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    INVASÃO USA (1985) - CLÁSSICOS CINEMA EM CASA



    FICHA TÉCNICA

    Invasion USA (1985, EUA)
    Direção: Joseph Zito
    Elenco: Chuck Norris, Richard Lynch, Melissa Prophet,
    Alexander Zale, Alex Colon, Eddie Jones, Jon DeVries,
    James O'Sullivan e Billy Drago.

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    Ah, o cinema de ação dos anos 80... Violência e exagero eram as palavras de ordem. Os heróis eram sempre valentões sem sentimentos que passavam as horas livres treinando tiro ao alvo ou limpando suas armas, e para eles não bastava apenas prender os vilões e julgá-los dentro do que dizia a Justiça; era necessário matá-los, torturá-los, agredí-los, enfim, fazê-los sofrer da pior forma possível, descarregando sobre eles tudo que cometeram contra a "sociedade" e ainda mais um pouco.

    Nesta década mágica, explosões, tiros e altas contagens de cadáveres faziam parte de produções como "Stallone Cobra", "Desejo de Matar 3" ou "Comando para Matar", onde os mocinhos acabavam matando o dobro ou o triplo de pessoas que os vilões! Desta mesma década é o clássico INVASÃO USA, uma parábola sobre a paranóia militarista da época, incentivada pelo então presidente norte-americano Ronald Reagan no auge da Guerra Fria. INVASÃO USA é uma espécie de clássico da TV aberta, onde foi exibido incontáveis vezes, e foi um sucesso estrondoso de locações na época das fitas piratas no Brasil, no final da década de 80. Também é um dos filmes mais famosos do ator Chuck Norris, que aqui interpreta seu herói mais arrogante, maldoso e cruel - que em determinadas cenas mais parece um bandido do que um herói.


    O dito-cujo, um ex-agente da CIA chamado Matt Hunter, seria uma resposta do roteirista James Bruner ao sucesso de "Stallone Cobra", feito no mesmo ano e estrelado por Sylvester Stallone. O próprio Chuck Norris deu uma mãozinha no roteiro, ajudando a compor um personagem visivelmente frio e sádico, que não hesita em enfiar uma faca na mão de um vilão durante um "interrogatório" e prefere explodir os inimigos em pedacinhos ao invés de levá-los à Justiça. A direção é de Joseph Zito, que já havia dirigido Norris num dos grandes sucessos da carreira do ator, "Braddock - O Super Comando", lançado no ano anterior como uma resposta à série "Rambo". Pelo visto, os filmes do Stallone pautavam as escolhas profissionais do velho Chuck na época...

    A trama de INVASÃO USA é incoerente e absurda: Mikhail Rostov (o eterno vilão Richard Lynch) é um terrorista russo que resolve, literalmente, invadir os Estados Unidos. Ele junta uma quadrilha de mercenários e terroristas de todo o mundo, liderados por ele e por seu braço direito, Nikko (Alexander Zale), e entram facilmente no território americano, iniciando uma série de atentados e assassinatos que seria o início da auto-proclamada "Invasão dos Estados Unidos". O plano de Rostov é jogar os próprios americanos uns contra os outros. No início, por exemplo, ele e seus homens abordam um barco de refugiados cubanos, usando trajes da guarda corteira americana, e metralham todo mundo, inclusive velhos e crianças; mais tarde, vestidos como policiais, os terroristas vão ao bairro latino de Los Angeles e provocam uma chacina, colocando os civis contra os verdadeiros policiais quando estes aparecem e acabam apedrejados.

    Ao perceber que Rostov está por trás destes recentes atos de violência e vandalismo, a CIA vai até os pântanos da Lousiana, onde o aposentado Matt Hunter vive, caçando crocodilos no seu tempo livre. Se em filmes anteriores de Norris havia uma tentativa de compor um personagem principal que pelo menos tivesse algum vínculo afetivo ou o menor dos sentimentos (uma família, uma namorada, um melhor amigo), o Matt Hunter de INVASÃO USA é o verdadeiro "homem-de-pedra", um agente indestrutível que parece ter saído de uma história em quadrinhos. Hunter não se importa com ninguém, não vive com ninguém, não dá a mínima para nada, só pensa em matar violentamente todos os terroristas que cruzam seu caminho. Nunca é mostrado se divertindo e nem ao menos sorrindo. Pelo contrário: ele passa pelo filme sempre armado, com luvas de couro pretas e cara de poucos amigos, caçando os vilões, e nem ao menos tem um interesse romântico para mostrar que, afinal, também é gente. Talvez Hunter seja um cyborg. Neste caso, um "terminator".

