desenvolvido em 1996. Baseado num episódio real envolvendo um grupo de atletas de uma escola da Califórnia que, em 1993, costumava pontuar as relações sexuais de seus membros – e ocasionou diversos escândalos na época -, o longa, desde o ínicio da pré-produção, contava com Emily Bergl e tinha o título provisório de Carrie 2: Say You’re Sorry. Dois anos se passaram até que Robert Mandel foi demitido da direção por diferenças criativas e Katt Shea assumiu às vésperas das filmagens. Para atrair mais méritos à produção, Amy Irving foi sondada para repetir seu papel como Sue Snell, mas só aceitou depois de uma autorização de Brian De Palma, diretor do original de 1976. Faltava apenas a liberação de imagens de arquivo de Sissy Spacek, algo que foi permitido depois da atriz assistir a algumas cenas da continuação.

    Com um orçamento estimado em 21 milhões, o filme chegou aos cinemas em 1999 com a possibilidade de realização de uma franquia com mais informações sobre o pai de Carrie, porém falhou consideravelmente nas bilheterias, alcançando apenas 17 e acumulando críticas negativas. O fracasso não foi um acaso: apesar da boa produção e algumas boas ideias, Carrie 2 está mais para um remake disfarçado do que uma continuação, já que o conteúdo pouco evolui em relação ao original. Basicamente, o enredo se desenvolve de um modo bastante óbvio: 1) apresentação de uma personagem com dificuldade de se socializar; 2) alegria momentânea com uma conquista; 3) tragédia, com a morte de várias pessoas, incluindo inocentes.

    Tem início com a protagonista Rachel na infância enfrentando a loucura de sua mãe Barbara (J. Smith-Cameron, de À Beira do Abismo), que pinta as paredes de vermelho para afastar os demônios que parecem querer possuir sua filha. A pequena já demonstra sinais de seus poderes ao bater portas e janelas, antes de ser resgatada por autoridades, e culminar com a prisão de sua mãe numa instituição mental. Na adolescência, Rachel (Emily Bergl) vive com pais adotivos e tem na amiga Lisa (Mena Suvari, de Beleza Americana) uma grande confidente. Lisa conta a Rachel que perdeu a virgindade para o popular jogador de futebol americano Eric (Zachery Ty Bryan, de Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio) e, horas depois, suicida-se na própria escola ao se atirar da parte mais alta do edifício, numa cena bem realizada.

    Aos poucos Rachel descobre que a morte da amiga está relacionada a uma brincadeira dos rapazes da escola, com pontuação a cada conquista. Ela passa a ser odiada pelos meninos quando insinua que irá denunciar Eric por uma foto comprometedora, podendo prejudicá-lo em sua carreira no esporte. Enquanto isso, a conselheira escolar Sue (Amy Irving, de O Amigo Oculto) percebe a capacidade telecinética de Rachel e, com base no pesadelo vivido com Carrie no passado, resolve procurar a mãe verdadeira da garota no hospício Arkham – uma referência a obra de H.P.Lovecraft -, para encontrar a relação entre os casos. Para completar as peças do tabuleiro, o cachorro de Rachel é atropelado por um caminhão com porcos – referência ao original – e resgatado por Jesse (Jason London, de Área 51), um dos jogadores da escola. Aos poucos Rachel inicia uma relação com o rapaz, sem saber que os demais jovens pretendem humilhá-la numa festa que acontecerá após um jogo importante.

    Não é difícil notar semelhanças entre o original e essa continuação. O roteiro preguiçoso de Rafael Moreu, em seu segundo e último trabalho como escritor, simplesmente substitui o sangue de porco por uma fita de vídeo e a festa de formatura por uma comemoração num casarão. Até mesmo as mortes no final são parecidas, assim como a expressão de Rachel é bastante similar a de Carrie, com o olhar arregalado e as mãos esticadas. Além disso, incomoda uma referência imbecil ao filme Pânico, de Wes Craven, numa cena em que os rapazes tentam assustar Rachel em sua morada, telefonando e questionando qual seria seu filme de terror favorito.

    Por outro lado, é visualmente interessante o uso da tatuagem-viva, com o caule da rosa se espalhando pelo seu corpo, no momento da fúria de Rachel. Algumas mortes são bem feitas, como a de duas pessoas empaladas numa porta e outra que tem os olhos estourados pelas lentes do óculos, embora seja exagerada a capacidade da garota de lutar com um dos jogadores na piscina, sendo que seu poder é apenas mental e não físico. Excluindo o último ato, o que sobra é um filme simples de vingança, com boas atuações e trilha sonora. Não é o suficiente para garantir uma boa avaliação, principalmente se o espectador esperar uma relação com o livro ou com o filme de 1976.

    Com características que o assemelham a um horror teen, em vigência no período, Carrie 2 se distancia bastante das qualidades do texto original, culminando numa produção sem surpresas, com adolescentes acéfalos e um amor pouco convincente. Para aqueles que não conhecem o filme de Brian De Palma pode até ser que ache interessante o massacre de jovens no final, já os demais não verão motivos para recomendá-lo.

    CARRIE - A ESTRANHA (2002)


    Carrie é um telefilme estadunidense de 2002, baseado na obra de mesmo nome do escritor Stephen King, exibido originalmente pelo canal NBC. Foi inicialmente planejado como um piloto de uma série de TV em que Carrie se mudaria para a Flórida para ajudar outras pessoas com problemas de telecinese, porém nunca realizado. Serviu como um piloto de dois episódios de uma série de TV no National Broadcasting Corporation, por esta razão que Carrie foi resgatada no final, em vez de morrer. Os executivos da NBC esperavam que a ideia da série seguiria o sucesso de uma série semelhante, The Dead Zone, entretanto, devido à baixa audiência, a NBC logo abandonou a ideia da série.O filme conta a história da jovem Carrie White que após uma brincadeira de mal gosto dos colegas de classe desencadeia uma catastrófe na cidade em que vive devido aos seus poderes telecinéticos.

