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    BOLHA ASSASSINA NO CINEMA



    A BOLHA (1958)

    Um verdadeiro clássico e um dos mais famosos e adorados filmes do terror / sci-fi dos anos 50. OK, A Bolha talvez só seja tão famoso para minha geração por conta do seu excelente remake dos anos 80, A Bolha Assassina. Mas a importância desse filme para o gênero é inquestionável.

    Primeiro pela perplexidade que causou no público na época, ao ver aquela gelatina de morango espacial vinda de um meteorito que caiu em Phoenixville, Pensilvania, promover um rastro de morte e destruição, sendo praticamente indestrutível e crescendo conforme vai devorando os seres humanos, e tudo isso em cores! Segundo pela já nítida evolução dos efeitos especiais se comparadas a outras produções do gênero. Terceiro por dar a primeira oportunidade cinematográfica ao jovem ator Steve McQueen, futuro astro de Hollywood e indicado ao Oscar®.

    O diretor Irwin S. Yeaworth confessamente inspirou sua geleca em um obscuro sci-fi do estúdio inglês Hammer (sim, aquele mesmo dos filmes de Drácula e Frankenstein com Peter Cushing e Cristopher Lee), X, O Monstro Radioativo. Feito com parcos 240 mil dólares, e exibido em double features com I Married a Monster from Outer Space, A Bolha é mais um exemplo de um filme barato, porém criativo, que deu super certo e tornou-se um sucesso instantâneo para a Paramout, que até então não tinha quase nenhuma tradição no gênero.

    A abertura de A Bolha não tem absolutamente nada a ver com um filme de terror e até acaba se transformando em um anticlímax, trazendo como música tema uma espécie de surf music bem anos 50. Mas o pior é que ela é bem divertida. 

    Dá para ver a abertura completa, com seu visual hipnótico e a canção tema Beware of the Blob bem aqui. E essa letra da música resume muito bem o que se esperar da criatura alienígena pegajosa e rastejante do filme e todas as peripécias que essa massa disforme é capaz de fazer. E se você já assistiu ao remake oitentista, a origem é a mesma. A geleia vem dentro de um meteorito que cai em uma fazenda no interior dos EUA, e é encontrada por um velho e seu cachorro. Cutucando a forma translúcida com uma vareta, ela gruda na mão do senhor e começa a consumir o braço do pobre coitado.

    Até ele ser resgatado por Steve Andrews, papel de McQueen e sua namoradinha virginal Jane Martin (Aneta Corsaut), que estavam dando uns amassos castos no carro e veem uma estrela cadente, que na verdade é o tal meteorito, e resolvem tentar descobrir onde ela caiu. Steve leva o velho até o Dr. T. Hallen, que desconhece o que pode ser aquilo. A bolha faz então sua segunda vítima e vai aumentando de tamanho, fugindo para a cidade para espalhar o terror gelatinoso.

    A polícia local não acredita na história contada por Steve e Jane, que procuram os demais “adolescentes” rebeldes da cidade para investigarem o paradeiro da bolha, até que eles a encontram na loja de conveniência do pai de Steve, e só conseguem se salvar por se esconderem no frigorífico, e descobrirem que o alienígena gosmento não tolera o frio extremo. Em sua escalada de morte, a Bolha ainda ataca um cinema, o Colonial Theater, em que está sendo exibido Daughter of Horror, filme de 1953 dirigido por John Parker, (que está sendo projetado quando Steve adentra o cinema para pedir ajuda aos amigos) e My Son, the Vampire, este estrelado por Bela Lugosi. Sem precedentes a cena em que a bolha se esgueira pelo duto de ar para devorar o projetor e depois cai pelas janelas da sala de exibição, provocando uma fuga histérica em massa do local.

    Por fim, Steve, Jane e seu irmãozinho pentelho que foi atrás dela, que você até torce que morra secretado pela gosma alienígena, estão encurralados em uma lanchonete que a bolha, agora com proporções gigantescas, está assimilando, quando através do uso do CO2 provenientes de extintores, toda a população congela a criatura, à espera de que o exército americano leve-a para o ártico, onde ficará para sempre confinada no frio, ou até que o degelo e o aquecimento global a tire de lá, já que no final do filme, após o fatídico letreiro de FIM, aparece um sinistro ponto de interrogação.

    O grande inimigo de A Bolha no entanto é a passagem dos anos. Não é nenhum demérito, mas acontece que o que ocorre com A Bolha foi exatamente a mesma coisa de outros sci-fi dos anos 50 que ganharam suas refilmagens três décadas depois, como, por exemplo, A Mosca, remake de A Mosca da Cabeça Branca e O Enigma de Outro Mundo, remake de O Monstro do Ártico. Todos eles são viscerais, violentos e com doses cavalares de sangue e nojeira, algo que seus originais definitivamente não tinham.