    Chama a atenção a quantidade de violência do filme, que parece mais exagerada do que nunca nestes tempos politicamente corretos de hoje. Num momento clássico, por exemplo, Rostov vai até um tranqüilo bairro de classe média, onde adolescentes namoram no carro e crianças decoram suas árvores de Natal. Subitamente, o terrorista puxa uma bazuca e inicia um massacre, explodindo todas as casas da vizinhança e matando famílias inteiras! Outros momentos de crueldade incluem bombas que explodem num shopping-center e num carrossel. Mas a maldade dos vilões não tem limites: eles chegam a plantar explosivos num ônibus de crianças e numa igreja - sendo que estes o herói consegue, "felizmente", desativar. Sim, INVASÃO USA é um filme absurdo, que não dá pra levar a sério nem a pau. Na metade final, por exemplo, o exército americano declara estado de sítio e toque de recolher, na tentativa de caçar os terroristas e evitar novas mortes. E Hunter passa a patrulhar a cidade em sua picape, dizimando os vilões aos poucos. A conclusão é uma "Terceira Guerra Mundial" nas ruas de Miami, com o exército americano enfrentando o exército terrorista com metralhadoras, granadas e até tanques de guerra (!!!!). Enquanto isso, Hunter, sozinho, com duas metralhadoras Uzi e uma bazuca, desafio o exército para ver quem mata mais, dizimando ele mesmo uns 50 terroristas e enfrentando cara a cara o próprio Rostov. E dentro da proposta exagerada do filme, o duelo final entre os dois não é com pistolas, mas com bazucas!


    Um detalhe curioso é que Hunter e Rostov tinham se encontrado anteriormente, quando o herói ainda era um agente da CIA. Naquela oportunidade, Hunter disse um "Hora de morrer" com a arma apontada para a cabeça do terrorista, mas seus superiores pediram que deixasse o vilão viver para ser julgado conforme as leis. "Vocês deviam ter me deixado matá-lo quando eu podia!", é a reclamação de Hunter quando seus patrões o convocam de volta para lutar contra o mesmo Rostov, mostrando a total falta de ética do nosso "herói". E Rostov, do outro lado, tem pesadelos com Hunter toda noite, alimentando um ódio feroz pelo mocinho, que caça num jogo de gato-e-rato. INVASÃO USA tem algumas cenas antológicas. Uma delas inclui Rostov e um traficante interpretado por outro eterno malvado do cinema classe B, Billy Drago. Ao ver que a namorada do traficante está cheirando cocaína, Rostov lhe dá um forte soco na cabeça, enterrando em seu nariz o canudinho metálico usado para aspirar a droga, e depois matando o próprio Drago com tiros no saco!!!! Outra cena fantástica é aquela em que os terroristas tentam explodir uma igreja lotada, mas o explosivo não funciona. Hunter então aparece por trás dos bandidos, atira a bomba sobre eles e diz: "Não funcionou antes, é? Mas agora vai funcionar...", e então explode os malvados em pedacinhos.

    Claro que, para o espectador esclarecido, o filme deve ser encarado como uma divertida comédia involuntária. Assista o trailer, cujo link está no final desta postagem. O filme é tão ridículo e imbecil quanto o trailer deixa transparecer, então o negócio é desligar o cérebro e levar na brincadeira os absurdos, a postura "macho man" do personagem de Norris, suas frases de efeito e a forma como ele parece onipresente para encontrar os vilões e despachá-los, justificando a excelente a frase do cartaz do filme: "Os Estados Unidos não estavam preparados para uma guerra... mas ELE estava!". hahahahaha. Demorou alguns anos para que o cinema de ação feito nos States pegasse mais leve, retratando heróis mais humanos, tipo o John McLane de Bruce Willis na série "Duro de Matar", que aparecia sangrando e com medo de enfrentar os bandidos.


    Como curiosidade, a maquiagem é do especialista em terror Tom Savini, com quem o diretor Joseph Zito havia trabalhado anteriormente em "Sexta-feira 13 - Parte 4", de 1984. Mas não há grandes maquiagens, apenas tiroteios e explosões. A grande contribuição de Savini para o filme parece ter sido cortada: a explosão de um vilão com um tiro de bazuca. A cena é muito rápida e mostra bem pouco, evidenciando que pode ter sofrido algum tipo de censura.

    INVASÃO USA foi lançado em DVD no Brasil, mas infelizmente tem apenas um trailer como material extra. Seria interessante ouvir diretor, roteirista e o próprio astro Chuck Norris sobre uma obra como essa, principalmente a impressão que os envolvidos têm sobre o filme hoje em dia. Norris andou dando uma reformulada na sua imagem de durão, passando a interpretar personagens mais certinhos nos anos 90, participando até de comédias para tentar apagar a imagem sádica deixada por personagens como o Matt Hunter que interpreta aqui. Com uma quantidade generosa de ação (são tantos tiroteios, mortos, feridos, perseguições de carro, capotagens, explosões e socos por minutos que chega a ser impossível contar), INVASÃO USA também é um filme extremamente sádico. Começa já com a figura do herói, que não é engraçadinho nem simpático, apenas insensível e frio, só aparecendo em cena para matar ou explodir alguém. O roteiro como um todo é completamente amoral, especialmente pela quantidade de pessoas inocentes eliminadas friamente. E inclui até uma cena interessante em que o "herói" circula por um bairro pobre na sua picape e é xingado por marginais, prostitutas e cafetões. Norris olha para todos com seu rosto de poucos amigos, como se pensasse: "São ESSAS as pessoas que eu estou tentando salvar???".

    Enfim, um filme tosco, oitentista, Era Reagan até a medula, exagerado, sádico, violento e bobo - e por tudo isso, muito engraçado. Quer fazer uma sessão dupla inesquecível? Assista junto com "Desejo de Matar 3", e seja feliz! Aliás, por que será que não fazem mais filmes assim? Parece tão fácil...

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    1 comentários:

    1. Caro amigo, poderia, por favor, comentar os filmes Código do silêncio e O Comando Delta, a meu ver os dois melhores de Norris. Muito obrigado pela atenção e um forte abraço.

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