    O filme, igual ao livro, se passa contando duas histórias: a da própria Carrie e o relato de várias testemunhas. Carrie menstrua e uma das suas colegas avisa as outras. Carrie pensa que está morrendo e se esvaziando em sangue. Antes ela era muito zoada e depois muito mais, assim como no livro. Ela é levada para a sala do diretor na qual ela se irrita e move uma mesa dez centímetros para o lado porém deveria derrubar um cinzeiro no chão. ela relembra da sua infancia quando quebra partes da casa com meteoritos e mesa sai pela janela (livro também). A mãe mostra-se a ser quase tão odiável quanto no livro. Carrie descobre seus poderes no qual algumas pessoas pode pensar que ela já sabia, já que não demonstra supresa e não percebe que mexe a torneira com telecinese. Assim como no livro ela fica diferente quando usa os poderes, só que fica apenas em transe quando deveria ficar com dor de cabeça, pulsação alta, etc. No baile, porém, Carrie fica em transe onde deveria até gostar de ver os colegas morrendo. Ela destroi a cidade ainda inconsciente. Ela mata a sua mãe de parada cardíaca igual ao livro. Mas Carrie vive, pois Sue Snell faz respiração boca-a-boca com ela. O motivo da sua vida era que ela ainda faria um seriado na qual ela ajudaria pessoas com poderes telecinéticos.

    CARRIE - A ESTRANHA (2013)

    Mania desnecessária essa de Hollywood de lançar remakes de obras irretocáveis. A situação torna-se ainda pior quando percebemos que o objetivo é basicamente tornar a história acessível ao público atual, sem adicionar qualquer visão extra ou provocação. Mas “Carrie – A Estranha” consegue ser ainda mais desrespeitoso com o texto original de Stephen King e o filme de 1976, de Brian De Palma, ao buscar atualizar a trama para o século 21. Resultado: um pequeno e vergonhoso terror teen, que certamente tornar-se-á uma mancha suja na carreira de todos os envolvidos.

    A principal culpada é certamente a diretora Kimberly Peirce, conhecida pelo longa “Meninos Não Choram”, de 1999. O que poderia ser uma excelente oportunidade para arriscar sem medo no comando das câmeras, como bem fez De Palma, vira um exercício rotineiro e descansado de uma cineasta mais acostumada a lidar com problemas juvenis mais profundos. Ela, basicamente, transforma o  pequeno, mas intenso conto sobrenatural da menina rejeitada que se vinga de todos na escola em uma produção para pré-adolescente se identificar e jamais se assustar.



    O maior problema do longa é não conseguir desvincular-se da produção estrelada por Sissy Spacek, guardando semelhanças óbvias, que ultrapassam as meras citações de falas e remontagens de cenas históricas. Logo, compará-los torna-se ainda mais inevitável. E consequentemente o padrão exigido cresce. Mas “Carrie” não corresponde em quase nada, para ser até bondoso. A busca por transportar a trama para os dias atuais é a maior discrepância entre as duas versões, mas é também um dos maiores erros do filme de Peirce, daqueles de fazer Stephen King repensar a liberação da adaptação de sua obra.

    Nesto caso, a culpa também deve ser creditada aos roteiristas Lawrence D. Cohen e Roberto Aguirre-Sacasa. O problema não está só no fato de os personagens vestirem-se diferentes, utilizarem celulares e jogarem o vídeo da humilhação sofrida por Carrie no chuveiro na internet. Está na total inapropriação do conteúdo da história para o século 21. Ele perde em intensidade e credibilidade. Cohen e Aguirre-Sacasa fazem ainda questão de estereotipar ainda mais seus personagens, especialmente a Chris Hargensen de Portia Doubleday, a vilã sem escrúpulos que ainda avisa, via sms, que está prestes a cometer sua vingança.

    Não há também uma contextualização adequada do universo juvenil da cidade. Concentrado demais nos fatos ditos essenciais para a trama, o roteiro perde a oportunidade de nos introduzir à futilidade das moças e rapazes dessa escola prestes a viver a maior de suas tragédias. Porque, em essência, o filme é todo de Carrie White. Dando-lhe tempo demasiado em tela, o longa aproxima-se por demais dela, chegando ao ponto de nos fazer sentir pena. E é substituindo a insanidade por uma ignorância mesclada com bondade que a personagem principal provoca-nos desinteresse gradualmente.

    A má escalação de Chloe Grace Moretz para o papel apenas piora a qualidade da relação da protagonista com o público. Com cabelo claramente tingido e um histórico cinematográfico que impede-nos de crer em sua pureza e inocência, Moretz até se esforça, mas a falta de naturalidade de seu gestual e de sua interação com outros personagens incomoda. Com Julianne Moore, em especial, é de uma artificialidade sem tamanho. Interpretando a mãe de Carrie, uma religiosa além de fervorosa, Moore também exagera em sua composição sem causar qualquer choque no espectador.

    Pelos motivos apresentados e também por uma falta de uma trilha sonora marcante, ainda que composta pelo bom Marco Beltrami, que exerce uma função essencial na produção de 1976, “Carrie – A Estranha” conta com um desfecho não menos do que decepcionante. Poupando personagens do trágico, exagerando nos efeitos visuais e no sangue e adicionando alguns fatos bizarros à história, o filme perde mais uma oportunidade de tornar-se minimamente marcante entre os pouco exigentes jovens atuais. Na verdade, é mais fácil que vire referência de um cinema a ser evitado.



    COMENTE USANDO SEU FACEBOOK:

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Scroll to Top