    Mas isso não tira o fato de que A Bolha é um cult definitivo e muito menos a sua importância para o gênero, tornando-o obrigatório para os fãs.

    FILHO DA BOLHA (1972)

    Quinze anos após os eventos do primeiro filme  , um chefe de um oleoduto chamado Chester ( Godfrey Cambridge ) retorna a sua casa no subúrbio de Los Angeles, trazendo com ele uma pequena amostra de uma misteriosa substância congelada descoberta por um Bulldozer em um local de trabalho. Antes de levar a bolha para um laboratório para ser analisado, ele coloca o recipiente  com a substância em seu freezer, mas ele e sua esposa ( Marlene Clark ) acidentalmente deixa-o descongelar.

    O filme é dirigido por Larry Hagman, que é um ator absurdamente conhecido pelos papeis centrais nas famosas séries Dallas (como J.R.) e Jeannie é um gênio.

    E mais absurdo ainda é o título nacional, que sugere parentesco da bolha com a bolha do filme anterior. E fica a pergunta: ela transou com quem?


    A BOLHA ASSASSINA (1988)

    Trinta anos depois, Chuck Russell (que estreou na direção em 1987 com o filme A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros do Sonho) resolveu fazer uma refilmagem da história original. Ele foi apoiado pelo mesmo produtor da primeira versão, Jack H. Harris (que possuía os direitos do filme) e para a satisfação dos apreciadores de Horror dos tempos mais modernos, temos essa nova versão bem mais violenta e sangrenta, sustentada por excelentes efeitos especiais.

    A propósito, muitos cineastas já usaram essa fórmula em outras refilmagens de clássicos dos anos 50. Citando dois exemplos, temos a versão do filme A Mosca da Cabeça Branca (The Fly, Fox, EUA, 1958), que trazia no elenco David Hedison, o grande Vincent Price e Patricia Owens. Esse filme de Kurt Neumann mostrava as experiências de um cientista com a desintegração da matéria. O eficiente David Cronenberg (de Scanners e Videodrome) refilmou esse clássico em 1986, com Jeff Goldblum e Geena Davis, utilizando poderosos efeitos especiais, que tornaram o filme bem mais podre e assustador. Outro exemplo é o clássico O Monstro do Ártico (The Thing, RKO, EUA, 1951), dirigido por Christian Nyby e estrelado por Robert Cornthwaite, Kenneth Tobey e Margaret Sheridan. Um monstro alienígena que é encontrado congelado no Ártico, desperta e ataca uma expedição de pesquisadores. Em 1982, John Carpenter (de Halloween e Starman) dirigiu uma nova versão com Kurt Russell e T. K. Carter, utilizando também mais violência e efeitos especiais de primeira qualidade.

    Voltando à refilmagem de A Bolha, que recebeu agora o nome de A Bolha Assassina, podemos dizer que é um dos bons e significativos filmes produzidos nos anos 80, com uma considerável dose de cenas de violência e sustos. Com um orçamento de US$ 19 milhões (mais da metade gasto só com os efeitos especiais), o filme não foi bem recebido pela crítica brasileira, porém fez grande sucesso entre o público.

    O competente diretor Chuck Russell (que iniciou sua carreira produzindo o filme Back to School e co-escrevendo a ótima FC Dreamscape), contou com a ajuda de Lyle Conway na criação dos efeitos da bolha e de Tony Gardner no comando dos outros efeitos especiais.

    Na pequena cidade fictícia de Arborville, a pacata população é atacada por um monstro gelatinoso vindo do espaço através de um meteorito. Inicialmente de pequeno porte, a bolha aumentava seu volume progressivamente ao dissolver e engolir as pessoas que entravam em seu caminho.

    A nova bolha está bem mais dinâmica que a sua antecessora original, pois podia criar tentáculos quando quisesse, ajudando muito seus ataques mortíferos. Mais tarde descobriu-se que a gosma viva era fruto de uma fracassada experiência para a guerra bacteriológica e os cientistas responsáveis isolaram a cidade para tentar capturar a criatura com vida.

    Enquanto muitas mortes violentas ocorrem, um casal, Kevin Dillon (de Platoon) e Shawnee Smith, tentava praticamente sozinho salvar a cidade. Entre os destaques, temos as cenas em que um funcionário de uma lanchonete entra literalmente por um cano e para o final interessante com o fanático reverendo Meeker (Del Close, que aliás é o único ator que já participou de outro filme da bolha, a fraca sequência Son of Blob, de Larry Hagman, filmada em 1972 e mais voltada para o humor).

    Enfim, A Bolha Assassina é uma refilmagem interessante, apresentando um roteiro com muita violência explícita, sangue em profusão e cenas assustadoras, mas ainda assim não chega a superar o charme do clássico original, que foi produzido com baixo orçamento e é um dos mais lembrados exemplos do cinema fantástico da década de 50 do século passado.



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