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    sexta-feira, 21 de novembro de 2014

    CARMEN MIRANDA BIOGRAFIA



    Em 1940 Carmen Miranda chegou aos Estados Unidos, convidada para fazer alguns shows, e acabou sendo contratada pela 20th Century Fox para uma participação no filme Serenata Tropical. Eles designaram Zacarias Yaconelli, um brasileiro radicado nos Estados Unidos, para ensinar inglês para a cantora. As aulas eram exaustivas, mas valeu a pena, pois logo ela estava dominando o idioma perfeitamente. Idioma que ela teria que fingir pelo resto de sua vida hollywoodiana conhecer medianamente, para agradar os americanos, loucos por tipos exóticos. Era o princípio de sua carreira nos Estados Unidos. Serenata Tropical foi um grande sucesso, trazendo músicas como South American Way, Mamãe Eu Quero e Bambu.
    Quando à caracterização da baiana, ela chegava a carregar mais de cinco enormes e pesadas pulseiras em cada braço, e diversos colares, além de anéis nos dedos. Usava broches e os balangandãs ora vinham nas orelhas, ora no turbante, ora no decote da roupa. Essa era a Carmen, que criava seu próprio estilo e iluminava onde chegava com sua criatividade. Os saltos plataforma serviam para aumentar-lhe a estatura (1:53) e ao mesmo tempo, combinar com o estilo das roupas. E os olhinhos que revirava enquanto cantava e gesticulava? Estilo próprio. Sua imagem era a da alegria.

    Após este filme, ela retornou ao Brasil e teve a infelicidade de ser mal recebida em um show no Cassino da Urca só para gente da alta sociedade, que a recebeu friamente. Ela estranhou. Mas não era seu público. Ao fazer novamente um show, dois meses depois, dessa vez para o seu povo, foi ovacionada. A elite continua a acusar de estar se americanizando, fato que a iria aborrecer durante toda a sua vida. Como resposta, grava o samba "Disseram que voltei Americanizada", de Luiz Peixoto e Vicente Paiva. Logo é chamada para regressar aos Estados Unidos. Novos filmes a aguardam.

    Lá chegando, deixa marcadas suas mãos e seus pés na Calçada da Fama em Los Angeles, e manda um recado aos brasileiros:

    “Meus amigos queridos de todo o Brasil. Aqui estou falando a vocês do Chinese Theatre de Hollywood, onde acabo de botar as minhas mãozinhas e os meus pezinhos no cimento. Podem crer que foi um dos momentos mais felizes da minha vida e nesse momento eu juro que pensei em vocês”.

    Começou sua jornada. Programas de rádio, tv, shows, teatros e cinema. Filmes como Uma Noite no Rio, Aconteceu em Havana, Minha Secretária Brasileira. Ela começou a se incomodar com o fato dos produtores exigirem que ela fingisse um sotaque estrangeiro, mesmo Carmen nesta altura já falar inglês sem sotaque algum. Era considerada a brazilian bombshell, mas ela sabia que suas personagens eram uma paródia e um lugar do qual jamais iria sair. Estava estigmatizada. Mesmo assim seguiu com Loura e a Morena, Quatro Moças Num Jipe, Serenata Boêmia, Alegria Rapazes, Sonhos de Estrela. Quando ela começou a rodar Se Eu Fosse Feliz, já era a artista mais bem paga dos Estados Unidos.

    Com o dinheiro que ganhou, comprou oito poços de petróleo no Texas, fazendo uma sociedade com Clark Gable, Rosalind RUssel e John Wayne.

    Seu último filme para a Century Fox foi If I'm Lucky (1946), e também seu pior. As coisas começaram a desandar daí. Vazou uma foto da atriz dançando sem calcinhas e foi um escândalo. Bem, Darryl F. Zanuck, todo poderoso da Companhia, nunca disse que esse foi o motivo, mas tudo leva a crer. O senador McCarthy colocou Carmen em sua lista de caça às bruxas, e impediu que a Fox renovasse seu contrato.

    Como desgraça não vem sozinha, vem acompanha de outra. Veio a maior de todas: Conheceu e se casou com David Sebastian, homem que passou a gerenciar seus negócios e explorar seus ganhos.

    Continuou seus shows no Palladium de Londres, e nos Estados Unidos. Seu marido, que se tornou seu agente, começa a agendar mais e mais compromissos que Carmen não dava conta. Muitas vezes quatros shows em uma só noite, tendo filmado durante todo o dia. Ela saía de um show com a mesma roupa pesada, entrava no carro e já ia para outra casa de espetáculos, onde tinha que começar toda a maratona novamente: tomar banho (ela jamais entrava no palco suada de um show anterior), maquiar-se e colocar as vestimentas. De manhã logo cedo ela tinha que estar nos estúdios.

    Carmen foi ao médico, que lhe receitou remédios para que ficasse acordada. Ela passou a andar com uma maleta, repleta de remédios. "Parecia uma farmácia ambulante", disse Dulce Damasceno de Brito, jornalista e amiga íntima. Também começou a beber constantemente. Sua única alegria era receber os amigos que a visitavam, vindos do Brasil. Lá eles tocavam para ela samba, ritmo que mais amava, e ela podia ser novamente a antiga Carmen que deixara o Brasil.

    Nas fotos com David era uma alegria só. Nem os amigos entendiam tal casamento, já que eles eram totalmente diferente dela e era de conhecimento geral que a traía com sua própria secretária. Carmen resignava-se e respondia nessas horas: "sou católica, minha religião não permite o divórcio.". Além disso, tinha medo do que sua mãe iria pensar, uma portuguesa tão tradicional. Ah, mas como Carmen estava enganada com sua família que lhe amava. Sua mãe e sua irmã Aurora estavam vendo a situação dela e pediam para que se divorciasse.

    Carmen e Aurora

    Carmen tinha muita vontade de voltar ao Brasil, mas quando os contratos assinados permitiam, eram de no máximo uma, duas semanas, que ela tinha que usar em total repouso em sua casa. A vontade de rever os amigos, a praia, o sol carioca, e quando via algum brasileiro ficava enlouquecida de alegria. Aquém de tudo isso, muitos no Brasil diziam que ela esquecera-se da pátria que a adotara. Ela começou a adquirir um complexo de que não era mais querida e a sofrer com isso, a ter medo de voltar.

    Em 1953 ela dava os primeiros sinais de desgaste e teve que ser internada com esgotamento físico e mental. Passou a beber cada vez mais e a usar cada vez mais medicamentos. Os amigos passaram a não mais reconhecê-la. Aparecia sempre dopada, o sorriso desaparecera, e só reaparecia nos palcos. Chorava por qualquer coisa, e pedia a David que não lhe fizesse tantos contratos. Já não tinha ânimo. Massacrada por inúmeros compromissos de trabalho, por pílulas para dormir e para acordar, pela engrenagem de Hollywood, morreu na madrugada de 5 de agosto de 1955, após a gravação de um programa de televisão em Los Angeles, com apenas 46 anos. 



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