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    JERSEY BOYS (2014) - FILM REVIEW


    Na década de 1950, o ítalo-americano Tommy DeVito divide seu tempo entre cometer pequenos furtos e comandar uma banda. Ele é amigo do jovem e talentoso Frankie Valli que, não demora, é convidado para se juntar ao grupo musical. Com a entrada do compositor Bob Gaudio, no entanto, eles - ao lado de Nick Massi - formam uma das mais bem-sucedidas bandas dos anos 1960, o The Four Seasons, responsável por hits como "Sherry", "Big girls don't cry", "Walk like a man" e "Can't take my eyes off you". Baseado no musical da Broadway, o longa de Clint Eastwood mostra a ascensão e queda do quarteto, de muito talento, mas envolto em uma nuvem de brigas internas e relações escusas com a máfia.

    CRÍTICA

    Aos 84 anos, Clint Eastwood vem demonstrando vitalidade surpreendente. Com uma carreira repleta de sucessos e reconhecido por crítica e público, o eterno homem sem nome de westerns icônicos não parece disposto a pisar no freio. E, com quatro Oscars (dois de direção e dois de melhor filme), Clint não vem buscando a confortável segurança dos gêneros responsáveis pela fama que lhe garante até hoje admiradores de diferentes gerações. Sem abrir mão de seu estilo, visivelmente inspirado em cineastas como John Ford e Howard Hawks, Clint tem um tempo próprio para desenvolver ideias e temas. Nele, o ritmo contemplativo está a serviço de tornar críveis as motivações dos personagens.

    O diretor tem ainda obsessão por figuras dramáticas que lutam para conseguir, de variadas maneiras, o sonho americano de sucesso material juntamente com a autorrealização — o que nem sempre acontece na tela. Duas pequenas e sutis referências inseridas em “Jersey boys” ilustram essa prática, uma no campo da ficção (uma cena de “A montanha dos 7 abutres”, de 1951, de Billy Wilder) e outra que flerta com a realidade (o seriado de TV “Rawhide”, de 1959, que marca o início da vida artística de Clint). Talvez tenha sido isso que o atraiu, desta vez, a dar sua versão do musical da Broadway, ganhador de quatro prêmios Tony. O longa conta, pela perspectiva de cada um dos integrantes do Four Seasons, a história do grupo, com triunfos e fracassos acompanhados por suas canções que encantam desde os anos 1960. Contrariando expectativas, Clint não constrói o típico musical com números dançantes. Ele subverte o gênero, mesmo sabendo que pode frustrar os fãs da obra (o diretor brinca com o estilo dos musicais somente nos créditos, demonstrando qual era sua proposta desde o início) — e entrega um filme nostálgico como as peculiares biografias que eram feitas na Hollywood do passado.


    Num primeiro momento, os mais afoitos podem achar que este é mais um longa formulaico sobre ascensão, queda e redenção de figuras célebres. Mas Clint abusa propositalmente dos clichês para colocar o público num campo familiar, no qual seus temas e suas questões são sutilmente embutidos, seguindo a cartilha do entretenimento com ideias, com a aparente simplicidade ditando os desdobramentos da narrativa. E tudo é construído com planos elegantes e uma linguagem de cores saturadas. Movimentos e posição de câmera pretendem corroborar o vulcão de sentimentos dos personagens. Clint não está em busca de respostas ou de explicar a importância de Frankie Valli and the Four Seasons. Sua abordagem é nostálgica; e sua intenção, convidar o público a esse universo em que a música e os laços de amizade são objetos de reflexão. “Jersey boys” faz parte de um grupo específico de filmes a que Clint tem voltado a sua atenção. Da mesma forma como o diretor tem recontado capítulos históricos, este novo longa é cinemão trabalhado com talento, técnica e sensibilidade. Desde “Coração de caçador” (1990), ele vem fazendo isso, uma espécie de revisionismo (“Os imperdoáveis”) para o qual fatos (“A conquista da honra”) e personalidades (“J. Edgar”) têm sido o seu combustível. E poder recontar o que entrou para a História permite um questionamento do sonho americano. 


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